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PRODESE E ACRA



VIDA QUE SEGUE...Uma
das principais bases de inspiração do PRODESE foi a Associação Crianças Raízes
do Abaeté-Acra,espaço institucional onde concebemos composições de linguagens
lúdicas e estéticas criadas para manter seu cotidiano.A Acra foi uma iniciativa
institucional criada no bairro de Itapuã no município de Salvador na Bahia, e
referência nacional como “ponto de cultura” reconhecido pelo Ministério da
Cultura. Essa Associação durante oito anos,proporcionou a crianças e jovens
descendentes de africanos e africanas,espaços socioeducativos que legitimassem
o patrimônio civilizatório dos seus antepassados.
A Acra em parceria com o Prodese
fomentou várias iniciativas institucionais,a exemplo de publicações,eventos
nacionais e internacionais,participações exitosas em
editais,concursos,oficinas,festivais,etc vinculadas a presença africana em
Itapuã e sua expansão através das formas de sociabilidade criadas pelos
pescadores,lavadeiras e ganhadeiras,que mantiveram a riqueza do patrimônio
africano e seu contínuo na Bahia e Brasil.É através desses vínculos de
comunalidade africana, que a ACRA desenvolveu suas atividades abrindo
perspectivas de valores e linguagens para que as , crianças tenham orgulho de
ser e pertencer as suas comunalidades.
Gostaríamos de registrar o nosso
agradecimento profundo a Associação Crianças Raízes do Abaeté(Acra),na pessoa
do seu Diretor Presidente professor Narciso José do Patrocínio e toda a sua
equipe de educadores, pela oportunidade de vivenciarmos uma duradoura e valiosa
parceria durante o período de 2005 a 2012,culminando com premiações de destaque
nacional e a composição de várias iniciativas de linguagens, que influenciaram
sobremaneira a alegria de viver e ser, de crianças e jovens do bairro de
Itapuã em Salvador na Bahia,Brasil.


domingo, 23 de maio de 2010

COPA DO MUNDO

É ano de copa do mundo, e de quatro em quatro anos durante um mês, o Brasil para pra acompanhar esse fantástico encontro de nações. Mas não, esse fenômeno do êxtase não acontece apenas no Brasil caro leitor. Todo esse entusiasmo com a chegada da copa é ainda maior no continente africano, já que é a primeira copa do mundo disputada por lá. Por todo o continente é possível ver o orgulho e a alegria com que os africanos vão receber essa copa do mundo, claro que num continente de tantos problemas um evento de tal grandeza vem para alegrar, mas deveria vir também para alertar e exibir ao mundo que o continente e principalmente a África do Sul não vive só de batuques e Vuvuzelas. Os que sentem na pele e usam a proximidade do evento para conseguir condições melhores, os que trabalham nas construções dos estádios são criticados quando fazem greve pois estão fora do clima da copa, clima onde nada mais importa.
O clima de tudo é festa é tão grande que a música tema da copa do mundo Wavin Flag que foi bancada pela Coca Cola, era um rap do rapper marfinense K’naan que falava dos problemas do continente e da esperança na recuperação da África. Mas claro que não ia ficar legal uma música falando de problemas já que a copa do mundo é o que? Só alegria! Então a Coca Cola pediu para o K’naan adaptar a musica modificando trechos dando um clima de copa do mundo a música e deixando mais uma vez os problemas de lado.

Abaixo vão traduzidos os trechos modificados da música Wavin Flag junto ao vídeo oficial da Coca Cola para a copa do mundo


Wavin Flag Versão Original


Nascido de um trono, mais forte do que Roma
A tendência violenta, zonas pobres
Mas é a minha casa, tudo o que tenho conhecido
Sempre que eu tenho crescido, ruas que teríamos passeado

Fora da escuridão, eu vim do mais distante
Entre os mais difíceis de sobrevivência
Aprenda com essas ruas, ela pode ser sombria
Não aceite a derrota, a renúncia, o recuo

Assim, lutando, lutando para comer
E nós queremos saber quando seremos livres
Assim, espera pacientemente por esse dia fatídico
Não é muito longe, mas por agora nós dizemos

Quando eu ficar mais velho, eu serei mais forte
Eles vão me chamar de liberdade assim como uma bandeira tremulante
E então ele vai voltar, e então ele vai voltar
E então ele vai voltar, oh

Assim, muitas guerras, os escores da resolução
Trazendo-nos promessas, deixando-nos pobres
Ouvi-os dizer: "o amor é o caminho"
"O amor é a resposta," que é o que dizem

Mas veja como eles nos tratam, fazem-nos crentes
Lutamos suas batalhas, então eles nos enganam
Tente controlar-nos, eles não poderiam nos segurar
Porque nós apenas temos que seguir em frente como Buffalo Soldiers* (* Buffalo Soldiers eram soldados negros do exército dos Estados Unidos da América do Norte)





Wavin Flag Versão da Coca Cola

Me dê liberdade, me dê fogo,
Me dê razão, me leve mais alto
Olhe os campeões conquistarem o campo agora,
Você nos define, nos faz sentir orgulhosos

Nas ruas estão, exaltados,
Enquanto nós perdemos nossa inibição
A celebração está em torno de nós,
todas as nações, em torno de nós

Cantando "Forever Young",
cantando músicas sob o sol
Vamos nos alegrar no lindo jogo
E juntos no fim do dia

Nós todos dizemos

Quando eu ficar mais velho, ficarei mais forte
Eles me chamarão de liberdade
como uma bandeira ao vento
E então isso voltará (4x)



Video Oficial da Coca Cola para a copa

sábado, 22 de maio de 2010

INQUIETAÇÕES SOBRE A LEI 10.639/03


Por Narcimária C. P. Luz

A efervescência do debate sobre a Lei n. 10.639/03, que entrou em vigor em 09 de janeiro de 2003 e que inclui, no currículo da Educação Básica, o estudo da História da África e Cultura Afro-Brasileira, e sua implementação no currículo oficial das escolas brasileiras são o foco da nossa análise, principalmente depois de constatarmos muita ansiedade entre os professores(as), sob a pressão de ter que contribuir no processo de implantação do ensino de História da África e História e Cultura Afro-Brasileira nas suas escolas.Levando em consideração as questões muitas vezes dispersas e equivocadas que vêm afligindo professores(as), e aquelas que habitam o imaginário de crianças, adolescentes e jovens que deverão vivenciar a Lei, aqui é importante esclarecer que o processo de sua implantação não está ocorrendo em águas tranqüilas. A Lei n. 10.639/03 é o resultado do esforço envolvendo as comunalidades africano-brasileiras que, durante muito tempo instituíram iniciativas em Educação que afirmassem e legitimassem seu patrimônio civilizatório: a África e sua (re) criação nas Américas.Apesar de reconhecermos a conquista obtida pelas comunalidades africano-brasileiras em estabelecer canais de legitimação institucionais para que o Estado assumisse a diversidade civilizatória dos povos nas políticas de educação, vimos que há equívocos na abordagem sobre a África e sua influência em nossas vidas. Isso, muitas vezes, vem ocorrendo principalmente pela adoção de perspectivas teórico-metodológicas ainda derivadas das projeções da História e da Geografia civilizatórias greco-romanas, anglo-saxônicas e ibéricas. São perspectivas que insistem em representar a África compacta, homogênea, submetida ao discurso universal que a congela no tempo e no espaço da lógica do projeto histórico da “ordem e progresso” capitalista, destituindo-a completamente dos povos que detêm milenarmente um complexo sistema de pensamento, de onde transbordam cosmogonias, universos simbólicos, um complexo sistema de comunicação cujas linguagens e valores organizam comunalidades, instituições e suas hierarquias, tecnologias, modos de produção, uma magnífica erudição estética...Nossa contribuição se apruma justamente nesse esforço, de compor a África a partir do repertório das comunalidades que a (re)criaram aqui, tornando-a visceral em nossas vidas. A África que aparece no currículo escolar soa como um lugar distante, tudo é estranho, fora das nossas entranhas. Essa África que ganha o status jurídico, no âmbito das políticas de Educação, perde a dinâmica de civilização transatlântica que há muito atravessa o nosso viver cotidiano no Brasil. Ora, se estamos dentro da dinâmica entre tradição e contemporaneidade, é preciso que se diga: a África também está aqui! Está aqui o tempo todo envolvendo nossas crianças e jovens, animando-os a estruturar suas identidades e erguer a cabeça para lidar com os espaços institucionais impregnados do recalque ao que somos, enquanto povos descendentes de africanos...

Para saber mais consulte o artigo "África Viva e Transcendente!" da Professora Narcimária Luz no Boletim nº 20 de outubro de 2006 do Programa Salto para o Futuro da TVE Brasil www.tvebrasil.com.br/SALTO

INTERCÂMBIO CULTURAL ACRA- PARTE I

Na foto da esquerda para a direita jovens da ACRA visitando Londres
Nos dedicaremos a apresentar semanalmente aspectos do intercâmbio cultural que a ACRA vem desenvolvendo desde 2005, com jovens da Inglaterra e África do Sul.Esse intercâmbio está sob a responsabilidade do Contra Mestre Luís Negão,e através dessa iniciativa temos tido oportunidade de promover espaços de sociabilidades significativos para as crianças e jovens do Brasil(Itapuã),África do Sul(Hamburg) e Inglaterra(Oxford).Acompanhem a primeira parte dessa iniciativa socioeducativa da ACRA.

