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PRODESE E ACRA



VIDA QUE SEGUE...Uma
das principais bases de inspiração do PRODESE foi a Associação Crianças Raízes
do Abaeté-Acra,espaço institucional onde concebemos composições de linguagens
lúdicas e estéticas criadas para manter seu cotidiano.A Acra foi uma iniciativa
institucional criada no bairro de Itapuã no município de Salvador na Bahia, e
referência nacional como “ponto de cultura” reconhecido pelo Ministério da
Cultura. Essa Associação durante oito anos,proporcionou a crianças e jovens
descendentes de africanos e africanas,espaços socioeducativos que legitimassem
o patrimônio civilizatório dos seus antepassados.
A Acra em parceria com o Prodese
fomentou várias iniciativas institucionais,a exemplo de publicações,eventos
nacionais e internacionais,participações exitosas em
editais,concursos,oficinas,festivais,etc vinculadas a presença africana em
Itapuã e sua expansão através das formas de sociabilidade criadas pelos
pescadores,lavadeiras e ganhadeiras,que mantiveram a riqueza do patrimônio
africano e seu contínuo na Bahia e Brasil.É através desses vínculos de
comunalidade africana, que a ACRA desenvolveu suas atividades abrindo
perspectivas de valores e linguagens para que as , crianças tenham orgulho de
ser e pertencer as suas comunalidades.
Gostaríamos de registrar o nosso
agradecimento profundo a Associação Crianças Raízes do Abaeté(Acra),na pessoa
do seu Diretor Presidente professor Narciso José do Patrocínio e toda a sua
equipe de educadores, pela oportunidade de vivenciarmos uma duradoura e valiosa
parceria durante o período de 2005 a 2012,culminando com premiações de destaque
nacional e a composição de várias iniciativas de linguagens, que influenciaram
sobremaneira a alegria de viver e ser, de crianças e jovens do bairro de
Itapuã em Salvador na Bahia,Brasil.


domingo, 6 de maio de 2012

O RIO DESAGUOU NA LAGOA!!! ENCONTRO ENTRE ACRA E O GRUPO DE TEATRO BOCA DE CENA


Por Jackeline P.A.Divino

No dia 14 de abril a ACRA teve a honra e satisfação de receber o Grupo de Teatro Boca de Cena, que nos trouxe de presente a peça “O Encontro das Iyabá”.
O encontro teve como objetivo aproximar através da linguagem do teatro as crianças e jovens da ACRA e do grupo Boca de Cena.
O encontro foi um sucesso,regado a músicas,brindadeiras,coreografias,cenários figurinos,surpresas diversas envolveram e encantaram toda manhã.
A garotada da ACRA também abrilhantou o encontro, (como diz o meu amigo e educador Sérgio Bahialista um dos responsáveis pelo encontro), com samba de roda, maculelê e cantigas importantes para as crianças e jovens de Itapuã por serem composições de moradores antigos do bairro como D. Eunice e Sr. Reginaldo com as canções "Desde Criança" de e "Passado e Presente”.
Esse "namoro" já vinha acontecendo de longe entre a ACRA e o Boca de Cena e depois desse primeiro encontro muitas novidades vão ser compartilhadas. No final da manhã um lanche gostoso e uma roda de conversas sobre as impressões e sentimentos presentes.
Os olhos se encontravam dividindo sonhos de teatro, palco, futuro e muita esperança. Uma música entrou no meu coração naquele instante que diz:
“Hoje é um novo dia de um novo tempo que começou todos os nossos sonhos serão verdade e o futuro já começou, hoje a festa é sua, hoje a festa é nossa, é de quem quiser e de quem vier.... é isso ai, a festa é sua, a festa é nossa e de quem quiser, de quem vier!”
Sejam sempre bem vindos Grupo Boca de Cena!
A seguir fotos que ilustram a riqueza do encontro e a alegria que nos contagiou.


O Boca de Cena trouxe da Boca do Rio o cenário para criar o clima



Preparando o espaço para viver as alegrias dos encontros das águas da lagoa e do rio


Ainda o cenário...

Abraços de confraternização entre o rio e a lagoa

Evelyn jovem da ACRA observa com alegria o cenário...

