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PRODESE E ACRA



VIDA QUE SEGUE...Uma
das principais bases de inspiração do PRODESE foi a Associação Crianças Raízes
do Abaeté-Acra,espaço institucional onde concebemos composições de linguagens
lúdicas e estéticas criadas para manter seu cotidiano.A Acra foi uma iniciativa
institucional criada no bairro de Itapuã no município de Salvador na Bahia, e
referência nacional como “ponto de cultura” reconhecido pelo Ministério da
Cultura. Essa Associação durante oito anos,proporcionou a crianças e jovens
descendentes de africanos e africanas,espaços socioeducativos que legitimassem
o patrimônio civilizatório dos seus antepassados.
A Acra em parceria com o Prodese
fomentou várias iniciativas institucionais,a exemplo de publicações,eventos
nacionais e internacionais,participações exitosas em
editais,concursos,oficinas,festivais,etc vinculadas a presença africana em
Itapuã e sua expansão através das formas de sociabilidade criadas pelos
pescadores,lavadeiras e ganhadeiras,que mantiveram a riqueza do patrimônio
africano e seu contínuo na Bahia e Brasil.É através desses vínculos de
comunalidade africana, que a ACRA desenvolveu suas atividades abrindo
perspectivas de valores e linguagens para que as , crianças tenham orgulho de
ser e pertencer as suas comunalidades.
Gostaríamos de registrar o nosso
agradecimento profundo a Associação Crianças Raízes do Abaeté(Acra),na pessoa
do seu Diretor Presidente professor Narciso José do Patrocínio e toda a sua
equipe de educadores, pela oportunidade de vivenciarmos uma duradoura e valiosa
parceria durante o período de 2005 a 2012,culminando com premiações de destaque
nacional e a composição de várias iniciativas de linguagens, que influenciaram
sobremaneira a alegria de viver e ser, de crianças e jovens do bairro de
Itapuã em Salvador na Bahia,Brasil.


quinta-feira, 12 de julho de 2018

Javalis Selvagens




Foto disponível na internet


Sabedoria da Tailândia

Por Tata Valmir França

Hoje ao procurar notícias sobre os meninos na Tailândia me deparei com um post onde falava que os pais estavam acampados na entrada da caverna e que as autoridades *não* divulgavam qual dos meninos que foram  libertos. O jornalista procurou saber porque não davam  uma informação tão importante para eles. E como os pais se mantinham ali sem procurar saber se era ou não o seu filho que fora salvo. O jornalista se deparou com um provérbio cultural na Tailândia: *“Evitarás ofender aquele que te ajuda,  pedindo mais do que aquilo que ele te dá”.*  As autoridades não divulgavam para os pais, para evitar que uns se alegrassem e os outros continuassem em sofrimento. Sem saber qual estava fora da caverna,  todos oravam uns pelos outros. E os pais não buscavam mais informações, pois sabiam que as autoridades estavam fazendo o que podiam para salvar a todos. Então, eles não queriam ofender a quem os ajudava, exigindo mais do que aquilo que podiam dar. *Que lição extraordinária!* Quantas vezes ofendemos e insultamos aqueles que nos rodeiam com nossas insatisfações pessoais. Exigindo sempre mais. Aprendamos com eles que não podemos exigir aquilo que não podem me dar e aprendamos a respeitar os nossos limites e o do próximo. Aprendamos a ser gratos, e aprendamos a dizer não quando nos ofenderem ou nos insultarem. Respeito e gratidão são as palavras chaves. Que Deus nos ajude e nos dê sabedoria para colocar em prática aquilo que Ele nos tem ensinado e os Tailandeses parecem já saberem muito bem!! 🙏🏼🙌🏼

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Homenagem ao Mestre Didi na ALBA Assembéia Legislativa da Bahia/Comunicação na íntegra de Marco Aurélio Luz


Réplica monumental da escultura "Opa Exin ati Eiye Meji" de Mestre Didi pelo artista Oscar Ramos no Pelourinho. Prefeito Mário Kertz.
Foto M.A. Luz 

