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PRODESE E ACRA



VIDA QUE SEGUE...Uma
das principais bases de inspiração do PRODESE foi a Associação Crianças Raízes
do Abaeté-Acra,espaço institucional onde concebemos composições de linguagens
lúdicas e estéticas criadas para manter seu cotidiano.A Acra foi uma iniciativa
institucional criada no bairro de Itapuã no município de Salvador na Bahia, e
referência nacional como “ponto de cultura” reconhecido pelo Ministério da
Cultura. Essa Associação durante oito anos,proporcionou a crianças e jovens
descendentes de africanos e africanas,espaços socioeducativos que legitimassem
o patrimônio civilizatório dos seus antepassados.
A Acra em parceria com o Prodese
fomentou várias iniciativas institucionais,a exemplo de publicações,eventos
nacionais e internacionais,participações exitosas em
editais,concursos,oficinas,festivais,etc vinculadas a presença africana em
Itapuã e sua expansão através das formas de sociabilidade criadas pelos
pescadores,lavadeiras e ganhadeiras,que mantiveram a riqueza do patrimônio
africano e seu contínuo na Bahia e Brasil.É através desses vínculos de
comunalidade africana, que a ACRA desenvolveu suas atividades abrindo
perspectivas de valores e linguagens para que as , crianças tenham orgulho de
ser e pertencer as suas comunalidades.
Gostaríamos de registrar o nosso
agradecimento profundo a Associação Crianças Raízes do Abaeté(Acra),na pessoa
do seu Diretor Presidente professor Narciso José do Patrocínio e toda a sua
equipe de educadores, pela oportunidade de vivenciarmos uma duradoura e valiosa
parceria durante o período de 2005 a 2012,culminando com premiações de destaque
nacional e a composição de várias iniciativas de linguagens, que influenciaram
sobremaneira a alegria de viver e ser, de crianças e jovens do bairro de
Itapuã em Salvador na Bahia,Brasil.


quinta-feira, 22 de março de 2018

Rei do Benin no Forum Social Mundial



Disponível em https://www.ufrb.edu.br/portal/noticias/5059-forum-social-mundial-ufrb-recebe-visita-da-comitiva-real-do-benin

A Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) recebeu na quarta-feira, 14 de março, a visita da Comitiva Real do Benin composta pelo Pontífice do Culto ao Vodun no Mundo e Rei de Toda Ouidah, Rei Hounon – Houwamenou Daagbo; pela Rainha de Ouidah, Acackpo – Kpessi Ko’Ndodo, e pelo Soberano de Agouagon, Rei Quenum – Gustave Espoir.
A recepção ocorreu no auditório do Centro de Artes, Humanidades e Letras (CAHL), em Cachoeira, como parte das atividades do Fórum Social Mundial 2018, que acontece na Bahia até este sábado, dia 17.


O evento foi promovido pelo Comitê Facilitador do Fórum, pela Confederação Nacional de Turismo (CNTur) e pela UFRB, com objetivo de estimular discussões concernentes à temática Brasil-África, com a participação de autoridades tradicionais Fongbe.
Compuseram a mesa solene o reitor da UFRB, Silvio Soglia; o diretor do CAHL, Jorge Cardoso Filho; o coordenador do curso de Pós-Graduação em História da África, da Diáspora e dos Povos Indígenas, Antonio Liberac; o diretor de Turismo Sustentável da CNTur, Marcelo dos Anjos; o primeiro secretário da Embaixada da República do Benin, Adedodj Ibikounle; e o Ogã Buda de Bobosa, representante da Roça do Ventura e das casas irmãs Fongbe no Brasil.
Abrindo a cerimônia, o Doté Marcelino Gomes, da casa de Adorno de Cachoeira, fez uma saudação inicial. Em seguida, os representantes do Comitê Facilitador do Fórum, Tatá Edson e Ekedi Marina, deram as boas-vindas aos presentes.
Marina ressaltou a importância do momento histórico e clamou a todos para a tarefa de construir a unidade dos povos africanos no mundo. “Cá estamos nós a ver o quanto a nossa identidade religiosa e cultural está representada. É responsabilidade de todos esse processo de transformação. Estamos todos na busca da resistência e sobrevivência”, disse.