Professor Sérgio Bahialista que veio da Boca do Rio e Professor Sdiney Argolo da ACRA animam o encontro


Educadores e jovens do Boca de Cena preparando o cenário no pátio da ACRA com entusiasmo


E que venha o samba de roda!


E vamos circular,cantar,conversar...


E vamos na palma da mão...
Professor Thiago Molina anima


Dançar com o ritmo do coração...


Laços de amizade que nasceram no encontro das águas



Professora Maristela da ACRA irradiando alegria


A leveza  da dança que cria círculos que organizam a roda e aproxima


Na cadência dos passos que firmam encontros

Alegria de criar movimentos que afirmam nossas identidades


 É preciso comemorar!

Cantar nossas canções que falam sobre  quem somos

Cantar nossas origens

Dançar o nosso lugar


Reunir todas as canções que trazem as narativas das vidas que circulam na Lagoa do Abaeté e  Boca do Rio e transformá-las numa grande  narrativa da vida que canta a Bahia

E continuemos a compor...

E que venham as emoções ...


Júlia e seu  sorriso que transmite a satisfação dos momentos que marcaram o encontro

 
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Jackeline P.A.Divino é Pedagoga,Mestra em Educação e Contemporaneidade e Coordenadora Pedagógica da ACRA.

sábado, 21 de abril de 2012

ACRA PARTICIPA DA SEMANA MUNIZ SODRÉ

Por Marco Aurélio Luz
Logo do evento inspirado em tecido africano
Imagem disponível em http://leccufrj.wordpress.com/page/2/

Na semana de 16 a 20 de abril o Laboratório de Estudos em Comunicação Comunitária(LECC)da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, realizou a Semana Muniz Sodré. O evento promoveu debates temáticos e minicursos dedicados a obra do comunicólogo, escritor, e um dos mais importantes pensadores da atualidade, o Professor Doutor Muniz Sodré.


Professor Muniz Sodré
Imagem disponível em

Autor de 36 livros, sua obra se caracteriza pelo ecletismo das temáticas e dos gêneros, tanto nas teorizações sobre comunicação quanto a continuidade da tradição afro brasileira em abordagens eminentemente originais, abordando sempre o impacto da tecnologia nos contextos sociais. No que se refere aos gêneros, Muniz se destaca além das narrativas científicas e filosóficas, pelos contos e romances.
Agora o que mais sobressai na sua obra, é que ele sempre se mantém ligado ao seu solo de origem, a cultura e a sociabilidade da Bahia, Salvador e o Recôncavo constituinte da seiva que alimenta suas criações.
A ACRA esteve representada pela presença de seu presidente o professor Narciso José do Patrocínio, da professora Narcimária C. do Patrocínio Luz, dos colaboradores Marco Aurélio Luz, Maurício do Patrocínio Luz e Marcelo do Patrocínio Luz.
A professora doutora Narcimária Luz da UNEB integrou a Mesa de palestras livres juntamente com a professora Nizia Villaça da ECO/UFRJ e Márcio Tavares professor emérito da UFRJ-ECO tendo como mediadora a professora Raquel Paiva ECO/UFRJ.
O Chão, a Roda e o Samba, Contribuições de Muniz Sodré para a Educação” foi o título da comunicação da professora Narcimária que ressaltou na obra de Muniz a presença simbólica do contexto de origem, a arkhé de onde se lança a preocupação teórica caracterizada por sua inserção comunitária, como Oba Aresá, integrante do corpo dos Oba do Ilê Axé Opô Afonjá, e por estar familiarizado com os códigos e repertórios da cultura afrobaiana.

Mesa "Muniz e Outras Faces"
Da direita para a esquerda Professora Narcimária Luz,Professora Nizia Villaça,Professor Márcio Tavares do Amaral e Professora Raquel Paiva

