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PRODESE E ACRA



VIDA QUE SEGUE...Uma
das principais bases de inspiração do PRODESE foi a Associação Crianças Raízes
do Abaeté-Acra,espaço institucional onde concebemos composições de linguagens
lúdicas e estéticas criadas para manter seu cotidiano.A Acra foi uma iniciativa
institucional criada no bairro de Itapuã no município de Salvador na Bahia, e
referência nacional como “ponto de cultura” reconhecido pelo Ministério da
Cultura. Essa Associação durante oito anos,proporcionou a crianças e jovens
descendentes de africanos e africanas,espaços socioeducativos que legitimassem
o patrimônio civilizatório dos seus antepassados.
A Acra em parceria com o Prodese
fomentou várias iniciativas institucionais,a exemplo de publicações,eventos
nacionais e internacionais,participações exitosas em
editais,concursos,oficinas,festivais,etc vinculadas a presença africana em
Itapuã e sua expansão através das formas de sociabilidade criadas pelos
pescadores,lavadeiras e ganhadeiras,que mantiveram a riqueza do patrimônio
africano e seu contínuo na Bahia e Brasil.É através desses vínculos de
comunalidade africana, que a ACRA desenvolveu suas atividades abrindo
perspectivas de valores e linguagens para que as , crianças tenham orgulho de
ser e pertencer as suas comunalidades.
Gostaríamos de registrar o nosso
agradecimento profundo a Associação Crianças Raízes do Abaeté(Acra),na pessoa
do seu Diretor Presidente professor Narciso José do Patrocínio e toda a sua
equipe de educadores, pela oportunidade de vivenciarmos uma duradoura e valiosa
parceria durante o período de 2005 a 2012,culminando com premiações de destaque
nacional e a composição de várias iniciativas de linguagens, que influenciaram
sobremaneira a alegria de viver e ser, de crianças e jovens do bairro de
Itapuã em Salvador na Bahia,Brasil.


segunda-feira, 24 de julho de 2017

ENCANTO DA TRADIÇÃO DO CANDOMBLÉ


Lélia Gonzales





Legado de Lélia Gonzalez é tema de exposição e mesa no Pelourinho
Ações são promovidas pelo Centro de Culturas Populares e Identitárias, unidade da SecultBA


Precursora do feminismo negro no Brasil, a vida e influência da intelectual, professora, militante e ativista política Lélia Gonzalez é tema de uma programação especial no Pelourinho. A abertura da exposição “Lélia Gonzalez: O Feminismo Negro no Palco da História” acontece na próxima terça-feira, 25 de julho, às 14h, data do Dia da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha. Já na sexta-feira, 28, às 16h, sete mulheres negras consideradas referências no meio cultural e da militância se encontram para debater os “Avanços nas conquistas a partir do legado de Lélia Gonzalez”. Toda a programação acontece na sede do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI), casa 12, no Largo do Pelourinho.

A exposição, que já passou por Rio de Janeiro e Belo Horizonte, é trazida pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), através do CCPI, em parceria com a Rede de Desenvolvimento Humano (REDEH) e o Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Mulher – Lauro de Freitas. Uma série de 16 banners relata a vida e legado de Lélia Gonzalez, a sua infância em Belo Horizonte e a partida com a família para o Rio de Janeiro, a sua brilhante jornada acadêmica, a tomada de consciência de sua situação como uma mulher negra numa sociedade em que o machismo e o racismo predominavam, iniciando a sua extensa trajetória como militante, que a levou a ter uma ativa participação política no Brasil e no exterior. Os quadros reúnem fotografias, cartas, relatos, imagens raras, depoimentos, um extenso material para não apenas conhecer a história, mas compreender de fato tudo o que Lélia representa. A visitação permanece até 31 de julho.

Também na abertura da exposição, 25 de julho, e em comemoração ao Dia da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha, é a hora do Sarau das Pretas, comandado pelo Slam das Minas BA. A ação consiste num encontro em que as poetas demonstram seus desempenhos com os versos, tudo isso com muita força, beleza e adrenalina. O evento é uma parceria da SecultBA com o Instituto Odara.

Penúltima filha entre 18 irmãos, vinda de origem humilde, única da casa a ter ido além do ensino superior, Lélia Gonzalez foi a personificação de uma mulher à frente do seu tempo, inspirando outras mulheres de sua geração e também as gerações seguintes. Sete destas mulheres negras que mantém o legado de Lélia estarão reunidas para conversar sobre os avanços nas conquistas a partir de tudo o que ela deixou. São elas a diretora do CCPI e co-fundadora do Movimento Negro Unificado e do Ilê Aiyê, Arany Santana; a militante negra, feminista, psicóloga e perita criminal Vanda Menezes; a professora, coreógrafa e dançarina do Balé Folclórico, Nildinha Fonseca; a presidente do projeto Didá, Débora Souza; a empreendedora de estética e Rainha do Ilê em 1980, Gerusa Menezes; a professora universitária e militante Ana Célia; e a jornalista, apresentadora de TV e militante Wanda Chase. O debate será na sexta-feira, 28, também na sede do CCPI, às 16h, e o acesso é gratuito.

O Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI) da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) é responsável pela execução, proteção e promoção das políticas públicas de valorização e fortalecimento das manifestações populares e de identidade, orientadas de acordo com o pensamento contemporâneo da Unesco e do Ministério da Cultura. Seu campo de atuação contempla a cultura do sertão, de matrizes africanas, ciganas e indígenas, LGBT, infância e idosos. Coordena o projeto Pelourinho Cultural, responsável pela programação artística dos largos do Pelourinho e suas grandes festas populares.


Serviço:

Exposição Lélia Gonzalez: O Feminismo Negro no Palco da História
Abertura: 25 de julho, 14h
Atração: Slam das Minas – BA: convida Sarau das Pretas
Visitação: 25 de julho a 31 de julho de 2017
Local: Hall do Centro de Culturas Populares e Identitárias, Casa 12, Largo do Pelourinho
Funcionamento: segunda a sexta, 08h30 às 12h e 13h30 às 17h30
Gratuito

Mesa redonda: Avanços nas Conquistas a partir do legado da Lélia Gonzalez
Participantes: Arany Santana; Vanda Menezes; Nildinha Fonseca; Débora Souza; Gerusa Menezes; Ana Célia; Wanda Chase.
Local: Salão principal do Centro de Culturas Populares e Identitárias, Casa 12, Largo do Pelourinho
Data: 28 de julho, 16h
Gratuito


Livro de Félix Ayoh OMIDIRE


sexta-feira, 7 de julho de 2017

OS OLÓYÈ NÃO ADOSU

Por Everaldo Duarte

Abajigan Everaldo Duarte da coordenação do Sioba
Foto acervo: M.A. Luz

Em verdade, este trabalho começou no Recife. Enquanto participava do IV CAB, realizado naquela cidade, fui convidado a participar de um seminário que se realizaria no Ilê Opo Afonjá, em abril de 1994. Eu deveria falar sobre os Olóyê nào Adosu. Fiquei temeroso diante daquele novo desafio.
Algumas horas depois, durante uma outra palestra, abria-se uma discussão entre nós, levantada por um Ogã residente em São Paulo, sobre "O Chamamento para o Adosu e para o nào Adosu". Estava aparente a resposta para o desafio que Cléo me colocara horas antes. Dizia aquele Ogã: O chamamento não é diferente, é o mesmo. Aí estávamos separados: eu tentava entender qual o chamamento a que ele se referia ou o que ele estava entendendo e por isso, não estava junto à sua explicação.
Continuava ele: O Adosu recebe o Orisa e está confirmada a sua presença, enquanto o Ogã, não incorporado, tem que acreditar por convicção e fé. Aí, estávamos quase juntos: a incorporação reforça a existência do Orisa e conduz o Adosu a um outro universo de relacionamento, ou seja, um estado de relacionamento direto em que as energias, física e espiritual, se juntam e se bastam enquanto presença e demonstração da Divindade.
Nesse momento o Adosu é a própria Divindade.
 O Ogã não incorpora. Não dispõe dessa forma mágica de ser ou de não ser. O Ogã tem sempre que ser.
E essa compreensão, a interpretação ao chamamento, o face a face com o misterioso é o que capacita cada Olóyé nào Adosu a seguir os caminhos traçados pelas divindades, sem a certeza de chegar aos seus limites. Afinal quais são os limites?
  O não Adosu tem que saber se comunicar a qualquer distância. Tem que entender os sinais, as mudanças de tempo, os sons da natureza, o cantar dos pássaros, para assim poder, a qualquer momento, entrar em diálogo com sua concepção de Divindade.
 E dessa concepção depende o sobreviver em harmonia com a sua crença e com sua fidelidade a seus comunitários e, por que não dizer, seus irmãos de a
A fidelidade deve andar acima de todas as outras características. Ser fiel aos ensinamentos já é uma tarefa preocupante, porém, antes de preocupante, é uma tarefa gratificante. Cada descoberta, cada coisa nova é como se fosse um tesouro encontrado. Preocupante é o dever de guardá-lo. Quando o Olóyê dorme, dorme de ouvidos abertos.