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A história do intercâmbio cultural da ACRA tem na capoeira a força da sociabilidade envolvendo crianças e jovens do Brasil, Salvador ,Bahia do bairro de Itapuã, crianças e jovens do vilarejo de Hamburg na África do Sul, e jovens da cidade de Oxford na Inglaterra.O intercâmbio nasceu com a fundação da ACRA-Associação Crianças Raízes do Abaeté, em 2005 numa iniciativa do Sr. José Luis Correia do Patrocínio conhecido nas rodas de capoeira como Contra Mestre Luís Negão. O Contra Mestre Luís Negão fundador da instituição ACRA teve sua infância e adolescência vinculada ao bairro de Itapuã nos arredores da Lagoa do Abaeté, onde aprendeu a arte tradicional da capoeira e todas as linguagens ético-estéticas africano-brasileira que ela carrega. O Grupo Capoeira Abolição Oxford fundado na Inglaterra por Luís Negão,foi se consolidando e havia um interesse muito grande dos jovens capoeiristas (que não é formado apenas por ingleses mas reúne outras nacionalidades já que Oxford é uma cidade cosmopolita) de conhecer a Bahia terra que deu origem a capoeira desenvolvida pelo Contra Mestre Luís Negão.
Sobre isso o Contra Mestre Luís Negão comenta:
“...Quando falei com meus alunos de Oxford sobre a possibilidade de realizar esse intercâmbio com o Brasil e Bahia,chamei atenção para a possibilidade de cada um contribuir com o conhecimento adquirido na Universidade de apoiar as iniciativas de Educação que vinham sendo desenvolvidas na ACRA.Como sabia que uns estudavam Arquitetura,Comunicação,Medicina,Direito,Engenharia,etc,vislumbrei que as crianças e suas famílias da Bahia em Itapuã poderiam ser beneficiadas com a ida deles.Então a capoeira dos velhos africanos...E isso é o que mais me emociona!A capoeira se transformou para mim não só meu espaço de trabalho como Contra Mestre mas como um espaço de solidariedade de amizade, de perspectiva de futuro para as gerações de crianças na Bahia e no Brasil que infelizmente estão se perdendo por causa das drogas como o crack.Isso é muito triste e o intercâmbio Grupo Capoeira Abolição Oxford com a ACRA-Associação Crianças Raízes do Abaeté tem essa força de tentar superar esse caos.”
Foi assim que em 2005 ano de fundação da ACRA-Associação Crianças Raízes do Abaeté ocorreu o primeiro intercâmbio entre os jovens de Oxford.
Geralmente o intercâmbio ocorre com realização de Festival de Capoeira, palestras,exibição de filmes,documentários,oficinas de música percussiva,Encontros com Mestres de capoeira respeitados nas rodas tradicionais da Bahia ,assistência e orientação as crianças e suas famílias,reforço das aulas de inglês,etc.
Nesse intercâmbio com o Grupo Capoeira Abolição Oxford são selecionadas crianças e jovens para irem a Inglaterra compartilhar da sabedoria da capoeira com crianças e jovens de Oxford.Vale ressaltar que a Acra disponibiliza além das atividades da capoeira aulas de inglês instrumental para tornar possível o intercâmbio com a Inglaterra e África do Sul, orquestra de ritmos e sons onde as crianças aprendem a história dos instrumentos percussivos e a confeccção dos mesmos,a arte do grafite e dança afro-brasileira.

Semana que vem continuaremos a contar essa história.

sábado, 15 de maio de 2010

Itapuã quem te viu e quem te vê!


Nosso blog apresenta uma entrevista especial com a professora Narcimária C. P. Luz autora do livro para crianças e jovens “ITAPUÃ QUEM TE VIU E QUEM TE VÊ”.A professora Narcimária vem acumulando ao longo da sua carreira várias iniciativas na área de Educação,visando divulgar e afirmar a diversidade cultural característica da formação social brasileira.Aqui ela nos fala da sua obra mais recente,publicada pela Editora da Universidade do Estado da Bahia-EDUNEB .O livro está à venda na livraria da EDUNEB no Cabula e em breve estará nas livrarias da cidade.

ACRA-Como surgiu esse título” ITAPUÃ QUEM TE VIU E QUEM TE VÊ”?
Narcimária-
Sempre que falo de Itapuã com meus filhos ou jovens que nasceram no final dos anos 1980 e anos 1990,parece que estou me referindo a um lugar que não existe mais.Isso me impressionou muito,porque realmente a Itapuã a qual me refiro, está no meu coração,no que aprendi a sentir e identificar desde menina.Eu sei onde está a pedra ancestral-Itapuã.Mas se perguntar para alguma criança ou jovem que moram no bairro hoje,eles identificam o farol de Itapuã,sabe até onde está a Plakafor,mas não sabe onde está a pedra que ronca,e nem o valor simbólico milenar que ela carrega . Conversando sobre isso com meus pais que são educadores que vivem em Itapuã desde os anos 1960, nos demos conta de que realmente quem conheceu aquela Itapuã adornada pelas dunas,lagoas,matas,o mar e o Mercado de Peixe,não a reconhece no contexto frenético urbano-industrial que restringiu a vida desse lugar tão especial.Daí “Itapuã:quem te viu e quem te vê”.

ACRA-Sua geração não conheceu a história de Itapuã?
Narcimária-
Não.Infelizmente minha geração recebe a referência de valores do pós-guerra que vão se consolidando e nos anos 1960 tornam-se hegemônicos.Então, a sociabilidade em Itapuã que era regada a mitos,cantigas,contos tudo que estivesse relacionado ao patrimônio dos povos “indígenas” e africanos,como a “pedra que ronca”,vão sendo classificadas como folclore.Eu queria que a minha geração tivesse tido a oportunidade de conhecer profundamente o patrimônio milenar que Itapuã carrega,herança desses povos que constituem a formação social das Américas.

ACRA-Conte-nos sobre a experiência de escrever esse livro.
Narcimária-
Acho que quando escrevi essa peça que tem a estrutura e forma de um auto-coreográfico para crianças e jovens, foi como uma forma de comunicar aspectos da história de Itapuã que elas desconhecem.Lembrei muito de mim que conheço Itapuã desde os seis anos de idade,e que gostaria de ter tido oportunidade de saber do legado de valores dos nossos ancestrais africanos e dos tupinambás aqui em Itapuã.Daí foi saboroso escrever (re)visitando lembranças e lugares da minha infância e juventude.Não posso deixar de registrar que também tive que pesquisar muito em arquivos,registros iconográficos,entrevistas com personalidades antigas e lideranças expressivas daqui.

ACRA-Essa história se fixa numa cronologia com um tempo histórico determinado ou é atemporal?
Narcimária-
Não, ela é atemporal.A História que fui compondo atravessa os tempos.Não tem uma data exata matematicamente calculada,não.O texto entrelaça música,poesia,coreografias,brincadeiras,humor,vocabulário próprio dessa geração “século XXI”.

ACRA-Vocês vão estrear quando e em que Teatro?
Narcimária-
Quando não sabemos.Por enquanto estamos identificando a equipe que irá sustentar poeticamente(risos) e tecnicamente o auto-coreográfico.A idéia é não encenar num palco,estilo teatro italiano.A equipe ACRA já conhece a linguagem que costumo realizar na área de Educação, e é cuidadosa no trato da linguagem para comunicar a história.A encenação que envolve,música,dança,brincadeiras,cantigas,etc será num espaço em forma de uma grande roda,com as crianças sentadas em esteiras próximas e interagindo profundamente com as personagens.

ACRA-Como são as personagens?
Narcimária-
É engraçado como fui compondo... Dei vida a pedra Itapuã que assumiu o sentimento e emoção de uma menina que tem uma irmã pré-adolescente que é Piraboca.O Farol também assume o sentimento e emoção de um jovem que vem de Portugal trabalhar fazendo sinalização para as embarcações,e finalmente Plakafor,uma famosa atriz de cinema americano que chega em Itapuã e tenta imprimir os valores americanos por aqui.A trama se desenrola com essas personagens.

ACRA-Você já tem alguma avaliação,crítica sobre o livro?
Narcimária-
Sim.Através da leitura crítica de algumas crianças ,jovens e educadores/as que conheceram a história,fiquei sabendo do prazer e satisfação que tiveram em ler o texto.Disseram que o enredo é muito divertido e tem uma base socioeducativa importante.

ACRA-Fale-nos da importância de “ITAPUà QUEM TE VIU E QUEM TE VÊ”para o campo da Diversidade Cultural e Educação.
Narcimária-
Espero que essa história circule entre muitas gerações e que as escolas,principalmente as escolas públicas utilizem como material didático,que lida com vários campos do conhecimento:Matemática,Música,Literatura,Biologia,Botânica,Geologia,Geografia,História,Dança,Artes Plásticas,Língua Tupi,Língua Yorubá,etc.

ACRA-Então estamos diante de um livro valioso para os educadores/as utilizarem?
Narcimária-
Sem nenhuma modéstia. Reconheço que é uma material muito rico para os educadores/as ,inclusive para aqueles/as que desejam explorar as diretrizes da Lei 10.639/03 e 11.465/08.Agora,não basta copiar ou “seguir a risca” o que está no livro,mas sim, transcendê-lo,aproximando–se da Itapuã que viceja em cada uma das crianças que ouvem a história.Cada criança e jovem sente a história de uma forma, e é através da riqueza de perspectivas dos lugares que compõem Itapuã(Nova Brasília,Abaeté,Baixa da Soronha,Palame,Alto do Cajueiro,Cacimba,etc) que o educador deverá atuar.

ACRA-Já temos atores e atrizes para o auto-coreográfico?
Narcimária-
Sim.Quando fui desenhando as personagens já me vinha a cabeça quem seriam os atores e atrizes que poderiam interpretá-los.

ACRA-Qual ou quais as personagens que você mais gosta?
Narcimária-
Gosto de todas as personagens.São muito vivos e divertidos!O forte são os diálogos entre Itapuã e Piraboca face a ameaça que o Farol e a Plakafor trazem para o lugar .É nessa tensão e conflito que a história se desenvolve.