Narcimária ressaltou a importância da obra de Muniz para se perceber os paradigmas culturais que atravessam o sistema de ensino e os problemas advindos com referência aos contextos pluriculturais e as diversas formas e sistemas de comunicação existentes especificamente no Brasil. A partir daí, de uma abordagem que transcende e empiria, é possível procurar soluções para uma educação que contemple nossa riqueza cultural principalmente no que se refere ao contínuo civilizatório africano-brasileiro, como aconteceu, por exemplo, com a experiência de educação pluricultural a Mini Comunidade Oba Biyi, fonte inspiradora da ACRA, ponto de cultura e seus trabalhos universitários de modo geral.
Narcimária citou ainda, diversos livros de Muniz que concorreram para seu “tour de point” seu novo ponto de partida nas elaborações sobre educação, principalmente “O MONOPOLIO DA FALA” e “SAMBA O DONO DO CORPO”.
A professora Nizia Villaça comentou os aspectos da obra literária de Muniz, seus contos e romances, que se destacam por serem envoltos pelas dimensões de regionalidade que se projetam em dimensões universais. Dentre seus livros ela comentou “SANTUGRI e “O BICHO QUE CHEGOU EM FEIRA” que alude aos tempos da ditadura. O que caracteriza o seu “approach” literário é o humor e a alegria, que na obra de Muniz possui também status de categoria filosófica.
O professor emérito Márcio Tavares de Amaral, admirou a quantidade e a qualidade da obra e interpretou que o pensamento de Muniz possui fortes bases filosóficas principalmente de Kant e Aristóteles. De Kant, o pensamento de indagar o que está por detrás da pergunta,(O QUE É ISSO?) o paradigma que a sustenta. De certa forma, é essa a inspiração também de Foucault e de outros pensadores, mas em Muniz a influência de Aristóteles principalmente da “ÉTICA” vai remetê-lo ao contexto de onde nunca saiu, o seu lugar de morada de “demeure”(onde se demora) de permanência. É o “ethos” o costume, os valores, a maneira de ser e de viver em determinado lugar. O lugar onde alguém já disse, (Oswald de Andrade)“a alegria é a prova dos nove”...


Mesa "Muniz e Outras Faces"

Da direita para a esquerda Narcimária Luz,Nizia Villaça,Márcio Tavares do Amaral e Raquel Paiva mediando a Mesa




 Narcimária Luz,o homenageado,Muniz Sodré,MárcIo T.Amaral e Marco Aurélio Luz



Raquel Paiva(Organizadora do evento),Muniz Sodré,Márcio Amaral e Narcimária Luz


Muniz Sodré dando autografando o seu novo livro "Reinventando a Educação"/Editora Vozes
Imagem disponível em http://leccufrj.wordpress.com/page/2/


Livro "Reinventando a Educação" de Muniz Sodré publicado pela Editora Vozes
Imagem disponível em http://leccufrj.wordpress.com/page/2/





Público prestigiando o evento
 Imagem disponível em http://leccufrj.wordpress.com/page/2/





Muniz Sodré acompanhando a exposição em sua homenagem na Escola de Comunicação da UFRJ onde foi professor fundador e Diretor.
Imagem disponível em http://leccufrj.wordpress.com/page/2/


Coquetel no âmbito da exposição em homenagem a Muniz Sodré na Escola de Comunicação UFRJ


Professor Narciso Diretor Presidente da ACRA conversando com a professora da Escola de Comunicação da UFRJ e organizadora do evento Raquel Paiva
ao lado de Narcimária Luz e Marcelo Luz
Imagem disponível em http://leccufrj.wordpress.com/page/2/  





Professora Narcimária e Professor Narciso visitando a exposição em homenagem a Muniz Sodré

ARITANA YAWALAPITI


Cacique ARITANA YAWALAPITI

O cacique Aritana, 51 anos, é hoje a mais respeitada liderança do Alto Xingu. Desde quando assumiu a chefia dos Yawalapiti, há cerca de 20 anos, ele luta pela preservação da cultura e dos hábitos dos índios xinguanos. “É muito difícil mostrar aos jovens a importância de manter nossos costumes, mas com conversa eles estão vendo que é melhor sermos o que a gente é: índio”, explica o cacique.
Preparado desde cedo para ser cacique, Aritana conheceu os irmãos Orlando e Cláudio Villas Bôas ainda criança, no final da década de 1950. “Aprendi muito com eles sobre a importância de se preservar os hábitos antigos”, conta o chefe. Sob estas influências, ele se tornou um grande líder da causa indígena dentro e fora do Xingu.