Professor Marco Aurélio, Bem-vindo!
O Sr. MARCO AURÉLIO LUZ:
- Bom dia a todos e a todas. Ago awon aburo ati ebomi. Peço licença aos mais novos e aos mais antigos.
Queria registrar a minha emoção de estar aqui. Atravessei uma trajetória muito especial em minha vida, que foi compartilhada com Mestre Didi e Juana Elbein dos Santos. Fizemos coisas do arco-da-velha.
A Conferência Mundial da Tradição dos Orixás, em 1983, foi uma das realizações mais resplandecentes dessa nossa trajetória. Mestre Didi e Juanita iniciaram isso na histórica reunião em Nova York em 1980,  estiveram na Iª Conferência em Ifé, em 1981, e depois foi realizada aqui em Salvador, quando veio uma delegação africana muito importante lá da Nigéria, com babalaôs e tudo mais, inclusive um rei de Ejigbô, o Elegibô.
Vou citar um episódio dessa ocasião. O Elegibô vinha entrando pelo Centro
de Convenções e várias pessoas deram dodobale, quer dizer, o saudaram mostrando um sinal de humildade e respeito à pessoa do rei. Até que ele se deparou com Mestre Didi, que ficou na mesma posição que estava. E ele perguntou ao Mestre Didi:
- “Você não vai me dar dodobale?” Mestre Didi respondeu: “Não é que eu não queira; eu não posso, porque eu sou Alapini, e Alapini está acima de um rei, de um obá”.
Esta situação do Mestre Didi é uma obrigação, não é que ele não quisesse ou
fosse uma escolha, mas ele é um omo bibi, um bem-nascido, aquele que herda uma herança ancestral de muito compromisso, uma reposição que é a reposição da tradição religiosa nagô.
O destino levou Mestre Didi a ser o responsável pelos ancestres mais antigos da tradição nagô no Brasil e por isso recebeu o título de Alapini. Em Oyo o Alapini cuida dos ancestrais mais antigos no afin no  palácio.


Réplica Monumental da escultura Opo Baba Nla de Mestre Didi na praia da Paciência Rio Vermelho. Prefeito Imbassay
Foto M. A. Luz

Ele me disse uma vez: “Pode-se dizer que a história da tradição do Orixá na Bahia se confunde com a história da minha família”. Porque foram as ancestrais dele, 
 Iyá Nassô, Iyá Obá Tosi,  fundadoras das primeiras casas de culto aqui na Bahia. Iniciaram as pessoas que fundaram o Gantois e o Ilê Axê Opó Ofonjá.
Então esse tronco da tradição africana esteve na responsabilidade da famíliaAsipá, fundadora de cidade lá na África, como Ketu saindo de Oió e se projetando na Bahia nessa reposição.  
Eu penso que o Mestre Didi e vários líderes se destacaram na luta pelos
direitos civis, lutando contra o racismo. Mas Mestre Didi se destaca como um líder da história do negro no Brasil e no mundo de modo geral, lutando pela liberdade, de modo muito especial porque ele lutou pela reposição da tradição africana, dos valores da tradição africana, da linguagem da tradição africana, suas instituições que irriga a alma da identidade brasileira.
Isso é uma coisa fundamental. E ele se destacou por isso, não se destacou fazendo alarde.
 Ele dizia que deveríamos seguir a estratégia dele, que é a de trabalhar como cupim, sempre fazendo as coisas sem alarde, sem aparecer. Por isso que muita gente aqui não conhece o esplendor da trajetória do Mestre Didi. Vem conhecendo pouco a pouco, porque ele mesmo tinha uma estratégia que era a de fazer pouco a pouco e dessa forma, porque a situação não era para a gente estar se mostrando e se demonstrando, nem precisava disso. Ele dizia sempre que ele sabia quem ele era, não precisava estar dizendo para ninguém, nem ninguém dizendo dele, mas nós dizemos porque admiramos e convivemos com ele, temos essa obrigação de enaltece-lo.
Como Gildeci, que me antecedeu, falou nessa casualidade do dia do samba ser um dia também ligado ao 2 de dezembro – data do nascimento do Mestre Didi –, eu vou pedir licença para cantar um samba que já cantei uma vez com Alaor Macedo, que é sobrinho do Mestre Didi, fundador da Lira Imperial e também participou de movimentos das escolas de samba. Como as coisas entre nós acaba em samba, eu vou pedir licença para
cantar essa música de minha autoria.
(Canta uma música.)
No dia 2 de dezembro de 1917 nasceu aqui na Bahia um princípe real/ da África ao Brasil a continuação da família Asipa...
Muito obrigado a todos.
A Srª PRESIDENTA
 (Dra. Fabíola Mansur):- Salve essa voz, professor!