ACRA-Gostaria de registrar uma mensagem sua para nossos/as visitantes que em sua maioria são educadores/as.
Narcimária-
A mensagem que compartilho com a ACRA está na apresentação do livro:”
“Itapuã quem te viu e quem te vê”,magnifica as presenças das comunalidades tupinambá e africana, abrindo perspectivas de afirmação do princípio de ancestralidade que dinamiza o estar no mundo de muitas comunalidades na Bahia, portadoras de sabedorias milenares,como temos vivenciado em Itapuã. Depois de nos aproximarmos de tantos aspectos singulares de Itapuã,ficamos muito eufóricos e com uma enorme satisfação de poder identificar perspectivas de linguagens importantes para a área de Educação,isto porque,elas são capazes de acolher o que há de mais precioso para qualquer ser humano:o direito de ser! Ser aceito,ser amado,receber carinho, receber atenção,ser escutado,ser respeitado pelo que é principalmente pelos vínculos comunais que seus ancestrais estabeleceram,ser respeitado por fazer parte da dinâmica da civilização africano-brasileiro,enfim,ter orgulho de ser.
Nossas crianças e jovens precisam e a todo tempo reivindicam o direito a existência.
Itapuã é uma territorialidade que faz transbordar esse orgulho de ser,e ainda há tempo para que nós educadores identifiquemos essa força de sociabilidade africano-brasileira que atravessa Itapuã

ITAPUÃ MINHA ARKHÉ

Performance TRANSFORMAÇÃO
Agnaldo Fonsceca

Nosso entrevistado essa semana é Agnaldo Fonsêca, nascido e criado em Itapuã na antiga rua Joana Angélica, em Nova Brasília. Agnaldo nos conta uma bela história,comunicando sua força, seu olhar e sentimento sobre o mundo,de modo especial a territorialidade africano-brasileira que é ITAPUÃ. A foto em destaque é uma criação performática de Agnaldo,apresentada no âmbito da disciplina História e Cultura Afrobrasileira do curso de graduação em Pedagogia na UNEB Campus I, sob a responsabilidade das Professoras Narcimária Luz, Jackeline Pinto do Amor Divino e Magno Santos. Sobre a performance TRANSFORMAÇÃO Agnaldo comenta sua criação:”Representa os vários momentos de nossa vida em que há mudanças. Simboliza o nosso trabalho para a sobrevivência. A ancestralidade presente no nosso ser e fazer. As vestes que nos representa. O despir-se do que não serve e a busca da nossa essência humana. A relação com a terra que nos alimenta e sinaliza o nosso destino. A complexidade humana que carregamos na cabeça. As sementes que colocamos no mundo: os filhos e a sabedoria dos mais velhos, além do orgulho de sentir-se e pertencer a uma identidade étnica".

ACRA - Que lembranças você tem da sua infância em Itapuã?

AGNALDO- Quando criança seguia com minha mãe, sempre aos finais de semana que ia lavar roupas na Lagoa do Abaeté e esse período se torna inesquecível em minha memória, além de lembrar que no final da rua, hoje atual água suja, havia uma fonte de água para o consumo doméstico, construída pelo meu pai e que toda a comunidade utilizava e o transporte era feito em lata na cabeça para encher os vasilhames e toneis. Nessa minha infância não existia ainda água canalizada.

ACRA - Onde você estudou?

AGNALDO-No início de minha formação escolar estudei o primário na Escola Dona Jenny Gomes, na Vila dos Ex-combatentes e no Ginásio no Colégio Estadual Governador Lomanto Júnior, na Estrada do Farol.

ACRA - Como você se aproximou da linguagem da dança?

AGNALDO- Foi no Colégio Estadual Governador Lomanto Júnior. Foi nesse período que me vi tomado e seduzido pela dança. Espontaneamente participava das atividades de artes da disciplina Educação Artística, elaborando e produzindo com um pequeno grupo coreografias de dança. A partir daí, passei a fazer parte do grupo folclórico do Colégio, coordenado por Sandoval Nascimento (Abaeté) e Jorjão Bafafé.

ACRA-E depois como foi que você expandiu esse dom e talento na área da dança?
AGNALDO-
Depois com várias experiências com grupos folclóricos passei a integrar o Balé Folclórico da Bahia, chegando a conhecer as cidades de Berlim e Lisboa na Europa. Depois de quatro anos saio do Cia e vou trabalhar com Bandas de Axé.Com a Banda Mel passo a conhecer vários estados do Brasil, ficando apenas seis meses. Passo a participar de vários cursos de extensão na UFBA e nas Escolas de Dança da cidade de Salvador.
ACRA-Conte-nos um pouco da sua trajetória no exterior explorando espaços em que a dança comunicava suas referências da Bahia e de Itapuã.
AGNALDO-
Na Escola de Dança culminou em uma audição para trabalhar em uma fundação em New York: A Capoeira Fundation, do Diretor e Mestre Jelon Vieiras. Trabalhando em constantes viagens para os Estados Unidos durante um ano, inclusive administrando aulas de danças folclóricas nas escolas de lá, em New York e no Texas.
ACRA - Como aconteceu a sua inserção no Balé do Teatro Castro Alves na Bahia?
AGNALDO-
Depois dessa fase no exterior, faço o concurso do BTCA em 1994 e sou aprovado, participando lá de quase todos os repertórios criados pela Companhia de Teatro.
ACRA-Fale-nos da sua participação no Bloco Afro Malê Debalê que fica em Itapuã no Abaeté.
AGNALDO-
O Bloco Cultural Malê Debalê passa a fazer parte de minha iniciativa em colaborar com bairro de Itapuã. Em 1989, onde, não só fui coordenador da ala de dança, como também coordenador do Departamento de Arte e Cultura e do Festival da Escolha do Negro e da Negra Malê de 2005 que contou com a participação do cantor Emílio Santiago.
ACRA-Como filho de Itapuã, que utiliza a dança e sua formação em Pedagogia como um canal valioso para comunicar valores necessários à composição de uma ética do futuro para as gerações sucessoras, que mensagem você gostaria de compartilhar com nossos/as visitantes do blog ACRA.
AGNALDO-
Perceber a diversidade cultural que Itapuã comporta, e o seu legado histórico, traduzidos nos mitos que permeiam a comunidade, é o que mais me encanta e me faz sentir e pertencer a uma raiz civilizatória original. Pois, mesmo tendo uma mãe que veio de Ilha de Maré, trazida por minha avó que não conheci, e entregue na casa de pessoas com recursos para trabalhar que não teve oportunidade de conhecer o pai, e sendo eu filho de um pai presente, que assume seus deveres de pai e trabalhador valente para sustentar uma família de oito filhos... Isso me faz me sentir guerreiro e descendente ativo de uma identidade original e sábia que é a dos povos que comungam com seu meio natural, cósmico,humano e divino - a cultura africana e indígena.Ser de Itapuã me referencia e me autentica como ser ativo de um legado transcendental. E a dança é um meio para me perceber nesse universo. Luz!

sábado, 8 de maio de 2010

“DIA DO PRETO VELHO”

Foto de Narcimária C. P. Luz

REFLEXÕES A PROPÓSITO DO 13 DE MAIO

Marco Aurélio Luz
Tudo começa quando o reino do Ndongo, Angola, da famosa rainha Ginga (1583-1663) e o Quilombo dos Palmares (1600-1695) dos líderes Ganga Zumba e depois Zumbi, lutando pela soberania e liberdade, quebram o eixo do tráfico escravista Angola-Pernambuco explorado pela Coroa Portuguesa, então a maior fonte de lucros da Companhia das Índias Ocidentais.
Mais tarde, a política colonial inglesa se projetou com intensidade no Brasil; iniciada quando trouxera D. João VI, rei de Portugal escapando da investida de Napoleão sobre Lisboa. Essa política se caracterizava por tentar estabelecer uma nova estratégia colonial; mudar para nada mudar.
Essa estratégia se estabelece quando o líder quilombola Dessalines derrota as tropas de Napoleão e garante a independência do Haiti (1804). A Jamaica colônia vizinha obriga os ingleses negociarem áreas libertadas com o capitão Cudgoe (1737e1796). Eles então resolveram estabelecer essa nova estratégia que constava do fim da vinda de africanos para as Américas e do incentivo da vinda de imigrantes europeus, a política de embranquecimento, da abolição da escravatura, da criação do mercado de trabalho para os novos habitantes e independência política associada à absoluta dependência econômica e militar. Em lugar das colônias de exploração, agora neocoloniais de exploração e povoamento.
O Tratado de Methuen (1703) já deixara Portugal na condição de comprador de todas as manufaturas inglesas, de um prego a um navio. Em troca os ingleses compram os vinhos. O incessante déficit da balança comercial da Coroa Portuguesa era coberto por empréstimos do capital financeiro dos bancos da própria Inglaterra. Com a independência o Brasil fica com essa herança.
Quando os navios de guerra ingleses abatem os navios tumbeiros que insistiam em burlar as leis do fim do tráfico escravista (1830), diante da reação de setores escravocratas, assim se manifesta José Bonifácio, em carta à Chamberlain, cônsul da Inglaterra: “Gostaria que os ingleses capturassem todo navio negreiro... não quero vê-los nunca mais: são a gangrena de nossa prosperidade. A população que queremos é branca...” Com o fim do tráfico escravista, a abolição da escravatura eram favas contadas.
Apesar de ter sido o último país a abolir a escravidão, a chamada “Guerra do Paraguai” (1864-1870) foi um passo importante na aceleração do processo nessa direção.
Com ela os ingleses conseguiram realizar vários intentos. Acabar com o “mau exemplo” do Paraguai, a nação Guarani, em tentar contornar e superar a dependência político-econômica, enfim romper o laço do imperialismo; diminuir drasticamente as populações não brancas na América do Sul, diminuir o número de escravos, e sobretudo, “the last but not the least,” aumentar consideravelmente a dívida externa financiando a venda de suas próprias armas para os litigantes especialmente o Brasil.
Os chamados “voluntários da pátria” eram os “senhores de escravos” que cediam dez ou mais escravizados para constituírem as tropas do Brasil. Nessa situação fica na memória a cantiga da Umbanda:
“Beira-Mar auê Beira-Mar
Ogun já jurou bandeira
Nas portas de Humaitá
Ogun já venceu demanda
Vamos todos saravá”.
Em meio a tudo isso a população negra por outro lado procurou “caçar jeito de viver”, aproveitando das liberdades alcançadas para ir repondo as instituições de sua civilização recriando uma nova cultura e territorialização mantendo a essência das tradições em suas redes comunitárias, comunalidades como até hoje...
Muitos voltaram libertos, superando o sofrimento e concorrendo para a contínua corrente de libertação, e em memória aos que de várias formas honraram nosso passado, nessa data se faz homenagem ao DIA DO PRETO VELHO. Em memória a D. Maria Batuque encerramos com a letra da cantiga preferida de despedida de sua entidade, Vovó Maria Conga.