Cláudio e Orlando Villas Bôas com um índio do alto Xingu, na década de 1960

Brasiloeste– A educação indígena, desde a época que os Villas Bôas estavam no parque, era uma questão polêmica. Eles defendiam que o índio deveria ter o mínimo possível de contato com a cultura do branco. Como está isso hoje?
Aritana – É triste, mas eu acho que alguns projetos de educação estão acabando com a cultura do Alto Xingu. Já vejo que os jovens não gostam mais tanto de falar sua língua, preferem usar roupa e estão mais interessados nas coisas do branco. O problema é que os professores ensinam os valores dos brancos e os jovens param de respeitar as tradições. O Kuarup, por exemplo, é uma festa muito séria e importante pra gente. É a festa dos mortos. E no último Kuarup eu percebi que alguns jovens achavam que isso é brincadeira.
Na época do Orlando (Villas Bôas), por exemplo, havia preocupação em manter a cultura e a educação do jeito do índio. Eu era pequeno e ficava chateado, perguntando porque o Orlando não dava chinelo e bicicleta. Depois é que eu fui entender que era pra gente manter a força na perna. Se a criança anda de chinelo o dia todo ela não consegue mais subir em árvore.
"É o índio que tem que falar seu direito, que tem que preparar documento. A saúde, é o branco que está mandando, a mesma coisa a educação. Mas eu quero é que o índio contrate o médico, o professor, e manda pra cá".


Brasiloeste–  Existem propostas de geração de renda para as aldeias, principalmente por meio do turismo. Como você vê essa situação?
Aritana – Estão sempre procurando a gente para fazer projetos. Nossa aldeia aqui é o primeiro lugar em que eles passam, mas eu sempre digo que não. A primeira proposta que recebi era pra colocar lanchas de luxo e um avião trazendo gente de uma fazenda perto do parque para a aldeia. Recebemos propostas quase todo dia. Recusamos porque não queremos nem precisamos do dinheiro de branco para viver bem aqui.
Outras tribos já aceitaram porque querem dinheiro. O problema aqui é que as tribos que aceitam visitas de turistas deviam reunir as lideranças do Xingu para conversar sobre a questão, mas isso não acontece. Tivemos uma reunião em Brasília para discutir o problema, e foi uma discussão brava, mas nós não abrimos mão da nossa posição contra turismo aqui. Tem que ser firme. No final, todo mundo que aceita turista se arrepende.


 Brasiloeste– E você acha que o índio está bem representado politicamente pela Funai e pelas ONGs que trabalham por aqui?
Aritana – Não queremos mais o branco mandando e defendendo a gente. A gente quer que os próprios índios se relacionem direto com o governo e mandem documentos falando dos problemas. A saúde é o branco que está mandando. A mesma coisa com a educação. Mas eu quero que o índio contrate o médico, o professor e mande pra cá. É só assim que a gente vai poder cuidar bem de verdade dos nossos interesses.
Brasiloeste–– E no futuro, quando os novos estiverem no comando das aldeias, como vai ser?
Aritana – Nós ensinamos aos jovens que é bom aprender a língua do branco para não ser enganado. O que tem que acontecer é aprender o que o branco tem de bom, mas não perder nossa cultura. Hoje a gente já usa barco a motor para as viagens longas e tem televisão na aldeia pra saber das notícias, mas eu não deixo as crianças verem televisão muito tempo.
Os índios aqui do Alto (Xingu) são mais preservados, mas os do Baixo tiveram mais contato com os brancos, então eles ficaram dependentes das coisas de branco. Os Caiabis, por exemplo, vieram da região de Rio Peixoto, que foi estragada por seringueiros e garimpeiros. Eles gostam muito daqui do Xingu, mas ainda precisam muito das coisas do branco, como roupa, sabonete e sal. Aqui a gente tem tudo que precisa.


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Entrevista extraída da página

AS CANÇÕES DO VENTO


Em quíchua, uma das línguas indígenas tradicionais da cultura inca, Wayra significa vento. Desde 1989, Jaime Rodriguez (Wayra) tem desfrutado de uma carreira extensa e realizado gravações importantes baseadas nas tradições musicais Inca.


Jaime Rodriguez (Wayra) é fundador da tradicional música das bandas Llaqtaymanta Inca e Inca Pacha. A música inca tradicional tem mais de 500 anos,e representa o patrimônio da cultura nativa americana.A banda Llaqtaymanta realiza turnês pela Europa apresentando a música dos Andes com adaptações de algumas influências ocidentais.Wayra com a banda Inca Pacha,apresenta através das músicas as histórias da antiga cultura da cordilheira dos Andes, com arranjos contemporâneos. As canções tradicionais ganham vida nova e canções contemporâneas adquirem as sensações atemporais.


