quinta-feira, 22 de março de 2018
Rei do Benin no Forum Social Mundial
Disponível em https://www.ufrb.edu.br/portal/noticias/5059-forum-social-mundial-ufrb-recebe-visita-da-comitiva-real-do-benin
A Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) recebeu
na quarta-feira, 14 de março, a visita da Comitiva Real do Benin composta pelo
Pontífice do Culto ao Vodun no Mundo e Rei de Toda Ouidah, Rei Hounon –
Houwamenou Daagbo; pela Rainha de Ouidah, Acackpo – Kpessi Ko’Ndodo, e pelo
Soberano de Agouagon, Rei Quenum – Gustave Espoir.
A recepção ocorreu no
auditório do Centro de Artes, Humanidades e Letras (CAHL), em Cachoeira, como
parte das atividades do Fórum Social Mundial 2018, que acontece na Bahia até
este sábado, dia 17.
O evento foi promovido pelo Comitê Facilitador do Fórum,
pela Confederação Nacional de Turismo (CNTur) e pela UFRB, com objetivo de
estimular discussões concernentes à temática Brasil-África, com a participação
de autoridades tradicionais Fongbe.
Compuseram a mesa solene o reitor da UFRB,
Silvio Soglia; o diretor do CAHL, Jorge Cardoso Filho; o coordenador do curso
de Pós-Graduação em História da África, da Diáspora e dos Povos Indígenas,
Antonio Liberac; o diretor de Turismo Sustentável da CNTur, Marcelo dos Anjos;
o primeiro secretário da Embaixada da República do Benin, Adedodj Ibikounle; e
o Ogã Buda de Bobosa, representante da Roça do Ventura e das casas irmãs Fongbe
no Brasil.
Abrindo a cerimônia, o Doté Marcelino Gomes, da casa de
Adorno de Cachoeira, fez uma saudação inicial. Em seguida, os representantes do
Comitê Facilitador do Fórum, Tatá Edson e Ekedi Marina, deram as boas-vindas
aos presentes.
Marina ressaltou a importância do momento histórico e clamou a
todos para a tarefa de construir a unidade dos povos africanos no mundo. “Cá
estamos nós a ver o quanto a nossa identidade religiosa e cultural está
representada. É responsabilidade de todos esse processo de transformação.
Estamos todos na busca da resistência e sobrevivência”, disse.
Rei Hounon Houwamenou Daagbo
O professor Antonio Liberac sugeriu o encaminhamento de
convênios com as instituições sociais da República do Benin para intercâmbios
acadêmicos. “Pelas tradições que vocês trouxeram para cá, nós somos parte de
vocês e vocês são parte de nós. O Brasil tem essa especificidade de ser
constituído de uma energia de vários povos. Nossa missão aqui é preservar e
entender esse processo histórico, antropológico e político”, resumiu,
destacando pesquisas já existentes no âmbito da Pós-Graduação e do Núcleo de
Estudos Afro-Brasileiros do Recôncavo da Bahia (NEAB).
Em nome do CAHL, o diretor Jorge Cardoso Filho afirmou que o
centro de ensino da UFRB em Cachoeira sempre apoiou e continuará acolhendo as
temáticas que se relacionam de forma direta com os povos africanos e a
diversidade religiosa, seja em seus cursos ou projetos. “Para nós, receber essa
comitiva para nos ajudar a pensar essas questões é uma oportunidade única.
Temos a honra de acolher essas autoridades e debater a construção e
consolidação de pautas que aqui sempre foram muito importantes”, disse.
************
Rei do Benin Visita a Casa do Benim
Casa do Benin recebe visita da Família Real beninense
Disponível em http://bahiaja.com.br/
A Casa do Benin, no Pelourinho, recebeu, nesta segunda-feira
(19), a visita da Comitiva Real do Benin, composta pelo rei Daagbo Hounon
Owamenou e sua esposa, a rainha Acakapo Kpesi Ko’Ndodo, e do rei de Agouagon,
de V. M. Kenoun Gustave Espoir. A família está na cidade em razão do Fórum
Social Mundial 2018, e demonstrou satisfação e disposição durante a visita ao
museu que conta um pouco da história da sua terra natal.