Abajigan Everaldo Duarte coordenador do Intecab
Foto disponível na internet

O que chama o Adosu também chama o Olóyê nào Adosu.
 E os chamamentos, são diferentes? Voltamos ao antigo questionamento. Se nós estávamos entendendo como chamamento a escolha feita pelo Orisa a cada um de nós, haveríamos de tentar entender como ele, o Orisa, faz a escolha e determina a condição de ser ou não ser Adosu, ou seja, a necessidade ou a sua vontade de tomar cada um de nós como filho (Adosu) ou com pai (Ogã) ou como mãe (Ekedi).
Entendendo essa parte da questão, abria-se então um espaço para se discutir a forma, ou as formas, desse chamamento. E aí se deve ceder lugar a uma bifurcação para admitir, primeiro, a forma como método, simplismente, e a forma como processo ou sintomas e efeitos pelos quais passam os Adosu ao serem chamados a incorporar. Para mim parecia evidente que a chamada, enquanto escolha para ser isso ou aquilo não oferecia diferença que se pudesse tomar como valor representativo. O Orisa nos chama para cada função segundo a sua vontade. Todos nós nascemos Omorisa e, por conseguinte, as mudanças ou a evolução posterior de cada um dentro ou fora da comunidade religiosa, é consequência da intensidade do chamamento da divindade que o envolve. Seja para Adosu ou nào.
Aí, partimos para entender a forma como processo.
Não precisou muito para se concluir que o processo de incorporação, por ser exclusivo, não tem nem como se tentar comparar com a forma de chamar de um Ogã ou Ekedi. Aqui o chamamento é diferente.
Também diferentes são as respostas. Cada qual, Olóyé Adosu e Oloyé nào Adosu responde de uma forma, entretanto todas são sofridas, todas são acompanhadas de ansiedade, enlevo á apoteose.
Finalmente, chegamos juntos. E nos despedimos.


Mãe Stella, Iyalorixa Odé Kaiodê do ilê Axá Opô Afonjá.
Foto disponível na internet

O Ogã não tem nenhum modo para disfarçar ou reequilibrar seu descaminho. E aqui se dá o meu encontro com o livro de mãe Stella, Meu tempo é agora, ainda no Recife, lido às pressas no hotel.
Naquele livro Stella reafirma: O Olóyè não Adosu é pai do Orisa que o suspendeu e o confirmou.
E então, como ser pai sem possuir uma postura de dignidade, respeito e fidelidade a uma Divindade que antes de tudo é pai ou mãe de todas as coisas?
O Ogã tem que estar imaculado, bem como as Ekedis. As suas imagens refletem o seu terreiro e muitas vezes atingem até os seus descendentes. Dentre muitos exemplos Stella cita Antônio Kakanfo, filho de Miguel Santana (Oba Are) e acrescenta, é filho de peixe). Bié, filho de Darinho, Adrianinho (Otún Abiodum) filho de Adriano e outros. Cada um além de suas próprias características, seu valor individual, ainda carregam os traços comportamentais de seus ilustres ascendentes.
A nossa religião possui muitos mistérios. E parte desses não são os invisíveis, somos nós próprios, os olóyê, Adosu e nào Adosu. O Olóyê não Adosu tem que saber decifrar todos os mistérios. Tem que saber decifrar o sorriso de Osum, o cenho franzido de Oxossi, os ímpetos de Ogum, os gestos de realeza de Sàngó; tudo isso refletido através do comportamento de cada um dos respectivos Adosu. Para tal, o Ogã  terá dispensado pelo menos metade da sua vida se aventurando pelos caminhos do axé, lado a lado com eles, Orisa e Adosu.

Ekedi Sinha do Ilê Iyá Nasso Oka
Foto disponível na internet

 Longe de pretender levantar polêmicas ou discutir quem é mais importante no axé, mesmo porque ninguém pode subsistir sem outras referências, enquanto comunitário, a bem da verdade é bom que se discuta o papel do Ogã, sua importância e responsabilidade frente a sociedade civil e religiosa, como proposta de se obter cada vez mais Ogãs comprometidos com a preservação da tradição, ao tempo em que se reforce essa consciência com os poucos ainda existentes.

REFÊRENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SANTOS Stella de Azevedo, Meu tempo é agora, São Paulo: Oduduwa, 1993.

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Nota: Everaldo Duarte é Abajigan no kerebetan Zoogodô Bogun Malê Rundó de tradição jeje é Coordenador Nacional do INTECAB, Instituto Nacional da Tradição Cultural Afro Brasileira e um dos líderes do SIOBA  Sociedade Beneficiente de Ojés, Ogãs e Tatas.É graduado em Economia pela Universidade Católica de Salvador-UCSAL.
Este artigo foi publicado na Revista Cepaia Centro de Estudos das Populações Afro- Indo Americanas da UNEB em Salvador, 2001.