“O sol nasceu já vai baiana
O sol nasceu nas ondas do mar, o,o,o
As ondas no mar batiam
Lá se vai Maria Conga
Feticêra da Bahia”

HOMENAGEM AS MÃES


MÃE

Januária Avelina Correia do Patrocínio


Tradução de ternura e altivez
Eterna e benfazeja mulher
Carinho e sensatez
Amando a toda vez

Mãe
Você é mulher a todo instante
Amiga fiel e constante
Enfrenta a dor e o sofrimento
Sem temer nada em nenhum momento

Mãe
Seus filhos a querem presente
Viva ou morta
Sã ou doente
Sua força eterna e latente
Enfrenta o homem prepotente

Você é mulher
Que luta, briga e lida
Mulher que conhece e sabe o que quer
Mulher com seu carinho e guarida
Mulher mãe, sempre querida
Mulher você é força
Você é vida

Seu ventre transformou-se
Sua aura adornou-se com rosas
Natureza és
Mãe
Eterna e gloriosa
Lutadora, fonte de vida

CONTRA MESTRE LUÍS NEGÃO, IDEALIZADOR DA ACRA

Contra Mestre Luís Negão numa performance para documentário sobre a capoeira na Inglaterra



Contra Mestre Luís Negão com jovens da África do Sul no âmbito do Festival Internacional de Capoeira na ACRA em 2008
Nossa Bahia é linda por vezes até calorosa, mas na realidade nem sempre consegue acolher os seus filhos/as. A Bahia tende a ser acolhedora dos que vem “além mar”,infelizmente.Ela só abraça seus filhos/as quando eles/elas retornam cheios de medalhas e louros.Está é mais uma história de um dos seus filhos,soteropolitanos e morador de Itapuã,lugar cantado em verso e prosa,que pelas contingências do destino ,vai morar na Inglaterra.
José Luís Correia do patrocínio, conhecido na Inglaterra como “our teacher” (nosso professor) Professor Luís Negão! “Negão is his capoeira nick name and means big Black” (Negão é o seu nome de alcunha de capoeira e significa Negro Grande, Negão).
Capa de várias revistas, e jornais ingleses pelo seu mérito do seu trabalho em saber aglutinar gerações de jovens de várias partes do mundo através da capoeira, para aprender a sabedoria dos velhos africanos.
Ele tem se dedicado há mais de dez anos, a iniciativas socioeducativas no Brasil, Inglaterra e África do Sul, realizando intercâmbio importantes visando à superação das situações adversas que vêm sucumbindo à vida de muitos jovens.
A história desses intercâmbios tem na capoeira de Luís Negão a força da sociabilidade envolvendo crianças e jovens do Brasil, Salvador Bahia do bairro de Itapuã, também crianças e jovens do vilarejo de Hamburg na África do Sul, e jovens da cidade de Oxford na Inglaterra.A ACRA - Associação Crianças Raízes do Abaeté, NASCEU em 2005 numa iniciativa do Sr. José Luis Correia do Patrocínio conhecido nas rodas de capoeira como Contra Mestre Luís Negão.
O Contra Mestre Luís Negão teve sua infância e adolescência vinculada ao bairro de Itapuã, nos arredores da Lagoa do Abaeté, onde aprendeu a arte tradicional da capoeira e todas as linguagens ético-estéticas africano-brasileira.
Em 2001 pelas contingências do destino, Luís Negão foi morar em Oxford na Inglaterra onde criou o Grupo Capoeira Abolição Oxford formado por jovens estudantes da tradicionalíssima Universidade de Oxford. O Grupo Capoeira Abolição Oxford, foi se consolidando e havia um interesse muito grande dos jovens capoeiristas (que não é formado apenas por ingleses mas reúne outras nacionalidades já que Oxford é uma cidade cosmopolita) de conhecer a Bahia terra que deu origem a capoeira.
Sobre isso o Contra Mestre Luís Negão comenta:
“... Quando falei com meus alunos de Oxford sobre a possibilidade de realizar esse intercâmbio com o Brasil e Bahia, chamei atenção para a possibilidade de cada um contribuir com o conhecimento adquirido na Universidade de apoiar as iniciativas de Educação que vinham sendo desenvolvidas na ACRA. Como sabia que uns estudavam Arquitetura, Comunicação, Medicina, Direito, Engenharia, etc, vislumbrei que as crianças e suas famílias da Bahia em Itapuã poderiam ser beneficiadas com a ida deles. Então a capoeira dos velhos africanos... E isso é o que mais me emociona! A capoeira se transformou para mim não só meu espaço de trabalho como Contra Mestre, mas como um espaço de solidariedade de amizade, de perspectiva de futuro para as gerações de crianças na Bahia e no Brasil que infelizmente estão se perdendo por causa das drogas como o crack. Isso é muito triste e o intercâmbio Grupo Capoeira Abolição Oxford com a ACRA - Associação Crianças Raízes do Abaeté tem essa força de tentar superar esse caos.”
Foi assim que em 2005 ano de fundação da ACRA - Associação Crianças Raízes do Abaeté ocorreu o primeiro intercâmbio entre os jovens de Oxford. A presença da capoeira do Contra Mestre Luís Negão em Hamburg África do Sul, assume uma importância significativa na vida dos jovens, isto porque, há um desafio que comove profundamente a todos que se propõem a atuar nessas comunidades: a AIDS. Dados da Keiskamma Trust revelam que em 2007 a AIDS arrasou a vida de aproximadamente 1.000 sul africanos. Outra estatística desoladora é que dos 5. 7 milhões de sul-africanos infectados com o HIV, 280 000 são crianças. Triste realidade que constitui o cenário que deixa órfãos aproximadamente 1,4 milhões de crianças










RECOMENDAÇÃO DE LEITURA

Professora Rosângela A. L. Correia pesquisadora do PRODESE no âmbito do Festival de Arte Afro-brasileira da ACRA

Recomendamos a leitura dos artigos publicados na Revista África e Africanidades,em especial dois textos de autoria das professoras Rosãngela A. L. correia e Hildete Costa,que tratam de aspectos relacionados ao patrimônio africano no Brasil,e de modo especial na Bahia.
Um dos artigos de autoria da professora Rosângela Accioly Correia,pesquisadora do PRODESE intitulado " AWON OMODÉ :AS LINGUAGENS AFRICANO-BRASILEIRAS NO CURRÍCULO DA EDUCAÇÃO INFANTIL" ,aborda as linguagens africano-brasileiras que são desenvolvidas no Centro de Educação Infantil Vovô Zezinho, no bairro de Arenoso em Salvador na Bahia com crianças na idade de três anos.
O outro artigo é de autoria da professora Hildete Santos Costa,"Os gestores da informação,a educação plural e os acervos culturais afro-brasileiros", tratando da importância dos acervos afro-brasileiros enfatizando a importância dos gestores da informação no processo de resgate, organização, preservação e disseminarão dos acervos culturais afro-brasileiros"
Vale a pena conferir!
http://www.africaeafricanidades.com.br/

sábado, 1 de maio de 2010

DIA DO TRABALHO


Foto de Narcimária C. P. Luz

Colaboração Marco Aurélio Luz

Mais que uma data de feriado e política sindicato-eleitoral o "dia do trabalho" nos leva também a algumas reflexões. No "mundo dos valores brancos" da acumulação incessante de capital, primeiramente vamos nos referir à contribuição de Marx elaborando a lei econômica da mais valia em que demonstra que a riqueza no capitalismo se origina do valor da força de trabalho não pago ao trabalhador e apropriado pelo proprietário dos meios de produção. O trabalhador livre, "livre de tudo" que é obrigado para sobreviver a se oferecer no mercado de trabalho ao sabor da luta de classe. Hoje em dia ele é mais seduzido à sujeição voluntária por diversos aparelhos ideológicos do Estado que coagido. Se bem que entre nós continue em vigor a Lei da Vadiagem que garante a obrigatoriedade pela força pública em caso de precisão.
No tempo da escravidão, que não está muito longe, em 1771, frei Antonil relatou:
"(...)no Brasil costumavam dizer que para o escravo são necessários três p, a saber: Pau, Pão e Pano. E posto que comecem mal, principalmente pelo castigo que é o pau, contudo provera Deus que tão abundante fosse o comer e o vestir como muitas vezes é o castigo, dado por qualquer cousa pouco provada e levantada, e com instrumentos muitas vezes de muito rigor... de que não se usa nem com os brutos animais castigar com ímpeto, ânimo vingativo, por mão própria e com instrumentos terríveis..."
Enfim não precisamos continuar, é o trabalho no cativeiro; forçado sob tortura...
Muito diferente é o trabalho no "mundo dos valores negros" nos inspirando no Festival Epa em Ekiti. Aqui primeiramente ele é compreendido pela tradição como o princípio do caçador do ferreiro e do organizador. Nos primórdios da saga da humanidade é o princípio caçador que garante as provisões necessárias a manutenção e expansão de sua gente. O princípio do ferreiro, da criação de instrumentos que proporciona os avanços tecnológicos para a proteção e projeção da sociedade. O princípio do organizador que estabelece as regras do convívio social, a ordem das divisões do trabalho, o equilíbrio hierárquico.
A “alquimia” da culinária que estabelece entre o alimento cru e o cozido os limites entre a natureza e a civilização está na órbita dos princípios e poderes femininos. São elas as que também alimentam os nascituros e assim garantem a continuidade da espécie.
O trabalho aqui tem sempre um caráter cooperativo visando à auto-proteção e expansão dos grupos, das famílias, das linhagens, das cidades, da civilização, da ancestralidade.
Fonte das elaborações desse viver é a tradição religiosa que garante o bem estar nesse mundo através da circulação das forças espirituais que circulam entre esse mundo e o além.
Por fim devemos realçar que nesse contexto o trabalho está envolvido por uma relação indissolúvel entre o técnico e o estético, odara, que faz dele uma atividade lúdica, o prazer de estar junto em colaboração, associada ao prazer de sedução da beleza que é finalizada com a prazerosa obtenção do resultado.
Tive a oportunidade de presenciar a pesca do Xaréu, o canto das lavadeiras, e participo das ações no âmbito de diversas instituições da tradição sócio cultural afro- brasileira que podem ilustrar essa forma de trabalho. Nesse mutirão não pode faltar a alegria.

CANTANDO,DANÇANDO E INSURGINDO
Para além do valor do trabalho baseado no individualismo,competição,acumulação de bens,riqueza e a vida em solidão,trazemos uma ilustração divertida sobre a recusa às relações de trabalho que regem o espaço e tempo neocolonial.
Aqui vai o suingue e vozeirão de Tim Maia cantando "Sossego".
Divirtam-se!








sábado, 24 de abril de 2010

CONTO AFRICANO KIRIKOU



A ACRA recomenda KIRIKU E A FEITICEIRA(Kirikou et la sorcière) e KIRIKU E OS ANIMAIS SELVAGENS(KIRIKOU ET LES ANIMAUX SAUVAGE), desenhos animados produzidos na França ambos sob a direção de Michel Ocelot. É um desenho muito interessante,apresentando aspectos ético-estéticos de um conto da África Ocidental que tem como protagonista um menino pequenino chamado Kirikou que se dedica a criar condições que promovam a continuidade da vida de seu povo,da sua comunidade.