Rei Hounon  Houwamenou Daagbo
O professor Antonio Liberac sugeriu o encaminhamento de convênios com as instituições sociais da República do Benin para intercâmbios acadêmicos. “Pelas tradições que vocês trouxeram para cá, nós somos parte de vocês e vocês são parte de nós. O Brasil tem essa especificidade de ser constituído de uma energia de vários povos. Nossa missão aqui é preservar e entender esse processo histórico, antropológico e político”, resumiu, destacando pesquisas já existentes no âmbito da Pós-Graduação e do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros do Recôncavo da Bahia (NEAB).
Em nome do CAHL, o diretor Jorge Cardoso Filho afirmou que o centro de ensino da UFRB em Cachoeira sempre apoiou e continuará acolhendo as temáticas que se relacionam de forma direta com os povos africanos e a diversidade religiosa, seja em seus cursos ou projetos. “Para nós, receber essa comitiva para nos ajudar a pensar essas questões é uma oportunidade única. Temos a honra de acolher essas autoridades e debater a construção e consolidação de pautas que aqui sempre foram muito importantes”, disse.
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Reportagem disponível em Disponível em https://www.ufrb.edu.br/portal/noticias/5059-forum-social-mundial-ufrb-recebe-visita-da-comitiva-real-do-benin



Rei do Benin Visita a Casa do Benim

Casa do Benin recebe visita da Família Real beninense
Disponível em http://bahiaja.com.br/
A Casa do Benin, no Pelourinho, recebeu, nesta segunda-feira (19), a visita da Comitiva Real do Benin, composta pelo rei Daagbo Hounon Owamenou e sua esposa, a rainha Acakapo Kpesi Ko’Ndodo, e do rei de Agouagon, de V. M. Kenoun Gustave Espoir. A família está na cidade em razão do Fórum Social Mundial 2018, e demonstrou satisfação e disposição durante a visita ao museu que conta um pouco da história da sua terra natal.

Doté Amilton do kerebetan Hunkpame Savalu Vodun Zo Kwe acompanha a comitiva real
O gerente de Equipamentos Culturais da Fundação Gregório de Mattos (FGM), Chicco Assis, recebeu a comitiva, destacando a importância da visita no ano em que o local completa três décadas de existência, ressaltando que “a Casa representa um espaço de diálogo e intercâmbio entre Brasil e África”.

 A senhora Acakapo Kpesi Ko`Ndodo esposa do rei  admira a obra de Mestre Didi na visita a Casa do Benim.
A arte-educadora Régia Ribeiro conduziu a todos numa visita guiada em francês pelo espaço museal, explicando desde a exposição permanente com obras trazidas do Golfo do Benin, passando pela mostra itinerante Afèto, com fotografias feitas pelo fotógrafo Róger Cipó registrando a relação de afeto dentro dos terreiros de Candomblé em São Paulo, até o anexo, onde fica o Tata Somba, tenda africana com mesa redonda ao centro que pode ser usada para as refeições, bem como reuniões.
Antes da chegada à Casa do Benin, a Associação Afro-ameríndia (AFA), recepcionou a Comitiva Real no Curuzu em direção ao Hunkpame Savalu Vodun Zo Kwe, primeiro terreiro tombado pela Lei Municipal 8.550/2014. Eles foram recebidos por Doté Amilton de Sogbo, sacerdote do Terreiro. “Momento histórico, onde África e Brasil reafirmam seus laços ancestrais reforçando todo legado do Culto aos Vodun na Bahia e no Brasil”, afirma Leonel Monteiro, presidente da AFA.



quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

SALGUEIRO NO SEU TERRITÓRIO DE ORIGEM


Imagem disponível na Internet

Por Oju Oba Marco Aurélio Luz

A Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro em seu desfile, deu uma aula acadêmica explorando seu território de negritude.
Seu enredo focalizou o poder e o mistério da mulher, especificamente da mulher negra, as primeiras que deram início a saga da humanidade desde a África.
A Cabaça ventre fecundado
Foto disponível na Internet
O mistério e o poder de transformação de seu corpo gerando filhas e filhos, e sua capacidade de alimentá-los, está representado logo do início do do enredo, pela simbologia da grande cabaça de onde surgem primeiramente óvulos fecundados com embriões e depois se espraiam mulheres segurando seus nenén

As mães com seus neném
Foto disponível na Internet
O enredo segue apresentando a presença da mulher negra africana em várias fases das histórias das civilizações.
Lindíssimos trajes e alegorias ilustram o esplendor do Egito negro faraônico, berço das civilizações. Apresenta a presença da mulher no poder faraônico e também como deusas na mitologia e na religião.