CANÇAÕ DO RIO(Wayra - River Song)

AMOR A MONTANHA (LOVE MOUNTAIN - WAYRA)

CANÇÕES ANTIGAS QUE O VENTO TRAZ(Ancient Winds Indian Song)

domingo, 8 de abril de 2012

UM APRRENDIZADO DE VIDA:"QUEM SAMBA FICA E QUEM NÃO SAMBA VAI EMBORA"

PRODESE PESQUISAS:DEFESAS DE MESTRADO


Para as defesas professor Magnaldo e a professora Jackeline criaram um cenário no auditório Professor Jurandir Oliveira  no Departamento de Educação do Campus I envolto em detalhes das linguagens características africano-brasileira.

No dia 16 de março aconteceram as defesas das dissertações desdobramentos de pesquisas realizadas pelos/as pesquisadores/as do PRODESE no Departamento de Educação do Campus I da Universidade do estado da Bahia-UNEB. O professor Magnaldo Oliveira dos Santos abordou o tema “OJÓ ORÚKO: um reencontro com a ancestralidade negro africana”,e a professora Jackeline Pinto do Amor Divino o tema “ITAPUÃ: tecendo redes de alianças comunitárias através da Associação Crianças Raízes do Abaeté-ACRA”.
Integraram a banca examinadora do trabalho do professor Magnaldo, os/as professores/as: Henrique Cunha Júnior (Universidade Federal do Ceará), Ana Célia da Silva (Universidade do Estado da Bahia), Ana Rita Santiago (Universidade Federal do Recôncavo) e Cecília Soares (Universidade do Estado da Bahia).
Sobre a abordagem do tema “OJÓ ORÚKO: um reencontro com a ancestralidade negra africana”, a banca examinadora destacou a maturidade do mestrando no trato do trabalho científico acadêmico, principalmente no que se refere às proposições de linguagens voltadas para a afirmação do OJÓ ORUKÓ (O Dia do Nome), como um canal valioso para o reencontro com a ancestralidade africano-brasileira, destacando a língua yorubá como estruturante de instituições, tradições e memórias das nossas comunidades. A banca examinadora recomendou a publicação do trabalho do professor Magnaldo e o ingresso imediato no Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Educação e Contemporaneidade da UNEB.
O tema “ITAPUÃ: tecendo redes de alianças comunitárias através da Associação Crianças Raízes do Abaeté-ACRA”, trabalho desenvolvido pela professora Jackeline Pinto do Amor Divino, foi avaliado pela banca examinadora formada pelos/as seguintes professores/as: Henrique Cunha Júnior (Universidade Federal do Ceará), Lúcia Lobato (Universidade Federal da Bahia), Ana Célia da Silva (Universidade do Estado da Bahia) e Leliana Sousa (Universidade do Estado da Bahia). O parecer emitido pela banca ressaltou também a maturidade da mestranda no trato do trabalho científico-acadêmico,principalmente no que se refere ao domínio do repertório próprio dos aspectos referentes ao direito à alteridade africano-brasileira através das histórias e memórias que constituem a diversidade cultural de Itapuã.A banca recomendou a publicação da dissertação e a criação de vídeos baseados nos resultados da pesquisa da professora Jackeline.

Da esquerda para a direita professora Jackeline,a ocentro Professor Doutor Henrique Cunha Júnior e Professor Magnaldo

Da esquerda para a direita:Professora Doutora Ana Célia da Silva,Professor Doutor Henrique Cunha Júnior,Professora Doutora Cecília Soares,Professora Doutora Ana Rita Santiago.


Público assistindo a defesa

Professor Narciso Patrocínio Diretor Presidente da ACRA prestigiando o evento ao lado da professora Jackeline.

Professor Magnaldo no momento de confraternização ao lado da professora Ana Célia.