Trailer de KIRIKOU - OS ANIMAIS SELVAGENS

Acompanhem o Trailer de KIRIKOU - OS ANIMAIS SELVAGENS

MULHERES FAÇAM COISAS BOAS! HÁ SEMPRE TEMPO PARA FAZÊ-LAS.

Apresentamos Marina Souza Damasceno, moradora de Itapuã desde os anos 1980 e que participou de algumas iniciativas da ACRA voltadas para mulheres no bairro. Aqui Marina nos conta um pouco da sua história de vida e a importância da ACRA em Itapuã. .


ACRA-Fale um pouco da sua história
MARINA -Comecei a trabalhar desde aos 12 anos de idade.Meu primeiro emprego com carteira assinada, foi como caixa em uma fábrica de biscoito chamada Sempre Viva. Depois embalei biscoito,trabalhei em uma sorveteria, fui caixa de supermercado, operadora de caixa nos grandes supermercados.Naquele tempo não se exigia escolaridade, ai eu parei de trabalhar.Fui trabalhar para mim mesma em uma barraca de praia, e essa experiência não foi muito boa. Depois de 35 anos voltei a estudar porque durante toda essa minha vida profissional eu só tinha o ginásio incompleto. Pensei: vou cuidar da minha saúde, de mim, da minha vida, eu já estava quase me aposentando, eu precisava viver,ter saúde, e resolvi então voltar para a escola.

ACRA-Como descobriu a ACRA?
MARINA- Fazia minhas caminhadas no Abaeté.Nas caminhadas descobri que existia um projeto aqui no Abaeté, as pessoas falavam e me interessei em conhecer. Conheci, gostei do projeto, das coisas que acontecia. Aqui tive atividades de swing, curso de manicure e de Inglês. Na época, quase o curso de Inglês não acontecia, ai eu convidei as meninas e falei: vamos fazer com que esse curso aconteça. Como pode um curso desse de graça para a comunidade e não acontecer ter por falta de alunos! Não pode! Então reuni as meninas e entramos, foi um curso muito bom e tirei o diploma. O curso foi um sucesso e muitas colegas são profissionais hoje. O curso de Inglês foi muito importante. Me senti chique! Conheci uma professora que veio visitar o projeto, ela veio da Califórnia. A professora Dara, ela gostou tanto que veio dar aula aqui na ACRA nas férias dela, e assim nos tornamos grandes amigas. O professor de swing também foi muito importante na minha vida, ele estava voltando a estudar também e me incentivou. Depois de 35 anos eu voltei à escola, fiz de 5ª a 8ª série no CPA, foi um sucesso para mim porque eu passei com notas maravilhosas.Essa experiência me fez incentivar muita gente da minha faixa etária,e vi muita gente voltar para a escola. Hoje estudo no Rotary, aqui em Itapuã, fazendo o último ano do 2° grau.

ACRA-Quais os seus planos futuros?
MARINA- Se a saúde permitir vou fazer o ENEM e ir mais na frente, vestibular para Assistente Social – para dar assistência ao meu povo, ajudar as pessoas.

ACRA-O que para a senhora representa a ACRA na comunidade
MARINA -Eu acho a ACRA muito importante, foi muito proveitoso para todos.Sempre fui muito participativa aqui, incentivando, trazendo pessoas para cá, quem quis alguma coisa aqui cresceu. Eu gosto muito de conhecer pessoas e aqui, eu conheci muitas, até de outros países, pessoas diferentes, cursos... O fato dos cursos também serem gratuitos também incentivou muito.Agora vou entrar no curso de Informática da ACRA. Uma coisa que eu queria, que eu sonhava era fazer o curso de Informática e também de ganhar um computador, mesmo usado. A tecnologia evolui muito. Eu com quase 60 anos quero me modernizar e preciso de um computador (coloca ai no blog para ver se ganho um de presente risos).
ACRA-Qual a mensagem que a senhora passaria para as mulheres

MARINA- Eu andei lendo e fiz um discurso para as mulheres na Casa da Música, no dia do SARAU nos apresentamos sem ensaio. Eu estava linda, não sou nenhuma artista, sou uma dona de casa com problemas de saúde e consegui fazer a coisa acontecer, nós estávamos lindas, eu estava tremendo (Roberto Carlos diz que treme até hoje risos), tudo está bom, tudo vai dar certo, não me estresso com pouca coisa. Um exemplo recente é Maria da Penha – mãe, mulher e esposa. Eu quero dizer às mulheres que façam o que gostam, nunca é tarde. Mulheres façam coisas boas que há sempre tempo para fazê-las. Eu sou um exemplo disso. A mulher merece respeito, tem muita coisa errada, precisamos ter os nossos direitos respeitados e eu estou correndo atrás disso.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

E POR FALAR EM DATAS COMEMORATIVAS...

Tentando sair um pouco da cartografia neocolonial que estabelece um calendário de "datas comemorativas",a equipe da ACRA reuniu algumas reflexões importantes sobre temas que atravessam o nosso cotidiano, mas infelizmente continuam afastados de nós, a exemplo do “dia do índio” e “inconfidência mineira”.Quando esses temas entram na pauta das escolas ou na mídia aparecem na superfície, fragmentados, folclorizados, e tratados como “era uma vez”...Qual o significado dessas “datas” para a maioria da população brasileira?Estamos falando de História do Brasil?Como?De que forma?Para que?Que história é essa?Os povos que foram classificados como “índios” têm história?E o dia 19 de abril entra na vida desses povos de que forma?Acompanhem essa conversa através de textos, vídeos e músicas que instigam e ilustram de forma agradável elaborações que nos fazem transcender o discurso paternalista que persiste no imaginário social brasileiro.


”TERMINA A VIDA E COMEÇA A SOBREVIVÊNCIA”

Em 1854 uma liderança indígena do território de Seatle nos EUA, através de uma carta, registrou o sentimento do seu povo, face a proposta feita pelo presidente americano de comprar as suas terras. Essa carta é considerada uma das mais belas e profunda declaração de respeito e amor à natureza, que atravessa gerações convidando-as a manterem erguido esse elo com nossos/as ancestrais,com a origem do universo. A carta foi traduzida para o Caderno SEMENTES publicação do PRODESE em 2002 e assume o título”Termina a vida e começa a Sobrevivência”Aqui reproduzimos um trecho da carta.

“Cada parcela dessa terra é sagrada para meu povo, cada brilhante,cada grão de areia da praia, cada gota de orvalho nos bosques e até cada som emitido pelos insetos é sagrado na memória e no passado do meu povo. A seiva que circula no interior das árvores leva consigo as memórias das peles vermelhas. A terra é a mãe dos peles vermelhas. Somos parte da terra e do mesmo modo que ela é parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs, o veado, o cavalo, a grande águia são nossos irmãos. As pedras escarpadas, os prados úmidos, o calor do corpo do cavalo e o homem, todos pertencem à mesma família. O murmúrio da água é a voz do pai do meu pai. A terra é sagrada para nós... Tudo o que acontecer na terra, acontecerá aos filho da terra”

Para saber mais ver SEMENTES Caderno de Pesquisa do PRODESE Salvador: EDUNEB, VOL 3, 2002, p.15



ELOS QUE SE COMPLEMENTAM

DE ITAPUÃ A OLIVENÇA

Aqui aproveitamos para destacar um trecho da História da Bahia contada por uma liderança Tupinambá de Olivença.

E não esqueçamos que a territorialidade de Itapuã (onde está localizada a ACRA) também fazia parte da vida do povo tupinambá.

Acompanhem.

“A gente gosta de relatar a história para que as coisas não sejam perdidas e para que, a partir de agora, a gente possa construir uma realidade mais favorável para nosso povo Tupinambá. Olivença era uma grande aldeia.
Era um bom lugar para morar, os índios circulavam resistindo à escravização de uma nova concepção de vida, mas sempre voltavam para Olivença. Por volta de 1560 teve a Batalha dos Nadadores, uma disputa entre os não-índios e os índios, onde foi quase dizimada a população indígena, principalmente os homens guerreiros.
Foi uma batalha contra o Mem de Sá, que era o governador intendente da Bahia, que rodeou os índios e até perseguiu em embarcações aqueles que tentaram fugir nadando. Diz a história que os corpos dos índios mortos davam, enfileirados na praia, 1 léguas, mais ou menos de 6 a 7 kilometros, um dos maiores massacres indígenas da história da região.
Logo depois é criado o aldeamento jesuítico,começando com a catequização. Muitos índios passam a buscar as matas para não cair na escravização do aldeamento jesuítico que aglutina também índios Tupiniquim, Camacã, Botocudo... índios capturados desde Ilhéus até Canavieiras. Os jesuítas forçam também a mudança da cultura dos índios escravizados. Trazem santos,
acabando com as tradições dos índios, botando eles para morar em famílias "tradicionais" e não mais em comunidades, cada um passa a ter sua casa, todas enfileiradas ao redor da igreja central, com as portas para a frente para que o sacerdote possa observar quem é que entra na casa de quem.
Muitos índios continuam a fugir para as matas.A partir de 1800, transformaram Olivença em vila, com status de município, com câmara de vereadores quase exclusivamente composta por brancos...”

Para saber mais ver MAGALHÃES,Cláudio http://www.indiosonline.org.br/blogs/index.

domingo, 18 de abril de 2010

“SEI LÁ, NÃO SEI NÃO...”



Por Narcimária C. P. Luz




Uma cena que me calou profundamente...

Na catástrofe do Morro do Bumba a repórter de uma TV aproxima-se de uma criança de dez anos que está sentada chorando muito tomando chuva e aturdida com toda a agonia que está em torno dela.

Gritos, choros, lamentos, pedidos de socorro, muita tristeza.A câmara se aproxima da criança e perguntam seu nome e idade. É uma menina negra com dez anos de idade.

-O que aconteceu?Pergunta a repórter.