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Viaduto MESTRE DIDI/Mestre Didi é homenageado com nome em viaduto e tombamento do Ilê Asipá




O sábado (2) foi marcado pelo centenário do sacerdote afro-brasileiro e artista plástico Deoscóredes Maximiliano dos Santos, conhecido como Mestre Didi, em Salvador. Integrando a agenda de comemorações, o Governo do Estado, por meio das secretarias de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) e de Cultura (Secult), nomeou o ‘Viaduto Mestre Didi’, na Avenida Orlando Gomes, e oficializou o tombamento do Ilê Asipá, comunidade fundada pelo religioso, no bairro Piatã. Os atos tiveram a presença de familiares, integrantes do terreiro, autoridades, artistas e acadêmicos.
“Mestre Didi não foi somente mentor do Ilê Asipá, mas de todos nós. Hoje, diariamente, seus discípulos praticam e preservam a religião afro-brasileira com o rigor que o líder sempre ensinou”, afirmou o alabá Genaldo Novaes, em nome da casa religiosa, durante o evento. Ele destacou a sapiência e humildade que sempre foram as marcas do sacerdote, falecido em 2013.
O secretário da Casa Civil, Bruno Dauster, ressaltou a importância das medidas tomadas durante as celebrações da Década Internacional Afrodescendente. “O Governo do Estado abraçou a ideia de efetivar o tombamento do Ilê Asipá e colocar o nome do Mestre Didi num viaduto, sem dúvidas, para que ele tivesse uma presença pública ainda mais marcante em Salvador. Assim, certamente será eterno na lembrança de todos nós”, destacou Dauster.

A secretária da Sepromi informou os trâmites do governo até a concretização das homenagens, segundo ela, executados de forma transversal. “Um conjunto de dirigentes, servidores e organismos foi mobilizado para a realização destas importantes entregas. Uma ação continuada que culminou no dia do aniversário deste grande líder. Marcamos na histórica os legados e contribuições de um homem de múltiplos talentos, que nos ensinou o respeito à diversidade religiosa e a preservação da cultura afro-brasileira”, disse Fabya Reis, lembrando outras iniciativas, a exemplo do apoio ao documentário ‘Alápini, A Herança Ancestral De Mestre Didi Asipá’ e exposição no Teatro Castro Alves (TCA), também neste ano.
Também estiveram presentes nos atos a titular da Secult, Arany Santana, juntamente com o diretor do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac), João Carlos Oliveira, e o presidente do Conselho Estadual de Cultura, Emílio Tapioca, que formalizaram o tombamento do Asipá; além do dirigente da Fundação Pedro Calmon (FPC), Zulu Araújo.



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Matéria publicada no Jornal do Brasil em 03/12/2017

Viaduto Mestre Didi -ACM Neto veta projeto de Edvaldo Brito que homenageia Mestre Didi




Vereador Edvaldo Brito.
Foto disponível na Internet


O prefeito ACM Neto vetou o projeto do vereador Edvaldo Brito (PSD) que dava o nome do artista plástico, escritor e sacerdote afro-brasileiro Mestre Didi, ao viaduto situado na Avenida Orlando Gomes, em frente à Rua da Gratidão. A alegação para o impedimento foi a impossibilidade de uma pessoa dar nome a dois logradouros numa mesma cidade. O veto foi confirmado pela maioria dos vereadores na sessão de 11/06/2018.


Anúncio da nomeação do Viaduto Mestre Didi
Foto disponível na Internet

“Ora, trata-se de uma filigrana jurídica, já que não propus mudar o nome da avenida, e sim nomear um equipamento que nela está. A língua portuguesa tem dessas artimanhas, pois logradouro seria o local onde se logra algo, e o viaduto faz apenas a ligação, não seria logradouro”, declarou Brito. Segundo o vereador, “é inconcebível que um prefeito eleito pelo povo, formado na sua maioria por negros, negue essa simples homenagem a um dos maiores representantes que o povo da Bahia já teve, principalmente o povo das religiões de matriz africana, pois Deoscóredes Maximiliano dos Santos, o mestre Didi, nascido em 1917 e filho da lendária Mãe Senhora, do Ilê Axé Opô Afonjá, levou o nome da Bahia para o mundo. Eu fui testemunha, em 1983, na África, do reconhecimento dos reis Ashantis ao Mestre Didi, como um dos maiores dignitários negros do planeta”.