Deusas e rainhas no Egito Antigo
Foto  disponível na Internet

O poder das mulheres no Egito negro faraônico
Foto de Alexandre Durão disponível na Internet
O enredo se desenvolve com a sucessão de alas apresentando vários reinos de forma exuberante onde se destacam a presença feminina, como as Candaces, rainhas e guerreiras do reino da Núbia e Kush, a importância da rainha de Saba que encantou o rei Salomão.

Guerreiras e rainhas na antiguidade negro africana 
Foto disponível na Internet
Outra ala apresenta a rainha Nzinga Ngola Bandi Kiluanji, para nós a rainha Ginga que manteve o reino do Ndongo independente, enfrentando o colonialismo português no século XVII. Nzinga a “Rainha Invisível” como chamavam os portugueses por suas táticas de guerra, é enaltecida ainda mais, porque o quilombo dos Palmares é um desdobramento dessas lutas. Akotirene, Dandara, Aqualtune, que se destacam no “reino” do Palmares representam as mulheres libertárias na luta contra a escravidão.

Guerreiras libertárias
Foto disponível na Internet
Outras  mulheres heroínas se destacam nessa luta de libertação e afirmação, como Luíza Mahim na revolta Malê de 1835 na Bahia e Maria Felipa nas lutas de independência da Bahia em Itaparica.
A presença significativa das mulheres na reposição das tradições religiosas africano- brasileiras ganha destaque em magnífica alegoria.

 Gelede culto às ancestrais femininas é apresentado. No Brasil destacou-se a alta sacerdotisa Iyalode Erelu Maria Julia Figueiredo. As Iya Mi Agba as mães ancestrais se apresentam na forma de corujas, grandes passaros, peixes, sereias, metade mulher metade peixe ou pássaro, morcegos...
Foto de  Alexandre Durão.Imagem disponível na Internet

Gelede, escultura ritual do culto as mães ancestrais originário da cidade de Ketu.
Foto disponível na Internet
 Desde a religião se desdobra a contribuição da mulher negra para sua pujante presença na cultura brasileira.
A imprescindível ala das baianas, homenagem permanente as fundadoras do mundo do samba.
Foto de  Alexandre Durão.Imagem disponível na Internet
Foto disponível na Internet
O desfile de esplendor e beleza exuberante engrandece o carnaval brasileiro e foi merecedor de uma premiação. 






















terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

VAMOS CHAMAR O VENTO?




Imagem disponível na Internet


Por Narcimária C.P. Luz
A descolonização nos obriga a pensar radicalmente o lugar em que estamos, pensar a partir das nossas raízes, das histórias que envolvem os nossos antepassados. Só podemos nos fortalecer e compor projeções de futuro que deem dignidade as gerações sucessoras, se imprimirmos atitudes e iniciativas que estabelecem novas fronteiras de pensamento para além do déjà vu da ditadura midiática ou, parafraseando Muniz Sodré, para além do “monopólio da fala”.
Uma propaganda de perfume recente, tem a música “O Vento” (1949) de autoria de Dorival Caymmi como fundo. Dois personagens solitários ilustram a narrativa:  uma mulher caminhando pelas dunas com uma roupa esvoaçante solta ao vento, e um rapaz no mar fazendo manobras de windsurfe.
Para além do exótico, folclórico e turístico é necessário alertar as gerações que não tiveram a oportunidade de verem florescer a obra de Caymmi ao longo das décadas, que “O Vento” perde a sua significância, pois é retirado do contexto simbólico africano-brasileiro que ele carrega. “O vento” que integra as canções praieiras de Caymmi, assim como as demais canções, nos permite conhecer narrativas que contam as histórias do viver cotidiano das populações negras, que têm o mar como referência essencial para organizar seus vínculos comunitários.

Foto de Narcimária Luz
“Vamos chamar o vento/ Vento que dá na vela/ Vela que leva o barco/ Barco que leva a gente/ Gente que leva o peixe/ Peixe que dá dinheiro/Curimã ê, curimã lambaio ...”

Imagem disponível na Internet
O vento entoado por Caymmi, soa como uma oração que apela para as forças cósmicas que regem o universo, imprimindo movimento na vela do barco construído num esforço coletivo de pescadores, que entram no mar para extrair o alimento que vai prover a comunidade. 

Caymmi com pescadores em Itapuã
Imagem disponível na Internet
O mar e seu entrelaçamento com a correnteza dos rios, repercute na organização da pesca através dos princípios femininos do panteão nagô: Iemanjá e Oxum.