Doté Amilton do kerebetan Hunkpame Savalu Vodun Zo Kwe acompanha a comitiva real
O gerente de Equipamentos Culturais da Fundação Gregório de
Mattos (FGM), Chicco Assis, recebeu a comitiva, destacando a importância da
visita no ano em que o local completa três décadas de existência, ressaltando
que “a Casa representa um espaço de diálogo e intercâmbio entre Brasil e
África”.
A senhora Acakapo Kpesi Ko`Ndodo esposa do rei admira a obra de Mestre Didi na visita a Casa do Benim.
A arte-educadora Régia Ribeiro conduziu a todos numa visita
guiada em francês pelo espaço museal, explicando desde a exposição permanente
com obras trazidas do Golfo do Benin, passando pela mostra itinerante Afèto,
com fotografias feitas pelo fotógrafo Róger Cipó registrando a relação de afeto
dentro dos terreiros de Candomblé em São Paulo, até o anexo, onde fica o Tata
Somba, tenda africana com mesa redonda ao centro que pode ser usada para as
refeições, bem como reuniões.
Antes da chegada à Casa do Benin, a Associação
Afro-ameríndia (AFA), recepcionou a Comitiva Real no Curuzu em direção ao
Hunkpame Savalu Vodun Zo Kwe, primeiro terreiro tombado pela Lei Municipal
8.550/2014. Eles foram recebidos por Doté Amilton de Sogbo, sacerdote do
Terreiro. “Momento histórico, onde África e Brasil reafirmam seus laços
ancestrais reforçando todo legado do Culto aos Vodun na Bahia e no Brasil”,
afirma Leonel Monteiro, presidente da AFA.
segunda-feira, 19 de março de 2018
quinta-feira, 15 de março de 2018
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018
SALGUEIRO NO SEU TERRITÓRIO DE ORIGEM
A Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro em seu desfile, deu uma aula acadêmica explorando seu território de negritude.
Seu
enredo focalizou o poder e o mistério da mulher, especificamente da mulher
negra, as primeiras que deram início a saga da humanidade desde a África.
A Cabaça ventre fecundado
Foto disponível na Internet
O
mistério e o poder de transformação de seu corpo gerando filhas e filhos, e sua
capacidade de alimentá-los, está representado logo do início do do enredo, pela
simbologia da grande cabaça de onde surgem primeiramente óvulos fecundados com
embriões e depois se espraiam mulheres segurando seus nenén
As mães com seus neném
Foto disponível na Internet
O
enredo segue apresentando a presença da mulher negra africana em várias fases
das histórias das civilizações.
Lindíssimos
trajes e alegorias ilustram o esplendor do Egito negro faraônico, berço das
civilizações. Apresenta a presença da mulher no poder faraônico e também como
deusas na mitologia e na religião.
Deusas e rainhas no Egito Antigo
Foto disponível na Internet
O poder das mulheres
no Egito negro faraônico
Foto de Alexandre
Durão disponível na Internet
O
enredo se desenvolve com a sucessão de alas apresentando vários reinos de forma
exuberante onde se destacam a presença feminina, como as Candaces, rainhas e
guerreiras do reino da Núbia e Kush, a importância da rainha de Saba que
encantou o rei Salomão.
Guerreiras e rainhas na antiguidade negro africana
Foto disponível na Internet
Outra
ala apresenta a rainha Nzinga Ngola Bandi Kiluanji, para nós a rainha Ginga que
manteve o reino do Ndongo independente, enfrentando o colonialismo português no
século XVII. Nzinga a “Rainha Invisível” como chamavam os portugueses por suas
táticas de guerra, é enaltecida ainda mais, porque o quilombo dos Palmares é um
desdobramento dessas lutas. Akotirene, Dandara, Aqualtune, que se destacam no
“reino” do Palmares representam as mulheres libertárias na luta contra a
escravidão.
Guerreiras libertárias
Foto disponível na Internet
Outras mulheres heroínas se destacam nessa luta de
libertação e afirmação, como Luíza Mahim na revolta Malê de 1835 na Bahia e
Maria Felipa nas lutas de independência da Bahia em Itaparica.
A
presença significativa das mulheres na reposição das tradições religiosas
africano- brasileiras ganha destaque em magnífica alegoria.