As crianças da ACRA prestigiaram apresentaram um samba de roda organizado pela educadora da ACRA  Maristela e Sidney Argolo

Momento de confraternização

Um dos  momentos de emoção na defesa de Jackeline foi a professora e mestranda Anália Santana cantando a música "Um sorriso Negro" de D.Ivone Lara.Acompanhando a música a professora Joselita Patrocínio Priora da Irmandade do Rosário dos Pretos em Salvador e também educadora da ACRA faz um coreografia acompanhada pelas crianças da ACRA,da mestranda Jackeline(no centro feliz pelo êxito da sua defesa) e o público presente. 

RIR É O MELHOR REMÉDIO! UM DOS LEGADOS DA COMÉDIA BRASILEIRA

Essa semana  o blog apresenta   momentos divertidos, com o intuito de homenagear o saudoso ator e comediante Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho, mais conhecido como Chico Anísio(1931-2012), em uma das suas maravilhosas parcerias com outro ator e comediante Rogério Cardoso Furtado(1937-2003),no ambiente da “Escolinha do Professor Raimundo”.

Assistam os vídeos e divirtam-se!

Rolando Lero - Enquanto Roma pegava fogo o que Nero tocava ?

Rolando Lero - Quem comeu Jonas ?

sábado, 10 de março de 2012

EU-MULHER


Por Conceição Evaristo


Uma gota de leite
me escorre entre os seios.
Uma mancha de sangue
me enfeita entre as pernas
Meia palavra mordida
me foge da boca.
Vagos desejos insinuam esperanças.
Eu-mulher em rios vermelhos
inauguro a vida.
Em baixa voz
violento os tímpanos do mundo.
Antevejo.
Antecipo.
Antes-vivo
Antes - agora - o que há de vir.
Eu fêmea-matriz.
Eu força-motriz.
Eu-mulher
abrigo da semente
moto-contínuo
do mundo.

MULHERES



Por Vito Cesar

Mulheres serenas, promessas de nada.
mulheres de vento, de sopro divino,
mulheres de sonho, mulheres sentido,
mulheres da vida, melhor ter vivido...
Mulheres de tempo, em que tudo que havia fazia sentido,
mulheres que eu vejo, no sol de janeiro,
mulheres saídas de potes de vidro,
mulheres faceiras, as mais feiticeiras, melhor ter sorrido...
Mulheres de tantos e tantos perigos,
mulheres de vinho e de vã harmonia,
mulheres convívio,
mulheres no cio, as mais parideiras, melhor ter nascido...
mulheres de luzes e de absinto,
mulheres que um dia sonhei colorido,
mulheres de santos, mulheres de igrejas,
as mais rezadeiras, melhor sacrifício
mulheres que um dia deitaram comigo,
mulheres tão lindas e de maior juízo,
mulheres de danças,
As tranças nos ombros, meus olhos caídos....
mulheres que fecham a vã poesia,
mulheres que o ouro não tem nem princípio,
mulheres de outono,
O seu abandono, melhor ter carinho...
mulheres de um tempo em que estive sozinho,
mulheres de riso abrindo janelas,
mulheres que sonham,
seu sono macio, melhor o seu ninho....
mulheres do dia e da noite, eternos,
Mulheres que lutam, raízes na terra,
mulheres que as feras,
no meio da noite, não mais intimidam...
Mulheres espera, no mar do abandono,
mulheres teares, tecendo seu linho,
mulheres tão loucas,
seu beijo na boca, uma taça de vinho....

AKPALÔ NOSSA HISTÓRIA



Por Rosângela Accioly


O projeto Akpalô nossa história surgiu da necessidade,nas minhas atividades como pesquisadora do PRODESE Programa Descolonização e Educação/UNEB, em propor novas metodologias que contemplem as presenças africanas e aborígines nos conteúdos curriculares das escolas baianas. Soa também como um convite aos pedagogos contemporâneos a esta prática, tendo como ponto de referência as narrativas oriundas desses patrimônios civilizatórios, que nos levam a uma perspectiva inovadora que busca priorizar um novo continente teórico epistemológico baseado em narrativas orais, além de autores como: Mestre Didi, Marco Aurélio Luz, Narcimária C. P. Luz, Ana Célia da Silva, Kabengele Munanga, dentre outros exponenciais.