segunda-feira, 19 de junho de 2017

MIGUEL SANT’ANNA


Por Gutemberg



Miguel Sant´Anna, Oba Aré teve importante presença como integrante do corpo dos Oba de Xangô no ilê Opo Afonja criado por Mãe Aninha Iyalorixá Oba Biyi.  Ojé Orepe também se destacou como integrante do corpo dos ojé do culto aos Baba Egun ancetrais masculinos da tradição nagô. Zaba, título do mais alto sacerdote do culto à Idako entidade do culto Tapa Nupe. Seu espírito ancestral é venerado e cultuado no ilê Axipa como Baba Ejibola.
Foto disponível na internet 



Empresário e líder religioso. Miguel Arcanjo Barradas Santiago de Sant’Anna foi uma das figuras mais representativas da comunidade afro-baiana. Nasceu em 29 de setembro de 1898. Com a idade de oito anos ficou órfão e foi morar com a tia. Ele foi criado em meio das solidariedades familiais e do parentesco. Parentesco consanguíneo e parentesco ritual, compadrio, mães e pais-de-santo a imprimir a identidade dos grupos emergentes na sociedade de seu tempo, marcando e definindo o caminho do moço na tradição de sua gente. Ainda adolescente, recebeu o posto de Zabá no terreiro da nação Tapa no Gunocô (hoje vale do Bonocô). Era o posto mais alto nesta nação. Nas noites de São João os nagôs Tapa praticavam uma cerimônia nos bamburrais do Gunokô em homenagem a Indakó (Orixá da Nação Tapa). Foi o único brasileiro descendente de africanos a receber este posto.

Pertencendo a uma antiga família-de-santo e tendo sido, desde jovem, ogã confirmado de Omolu no Engenho Velho, seria, mais tarde, um dos primeiros Obás de Xangô - com o nome de Obá Aré, na Sociedade Cruz Santa do Axé Opô Afonjá, o terreiro de São Gonçalo do Retiro. Fez muitos benefícios aos terreiros. Muitas pessoas que não tinham recursos, fizeram obrigação de orixá com a ajuda financeira dele, não importando em que terreiro fosse. Seja no Opô Afonjá, Casa Branca, em Cachoeira terreiro de Gêge de Abalia Debessein, em Muritiba no terreiro de Nezinho, no Gantois, entre outros. A importância de Miguel Sant’Anna no Opô Afonjá, pode ser avaliada pelo cargo que lhe foi atribuído pela Ialorixá Aninha em suas determinações finais, como relata seu neto-de santo, o assobá Didi: “Obá Aré, Obá Abiodun fica como presidente da Sociedade, e você eu quero que fique ao lado da Ossi Dagan, lessé orixá (nos pés do santo)”. Em vida, criou e casou muita gente, parentes e aderentes, sua casa só vivia cheia.

“Encontro no peji de Xangô, o velho Miguel Santana, o mais velho, o mais antigo dos obás da Bahia, o derradeiro dos obás consagrados por mãe Aninha, vestido no maior apuro como se fosse para uma festa de casamento. Assim se veste sempre, mantendo aos 85 anos contagiosa alegria de jovem. Quem não o viu dançar e cantar numa festa de candomblé não sabe o que perdeu. Quantos filhos você semeou no mundo, Miguel? O sorriso modesto, a voz tranquila: 51, meu amigo, entre homens e mulheres, um deles nasceu de uma sueca, outro de uma índia. Descemos juntos a Ladeira do Cabula, a voz de Miguel Santana Obá Aré recorda distantes acontecimentos. Sabe mais sobre a Bahia do que os doutores, os eruditos do Instituto, os historiadores e os membros da Academia. Sabe por ter vivido. Foi rico e é pobre, teve mando de barcos, hoje possui apenas o respeito do povo - a bênção, Obá Aré! Deus lhe salve, seu Miguel Santana”, escreveu Jorge Amado no livro Bahia de Todos os Santos.
Principais continuadores do legado religioso  de Miguel Sant`Anna no Ilê Axipá.



Jaguaracira Devezas de Sant´Anna
Iwin Efun Walê fiha de Miguel Sant´Anna, integra a tradição dos orixá e também do culto aos Egungun onde possui importante título de Iya Modé no Ilê Axipa.
Autora do livro "Um Presente de Xangô, minhas memórias".
Foto: M. A. Luz




José Sant´ Anna Sobrinho Ojé Laran neto de Miguel Sant´Anna teve o importante título de Osi Alagba no Ilê Axipá. Professor, Mestre  em Educação, autor de significativo livro sobre o culto aos ancestres "Egungun : Terreiros Egúngún, um culto ancestral afro brasileiro".
Foto do acervo de M. A. Luz



Paulo Sant´Anna Sobrinho Ojé  Jobi neto de Miguel Sant´Anna.É Oba Aré no Ilê Axé Opo Afonjá e Osi Alagba no Ilê  Axipá.
Foto: acervo M. A. Luz