Gelede culto às ancestrais femininas é apresentado. No Brasil destacou-se a
alta sacerdotisa Iyalode Erelu Maria Julia Figueiredo. As Iya Mi Agba as mães ancestrais se apresentam na forma de corujas, grandes passaros, peixes, sereias, metade mulher metade peixe ou pássaro, morcegos...
Foto de Alexandre Durão.Imagem disponível na Internet
Gelede, escultura ritual do culto as mães ancestrais originário da cidade de Ketu.
Foto disponível na Internet
Desde a religião se desdobra a
contribuição da mulher negra para sua pujante presença na cultura brasileira.
A imprescindível ala das baianas, homenagem permanente as fundadoras do mundo do samba.
Foto de Alexandre Durão.Imagem disponível na Internet
Foto de Alexandre Durão.Imagem disponível na Internet
A
culinária tem destaque apresentando a
riqueza de sabores da originalidade brasileira.
A presença no mundo da escrita faz referências as inúmeras escritoras que enriquecem nossa bibliografia.
No encerramento uma alegoria lembrando a famosa escultura “Pietá”, demonstra a tragédia da mãe negra tendo o seu filho no colo morto pela violência nos dias de hoje.
A presença no mundo da escrita faz referências as inúmeras escritoras que enriquecem nossa bibliografia.
No encerramento uma alegoria lembrando a famosa escultura “Pietá”, demonstra a tragédia da mãe negra tendo o seu filho no colo morto pela violência nos dias de hoje.
Foto disponível na Internet
O
desfile de esplendor e beleza exuberante engrandece o carnaval brasileiro e foi
merecedor de uma premiação.
terça-feira, 20 de fevereiro de 2018
VAMOS CHAMAR O VENTO?
Por
Narcimária C.P. Luz
A
descolonização nos obriga a pensar radicalmente o lugar em que estamos, pensar
a partir das nossas raízes, das histórias que envolvem os nossos antepassados.
Só podemos nos fortalecer e compor projeções de futuro que deem dignidade as
gerações sucessoras, se imprimirmos atitudes e iniciativas que estabelecem
novas fronteiras de pensamento para além do déjà vu da ditadura midiática ou,
parafraseando Muniz Sodré, para além do “monopólio da fala”.
Uma
propaganda de perfume recente, tem a música “O Vento” (1949) de autoria de
Dorival Caymmi como fundo. Dois personagens solitários ilustram a narrativa: uma mulher caminhando pelas dunas com uma
roupa esvoaçante solta ao vento, e um rapaz no mar fazendo manobras de windsurfe.
Para
além do exótico, folclórico e turístico é necessário alertar as gerações que
não tiveram a oportunidade de verem florescer a obra de Caymmi ao longo das
décadas, que “O Vento” perde a sua significância, pois é retirado do contexto
simbólico africano-brasileiro que ele carrega. “O vento” que integra as canções
praieiras de Caymmi, assim como as demais canções, nos permite conhecer
narrativas que contam as histórias do viver cotidiano das populações negras,
que têm o mar como referência essencial para organizar seus vínculos
comunitários.
Foto de Narcimária Luz
“Vamos
chamar o vento/ Vento que dá na vela/ Vela que leva o barco/ Barco que leva a
gente/ Gente que leva o peixe/ Peixe que dá dinheiro/Curimã ê, curimã lambaio ...”
Imagem disponível na Internet
O
vento entoado por Caymmi, soa como uma oração que apela para as forças cósmicas
que regem o universo, imprimindo movimento na vela do barco construído num
esforço coletivo de pescadores, que entram no mar para extrair o alimento que
vai prover a comunidade.
Caymmi com pescadores em Itapuã
Imagem disponível na Internet
O mar e seu entrelaçamento com a correnteza dos rios,
repercute na organização da pesca através dos princípios femininos do panteão nagô:
Iemanjá e Oxum.
Foto Narcimária Luz
O
que queremos chamar atenção, é que “O Vento” que Caymmi chama e nos ensina a
escutar, carrega o riquíssimo repertório
que os pescadores utilizam para classificar os peixes, observando seu
comportamento e/ou natureza, seus habitats, os ciclos de migração e reprodução,
a teia alimentar, informações sobre temperatura e luminosidade na água que
podem interferir na pesca, as fases da lua, a tábua das marés, além da
culinária, da presença e poder feminino no
contexto da pesca, etc. – que são descritas com a propriedade de quem herdou o
legado dos mais velhos africanos na lida com o mar.