A menina responde em meio a soluços:

- Perdi minha avó e meus irmãos. Estou muito triste. Isso tudo é muito triste para mim.

A repórter ainda insiste em saber mais do que ela pensa e sente sobre a tragédia. E ela responde chorando:

-Não sei. Aprendi que a vida continua. Eu quero viver.Quero ser muito feliz.E repete:a vida continua...

Essa cena, imagem e mensagem dessa criança, podem servir como referência para pensarmos as perspectivas de vida que se apresentam para as populações que estão vivendo situações adversas em várias partes do Brasil. Um Brasil que insiste num projeto urbano que retira o direito de ser e viver das populações de descendência africana e indígena.

Não vamos aqui fazer uma crítica fixada no lugar comum que indaga: como é possível deixar famílias, comunidades se instalarem em lixões, em ribanceiras nas chamadas “áreas de risco”?

A pergunta é: como é possível condenar à morte famílias, comunidades inteiras retirando-lhes o direito à vida, à expansão dos valores que caracterizam a constituição de territorialidades importantes na história da formação social brasileira?

Infelizmente, o projeto urbano das cidades brasileiras não contempla os valores característicos de viver da grande maioria da nossa população. O valor desse projeto urbano brasileiro se assenta na expansão de mercado, de acumulação de bens e capital, da financeirização do mundo.
A terra e toda vida que dela emana vai sendo tragada pela ganância cujo valor máximo é :Quanto vai se ganhar?Como posso ter?Que vantagens individuais ou de grupo pode-se ter?

Reduziram a vida a essa ordem de valores que é o ter. Estamos a cada dia assistindo atônitos a derrubada de árvores ainda referências da Mata Atlântica, nascentes de rios sendo entulhadas,rios desviados ou represados, tudo em função de uma urbanização inflacionada por prédios,shoppings, resorts, condomínios de luxo.

Enfim,tudo que nos afasta do que os povos indígenas chamavam de Pindorama a Terra das Palmeiras, ou como os povos africanos se referiam a nossa terra,Ilê Axé. Para esses povos,a natureza é o valor máximo da vida!

As explicações técnico-científicas, tentam justificar as catástrofes que arrebatam a vida de milhares de pessoas, famílias e comunidades, mas não conseguem dar conta de uma coisa: a natureza não pode ser controlada, não há como estabelecer cálculos matemáticos infalíveis para lidar com a natureza ou como acreditam uns, domá-la e retirar-lhe tudo que possa garantir lucros.

Ela sempre surpreenderá!

Quando a natureza resolve manifestar seu poder de recusa a essa malha crescente de devastação a sua existência, assusta e nos obriga a refletir sobre o que estamos fazendo com o valioso patrimônio milenar desse planeta.


COMO DIZEM OS POETAS...

Para acompanhar essa reflexão e homenagear todas as comunidades brasileiras que têm a terra como um legado precioso e inestimável, vamos apelar para o samba de Paulinho da Viola e Hermínio Belo de Carvalho. Desejamos que as mensagens aqui reunidas, possam contribuir na aprendizagem de modos e formas de viver, para além do projeto urbano da acumulação de bens e capital que vem tragando o nosso direito de viver com, e através do reconhecimento da natureza.

SEI LÁ NÃO SEI...


Composição: Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho

Vista assim do alto

Mais parece um céu no chão

Sei lá,Em Mangueira a poesia fez um mar, se alastrou

E a beleza do lugar, pra se entender

Tem que se achar

Que a vida não é só isso que se vê

É um pouco mais

Que os olhos não conseguem perceber

E as mãos não ousam tocar

E os pés recusam pisar

Sei lá não sei...

Sei lá não sei...

Não sei se toda beleza de que lhes falo

Sai tão somente do meu coração

Em Mangueira a poesia

Num sobe e desce constante

Anda descalça ensinando

Um modo novo da gente viver

De sonhar, de pensar e sofrer

Sei lá não sei, sei lá não sei não

A Mangueira é tão grande

Que nem cabe explicação

http://letras.terra.com.br/paulinho-da-viola/282506/

''Exaltação a Tiradentes''

Exaltação a Tiradentes:

Joaquim José da Silva Xavier
Morreu a 21 de abril
Pela independência do Brasil
Foi traído e não traiu jamais
A inconfidência de Minas Gerais

Joaquim José da Silva Xavier
Era o nome de Tiradentes
Foi sacrificado pela nossa liberdade
Esse grande herói
Pra sempre há de ser lembrado.

Mano Décio da Viola nasceu em Santo Amaro da Purificação na Bahia em 1909. Logo cedo foi com a família para o Rio de Janeiro. Jovem fez amizade com Silas de Oliveira. Freqüentaram rodas de samba no Buraco Quente e depois se integraram na Escola de Samba Prazer da Serrinha. Quando a ditadura do Estado Novo interferiu nas Escolas de Samba exigindo desfiles com alas e samba enredo exaltando o país, aconteceu a divisão; os que acataram a interfência fundaram a Império Serrano. Muitos sambas exaltação se tornaram clássicos compostos pela dupla famosa. Esse Exaltação a Tiradentes todavia é de Mano Décio, Estanislau Silva e Penteado.

Colaboração de Marco Aurélio Luz

sábado, 10 de abril de 2010

Da esquerda para a direita Professoras Daniela Cidreira,Jackeline A.Divino,Narcimária C. P. Luz,Rosângela A.L. Correia,Sara Soares e o Professor Magnaldo Santos

DAYÓ
PLURALIDADE CULTURAL E EDUCAÇÃO NA BAHIA



A equipe do PRODESE-Programa Descolonização e Educação participou dia 09 de abril da Jornada Pedagógica do Departamento de Educação do Campus Ida Universidade do Estado da Bahia- UNEB onde desenvolveu a oficina DAYÓ: PLURALIDADE CULTURAL E EDUCAÇÃO NA BAHIA.
As atividades que compuseram a oficina foram realizadas pelos/as professores/as pesquisadores/as do PRODESE/DAYÓ/ACRA Rosângela Accioly Lins Correia, Jackeline Pinto do Amor Divino, Daniela Cidreira Santos, Magno Santos e Sara Soares.
A oficina teve como público professores da Educação Básica, graduandos/as de Pedagogia e Pós-Graduandos/as da área de Educação.
A oficina DAYÓ foi regada por contos afro-brasileiros,dramatizações e músicas visando aproximar os educadores/as das linguagens e valores próprios das comunidades afro-brasileiras que caracterizam a Bahia. Para ilustrar as dinâmicas de linguagens os/as professores/as do PRODESE trouxeram aspectos do cotidiano socioeducativo desenvolvido no âmbito da ACRA - Associação Crianças Raízes do Abaeté.
Parabéns a equipe PRODESE/DAYÓ/ACRA por mais essa iniciativa.

EM BUSCA DE RECONHECIMENTO

A ACRA apresenta essa semana algumas reflexões desenvolvidas por Marcos Terena uma importante liderança indígena,colaborador e incentivador de muitas das iniciativas do PRODESE- Programa Descolonização e Educação da UNEB coordenado pela Professora Narcimária C. P. Luz. Essa entrevista que inserimos no blog ACRA foi gentilmente cedida pela jornalista Maysa Provedello a Revista SEMENTES Caderno de Pesquisa publicação organizada pelo PRODESE em 2005.

DA ALDEIA AO PALANQUE

Nascido na aldeia de Taunay, na zona pantaneira do Mato Grosso do Sul, Marcos Terena é um raro exemplo de indígena que conseguiu se alçar a um posto de destaque na sociedade dos brancos no Brasil. Aos oito anos mudou-se com a família para os arredores de Campo Grande, onde seu pai passou a trabalhar na lavoura de café e ele e seus cinco irmãos puderam estudar. Na escola, Terena fingia ser filho de japoneses, por vergonha da sua condição de indígena. Ao concluir o segundo grau, passou no teste da Academia da Força Aérea Brasileira em Natal, no Rio Grande do Norte. Formou-se piloto civil porque, como explica, queria \"pilotar aviões de grande porte\". Chegou a voltar ao Mato Grosso, mas logo decidiu tentar a vida em Brasília.
\"Naquele momento teve início minha fase mais política, porque só então entendi realmente o que era ser índio\", diz. Passou por alguns empregos públicos de pouca expressão e finalmente foi trabalhar como piloto da Fundação Nacional do Índio (FUNAI). Na mesma época, entre os anos 1970 e 1980, conheceu os caciques Mário Juruna, Kretã e Raoni Txucarramãe, que fundaram a União das Nações Indígenas - organização que deu origem ao movimento indígena no país.
Desde então Terena tornou-se porta-voz das causas dos índios brasileiros no Brasil e no mundo. Trabalhou como assessor no Ministério da Cultura nas gestões de José Aparecido, Celso Furtado e Aluísio Pimenta. Com outros líderes, colaborou na elaboração do capítulo da Constituição de 1988 voltado aos povos indígenas. Em 1991 foi convidado pela Organização das Nações Unidas (ONU) a ser um dos organizadores da Conferência Mundial dos Povos Indígenas, realizada no Rio de Janeiro, em 1992, durante a Conferência sobre Meio Ambiente. Também participou de inúmeros encontros internacionais. Atualmente é piloto da FUNAI- Fundação Nacional do Índio, é membro da \"Land is Life\", coalizão de indígenas de todo o planeta, e da \"The Call of The Earth\", outra coalizão em prol da proteção dos conhecimentos tradicionais, liderada pela indígena guatemalteca Rigoberta Menchú, Prêmio Nobel da Paz.

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Desde 1994 a Organização das Nações Unidas (ONU) tenta redigir a Declaração Universal dos Direitos Indígenas, em conjunto com governos e representantes de etnias de todo o planeta. O assunto é tão complexo que em dez anos não houve consenso em torno do documento. Marcos Terena, de 51 anos de idade, piloto da Fundação Nacional do Índio (Funai) e líder indígena, representa o Brasil no grupo de trabalho da ONU e acredita que em dois anos a declaração ficará pronta. Também aposta que as comunidades indígenas passarão a ter maior participação no processo de desenvolvimento do Brasil ao contribuírem para a preservação da biodiversidade e para o uso sustentável dos recursos naturais. Nesta entrevista, Terena diz que é chegada a hora de tratar não apenas dos direitos, mas também dos deveres dos indígenas.