Professora Rosângela apresentando um de seus projetos no campo da Pluralidade Cultural e Educação para a comunidade da Escola Santa Júlia no bairro de Itinga

Com uma dinâmica bem interessante e bonita, e a essencial participação das crianças e suas famílias no projeto, nos aproximamos de valores e linguagens da civilização africana, desconstruímos estereótipos e redescobrimos importância desse patrimônio nas nossas vidas. Semânticas que fizeram parte do nosso projeto: Agbalá que quer dizer um pedaço da África em você, Akpalô que quer dizer contador de histórias na tradição nagô, ou Sankofa ideograma do povo ashante de Gana na África contribuições de Elisa Larkin que significa dizer: ‘... voltar e apanhar de novo. Aprender do passado, construir sobre as fundações do passado. Em outras palavras, volte às suas raízes e construa sobre elas para (...) a prosperidade de sua comunidade em todos os aspectos da realização humana’.
Assim desenvolvemos uma metodologia explorando textos que animavam nossos encontros durante as aulas: O Aleijadinho de Mestre Didi, Agablá um lugar continente de Marilda da Castanha; As tranças de Bintou de Sylviane A. Diouf; Aguemom Carolina Cunha; O casamento da princesa Celso Sisto, Itapuã quem te viu e quem te vê! de Narcimária C. P. Luz; O Boi Multicor, de Jorge Conceição; Ossayin; Bruna e a galinha d‘Angola de Gercilda Almeida. Além desses textos, nos preocupamos em estudar as biografias dos/as autores/as e de grandes personalidades da nossa história, considerando nessa busca aqueles/as que contribuíram e ainda contribuem para afirmar os valores africano-brasileiros e dos povos inaugurais.
As personalidades históricas trabalhadas ao longo do ano foram: Zumbi dos Palmares, Maria de Marumbá liderança feminina (com 108 anos) importante no município de Lauro de Freitas, Adhemar Ferreira da Silva, Chiquinha Gonzaga, Clementina de Jesus, Cruz e Souza, João Cândido, Lélia González, Luís Gama, Mãe Menininha, Mãe Senhora, Milton Santos, dentre outros.

A cantora e intérprete Clementina de Jesus uma das personalidades estudadas pelas crianças 

Dentro de uma perspectiva de Educação Pluricultural, organizamos encontros com o objetivo de aproximar nossas crianças de conhecimentos milenares que constituem a sua alteridade civilizatória.
Participaram dessa iniciativa o grupo cultural As Mariatas coordenado por Teresa Alves no bairro de Itinga, apresentando o Bumba meu Boi. Interessante também foi a visita da liderança do povo cariri-xocó grupo indígena que vive em Lauro de Freitas na Aldeia Thá-fene.
Aldeia Thá-fene.


Outra abordagem metodológica foi a projeção de filmes, a saber: Kiara: nome de Rainha/MEC SECAD Programa Diversidade na Universidade/Projetos Inovadores de Curso-PIC Ano de 2006; Dois de Julho; Kirikou Os animais Selvagens; Kiribou e a feiticeira.
Ainda compondo a metodologia do projeto Akpalô trabalhamos as obras escultóricas de Mestre Didi e Marco Aurélio Luz.

Esculturas de Marco Aurélio Luz foram abordadas pelo projeto AKPALÔ nossa história

Ampliando as iniciativas vivenciamos o jogo pedagógicos yoté,pinturas, dramatizações, leituras, recontos, construção de um livro para observação e estudo da lectoescrita a partir das narrativas africanas e indígenas com crianças de 5 anos, (re)leituras das pinturas do livro Agbalá um lugar continente e Itapuã, quem te viu, e quem te vê, de Narcimária Correia do Patrocínio Luz.Nos dedicamos a escuta musical com canções como Ilha de Maré interpretada por Mariene de Castro e África do CD Pé com Pé e músicas indígenas, dentre outras canções.