 Ilê Asipá que cultua os antigos ancestrais do povo nagô
Foto disponível na Internet



Placa registrando o Ilê Asipa como Bem Tombado pelo Governo do Estado da Bahia
Foto disponível na Internet 

Brito, na declaração de voto, agradeceu a solidariedade da vereadora Lorena Brandão (PSC), que o acompanhou nas homenagens e defende o nome do sacerdote no viaduto. “Vou recorrer desse veto ou vou apresentar outro projeto aqui na Câmara Municipal, reiniciando todo o trâmite, para que o povo baiano tenha a satisfação de ver o nome de Mestre Didi naquele viaduto. Ou então apelarei ao Governo do Estado, já que o viaduto é estadual, para que essa homenagem seja efetivada”, concluiu Brito.      
Assessoria de Comunicação de Edvaldo Brito



Homenagem da Prefeitura de Salvador nas comemorações do Centenário de Mestre Didi
Foto Disponível na internet

domingo, 17 de junho de 2018

REI DE IFÉ, NA NIGÉRIA, É HOMENAGEADO NA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO RIO


LÍDER IORUBÁ DESTACOU A PROXIMIDADE COM O BRASIL E SUA POPULAÇÃO




Por Cristina Indio do Brasil 
Repórter da Agência Brasil  Rio de Janeiro
 Matéria publicada em 11/06/2018 

O plenário da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) se transformou hoje (11) em um local de reflexão sobre a igualdade, a luta contra o preconceito e a união dos povos. Em solenidade para a entrega da Medalha Tiradentes, a maior honraria do estado, ao rei de Ifé e líder do povo iorubá, na Nigéria, Ooni Adeyeye Enitan Ogunwusi, o Ojaja II, os parlamentares deram lugar a lideranças de religiões de matriz africana, que acompanharam a homenagem.
O presidente em exercício da Alerj, deputado André Ceciliano (PT), abriu a cerimônia e lembrou que o Brasil vive momentos de intolerância religiosa. “Espero que ele possa trazer fé e esperança para o Brasil”, pontuou.
Rei de Ifé, na Nigéria,  Ooni Adeyeye Enitan Ogunwusi, o Ojaja ll, é homenageado com a entrega da Medalha Tiradentes na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.
Rei de Ifé, na Nigéria, Ojaja ll, é homenageado com a entrega da Medalha Tiradentes (Cristina Indio do Brasil/Agencia Brasil)
O rei de Ifé destacou a proximidade entre a Nigéria e o Brasil e apontou que os povos desses países pertencem à mesma raiz e à mesma fonte. “Eu estou aqui para trazer amor a todos vocês do Brasil, em especial aos afrodescendentes brasileiros. Os afrodescendentes precisam saber. Nós não somos escravos. Nós fomos escravizados. Os brasileiros pertencem a linhagens de reis, rainhas. Nós podemos falar línguas diferentes, mas somos da mesma família. Nós temos que nos associar a vocês. Todos os dias vocês precisam acordar, porque têm que contribuir imensamente para este mundo”, afirmou.
O deputado Zaqueu Teixeira (PSD), que foi o autor da proposta de entrega da medalha, lembrou que o rei de Ifé tem feito diferença em seu país e em outras partes do mundo ao criar propostas de autonomia para mulheres e dar mais oportunidades aos jovens para o ingresso nas universidades. “Reforçou os laços dos afrodescendentes da cultura iorubá ao redor do mundo. Foi necessário que sua majestade criasse bolsas para jovens entrarem na universidade e dar dignidade às viúvas que são deixadas à margem da sociedade. Criou também programa para capacitá-las e dar a elas maior autonomia financeira. Ele tem viajado para diversos países para fortalecer a cultura iorubá entre os afrodescendentes”, afirmou.
A rainha Diambi Kabatusuila, do Congo, que também participou da homenagem, lembrou que é necessário passar a cultura africana para os mais jovens. “Nós temos que fazer o nosso trabalho para conseguir passar as informações de nossos antepassados para promover a justiça, a igualdade e equilibrar a sociedade”, disse.
Na visão da mãe Sandra de Oxaguiã, da Instituição Holística Casa de Oxalá e Oxum, de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, a visita do Ooni de Ifé é um marco para o Brasil. Ela disse que ninguém nasce racista, preconceituoso ou intolerante. Mãe Sandra fez uma comparação com uma semente que cai na terra e não se sabe se crescerá uma árvore ou se vai se perder. “A mãe natureza desconhece a mão que deixou aquela semente. Aceita a mão de todos os povos de qualquer etnia. Queremos falar de amor, de paz e união”, completou.
Depois da cerimônia, mãe Sandra estava emocionada com a presença do rei de Ifé. Para ela, é uma honraria inexplicável, porque nunca havia pensado em estar ao lado dele no Brasil. “É um divisor de águas para nós brasileiros que acreditamos na ancestralidade. Então, o nosso ancestral, Obatalá, Olorum, Orumilá, estava presente porque ele é a encarnação desses deuses para nós”, concluiu.