Maysa Provedello - Por sua experiência neste trabalho, quando lhe parece que será possível a ONU terminar a Declaração Universal dos Direitos Indígenas?


Terena - Um primeiro texto foi preparado por um corpo técnico da ONU em 1994. A partir daí foi estabelecida a década dos povos indígenas - e nesse período o documento deveria ter sido concluído. Ao longo desse tempo foram realizadas consultas, no mínimo uma vez por ano, a organizações indígenas e a governos, a respeito do tema. Mas em 2004 não houve consenso sobre o modelo final da declaração. Os dois pontos mais polêmicos dizem respeito à chamada livre-determinação dos povos indígenas, que se refere à sua autonomia total, independente das decisões dos países onde estão localizados, e à questão da utilização do solo e do subsolo. Neste último caso, o dilema é definir se o que está no solo e no subsolo é do país ou do povo indígena.

Maysa Provedello - A falta de consenso paralisou o processo de redação da Declaração?


Terena - Não. Ela voltará a ser debatida em abril e algumas comissões estão se organizando para apresentar um relatório alternativo, que possibilite o diálogo. Apesar das controvérsias, a intenção é que no máximo em dois anos tudo fique pronto. No caso da livre-determinação, deverá ficar decidido que os indígenas sejam reconhecidos como povos, não mais como tribos menores, e que tenham direito a cultura, identidade, território e autonomia econômica - mas sem ferir a soberania dos países. O acordo também deverá definir que o direito ao uso do solo e do subsolo em áreas demarcadas será da nação, mas que os indígenas terão participação ativa em todas as decisões que forem tomadas. É preciso lembrar que a Declaração não funcionará como um tratado a ser obedecido. Terá apenas um caráter indicativo.

Maysa Provedello - Quais os principais problemas enfrentados pelos indígenas brasileiros atualmente?


Terena - Não é possível falar do presente sem avaliar o passado. O ideal para nós seria que o homem branco nunca tivesse aparecido em nosso meio. E não digo isso porque os índios não gostam dos outros povos. Mas porque com eles vieram diversas maneiras de viver, uma civilização com ricos e pobres, com um modelo estreito e economicista, que privilegia uns em detrimento de outros. E a visão do superior versus o inferior foi aplicada aos povos indígenas. Então começamos a ser tratados como preguiçosos, selvagens, como obstáculos ao desenvolvimento, quando na verdade os povos indígenas sempre tiveram um padrão de vida superior não só ao dos brancos - nos tempos antigos e na sociedade atual. Os índios não tinham problema de fome e hoje sofrem devido à destruição do meio ambiente, da cultura, da organização social e do relacionamento espiritual com a terra. Isso além de doenças, que também não tínhamos. O preço pago pelos povos indígenas, na convivência com outros povos, tem sido muito alto.

Maysa Provedello - Mas já existem algumas leis, e a Constituição de 1988, que garantem direitos e serviços específicos aos indígenas. A situação não melhorou nos últimos tempos?


Terena - O problema é que o atual sistema indigenista de governo não consegue acompanhar o ritmo de envolvimento que afeta os valores das comunidades indígenas. Por outro lado, as comunidades indígenas não são capazes de responder a essa crescente avalanche de informação e de interferência. Isso gera um quadro de pobreza em grande parte dos povos indígenas. E não se trata apenas de falta de dinheiro, mas de empobrecimento cultural. De maneira geral, esses problemas são ignorados. Existe pouca ou nenhuma informação de qualidade sobre as nossas condições de vida. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), da ONU, por exemplo, não tem qualquer medição que leve em conta as nossas características.

Maysa Provedello - Não existem diagnósticos da qualidade de vida dos indígenas?


Terena - Não. Eu sempre defendi que para facilitar a elaboração das políticas para os indígenas fosse criado no Brasil, da mesma forma como existe o Índice de Desenvolvimento Humano, um índice de desenvolvimento indígena. Porque o IDH não diz respeito ao nosso tipo de vida. Fazer um diagnóstico assim não é papel da Funai, mas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) ou do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É preciso que exista uma pesquisa que inclua todas as condicionantes e as respostas possíveis. E a dificuldade é escolher os parâmetros, os critérios. Por exemplo, o critério econômico usado no IDH não se aplica a nós. O índio, em geral, não tem renda. Mas é preciso medir o que equivale à renda, o que entendemos como riqueza, como a terra, por exemplo. Se um índio tem terra, se ele consegue extrair dali o que precisa, se existe educação bilíngüe, um bom serviço de prevenção e atendimento de saúde, então ele tem melhores condições de vida do que outros. Se uma determinada sociedade indígena tem formas de geração e administração de renda com vistas no futuro, de modo a garantir que, quando não for possível tirar da terra o necessário, o padrão de vida será mantido, seu índice de desenvolvimento será ainda melhor. Estou falando de algo muito mais complexo do que simplesmente vender artesanato, que é o que fazemos hoje, que dá retorno baixo, além de, em alguns casos, afetar a tradição cultural.

Maysa Provedello - Quais seriam as possíveis saídas de curto e longo prazo para os problemas enfrentados hoje em dia?


Terena - A solução passa obrigatoriamente pela demarcação dos territórios e pelo atendimento emergencial das questões de fome, educação e saúde. Passa também pela elaboração de um plano bem construído, de médio e longo prazo, visando não só à nossa proteção mas também à nossa evolução, à nossa integração na sociedade. Nós não podemos viver sem o homem branco. E o homem branco tem de entender que ele nunca vai conseguir ser brasileiro de verdade se não levar em consideração a sobrevivência e a participação dos índios na sociedade. Esse plano teria de ser construído em conjunto, por indígenas e brancos, e teria de nos capacitar a cuidar de nosso futuro no longo prazo.

Maysa Provedello - Por que a demarcação das terras é prioritária? Não é possível viver nos territórios já demarcados ou mesmo nas cidades?


Terena -
Nossos povos têm um vínculo quase maternal, umbilical com a terra. Nela estão a vida e a morte, o começo e o fim. A tradição do grande criador, da mata, dos rios e, mais do que tudo, a sustentabilidade: usamos a terra para todos e para tudo. Com ela todos são \"ricos\". A sustentabilidade nasce da terra, que provê tudo e não é destruída. E, se a população do planeta está buscando formas de desenvolvimento sustentável, deveria dar atenção aos conhecimentos dos indígenas. Eles conhecem os segredos da biodiversidade, sempre viveram assim e são os únicos que sabem como conseguir o desenvolvimento sustentável. Os povos indígenas são aliados do Brasil no esforço para se tornar uma potência do ponto de vista econômico e ecológico. A base para isso está na água potável, na biodiversidade, nas plantas medicinais e alimentares e também nos recursos estratégicos minerais que o Brasil ainda não está sabendo tratar. O país deveria aproveitar nossos conhecimentos. Queremos participar do processo de desenvolvimento.

Maysa Provedello - Uma participação assim envolve muitas responsabilidades, não?

Terena -
Temos consciência de que somos guardiões de boa parte da diversidade do mundo e por isso queremos, de agora em diante, não só falar de direitos, mas também de deveres. Por exemplo, o índio que desmata uma área na cabeceira de um rio ou que deixa o fazendeiro fazer isso, deve ser responsabilizado. É o princípio do direito coletivo. Na relação tradicional indígena, o indivíduo é responsável, ele tem deveres. O principal deles é o compromisso de preservar a terra para que no futuro seus filhos e netos, a coletividade, tenham seus direitos de sobrevivência assegurados. Isso é quebrado quando o Estado trata esse indivíduo de forma paternalista, como o Brasil vem fazendo desde sempre. Por isso acredito que é preciso o planejamento de uma política indígena de médio e longo prazo, feita e tocada com a nossa participação.

Maysa Provedello - Histórias como a dos índios cintas-largas, de Rondônia, que envolveu a exploração predatória de recursos naturais, deixam a opinião pública desconfiada a respeito das possibilidades dessa participação conjunta...


Terena -
Os cintas-largas fizeram as coisas do jeito que aprenderam. E aprenderam com os garimpeiros. Quando se criou uma alternativa para a questão, que era a venda dos diamantes explorados na reserva, os índios ficaram fora do processo. A Caixa Econômica Federal (CEF) leiloou os minerais sem observar os princípios de aplicação coletiva do dinheiro. A decisão de fazer o leilão estava correta, mas seria muito mais produtiva para os cintas-largas se eles tivessem sido chamados para acompanhar o processo. Assim poderiam receber a responsabilidade e os deveres na relação não só com o Estado brasileiro, mas também com a sua comunidade. Os índios são autônomos, soberanos, em várias questões, mas na relação com o dinheiro não. Não é um defeito do índio. Isso acontece com qualquer grupo que viva à margem das práticas do capitalismo, como os quilombolas e outras comunidades tradicionais.

Maysa Provedello - Os povos indígenas estão se preparando para participar do mundo capitalista?


Terena -
Estamos começando. Mas como a realidade do capitalismo prevê a aquisição individual de bens, ela neutraliza todos os princípios de coletividade tradicionais dos indígenas. Pior, seduz vários segmentos dos nossos povos, que, despreparados, entendem que \"ter coisas\" significa ter poder financeiro e político. Imagine só um chefe indígena vendo outro andando em um carrão. Se ele não estiver consciente dos valores de seu povo, se não estiver preparado para entender que o importante é como aquele carro foi obtido, vai simplesmente querer ter um tão ou mais sofisticado, para ter o mesmo nível de poder do outro chefe. Por problemas assim, muitas vezes alguns povos acabam se rendendo a madeireiros e outros invasores predatórios em troca de presentes. Toda essa questão de consciência gera uma série de situações complicadas. Estamos conversando, debatendo entre nós, entre nossos líderes, tentando resolver todas essas questões da melhor maneira possível, sem colocar em risco nossas crenças e nossa cultura, para que possamos participar do processo de crescimento econômico do país.

Maysa Provedello - E no âmbito governamental, quais são os planos para a elaboração de uma política indigenista de longo prazo?