O livro Itapuã, quem te viu, e quem te vê, de Narcimária Correia do Patrocínio Luz integrou as atividades do projeto concebido pela profesora Rosângela Accioly

Muito importante e emocionante foi a parceria estabelecida com o Projeto SANKOFA:Mosaico Redivivo de HistóriaS da Educação em 2011 com a primeira turma de Pedagogia do Campus I da UNEB, em Lauro de Freitas com a disciplina História da Educação I ministrada pela professora Narcimária Correia do Patrocínio Luz que na culminância do projeto comentou: “... O que mais nos gratificou nessas elaborações e vivências do semestre é o valor encontrado por todos/as os graduandos/as sobre suas/nossas origens! Aprender sobre aspectos da história da humanidade realizando diálogos que abram canais de intercâmbio entre civilizações milenares que caracterizam os povos da África, Américas, Caribe, Ásia, Oceania e Europa. Graduandos/as que nunca tinham ouvido falar ou calavam sobre as trajetórias e legados de civilizações milenares, (re) descobriram suas histórias, organizações políticas, constituição de cidades, hierarquias, patrimônio cultural e científico, etc. E ainda, as formas de enfrentamentos, resistências que essas sociedades constituíram para expandir e afirmar os seus valores de civilização e mantê-los com dignidade até os nossos dias.”


Cenário organizado por graduandos/as de Pedagogia da UNEB reunindo as criações plásticas das crianças da Escola Santa Júlia  no contexto SANKOFA:Mosaico Redivivo de HistóriaS da Educação em
outubro de 2011.

Na culminância do projeto Akpalô nossa história nossos/as alunos/as foram ao Cine Teatro de Lauro de Freitas coordenado pelo Sr. Hamilton Vieira para assistir algumas apresentações: a Orquestra Castro Alves; o coral do bairro da Paz com o professor Sidney Argolo, e a dramatização do conto Boi Multicor com o autor Jorge Conceição.
Os/as alunos/as do Ensino Fundamental I (2º ano B e 1º ano) produziram algumas dramatizações a partir dos livros Agbalá um lugar continente e Itapuã, quem te viu, e quem te vê! sob a minha orientação, da professora Josélia Bispo e o coreógrafo Falcão.
Realizamos uma homenagem as lavadeiras de Itapuã, com as crianças do 1º ano na Escola Professora Marilene Silvestre. Destaque para o desfile de roupas e penteados africanos com as crianças do Ensino Fundamental I 5ºano sob a orientação das professoras Deise, Fernanda Barbosa, Luzinete Sales.
Para finalizar as projeções pedagógicas anuais, os 2º anos do Ensino Fundamental I, foram ao Teatro Castro Alves assistirem a apresentação do conserto didático com o Neojibá e Orquestra Dois de Julho que oportuniza a formação e capacitação de núcleos de orquestras e corais infanto-juvenis.
O projeto Akpalô nossa história, foi desenvolvido na Escola Municipal do Loteamento Santa Júlia no bairro de Itinga em 2011, na gestão da diretora Rosilda Leal da Cruz Castro, e Vice-diretoras Rosa Meire Marques de Santana e Francislene Celestino dos Reis contando com a direção artística de Rosemar Tatagiba.


Professora Rosângela Accioly com a diretora da Escola Loteamento Santa Júlia Rosilda Leal da Cruz Castro

Recebemos o apoio, e daí meus sinceros agradecimentos a SEMED Secretaria Municipal de Educação, Teatro Castro Alves com a participação da Orquestra Castro Alves, o PRODESE-Programa Descolonização e Educação/ UNEB, coordenado pela professora Narcimária Correia do Patrocínio Luz. Recebemos também a coordenadora do Departamento de Educação do Campus I professora Maria Helena Amorim, professora Rita Cruz do projeto Mais Educação, e Sr. Júnior do Departamento financeiro da SEMED. Além do coordenador Hamilton Vieira do Cine Teatro Lauro de Freitas, e Jorge Conceição autor do Livro O Boi Multicor que abrilhantaram as proposições didáticas com suas presenças.

Professora Maria Helena Amorim Coordenadora do curso de Pedagogia do Departamento de Educação do Campus I em Lauro de Freitas, em visita a  Escola Loteamento Santa Júlia ao lado da  Professora Rosângela.


A todos/as muito obrigada!

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Rosângela Accioly é Pedagoga,integra o grupo  de pesquisa PRODESE,mestranda do Programa de Pós Graduação em Educação e Contemporaneidade da Universidade do Estado da Bahia,porfessora da escola Loteamento Santa Júlia no bairro de Itinga no município de Lauro de Freitas,Bahia.


UM ESPETÁCULO COREOGRÁFICO! VALE A PENA CONFERIR!!!

Essa colaboração foi enviada para nosso blog por Marcelo do Patrocínio Luz que integra o grupo de Teatro da ACRA.