Jurandir Sant´Anna Sobrinho Júnior. Ojé Maxodi integrante do Ilê Axipá. e um dos dirigentes da Troça Carnavalesca Pae Buroko.
No seu processo de ascensão econômica, Miguel Sant’Anna chegou a ser considerado um homem rico, pelos padrões da Bahia nos anos 30. Pierre Verger o colocou em seu livro, Retratos da Bahia, como negro ilustre naquela época. Enfrentou, nos últimos anos de sua vida, dificuldades financeiras decorrentes das mudanças no sistema produtivo do Estado, em que ele desempenhava um papel considerável com sua empresa de intermediação do serviço de estiva no porto de Salvador. Por muitos anos, Miguel Sant’Anna manteve seu escritório de contratação de estivadores, dando continuidade ao trabalho de seu tio Adão da Conceição Costa, até à crise daquelas empresas motivada pela nova legislação, as lutas sindicais e o decréscimo da navegação de cabotagem e internacional. Ele enfrentou com resignação. Até o seu fim, doente e combalido, mostrava-se um homem corajoso e forte, patriarca e generoso e atento à sua extensa família. Para se contar a história do Centro Histórico e do candomblé na Bahia, necessariamente, é obrigatório citar o nome desse empresário e líder religioso, descendente de africanos. Miguel Sant’Anna vivenciou intensamente o cotidiano da área central de Salvador - especificamente o Centro Histórico e Cais do Porto -, da comunidade de origem afro, da qual descendia. Sua experiência de vida é marcante e sua memória está diretamente ligada a vários terreiros de candomblé, como o extinto Gunokô, a Casa Branca e o Ilê Axé Opô Afonjá, à maçonaria e irmandades católicas.

Miguel Sant’Anna faleceu em 15 de outubro de 1974 numa quarta-feira, às 08:30 da manhã. Com seis meses após a sua morte houve Axêxê (obrigações) na Casa Branca. A Sociedade prestou homenagem a Miguel Sant’Anna, Ogan Tataygbi, em reconhecimento aos benefícios que ele fez em vida à este terreiro. O professor Vivaldo Costa Lima, diretor do IPAC, lhe prestou uma homenagem póstuma, dando seu nome ao teatro que instalou na área do Pelourinho, localizado na rua em que nascera Miguel Sant’ Anna - chamada, então, de Beco do Mota e hoje denominada Leovigildo de Carvalho -, o Teatro Miguel Sant’Anna. Fonte de informação e inspiração da literatura, Miguel Sant’Anna acabou virando personagens de livros de Jorge Amado como Tereza Batista Cansada de Guerra, Tenda dos Milagres, Bahia de Todos os Santos, entre outros. Ele é citado também em vários livros que relatam a história de alguns terreiros de candomblé e da cidade no início do século. “Foi homem de muitas lutas, esse Miguel Obá Aré, e lutas nobres, de estofo social. Tem o nome ligado ao cais da Bahia, como estivador, prestador de serviços e líder. Pertenceu a uma das ‘elites de cor’.”, informou o vereador João Carlos Bacelar na orelha do livro em homenagem a Miguel Sant’Anna, co-editado pelo CEAO e EDUFBA. Falar de Miguel Sant’Anna é resgatar a memória de uma personalidade ecumênica de grande representatividade para a cultura baiana e que continua viva na lembrança de filhos e netos e de todos aqueles que o conheceram em vida.

Texto originalmente publicado em 31 de maio de 2007  no blog do Gutemberg http://blogdogutemberg.blogspot.com.br/2007/05/miguel-santanna.html


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Gutemberg é jornalista profissional formado pela Escola de Biblioteconomia e Comunicação da UFBa em 1979. Registro Profissional DRT-BA 761. Atuou nos jornais Tribuna da Bahia, Diário de Notícias, Correio da Bahia, A Tarde e Bahia Hoje como repórter, redator e Editor de Cultura. Atuou ainda na Rádio Cruzeiro da Bahia (repórter), Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (gerente de produção), TV Itapuã (produtor) e rádios Piatã e Bandeirantes (produtor de programas). Atualmente exerce a função de Coordenador de Comunicação na União dos Municípios da Bahia.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