Imagem disponível na Internet
Estamos nos referindo
as formas e códigos da comunicação milenares, cujas relações simbólicas
riquíssimas são carregadas de elaborações emocionais, transcendentais,
primordiais à experiência humana com seu meio ético, social e cósmica.
Imagem disponível na Internet
A seguir vídeo que apresenta Caymmi interpretando "O vento"
domingo, 4 de fevereiro de 2018
CANÇÕES QUE ROMPEM FRONTEIRAS
Por Narcimária C. P. Luz
Algumas questões que vêm afligindo as
sociedades contemporâneas submetidas as relações de prolongação neocolonial que
geram violências de toda ordem: guerras, fome, perdas territoriais, destruição
da natureza, pobreza crônica, mortalidade infantil, institucionalização de
políticas genocidas, e a desigualdade social que mapeia o planeta.
Contemporaneamente, distintas
comunalidades tradicionais de vários países têm tomado para si, a iniciativa de
aplacar as angústias que têm comprometido o direito à existência das suas
crianças e jovens, gerações que representam o futuro dos povos. Mas não é fácil erguer espaços
institucionais que assumam tais condutas políticas, porque essas iniciativas
têm que lidar, frequentemente, com a falta de recursos e incentivos de toda
sorte.
Aqui, cabe mencionar os artigos 19 e 20
da Carta Africana de 1976, elaborada em Argel, no âmbito de um Congresso
voltado para aprofundar questões sobre o direito dos povos: “Todos os povos são
iguais; eles devem gozar do mesmo respeito e ter os mesmos direitos. Nada
justifica a dominação de um povo sobre outro; Todos os povos têm direito ‘a
existência”
No documento que trata do “Novo
Contrato entre Cultura e Sociedade”, apresentado no IIº Congresso Internacional
Cultura e Desenvolvimento, realizado em Havana, em junho de 2001, a UNESCO afirma que “o desenvolvimento supõe a capacidade de cada
povo para informar-se, aprender e comunicar suas experiências um número cada vez maior de mulheres e
homens deseja um mundo melhor, perseguindo não apenas a satisfação das
necessidades fundamentais, mas a possibilidade de convivência solidária com
todos os povos. Seu objetivo não é a produção, a ganância, o consumo, mas a
plena realização individual, coletiva e a preservação da natureza”
Foto disponível na internet
Assim, não ter como passar incólume face
a experiência de assistir os vídeos de músicas do Playing for Change (Tocando para a mudança).
Gratificante!
O Playing for Change Foundation é um
movimento criado em 2002, através de um projeto multimídia que se alimenta da
música, como um canal poderoso de diálogos em prol da paz e o respeito entre as
nações.
Foto disponível na internet
As músicas selecionadas e a capacidade
de reunir excelentes músicos de distintas civilizações, imprimem nas canções,
interpretações primorosas que emocionam e comunicam mensagens de paz, amor,
solidariedade, respeito e dignidade. Para
isso, são consideradas as histórias e as dinâmicas territoriais que caracterizam o viver cotidiano das
populações da África, Américas, Caribe, Oceania, Ásia e Europa.
Foto disponível na internet
A estrutura, forma e conteúdo do
projeto multimídia Playing for Change, apela para uma estética original
convidando-nos a lidar com músicas que envolvem as simbologias características
do imaginário de distintos povos.
Impressiona também, o encontro entre gerações de músicos de vários
países, cantando valores que comunicam de forma admirável a transcendência do
viver. É possível sentir o afeto e criatividade que envolvem todos os vídeos,
através das vozes daqueles/as que assumem as interpretação das canções que
constituem a identidade profunda de muitas sociedades. A música “La Tierra Del Olvido”
(2015) por exemplo, é uma bela ilustração da cultura do povo colombiano
contando com a participação de palenques, extensão do contínuo africano nas
Américas.
"La Tierra Del Olvido"
Foto disponível na internet
Outras interpretações excepcionais recriadas
a partir dos valores de comunidades tradicionais, e constituem convites
valiosos que nos levam a viajar no tempo: “Guantanamera” (1963) e “Pata Pata” (1967).