Para o presidente do Centro Cultural Africano no Brasil, vice-rei de Abeokuta, região da Nigéria, Otumba Adekunle Aderonmu, o rei de Ifé passou uma mensagem de valorização dos afrodescendentes. Ele acrescentou que a vinda do rei de Ifé reforçou a ideia de que todos podem programar as suas vidas para alcançar lugares melhores na sociedade, ao verem que uma pessoa como o líder do povo iorubá foi homenageada em uma casa legislativa.




Ooni Ife deixa Salvador depois de extensa programação

Depois de extensa programação que fortaleceu ainda mais os laços religiosos e culturais entre Ife´ e Salvador, considerada a capital yorubá das Américas e  cidades irmãs, o Ooni Ife se dirigiu ao Rio de Janeiro.


Sra. Aparecida Santos Otun Iya Egbe do Ile Asipa acompanha a visita do Ooni Ife


Significativa presença da delegação que reuniu sacerdotes, intelectuais, músicos e demais autoridades masculinas e femininas.
Foto disponível na Internet


Ooni Ife e seus acompanhantes
Foto disponível na Internet

Músicos acompanham a comitiva
Foto disponível na Internet
Programação na Bahia


















Pedra de Xangô em Cajazeiras
Foto disponível na Internet
Dia 07 (quinta-feira)
8:30 - Ritual simbólico da benção da terra baiana e apaziguamento das almas dos negros escravizados com participação das autoridades cívicas e das comunidades de candomblé, na Avenida Lafayete Coutinho - Comércio (Praia ao lado do Restaurante Amado)

10:30 - Solenidade de Declaração da Bahia como Capital Yorubá das Américas e Coletiva da imprensa, no auditório da Governadoria do Estado da Bahia (Centro Administrativo da Bahia)

15:30 – Assinatura do Memorando do Protocolo de cooperação entre as culturas iorubana e brasileira, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Salvador (Praça da Sé)

Dia 8 (sexta-feira)

14:00 - Colóquio Internacional Odùdúwà – Língua, Literatura e Epistemologias Iorubanas, no auditório da Faculdade de Medicina da UFBA (Terreiro de Jesus- Pelourinho)

Dia 09 (sábado)

10:00 às 12:00 - Visita ao Santuário Pedra de Xangô onde será erguida a estátua de Odùdúwà para povo de candomblé (CajazeiraDia 10 (Domingo)
9:00 às 12:00 - Solene do Oonide Ifépelo para Povo de Santo e comunidade baiana no “Diálogo dos Tambores com África-Bahia”, no Espaço culturalmente da Barroquinha (Fim de Linha da Barroquinha)


domingo, 20 de maio de 2018

Iª COMTOC Conferência Mundial da Tradição dos Orixá e Cultura


Acervo: M. A. Luz

Em 1980 o Caribean Art Center de Nova York através de sua dirigente Martha Moreno Vega teve a iniciativa de promover um encontro entre representativas lideranças da tradição africana. A reunião tornou-se uma celebração histórica que teve como desdobramento a criação das COMTOC Conferência Mundial da Tradição dos Orixá e Cultura.  


Os líderes presentes no encontro histórico gerador das COMTOC: Max Beauvoir Ougan Haiti, Wande Abimbola Reitor da Universidade de Ifé, Julito Collazo Babalawo Cuba, Deoscoredes M. das Santos Mestre Didi Alapini Brasil.

Além de Marta Moreno Vega do Caribbean Art Center acompanharam o encontro Juana E. dos Santos da Sociedade de Estudos da Cultura Negra no Brasil-Secneb  e Moly Haye de Trinidad e Tobago.


Escultura em bronze arte tradicional de Ile Ife
Foto disponível na internet


Iª COMTOC

Saudação do Oni Ife OBA OKUNADE SIJUWADE OLUBUSE II OLUFE OONI ADIMULA OLOFIN AYE na Iª COMTOC