CADA QUAL NO SEU CADA QUAL NA TRADIÇÃO CULTURAL NAGÔ


Por Marco Aurélio Luz


Foto M.A. Luz 
Painel Orun Aiye no Ilê AsipáAo centro o Cetro de Obaluaiyê, rei dos espíritos do mundo,  a esquerda a escolha dos ori, a direita os habitantes do aiyê obirin ati okurin, os ancestrais obirin o pássaro, e okurin baba egun e egun.
Ajalá é um orixá muito antigo que faz as cabeças, o ori das pessoas que vem para o Aiyê, esse mundo. O ori inu o interior da cabeça transcendente, traz os destinos de cada ser e está relacionado com o orun o mundo do mistério, do além.
Ele faz boas e más cabeças e as pessoas escolhem. As que lhe dão atenção e agrado, ele ajuda na escolha permitindo um destino melhor, sem muitas atribulações.
No destino também se inscreve o dom, que reúne as qualidades para determinados afazeres e realizações de cada um.
No início do século passado com o fim da escravidão no Brasil, engendrou-se nos umbrais da Universidade na Faculdade de Medicina da Bahia, a ideologia da “raça” e suas hierarquizações, pedra angular da política do racismo de Estado.
O médico e professor Nina Rodrigues com influência das ideologias “científicas” da França colonial, frequentou o “candomblé” na Bahia para afirmar a “superioridade da raça branca” e a “inferioridade da raça negra”. Para isso, baseou-se na analogia que fez entre os “sintomas de hysteria e a manifestação de orixá” âmago das religiões tradicionais, momento de realização da cosmologia da civilização africana. O que há de mais sagrado para a religião tradicional afro-brasileira, é reduzido a uma doença mental e assim, foram construídos estigmas e preconceitos que deformaram a verdadeira percepção da religião fonte da civilização africano-brasileira.
A partir desse achado “científico”, nutre-se a Razão de Estado da República para realizar múltiplas formas de genocídio realizando a política de branqueamento...
Uma cantiga da umbanda resume o passado recente da perseguição policial:
“ A poliça vem que vem braba
Quem não tem canoa ,cái n´água”
Mãe Aninha Iyalorixá Oba Biyi fundadora do Ilê Asé Opo Afonjá percebeu que teria de combater no terreno das ideologias acadêmicas, as falsidades do racismo. Foi assim que aceitou juntamente com o ojé L´Ade e Ajimuda Martiniano do Bonfim, participar do IIº Congresso Afro brasileiro realizado por Édson Carneiro em 1935.


Foto disponível na internet
A Iyalorixá Oba Biyi fundadora do Ilê Axé Opo Afonja em 1910. Foi iniciada pela Iyalorixá Oba Tossi Marcelina da Silva da linhagem Axipá.
 A comunicação de Mãe Aninha foi sobre a culinária sagrada importante aspecto da liturgia que promove a circulação de axé e remete a simbologia da constelação dos orixá que integra a visão de mundo nagô.


Foto disponível na internet
Martiniano foi um líder sacerdotal exponencial e  admirado babalawo .

 A comunicação de Martiniano foi sobre o recém-criado corpo dos Obá, os doze ministros de Xangô no Ilê Asé Opo Afonjá. Martiniano que viveu muito tempo em território nagô na África teve importante participação na criação do corpo dos Oba que é inspirado no corpo dos Mogba os ministros do Alafin em Oyó.
Mãe Aninha procurou reproduzir de forma concentrada e criativa as instituições do antigo império nagô realizando a reposição de seus valores.
Mãe Senhora Iyalorixá Oxun Muiwa sucessora a Mãe Aninha,  ampliou o corpo dos Obá constituindo os otun e osi de cada um, totalizando trinta e seis, sendo que os titulares tem o poder de voz e voto. Ela estabeleceu uma política de proteção, preservação e expansão da comunidade terreiro: “da porteira para dentro, da porteira para fora”.
De um lado a dimensão das iniciações sacerdotais profundas, constituindo um corpo sacerdotal capaz de manter a liturgia e a tradição,  de outro, os ijoiyê os títulos honoríficos que contemplam os “amigos da casa”, gente mais incumbida de valorizar e legitimar os valores nagô na “sociedade oficial” das mais diversas formas.
O corpo dos Obá representa bem essa dinâmica. Importantes personalidades foram acolhidas como o escritor Jorge Amado Oba Arolu, o compositor e interprete musical Dorival Caymmi Oba Onikoyi, o pintor  Carybé Oba Onansokun, o empresário Sinval Costa Lima Oba Abiodum, dentre muitos outros artistas e intelectuais participantes  como o escultor Rubem Valentim, o escritor Vasconcelos Maia, o professor Vivaldo Costa Lima, etc.


Foto disponível na internet
Mãe Senhora iyalorixá Oxun Muiwa com Zélia Gattai, Jean Paul Sartre, Simone de Beauvoir e Jorge Amado no ilê Axé Opo Afonja.

Convém destacar a presença de Pierre Verger, inicialmente fotógrafo e curioso quando conheceu Mãe Senhora, mas com o passar do tempo, deu outro sentido a sua vida adentrando pelo mundo das tradições africanas. Isso fez com que  Mãe Senhora lhe  conferisse o título de Oju Oba da casa de Xangô. O Oju Obá, fez inúmeras viagens à África que proporcionaram a troca de correspondências entre a Iyalorixá e os reis de Oyó e de Oshogbo. Sendo ela descendente da linhagem Asipá, originária de Oyó e uma das sete famílias fundadoras do reino de Ketu, ela era bastante estimada e admirada.