Essas são canções que lembram uma época marcada pela atmosfera de
transformações políticas e socioculturais fundamentais nos anos 1960.
Canção Guantanamera
Foto disponível na internet
Miriam Makeba em "Pata Pata"
Foto disponível na Internet
Foto disponível na internet
Como disse John Lennon em
Imagine(1971): “Você pode dizer que sou um sonhador, mas não sou o único. Tenho
a esperança de que um dia você se juntará a nós e o mundo será como um só...
Imagine todas as pessoas compartilhando todo o mundo.”
Foto disponível na internet
Apesar da mediocridade que tende a
reger as sociedades contemporâneas, o sonho continua nas canções que incentivam
uma ética do futuro baseada na paz e no direito coletivo dos povos.A seguir vídeos que ilustram as "canções que rompem fronteiras"
quinta-feira, 18 de janeiro de 2018
O ÂMAGO DO RACISMO
Por Oju Oba Marco Aurélio Luz
Independência do Haiti 1804.
Imagem disponível na Internet
O
presidente Trump revelou sua índole racista ofendendo os povos africanos e
citando primordialmente o Haiti nas Américas.
Durante
o período de luta de libertação os aldeões comandados
por Dessalines, derrotaram as tropas francesas de Leclerc e em 1804,
sedimentaram a independência do Haiti.
Já
no exílio Napoleão revelou sobre sua intervenção no Haiti:
“...tenho de me censurar pela tentativa junto à
colônia durante meu consulado. A intenção de fazê-la render-se pela força foi
um grande erro. Devia ter ficado contente em governá-la por intermédio de
Toussaint.”
Derrota das tropas francesas comandadas por Leclerc cunhado de Napoleão
Imagem disponível na Internet
Os
ingleses que já tinham perdido metade da Jamaica libertada, gritaram aos
quatro cantos do mundo: fim do tráfico escravista!!! Abolição da escravatura!!!
A
estratégia foi de estabelecer uma política de colônias não só de exploração,
mas também de povoamento de europeus, e é assim que tem início a política de
branqueamento.
Com
Portugal submetido aos interesses do Reino Unido, logo D. João VI abre os
portos da colônia para a imigração de brancos especialmente nas regiões sudeste
e sul, onde ocorrem a “caça aos bugres” os massacres
dos povos Kaigang e Xokleng. Logo transformariam o “inferno verde” a Mata
Atlântica”, em “campos ridentes”.
Povo Kaigang
Imagem disponível na Internet
No
Império, diante dos protestos da oligarquia agrária escravista, José Bonifácio
acalma o cônsul inglês Chamberlain:
“gostaria que os ingleses capturassem
todo navio negreiro...Não quero vê-los nunca mais... são a gangrena da nossa
prosperidade. A população que queremos é branca”...
A
preparação para a abolição consiste numa mudança de status da população negra;
será a transformação da classificação pelo aparelho jurídico de Estado de
“peça”, e “semovente” propriedade do senhor, em
cidadão livre, ou “livre de tudo” sem
acesso aos meios de produção como disse Marx.
Agora
caberá ao aparelho ideológico tentar manter uma formação social eurocêntrica. Tem
início com o convite de D. Pedro II aos ideólogos do racismo o higienista conde Gobinau e o
socialista arianista Lapouge.
A
Razão de Estado se alimentará das teorias científicas “psi” para estabelecer
padrões de “superioridade e inferioridade racial”, para erguer o edifício
racista que justificará na República, genocídios como o de Canudos,
perseguições policiais às instituições do povo negro e a constituição de um
imaginário de estereótipos e preconceitos que percorrem as instituições
oficiais e a sociedade em geral.
O
professor e psiquiatra Nina Rodrigues com a falsa “ciência da psiquiatria da
época”, relacionou a doença mental da histeria à manifestação de orixá da
tradição religiosa africano brasileira. Com isso, ele atacou a religião fonte
da civilização e também a população negra em geral, colocando-a numa escala
evolutiva patológica e inferior.
Importante também é a influência da ideologia do filósofo francês Augusto Conte, constituindo uma escala evolutiva baseada nas "etapas" da humanidade. Primeiro estágio o religioso com predominância do mito, depois o metafísico com predominância da filosofia e finalmente a etapa superior, o científico com a presença da ciência. Seu pensamento chamado de positivista muito influenciou a formatação do Estado Republicano no Brasil, e é de onde deriva o lema "ordem e progresso", ordem eurocêntrica e progresso acima de quaisquer limites ecológicos.