Foto Narcimária Luz


O que queremos chamar atenção, é que “O Vento” que Caymmi chama e nos ensina a escutar, carrega o  riquíssimo repertório que os pescadores utilizam para classificar os peixes, observando seu comportamento e/ou natureza, seus habitats, os ciclos de migração e reprodução, a teia alimentar, informações sobre temperatura e luminosidade na água que podem interferir na pesca, as fases da lua, a tábua das marés, além da culinária, da presença e poder  feminino no contexto da pesca, etc. – que são descritas com a propriedade de quem herdou o legado dos mais velhos africanos na lida com o mar.

Imagem disponível na Internet


Estamos nos referindo as formas e códigos da comunicação milenares, cujas relações simbólicas riquíssimas são carregadas de elaborações emocionais, transcendentais, primordiais à experiência humana com seu meio ético, social e cósmica.

Imagem disponível na Internet


A seguir vídeo que apresenta Caymmi interpretando "O vento"








Dorival Caymmi - O Vento - Heineken Concerts - 1996


domingo, 4 de fevereiro de 2018

CANÇÕES QUE ROMPEM FRONTEIRAS



Foto disponível na internet

Por Narcimária C. P. Luz
Algumas questões que vêm afligindo as sociedades contemporâneas submetidas as relações de prolongação neocolonial que geram violências de toda ordem: guerras, fome, perdas territoriais, destruição da natureza, pobreza crônica, mortalidade infantil, institucionalização de políticas genocidas, e a desigualdade social que mapeia o planeta.

Contemporaneamente, distintas comunalidades tradicionais de vários países têm tomado para si, a iniciativa de aplacar as angústias que têm comprometido o direito à existência das suas crianças e jovens, gerações que representam o futuro dos povos. Mas não é fácil erguer espaços institucionais que assumam tais condutas políticas, porque essas iniciativas têm que lidar, frequentemente, com a falta de recursos e incentivos de toda sorte.

Aqui, cabe mencionar os artigos 19 e 20 da Carta Africana de 1976, elaborada em Argel, no âmbito de um Congresso voltado para aprofundar questões sobre o direito dos povos: “Todos os povos são iguais; eles devem gozar do mesmo respeito e ter os mesmos direitos. Nada justifica a dominação de um povo sobre outro; Todos os povos têm direito ‘a existência”

No documento que trata do “Novo Contrato entre Cultura e Sociedade”, apresentado no IIº Congresso Internacional Cultura e Desenvolvimento, realizado em Havana, em junho de 2001, a UNESCO  afirma que  “o desenvolvimento supõe a capacidade de cada povo para informar-se, aprender e comunicar suas experiências um número cada vez maior de mulheres e homens deseja um mundo melhor, perseguindo não apenas a satisfação das necessidades fundamentais, mas a possibilidade de convivência solidária com todos os povos. Seu objetivo não é a produção, a ganância, o consumo, mas a plena realização individual, coletiva e a preservação da natureza”

Foto disponível na internet
Assim, não ter como passar incólume face a experiência de assistir os vídeos de músicas do Playing for Change (Tocando para a mudança). Gratificante!
O Playing for Change Foundation é um movimento criado em 2002, através de um projeto multimídia que se alimenta da música, como um canal poderoso de diálogos em prol da paz e o respeito entre as nações.

Foto disponível na internet
As músicas selecionadas e a capacidade de reunir excelentes músicos de distintas civilizações, imprimem nas canções, interpretações primorosas que emocionam e comunicam mensagens de paz, amor, solidariedade, respeito e dignidade. Para isso, são consideradas as histórias e as dinâmicas territoriais que   caracterizam o viver cotidiano das populações da África, Américas, Caribe, Oceania, Ásia e Europa.
Foto disponível na internet
A estrutura, forma e conteúdo do projeto multimídia Playing for Change, apela para uma estética original convidando-nos a lidar com músicas que envolvem as simbologias características do imaginário de distintos povos.  Impressiona também, o encontro entre gerações de músicos de vários países, cantando valores que comunicam de forma admirável a transcendência do viver. É possível sentir o afeto e criatividade que envolvem todos os vídeos, através das vozes daqueles/as que assumem as interpretação das canções que constituem a identidade profunda de muitas sociedades. A música “La Tierra Del Olvido” (2015) por exemplo, é uma bela ilustração da cultura do povo colombiano contando com a participação de palenques, extensão do contínuo africano nas Américas.
"La Tierra Del Olvido"
Foto disponível na internet
Outras interpretações excepcionais recriadas a partir dos valores de comunidades tradicionais, e constituem convites valiosos que nos levam a viajar no tempo: “Guantanamera” (1963) e “Pata Pata” (1967). Essas são canções que lembram uma época marcada pela atmosfera de transformações políticas e socioculturais fundamentais nos anos 1960. 