Foto famosa de Pierre Verger disponível na internet 
Mãe Senhora Asipa Iyalorixá Oxun Muiwa Iyanaso

Por seus méritos recebeu do Alafin Oyo, Oba Adeniran Adeyemi II em 1952 através de Pierre Verger, o título de Iya Nasô Oyó Akala Mabo Olodumare, Ase Da Ade Ta.


Foto disponível na internet
Mestre Didi Asipa no monumento Opa Oraiyan em Ile Ifé. Oraniyan expandiu as bases do império nagô.

Por diversas ocasiões o filho de Mãe Senhora, Mestre Didi esteve na África. Num dia histórico em 1967, Pierre Verger combinou com Mestre Didi e a Sra. Juanita de visitar o Alaketu, rei da cidade de Ketu.
 Na presença do Alaketu Mestre Didi recitou vários poemas inclusive korin referente de Odana  Dana  Asipá que no Brasil participou da reposição religiosa da tradição africana. O Arokin que guarda a memória histórica do palácio reconheceu aquela que desaparecera durante a guerra com o Daomé por volta de 1860.
Por fim Mestre Didi recitou o brasão oral da família Asipa: “ Asipa Borogun Elese Kan Gongo”. Então o Alaketu reconheceu e logo disse:
- “ Ah! Asipá! Sua família mora ali”. Apontando em direção ao quarteirão. Foi um reencontro histórico imemorável!



Foto disponível na internet
Mestre Didi visita o ojubo de Oxossi da família Asipa em Ketu.

Mestre Didi foi de um, tudo. Da “porteira para dentro”, foi profundo conhecedor da tradição religiosa desde criança, quando recebeu títulos e importantes funções sacerdotais como Ojé Korikowe Olukotun,  do culto aos egungun da tradição do Tun Tun e de Asogbá, supremo sacerdote do culto à Obaluaiyê no terreiro de orixá Ilê Ase Opo Afonja.
Foto acervo M. A. Luz
Mãe Stella Iyalorixá Odé Kayodê, Mãe Pinguinho Iya Kekerê, Mestre Didi Asogba ati Balé Xangô, Muniz Sodré Otun Oba Aresa, Juana Elbein dos Santos Elefunde, Marco Aurélio Luz Osi Oju Oba, Dorival Caymmi Oba Onikoiy. Confirmação do Otun Oba Aresa e do Osi Oju Oba indicados pelo Balé Xangô.

 Mais adiante já adulto, recebeu o título de Alapini e Ipekun Ojé, o mais alto na hierarquia do culto aos Egungun e de Balé Xangô,  mais importante título da casa de Xangô dentre outros. 


Foto M.A. Luz

Mestre Didi Alapini seguido pelos Ojé Jobi, Alagba, Osi Alagba e Otun Alagba no Ilê Axipa.

Foi o fundador do terreiro Ilê Asipá de culto aos egungun, reunindo as correntes de ancestrais de três linhagens tradicionais: a Asipá, a de Marcos Alapini, zelador do Egungun Agba Baba Olukotun, Olori Egun, o ancestre mais antigo e venerado da tradição ao culto aos ancestrais, e a de Miguel Sant`Anna Ojé Orepe, e Zaba, principal sacerdote do culto a Idako da tradição Tapa Nupe.

Mestre Didi Alapini no Ilê Asipa recebendo  as saudações dos Egun Agba
Mestre Didi por diversas vezes esteve na África, e numa dessas ocasiões como já nos referimos, o destino lhe proporcionou um encontro ou reencontro histórico na cidade de Ketu. O Alaketu lhe conferiu o título de Baba Mogba Oga Oni Sango. Ele confirmou em Oyo o título de Bale  Xangô.

Mestre Didi e seu neto José Felix dos Santos por ocasião da saída da Troça Carnavalesca Pae Buroko em 1983. O afoxé foi fundado por Mestre Didi em 1935 e desfilado em 1940. A presença da comunidade negra afirmando a sua tradição nas ruas de Salvador. Foto : Jorge Mendes dos Santos. Acervo M.A. Luz


Foto Marcos Kalisch
Pronunciamento de Mestre Didi Axipa Alapini na I Conferência Mundial da Tradição dos Orixá e Cultura realizada em 1980 em Ile Ife. Na foto compondo a mesa o Aragba e o Oni Ifé.

Essa imersão na cultura sagrada, potencializou Mestre Didi para da “porteira para fora”,ser um escultor de renome internacional de originalidade única, 

Mestre Didi tornou-se um artista reconhecido internacionalmente.
Suas esculturas derivam dos emblemas do panteão dos orixá da terra em magnificas recriações.