Terena
- A Funai não tem condições de fazer um debate assim, porque ela trabalha com demanda, com problemas diários. Precisa administrar coisas como invasão nos escritórios, definição de demarcações e diversos conflitos. Ela é executora, não tem tempo para fazer política. E o Ministério da Justiça, ao qual ela é subordinada, tem como prioridade a segurança pública. Nós nunca somos considerados como prioridade. Isso é um fato histórico. Só seremos tratados como um problema prioritário se houver uma profunda reestruturação da Funai ou a criação de um setor novo dentro do governo que congregue as iniciativas diversas que já existem (conselhos de saúde, infância, educação, por exemplo) por meio de uma secretaria de Estado para assuntos indígenas, com status de ministério. Se não for assim, não adianta. Nós vamos estar sempre atrás, longe das principais preocupações do poder. Muitos índios estão preparados para assumir a Funai para reestruturá-la, se for preciso. Resta saber se os brancos estão preparados para isso.

Maysa Provedello - Você está envolvido na criação de uma organização não-governamental voltada para a divulgação na mídia, especialmente para os jornalistas, dos direitos indígenas. De onde partiu essa idéia?


Terena -
O movimento indígena não trabalha mais apenas com o velho slogan \"Demarcação Já!". Nossos direitos são mais complexos e estão interligados aos direitos das crianças, dos idosos, de saúde e educação, entre outros. Não dá para trabalhar nosso crescimento, nossa intenção de avanço, sem compartilhar nossa situação com os outros milhões de brasileiros. Precisamos de apoio. Nós só aparecemos com destaque na mídia no Dia do Índio, quando matamos ou quando morremos. O escopo de assuntos que podem ser tratados na mídia a nosso respeito é enorme. É possível tratar do indígena como protagonista, de forma positiva, dar mais voz aos 230 povos que vivem no Brasil, ricos em cultura, além de falar dos seus problemas.

Maysa Provedello - Você já tem noção de como serão os trabalhos dessa ONG?


Terena -
Serão no mesmo modelo da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi). Vamos sugerir matérias, acompanhar o que sai na mídia e capacitar profissionais da comunicação para tratar das nossas questões. Se os jornalistas não têm preparação suficiente para tratar dos problemas indígenas de forma verdadeira, fiel, não é por incompetência, mas porque foram formados em uma escola que não tem tradição no assunto. Por outro lado, um repórter que queira escrever algo com qualidade tem dificuldade para encontrar fontes de informação. Vamos ajudar nesse ponto. Também vamos gerar estudos e oportunidades para que jovens indígenas envolvidos com comunicação trabalhem para a agência. Temos expectativa de começarmos nossas atividades até meados de 2005.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Entrevista



A ACRA tem o prazer de apresentar uma entrevista com Paula Grejianin idealizadora do blog e entusiasta das projeções de atividades que vimos realizando. Paula Grejianin é Pedagoga pela Universidade do Estado da Bahia, participou de intercâmbio acadêmico na Universidade de Pádova na Itália,pesquisadora do PRODESE-Programa Descolonização e Educação e integra a equipe do Projeto DAYÓ na Associação Crianças Raízes do Abaeté. Em 2008 Paula idealizou o blog da ACRA e se dedicou com esmero à consolidação desse importante canal de comunicação.O sucesso pode ser observado pela qualidade dos temas e questões que são apresentados,o número de visitantes alcançado e mais recentemente o destaque em 2º lugar nacional no concurso de blogs realizado pela Revista África e Africanidades. Na entrevista a professora Paula Grejianin de modo descontraído nos conta um pouco da história do blog ACRA.





PAULA GREJIANIN NO CENTRE GEORGES POMPIDOU EM PARIS

ACRA-Como surgiu a idéia de criar o blog da ACRA?



PAULA-Sempre gostei das chamadas "tecnologias da informação e comunicação". Acho fascinante o acesso que podemos ter a um mundo de informações de maneira praticamente instantânea e esta ferramenta vem sendo cada vez mais utilizada no processo educativo formal e não-formal. Assim, pensei em utilizar o "blog", como umas das muitas possibilidades de comunicação interativa que a internet nos oferece, com o objetivo de divulgar as atividades da ACRA, possibilitar a reflexão sobre o mundo contemporâneo, compartilhar experiências, interagindo com outras instituições, artistas, pesquisadores, educadores, que como nós, reivindicam o direito à alteridade e desenvolvem atividades no sentido de afirmação dos valores da população afro-brasileira e dos povos inaugurais, que no contexto do bairro de Itapuã são os Tupinambás.


ACRA-Que desafios se impuseram no processo de composição do blog?


PAULA-O primeiro desafio foi como criar algo que fosse interessante, que as pessoas quisessem ver. Este tipo de ferramenta precisa ser atraente, dinâmico, interativo. O segundo desafio foi a operacionalização disso. Eu tinha o hábito de ler, acompanhar alguns blogs, mas nunca havia feito um, então fui tentando, pesquisando, pedindo auxílio aos colegas e foi ganhando corpo e vida. Algumas coisas são realmente muito simples, como colocar os textos, as fotos, mas como no contexto da ACRA / PRODESE / DAYÓ, trabalhamos na perspectiva "odara", que neste caso, prima por trazer informações técnicas, mas que também sejam bonitas,úteis, encantadora... Muitas vezes temos idéias que não sabemos como executá-las e aí encontro muitas soluções na internet mesmo.Existem blogs que dão dicas e ensinam como fazer, isso é fantástico! Mas, muitas vezes esbarro em coisas que são mais complexas que precisam de um conhecimento um pouco mais técnico, digamos. Mas o blog tem feito tanto sucesso que já surgiu à possibilidade de fazer um curso para aprender como criar blogs e sites, aí sim, vamos poder realmente encantar!


ACRA-Qual a importância desse canal de comunicação no contexto da ACRA?


PAULA-Compartilhar conhecimentos sobre a nossa identidade cultural de modo especial da nossa tradição afro-brasileira. Estamos com um número significativo de visitas no blog e pelo que avaliamos identificamos que ele tem sido muito consultado por um público interessado em informações que não costumam circular nas escolas, Universidades, etc. Trazemos assuntos que instigam a curiosidade sobre aspectos da história da nossa Bahia, Brasil, do continente africano. A divulgação das nossas atividades para a comunidade de Itapuã é um dos pontos significativos do blog.


ACRA-Como você organiza o blog da ACRA?


PAULA - Procuro colocar no blog as atividades que estão sendo desenvolvidas na ACRA, sempre acompanhadas de fotos; colocamos também textos e entrevistas que dêem fundamentação teórica às atividades que estão sendo desenvolvidas, para que quem visite o blog entenda o que estamos tentando construir ali, o que estamos semeando nos corações daquelas crianças e da comunidade de Itapuã. Além disso, procuramos também dar dicas de livros, filmes, documentários, sites, exposições e demais atividades desenvolvidas no sentido da afirmação de valores civilizatórios dos povos indígenas e africanos que constituem a nossa formação social.


ACRA-Sabemos que os blogs tendem a ser canais de informação e entretenimento. Então nos fale um pouco das abordagens e conteúdos que mais se destacam no blog ACRA?


PAULA-Bom, o blog do ACRA se distancia da categoria de entretenimento e se aproxima de uma nova categoria que tem crescido muito atualmente que são os blogs educativos. Temos tido um retorno muito positivo, inclusive no meio acadêmico que eu credito a este diferencial. Procuramos sim, atrair nossos visitantes mostrando nosso trabalho, compartilhando conhecimento, lançando mão de um mosaico de linguagens, poesia, música, literatura, história, contos, fotos, vídeos, todos cuidadosamente escolhidos.


ACRA-Identificamos que de junho 2009 para cá você incrementou bastante o blog ACRA e identificamos que o número de visitantes é muito expressivo. Como você explica esse sucesso do blog ACRA e que indicadores vocês estão tendo para avaliar o impacto desse canal de informação?


PAULA-Pude incrementar o blog porque tive o prazer e o privilégio de contar com o apoio da professora Dra. Narcimária Correia do Patrocínio Luz, colaboradora da ACRA, Coordenadora do PRODESE e autora do projeto DAYÓ, que tem dado todo o suporte do conteúdo do blog e pudemos contar também com a participação muito importante do Professor Dr. Marco Aurélio Luz cientista social que tem nos ajudado a divulgar reflexões interessantes sobre temas sugeridos pela equipe DAYÓ ACRA.Compartillho créditos dos conteúdos e imagens com a Professora Narcimária Luz. Em relação aos indicadores, além do contador de visitas que colocamos temos principalmente os relatos das pessoas (que apesar de não deixarem comentários no blog), que nos encontram na rua, e em eventos que falam conosco dizendo que visitaam o blog e fazem muitos elogios. O blog tem sido visto até no exterior! A ACRA tem um intercâmbio com o Grupo Capoeira Abolição Oxford na Inglaterra em Oxford, e com TRUST ABOLIÇÃO na África do Sul ambos sob a responsabilidade do Contra Mestre Luís Negão fundador e idealizador da ACRA. Nesses países nosso blog é uma referência importante para informar sobre as nossas iniciativas aqui na Bahia, Brasil incentivando o intercâmbio.


ACRA-Para finalizar: que perspectivas o blog da ACRA apresenta para os educadores/as e o que mais estar por vir de novidades?


PAULA-Como perspectiva para os/as educadores/as além do embasamento teórico que o blog traz, acredito que as atividades desenvolvidas na ACRA podem inspirá-los/as e dar embasamento teórico-metodológico para as suas atividades... É que todo trabalho realizado na ACRA é fruto de muito estudo, muita pesquisa e a idéia de compartilhar experiências é justamente essa, que as atividades realizadas aqui e em outros lugares possam servir de exemplo, e de inspiração.
Novidades? Ah, serão muitas! Estamos planejando muitas atividades para o ano de 2010 na ACRA, muita coisa legal mesmo! Palestras, exposições, dança teatro, oficinas... e isso incrementará nosso blog. Tem as atividades do intercâmbio com o Grupo Capoeira Abolição Oxford na Inglaterra em Oxford, e com TRUST ABOLIÇÃO na África do Sul sob a responsabilidade do Contra Mestre Luís Negão que cada ano se consolida abrindo novas perspectivas de atividades socioeducativas.Além disso, o blog deve passar por uma reformulação, vai ganhar uma nova cara, mais parecida ainda com a ACRA e o Projeto DAYÓ. E já que estamos sendo lidos no exterior vamos colocar a opção de leitura do blog texto em inglês! Vamos estar atentas as tendências da internet e as das tecnologias, além de ouvir as sugestões de nossos visitantes e parceiros para torná-lo atraente, dinâmico, interativo e educativo.