"Eu saúdo todos os reis presentes aqui hoje. Eu saúdo o vice-chanceller desta Universidade professor C. A. Onwumechili, e eu saúdo todos os mais antigos desta instituição. A todos meus filhos que vieram de lugares distantes eu digo boas vindas. Eu espero que tenham uma agradável estadia. Eu os saúdo porque vocês não esqueceram do lar ancestral. A todos que estão de pé e a todos que estão sentados, eu digo meus cumprimentos. Cumprimento também àqueles que vieram assistir este evento, vindo da cidades vizinhas.
É um motivo de grande alegria para mim ser hoje o responsável pela abertura da Primeira Conferência Mundial de tradição dos Orixá. hoje é um dia histórico. Minhas congratulações àqueles que planejaram esse evento de hoje. Odua; ele que desceu para a terra numa corrente, e que foi o primeiro Olofin não deixará secar nunca a fonte de vossa sabedoria.
A todos vocês estudantes desta Universidade, e todos os meus filhos de lares distantes, eu digo para nunca esquecerem o lugar de suas origens. Se nós participamos na religião de outros, se nós aprendemos a cultura dos outros, não devemos esquecer a nossa.
Portanto, nós não devemos usar nossas mãos para relegar nossa própria cultura à posições inferiores.
toda pessoa deve aprender a colocar-se a si mesmo num pedestal. Isto porque a galinha é que se abaixa quando está entrando em casa.
Meus filhos todos os tesouros do povo Yorubá estão em Ilé-Ifé. Ifé é o lar e a origem de todos nós...
Ilé-Ifé é a terra sagrada da raça negra e de todos os devotos da religião dos Orixá espalhados pelo mundo. Foi aqui em Ifé que Oduduwa primeiro criador da terra sobre a qual todos nós hoje estamos em pé e no seio da qual nós desapareceremos quando mudarmos nossa presente posição mortal!!!
Eu asseguro a todos vocês, meus filhos, aqueles que são nossas visitas de lugares distantes, que nós nunca esqueceremos de vocês. Eu saúdo a vossa coragem. Eu saúdo vossa paciência. Eu estou muito feliz por ver que vocês não esqueceram o seu lar ancestral [...]."

Disponível em Scielo:Agadá Dinâmica da Civilização Africano-Brasileira by Marco Aurélio Luz




Opon Ifa elemento do culto de Orumila Baba Ifa.
Foto disponível na internet

Wande Abimbola Reitor da Universidade de Ifé fez importante pronunciamento na ocasião da abertura:

"[...] Existe um grande hiato entre os intelectuais e os líderes da comunidade. Isto é algo muito triste. Nenhuma nação pode progredir se os líderes de sua cultura e o povo que propaga ideias não se encontram e não tenham nenhuma forma para se reunir e trocar ideias. Este é um dos problemas que nós devemos enfatizar. A África desde o colonialismo, podemos perceber, criou uma classe de povo elitista que tem sua base de origem no comércio, despossuído de cultura, e que deu nascimentos, podemos perceber em um orgulho e vaidade baseado em dissociar-se a si próprios de sua própria cultura.
Nós percebemos que esta é a razão pela qual não quisemos organizar mais uma conferência apenas com a população acadêmica. Queremos realizá-la juntando os líderes da cultura tradicional Africana com os acadêmicos, pois só assim seriamos capazes de interagir entre nós mesmos e obter os mútuos benefícios advindos desta interação.



Mestre Didi Asipa Alapini representante do Brasil faz seu pronunciamento na abertura da Iª COMTOC
Foto Marco Kalish
Acervo M. A. Luz
Em qualquer parte que vamos nas Américas e em outras partes do mundo, o povo não nos deixa esquecer nossa cultura tradicional. O povo não quer igualmente que muitos de nós separemo-nos de nossa cultura. Quando falamos isto, não estamos querendo dizer que devemos retornar a uma cultura de centenas de anos atrás. O que estamos querendo dizer é que cada geração deve aprender como organizar e revitalizar a cultura na sociedade em que deu nascimento a essa geração. Isto tem sido nossa falha com a geração atual do povo da África, que nós temos sempre e completamente virado as costas para nossa cultura tradicional, especialmente nossa religião tradicional.
[...] O sistema de ideias e religião, razão pela qual nós todos estamos reunidos aqui para falarmos, assumiu na atualidade dimensões de uma cultura internacional.
Deixe-me dar a vocês uns poucos exemplos. Falando há poucos dias atrás com um colega meu de Porto Rico, eu fui informado que o número de sacerdotes e sacerdotisas do culto aos Orixá em Porto rico é muito maior do que os sacerdotes do culto católico neste país. No Brasil, onde você tem uma nação com cem milhões de habitantes, mais da metade desta população do pais está diretamente ou indiretamente envolvida com a cultura da tradição dos Orixá. Em Cuba, especialmente há mais sacerdotes de Ifá que na Nigéria. Em trindad, até os dias de hoje é cultivada, ainda, nós temos sacerdotes e sacerdotisas de Xangô, alguns dos quais são renomados professores e acadêmicos. Por toda diáspora africana, em qualquer lugar onde você vá, seja na Guatemala, ou na Colômbia ou Peru ou Guiana ou honduras ou nos Estados Unidos da América, você encontra gente que devota suas vidas para a propagação da cultura da tradição dos Orixá. todavia, na África que é o berço desta religião, muita gente de nossa geração tem virado as costas para sua própria cultura."