Canção Guantanamera
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Miriam Makeba em  "Pata Pata"
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Arrogância, prepotência, ganância, ignorância, narcisismos e preconceitos, encontram em várias canções, o apelo para a superação do ódio que oprime e mata gerações.  Assim é War (1976) de Boby Marley, com músicos e intérpretes do Congo, Israel, Irlanda, África do Sul, Estados Unidos, Índia que cantam de forma uníssona, comunicando a urgência de uma ética que favoreça o direito a existência dos povos que sofrem o genocídio institucionalizado.
Foto disponível na internet
Como disse John Lennon em Imagine(1971): “Você pode dizer que sou um sonhador, mas não sou o único. Tenho a esperança de que um dia você se juntará a nós e o mundo será como um só... Imagine todas as pessoas compartilhando todo o mundo.”
Foto disponível na internet
Apesar da mediocridade que tende a reger as sociedades contemporâneas, o sonho continua nas canções que incentivam uma ética do futuro baseada na paz e no direito coletivo dos povos.
A seguir vídeos que ilustram as "canções que rompem fronteiras"

La Tierra Del Olvido | Playing For Change | Song Around The World


Guantanamera | Playing For Change | Song Around The World


Pata Pata Recording Session at Apogee Studios | Playing For Change


War/No More Trouble | Playing for Change | Song Around The World


Imagine - Playing for Change_Song Around the World© | Legenda em Portugu...


quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

O ÂMAGO DO RACISMO


Por Oju Oba Marco Aurélio Luz

Independência do Haiti 1804.
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O presidente Trump revelou sua índole racista ofendendo os povos africanos e citando primordialmente o Haiti nas Américas.
Durante o período de luta de libertação os aldeões comandados por Dessalines, derrotaram as tropas francesas de Leclerc e em 1804, sedimentaram a independência do Haiti.
Já no exílio Napoleão revelou sobre sua intervenção no Haiti:
“...tenho de me censurar pela tentativa junto à colônia durante meu consulado. A intenção de fazê-la render-se pela força foi um grande erro. Devia ter ficado contente em governá-la por intermédio de Toussaint.”

Derrota das tropas francesas comandadas por Leclerc cunhado de Napoleão
Imagem disponível na Internet
Os ingleses que já tinham perdido metade da Jamaica libertada,  gritaram aos quatro cantos do mundo: fim do tráfico escravista!!! Abolição da escravatura!!!
A estratégia foi de estabelecer uma política de colônias não só de exploração, mas também de povoamento de europeus, e é assim que tem início a política de branqueamento.
Com Portugal submetido aos interesses do Reino Unido, logo D. João VI abre os portos da colônia para a imigração de brancos especialmente nas regiões sudeste e sul, onde ocorrem a “caça aos bugres” os massacres dos povos Kaigang e Xokleng. Logo transformariam o “inferno verde” a Mata Atlântica”, em “campos ridentes”.
Povo Kaigang
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No Império, diante dos protestos da oligarquia agrária escravista, José Bonifácio acalma o cônsul inglês Chamberlain:
“gostaria que os ingleses capturassem todo navio negreiro...Não quero vê-los nunca mais... são a gangrena da nossa prosperidade. A população que queremos é branca”...
A preparação para a abolição consiste numa mudança de status da população negra; será a transformação da classificação pelo aparelho jurídico de Estado de “peça”, e “semovente” propriedade do senhor, em cidadão livre, ou “livre  de tudo” sem acesso aos meios de produção como disse Marx.
Agora caberá ao aparelho ideológico tentar manter uma formação social eurocêntrica. Tem início com o convite de D. Pedro II aos ideólogos do racismo o higienista conde Gobinau e o socialista arianista Lapouge.  
A Razão de Estado se alimentará das teorias científicas “psi” para estabelecer padrões de “superioridade e inferioridade racial”, para erguer o edifício racista que justificará na República, genocídios como o de Canudos, perseguições policiais às instituições do povo negro e a constituição de um imaginário de estereótipos e preconceitos que percorrem as instituições oficiais e a sociedade em geral.
O professor e psiquiatra Nina Rodrigues com a falsa “ciência da psiquiatria da época”, relacionou a doença mental da histeria à manifestação de orixá da tradição religiosa africano brasileira. Com isso, ele atacou a religião fonte da civilização e também a população negra em geral, colocando-a numa escala evolutiva patológica e inferior.
Importante também é a influência da ideologia do filósofo francês Augusto Conte, constituindo uma escala evolutiva baseada nas "etapas" da humanidade. Primeiro estágio o religioso com predominância do mito, depois o metafísico com predominância da filosofia e finalmente a etapa superior, o científico com a presença da ciência. Seu pensamento chamado de positivista muito influenciou a formatação do Estado Republicano no Brasil, e é de onde deriva o lema  "ordem e progresso", ordem eurocêntrica e progresso acima de quaisquer limites ecológicos.