Foto disponível na internet 
Sua esposa Juana E. dos Santos foi uma imprescindível colaboradora na divulgação e promoção das exposições de Mestre Didi mundo afora. Dentre as principais, a da 23ª Bienal de São Paulo com exposição de 33 peças, e a exposição permanente no Museu Afro Brasil e muitas outras.

Mestre Didi foi também um renomado escritor de livros e peças de teatro ou autos coreográficos.que abriram um espaço original na literatura brasileira.


Foto disponível na Internet
Livro arte de Mestre Didi com ilustrações de Lênio Braga

"Ajaká Iniciação para a Liberdade", auto coreográfico de autoria de Mestre Didi, Juana E. dos Santos e Orlando Senna. Na foto a Mãe Ancestral encenada por Inaicyra Falcão dos Santos, atriz, cantora lírica, Doutora em Educação, professora da Unicamp e filha de Mestre Didi.



Foto: disponível na Internet
Mestre Didi com Pierre Verger e Vivaldo Costa Lima autores e escritores.

 Foi um incentivador cultural tendo participado diretamente da fundação de importantes movimentos como as Conferências Mundial da Tradição dos Orixá e Cultura, da Sociedade de Estudos da Cultura Negra no Brasil- Secneb e do Instituto Nacional da Tradição e Cultura Afro Brasileira-Intecab.



Lélia Gonzales, JJSiqueira, Marta Vega, Wande Abimbola, Juana E. dos Santos, Mestre Didi, Joel Rufino, Edmilson do MNU. sentados, Jorge de Pernambuco, Edvaldo Brito, Bujão, e Marco Aurélio Luz em pé. Encontro preparatório para a IIª Comtoc na sede da SECNEB. 



Foto: acervo M. A. Luz
Congresso da TRADIÇÃO RELIGIOSA E CULTURAL AFRO BRASILEIRA no Ilê Axé Opo Afonja que proporcionou a criação do INTECAB. Babalorixá Manoel Costa do terreiro de Pai Adão de Recife, Mestre Didi Alapini, na mesa e a Doné do Kerebetan Bogun Mãe Nicinha Gamo Lokossi pronunciando suas palavras. Everaldo Duarte Abagigan representante do kerebetan tornou-se vicecoordenador do INTECAB


Foto: acervo M.A. Luz
Integrantes do INTECAB na reunião de Minas Gerais em Belo Horizonte. Representante do Conselho Consultivo Nacional Marco Aurélio Luz, Oju Oba Coordenador Nacional Deoscoredes M. dos Santos Mestre Didi. Alapini Secretaria da Cultura Nacional Juana Elbein dos Santos Elefunde, e Coordenador Estadual MG Wamy Guimarães. Tata Inkisse Omoloko

Foto: M. A. Luz
Encontro Nacional do INTECAB Instituto Nacional da Tradição e Cultura Afro Brasileira no Centro de Convenções em Salvador BA. 1988.

Todas essas trajetórias propiciaram o fortalecimento e legitimação dos cultos de tradição africano brasileira, desde o fim das perseguições policiais na década de trinta, até mesmo na promulgação de Leis de liberdade de culto e de proteção da tradição africano brasileira no plano das Constituição federal e estadual. 




Foto disponível na internet
Abdias Nascimento e Mestre Didi

Outras iniciativas e atuações do Mestre Didi, envolvem também proposições de linguagens e valores culturais para abordagens curriculares no sistema de ensino. 

Foto: acervo M. A. Luz
Professora Doutora em Educação Narcimária do Patrocínio Luz discorre sobre o valor e significado da obra educacional de Mestre Didi.

Inúmeras programações culturais, publicações que elevaram o reconhecimento dos valores da religião e combateram os preconceitos.




 Foto M.A. Luz
Opo Baba Nla, monumento em homenagem à ancestralidade Africano Brasileira  em Salvador BA. Recriação da obra Opa Exin de Mestre Didi.

Concluímos então, reconhecendo que numa comunidade religiosa de culto africano brasileiro, há lugares para integrantes que possam ter mais o destino para iniciações religiosas profundas “da porteira para dentro”, e outros, que têm um destino vocacionado para uma atuação “da porteira para fora”, todos concorrendo para a preservação e a expansão da riquíssima tradição religiosa legada pelos ancestrais. Cada qual no seu cada qual.

As atuações de Mestre Didi geraram a criação de uma nova epistemologia Africano Brasileira .
A seguir relacionamos algumas obras.


De Mestre Didi















De Juana Elbein dos Santos











De Marco Aurélio Luz













De Muniz Sodré







De Narcimária Correia do Patrocínio Luz








De Inaicyra Falcão dos Santos







                                     
                                                         De José Sant´Anna Sobrinho



                                                         
                                                               De Helena Theodoro