Disponível em Scielo:Agadá Dinâmica da Civilização Africano-Brasileira by Marco Aurélio Luz


Iª COMTOC em Ile Ife
Foto Marco Kalish
Acervo M.A.Luz
O professor Abimbola, depois de ter chamado a atenção sobre o fato de que enquanto nas Américas a tradição dos orixá se revitaliza e se expande, infelizmente na África as novas gerações escolarizadas têm virado as costas para sua própria cultura, acentuou os pontos principais do sistema cultural e religioso tradicional que, deixado de lado, poderá ocasionar que a sociedade caminhe para um estado de anomia, isto é, completa desorganização social.
Representantes do Brasil foram Mestre Didi Asipa Alapini, Iya Bido de Iyemanja e Juana E. dos Santos Elefunde Egide.
Foi um marco histórico de grande importância na continuidade civilizatória de nossa tradição religiosa e cultural.
A cidade de Salvador foi escolhida para a realização da IIª COMTOC.















quarta-feira, 9 de maio de 2018

OBIRIN ATI IYA Mulher e Mãe




IYÁ IBEJI, Escultura de Marco Aurélio Luz
Foto: Hans Olu Obi
                                                   
                                           OBIRIN

Comecemos as nossas homenagens conversando com o Oju Obá Marco Aurélio Luz sobre o significado de mulher na tradição afro-brasileira nagô. Nessa breve entrevista a ACRA Marco Aurélio destaca que na língua yorubá a palavra OBIRIN significa MULHER e demonstra que essa semântica “mulher” aprisionada na lógica das sociedades urbano-industriais não corresponde e não dá conta da infinitude de valores e linguagens que o universo simbólico afro-brasileiro apresenta e legitima.
Marco Aurélio lançou recentemente o livro “TUN ONÁ RI RETOMANDO O CAMINHO” que aborda aspectos das culturas africano-brasileiras e a visão de mundo que se expressa através de refinados códigos estéticos e suas formas de comunicação.
Acompanhem a entrevista consultando a escultura na foto acima para identificar a riqueza da simbologia expressa.

ENTREVISTA

ACRA - Fale-nos do significado de mulher na tradição afro-brasileira nagô.

Marco Aurélio Luz - Na tradição nagô a mulher, obirin, está representada por seus mistérios e poderes imutáveis. Na tradição a linguagem e as instituições elaboraram a essência dos seres no caso o ser da mulher é uma expressão do princípio feminino da existência.

ACRA - Você recentemente fez uma exposição de suas esculturas no foyer do Teatro UNEB e entre elas estava uma escultura representando o princípio feminino da existência. Você poderia comentar a simbologia dessa escultura?

Marco Aurélio Luz -
Essa escultura de minha autoria é a IYÁ IBEJI, a Mãe dos Gêmeos, que emerge dentro dos cânones estéticos da tradição. De início devo logo dizer que a capacidade de concepção, de gestação, de formidável transformação do corpo feminino constitui e expressa o mistério e o poder da mulher, tanto mais em sociedades em que o valor da expansão de famílias e linhagens significa fortes elos de ancestralidade, sucessão, gerações, continuidade comunal.

ACRA - A IYÁ IBEJI expressa em sua simbologia esses valores?

Marco Aurélio Luz -
Sim. Sei que vocês irão ilustrar essa entrevista com a foto dessa escultura e isso dará ao leitor a dimensão dos comentários que irei fazer. Uma mulher jovem e fértil sustenta duas crianças gêmeas em suas pernas caracterizando poder de procriação. Os gêmeos, IBEJI, ibi+eji, nascidos dois, são símbolos de fertilidade e como tal são entidades muito cultuadas na Bahia. Eles seguram com uma mão o seio da IYÁ, e com a outra um abebe, emblema em forma de leque, de forma a representar o útero fecundado. O abebe é emblema característico dos paramentos dos orixá que regem príncipios femininos como Oxum e Iyemanjá caracterizando seus poderes e mistérios.

ACRA - Na escultura vemos outro abebe também gravado na figura de um ovo.O que significa?

Marco Aurélio Luz -
O ovo é um elemento símbolo integrante da representação de Oxun caracterizando a continuidade das próximas gestações, que está representado nos IBEJI por Dou o nascido subsequente.

ACRA - Na base da escultura você esculpiu umas ondulações o que representam?