Importante também é a influência da ideologia do filósofo francês Augusto Conte, constituindo uma escala evolutiva baseada nas "etapas" da humanidade. Primeiro estágio o religioso com predominância do mito, depois o metafísico com predominância da filosofia e finalmente a etapa superior, o científico com a presença da ciência. Seu pensamento chamado de positivista muito influenciou a formatação do Estado Republicano no Brasil, e é de onde deriva o lema "ordem e progresso", ordem eurocêntrica e progresso acima de quaisquer limites ecológicos.
Espaço sagrado das águas na religião africano brasileira
Foto Hans Olu Obi
Apesar
disso a transposição pujante da civilização africana se realiza no Brasil e nas
Américas, e o povo negro mantém-se íntegro na luta pelos direitos de cidadania
plena.quarta-feira, 10 de janeiro de 2018
sexta-feira, 5 de janeiro de 2018
Fiat Lux: Salve o Ano Novo
Por Chico Alencar
Foto: disponível na internet
🌈: FIAT LUX!
Fogos vão cortar a noite na virada do ano. Costumamos simbolizar nossa eterna busca de felicidade com o que ilumina. Parte dessa ânsia de luz talvez venha da nossa ancestralidade: bichinhos frágeis, a escuridão da noite nos deixava ainda mais desamparados. Domesticar o fogo garantiu nossa sobrevivência de sapiens.🔥
Foto: disponível na internet
Em todas as tradições religiosas a luz tem centralidade. Nossa existência é uma constante batalha entre as sombras e a claridade. Quando nascemos há o júbilo por quem “veio à luz”.🐣
Na religiosidade de matriz africana o fogo congrega e comunica com o transcendente. No candomblé e na umbanda, os espíritos superiores são “de luz” e os trajes brancos favorecem a abertura de caminhos. Os judeus celebram sua “festa das luzes”, o Hanuká, relembrando a vitória do pequeno grupo dos macabeus sobre o poderoso exército do rei da Síria. A Menorah, seu símbolo maior, é um candelabro de sete hastes (grato, Arnaldo Bloch). No Corão, “Alá é a Luz dos céus e da terra” e um candeeiro com o óleo da oliveira, “árvore bendita”, faz o fogo brilhar ainda mais.💥
Foto:M.A.Luz
O central no budismo é o exercício da elevação na direção da sabedoria, da iluminação. A luz da estrela de Belém conduziu os magos ao lugar perdido onde nasceu Jesus. Sua ressurreição é celebrada com a “benção do fogo novo” e o círio pascal. A bebida em rituais indígenas, vindo das plantas da floresta, ajuda a ver o invisível, alcançar a plena lucidez.☀
Foto: Narcimária Luz
Por isso, o desafio sempre atual é buscarmos a luz. “Luz, quero luz!”, clama o poeta, mesmo sabendo que “além das cortinas são palcos azuis e infinitas cortinas com palcos atrás”.
Morte mesmo é a imersão na escuridão do não ser. O anúncio do profeta falando do nascimento de Cristo sempre me comove: “e o povo que vivia nas trevas viu uma grande luz!”. 🌈
Há luz no nosso caminho quando nos abrimos ao outro, combatendo a sombra do egoísmo. Há luz na nossa estrada quando, na contramão do sistema de consumo e do mercado total, valorizamos mais o ser do que o ter. Há luz no nosso dia a dia quando deixamos de lado as mesquinharias e nos convertemos a valores como a solidariedade e a justiça, traduzindo-os em atitudes concretas. Há luz em nossa existência quando, mesmo diante da perda e da dor, encontramos força para seguir viagem, alimentados pela fé – que é sempre um face-a-face no escuro. 🎇🙏🏾
Foto: Família Luz
A luz do amor brilha em nós quando nos colocamos, uns com os outros💗, em marcha para superar preconceitos e todas as opressões. Mais um ano chegou: lúmen!🌄 Que seu 2018 seja um ano-luz!🌈 E para nós de reencontro, amor intenso, entusiasmo...💑
quarta-feira, 13 de dezembro de 2017
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