Espaço sagrado das águas na religião africano brasileira
Foto Hans Olu Obi
Apesar disso a transposição pujante da civilização africana se realiza no Brasil e nas Américas, e o povo negro mantém-se íntegro na luta pelos direitos de cidadania plena.

Congraçamento em Palmares no dia da Consciência Negra, Homenagem ao herói Zumbi.
Imagem disponível na Internet


sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Fiat Lux: Salve o Ano Novo


                                                                                Por Chico Alencar


Foto: disponível na internet

🌈: FIAT LUX!
Fogos vão cortar a noite na virada do ano. Costumamos simbolizar nossa eterna busca de felicidade com o que ilumina. Parte dessa ânsia de luz talvez venha da nossa ancestralidade: bichinhos frágeis, a escuridão da noite nos deixava ainda mais desamparados. Domesticar o fogo garantiu nossa sobrevivência de sapiens.🔥



Foto: disponível na internet

Em todas as tradições religiosas a luz tem centralidade. Nossa existência é uma constante batalha entre as sombras e a claridade. Quando nascemos há o júbilo por quem “veio à luz”.🐣

Na religiosidade de matriz africana o fogo congrega e comunica com o transcendente. No candomblé e na umbanda, os espíritos superiores são “de luz” e os trajes brancos favorecem a abertura de caminhos. Os judeus celebram sua “festa das luzes”, o Hanuká, relembrando a vitória do pequeno grupo dos macabeus sobre o poderoso exército do rei da Síria. A Menorah, seu símbolo maior, é um candelabro de sete hastes (grato, Arnaldo Bloch).  No Corão, “Alá é a Luz dos céus e da terra” e um candeeiro com o óleo da oliveira, “árvore bendita”, faz o fogo brilhar ainda mais.💥



Foto:M.A.Luz

O central no budismo é o exercício da elevação na direção da sabedoria, da iluminação. A luz da estrela de Belém conduziu os magos ao lugar perdido onde nasceu Jesus. Sua ressurreição é celebrada com a “benção do fogo novo” e o círio pascal. A bebida em rituais indígenas, vindo das plantas da floresta, ajuda a ver o invisível, alcançar a plena lucidez.☀




Foto: Narcimária Luz

Por isso, o desafio sempre atual é buscarmos a luz. “Luz, quero luz!”, clama o poeta, mesmo sabendo que “além das cortinas são palcos azuis e infinitas cortinas com palcos atrás”.                               
 Morte mesmo é a imersão na escuridão do não ser. O anúncio do profeta falando do nascimento de Cristo sempre me comove: “e o povo que vivia nas trevas viu uma grande luz!”. 🌈

Há luz no nosso caminho quando nos abrimos ao outro, combatendo a sombra do egoísmo. Há luz na nossa estrada quando, na contramão do sistema de consumo e do mercado total, valorizamos mais o ser do que o ter. Há luz no nosso dia a dia quando deixamos de lado as mesquinharias e nos convertemos a valores como a solidariedade e a justiça, traduzindo-os em atitudes concretas. Há luz em nossa existência quando, mesmo diante da perda e da dor, encontramos força para seguir viagem, alimentados pela fé – que é sempre um face-a-face no escuro. 🎇🙏🏾




Foto: Família Luz

                 A luz do amor brilha em nós quando nos colocamos, uns com os outros💗, em marcha para superar preconceitos e todas as opressões.    Mais um ano chegou: lúmen!🌄 Que seu 2018 seja um ano-luz!🌈 E para nós de reencontro, amor intenso, entusiasmo...💑