Marco Aurélio Luz –
Contornando a escultura na base, tem a representação de água corrente, expressão da natureza regida pelos poderes de Oxum, simbolizando também o corrimento menstrual símbolo do poder de fertilidade feminina. Oxum representa poderes de beleza, encantamento e sedução da jovem mãe. Conforme uma saudação da tradição africana relatada por Fatumbi Verger, "Oxum limpa suas jóias de cobre antes de limpar seus filhos".


Atrás da escultura, referência e alusão a passado, poente, dois pássaros caracterizando a proteção das IYA-MI, as antigas e venerandas mães ancestrais, que se consubstanciam em pássaros, peixes ou sereias...
Muitos outros aspectos podem ser abordados sobre OBIRIN é um assunto que não tem fim.

ACRA - Mais uma vez agradecemos sua valiosa colaboração nos ajudando a consolidar o blog da ACRA.

Nota: Publicado em 2010

domingo, 29 de abril de 2018

OONI IFE VEM A BAHIA



Por Marco Aurélio Luz



O Ooni Ife rei de Ife Adeyeye Babatunde Enitan Ogunwusi virá ao Brasil.
Foto disponível na internet 

Ile Ife é a cidade sagrada e origem do império yoruba. Aí se encontra a marca de Oduduwa entidade que primeiro pisou nesse mundo o aiye. Foi ela que a mando de Olorun criou a terra. Oxalá por sua vez criou os seres que vieram habitá-la.
Oraniyan descendente de Oduduwa partiu de Ife num longo périplo constituindo a fundação de reinos que vieram a compor o império e depois retornou a Ife.
Ile Ife a cidade que se expande possuíu originariamente a composição urbanística em forma espiralada. No centro o palácio real e na sua frente o mercado do rei Oja Oba. Desde esse núcleo desenvolve-se a sequência dos “compounds” moradias dos idile as famílias extensas por ordem de antiguidade.
Integra o afin o palácio, a floresta sagrada contígua.
O Ooni é o rei de Ife. A origem de Ife se perde na noite dos tempos. Todos os reinos do império yoruba reconhecem o poder sagrado do Ooni e seus reis devem ter sua anuência para tomar posse do cargo.


Escultura em bronze dos Ooni Ife.
Foto disponível na internet

Ainda no afin está uma série de aposentos e um deles abriga as reuniões da sociedade secreta Ogboni composta por representantes das instituições da cidade, femininas e masculinas. 



Escultura do casal em bronze unidos pelos elos da corrente (sucessão de descendência)
Foto disponível na internet

A cidade com o portão possuía elevados muros em seu entorno.
O culto à Oduduwa caracteriza a religião tradicional em Ile Ife. Oduduwa é o orixá patrono pertencente ao mito histórico da criação do mundo.
Também o culto à Orumila Baba Ifa faz parte da cidade. Os babalawo tem sua formação exponencial como sacerdotes do conhecimento dos misteriosos caminhos dos destinos.



Araba alto sacerdote do culto de Ifa.
Foto Marcos Kalish
Acervo M.A. Luz

São famosas as magnificas esculturas em terra cota e em bronze que constitui o patrimônio histórico e cultural de Ile Ife.
Também se destaca o Opa Oraniyan marco exponencial da origem do império yoruba.




Opa Oraniyan, Mestre Didi em Ife
Foto Disponível na internet

A cidade também abriga a Universidade de Ife com o importante papel de garantir e dar legitimação aos valores, as linguagens e instituições da tradição cultural yoruba.
Na década de 1980 o Caribean Visual Art Center de Nova York por iniciativa da dirigente Marta Moreno Vega reuniu importantes líderes da tradição religiosa africana.
Deoscoredes Maximiliano dos Santos Mestre Didi Alapini do Brasil, Julito Collaso Babalawo de Cuba, Max Beauvoir Ougan de Haiti, e Wande Abimbola Reitor da Universidade de Ife tiveram um encontro histórico e concordaram em repeti-lo de forma mais abrangente.


Ile Ife foi escolhida a cidade onde se realizou o encontro internacional em 1981 com a acolhida do OOni Ife



O Ooni Ifé Oba Okunade Sijuwade, Olubuse II.
Foto Marco Kalish
Acervo M. A. Luz

Das conclusões do magnifico encontro de lideranças da tradição ficou estabelecido por Ifa, a realização de novas Conferencias até complementarem sete ao todo.



Participantes da Iª Conferência Mundial da Tradição dos Orixá e Cultura em Ile Ifé.
Foto Marco Kalish
Acervo Marco Aurélio Luz

 Em 1983 Salvador foi  escolhida para sediar a IIIª Conferência Mundial da Tradição dos Orixá e Cultura sendo realizada com grande esplendor.