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PRODESE E ACRA



VIDA QUE SEGUE...Uma
das principais bases de inspiração do PRODESE foi a Associação Crianças Raízes
do Abaeté-Acra,espaço institucional onde concebemos composições de linguagens
lúdicas e estéticas criadas para manter seu cotidiano.A Acra foi uma iniciativa
institucional criada no bairro de Itapuã no município de Salvador na Bahia, e
referência nacional como “ponto de cultura” reconhecido pelo Ministério da
Cultura. Essa Associação durante oito anos,proporcionou a crianças e jovens
descendentes de africanos e africanas,espaços socioeducativos que legitimassem
o patrimônio civilizatório dos seus antepassados.
A Acra em parceria com o Prodese
fomentou várias iniciativas institucionais,a exemplo de publicações,eventos
nacionais e internacionais,participações exitosas em
editais,concursos,oficinas,festivais,etc vinculadas a presença africana em
Itapuã e sua expansão através das formas de sociabilidade criadas pelos
pescadores,lavadeiras e ganhadeiras,que mantiveram a riqueza do patrimônio
africano e seu contínuo na Bahia e Brasil.É através desses vínculos de
comunalidade africana, que a ACRA desenvolveu suas atividades abrindo
perspectivas de valores e linguagens para que as , crianças tenham orgulho de
ser e pertencer as suas comunalidades.
Gostaríamos de registrar o nosso
agradecimento profundo a Associação Crianças Raízes do Abaeté(Acra),na pessoa
do seu Diretor Presidente professor Narciso José do Patrocínio e toda a sua
equipe de educadores, pela oportunidade de vivenciarmos uma duradoura e valiosa
parceria durante o período de 2005 a 2012,culminando com premiações de destaque
nacional e a composição de várias iniciativas de linguagens, que influenciaram
sobremaneira a alegria de viver e ser, de crianças e jovens do bairro de
Itapuã em Salvador na Bahia,Brasil.


domingo, 14 de abril de 2019

KALÉ BOKUN RIQUEZAS DA NAÇÃO IJEXÁ

Por Jaime Sodré


Líder sacerdotal a Iyalorixá do Ile Ase Kalé Bokun
Imagem disponível na Internet

                                                  A compreensão da composição da nossa civilidade passa por conhecimento dos elementos componentes da nossa formação. O “elemento afro” é fundamental para saber o que somos. A venerável ialorixá Estelita Lima Calmon, no espaço de Olorum, está radiante, chegara a ela, em junho de 2016, o documento que deu início ao tombamento do Terreiro Ilê Axé Kalè Bokùn – “terras das riquezas profundas”, raro templo da nação ijexá.

 O Ojá indica a árvore sagrada
Imagem disponível na Internet

Segundo a Ialorixá Vânia Amaral, “ela assinou a notificação e no dia seguinte descansou”. O templo localiza-se a 85 anos, em Plataforma. Ao receber a notificação, cantara para Ogum, nos informa Leonel Monteiro, presidente da Associação Brasileira de Preservação da Cultura Afro-Ameríndia - AFA.
A Fundação Gregório de Mattos (Fernando Guerreiro) considerara o terreiro como Patrimônio Cultural da Cidade do Salvador, o primeiro ijexá com esta honraria, Evidenciando aspectos histórico, cultural, religioso e afetivo, o tombamento possibilita a preservação do patrimônio físico e os saberes ancestrais como um potencial instrumento de proteção.
Para efetivação deste reconhecimento atuou  o professor e pesquisador da Universidade Federal da Bahia, Vilson Caetano, louvamos a sua apurada pesquisa sobre os ijexás, que tem como raízes a região da Costa Oeste, próximo a Nigéria, povo de língua iorubá, guerreiros e intensa participação feminina. Em Salvador, instalaram-se no Dique do Tororó, Mata Escura e Vasco da Gama. No século XIX, foram para a Península Itapagipana.

Espaço público sagrado
Imagem disponível na Internet

Expressamos nossas reverências ao ilustre fundador e primeiro babalorixá do Kalè Bokùn, Severiano de Logun Edé. Os ijexás nunca se esqueceram de Oxum, considerando a água como elemento primordial do culto afro-brasileiro. A expressão ijexá, leva-nos ao ritmo homônimo, vinculado amplamente com o carnaval de Salvador, saiam à rua levando o seu tambor, percutido por mulheres.

Ilu ijexa
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Para Milena Tavares, competente diretora de Patrimônio e Humanidades, da Fundação Gregório de Mattos, “o terreiro preserva aspectos construtivos de época e mobiliário antigo, além de elementos singulares ao culto ijexá”. Levando em conta o seu conjunto de divindades tem Logun Edé e Oxum como orixás principais, Oxalá (Benção) é o patrono da casa, porque a ialorixá de Severiano era filha deste orixá.
Dentre as atividades do terreiro, destacamos o Geledé, somente  de mulheres, a ebomi Marcia afirma que por ser interno e sigiloso, não pode revelar detalhes do culto,  é a sociedade das Iyàmìs, entidades femininas.
Jubilosos estamos todos e em coro com a ebomi Tânia Bispo, dizemos: o terreiro Ilê Axé Kalè Bokùn  é “um útero que acolhe. O ijexá é a terra da água, do colo e do amor”.



Oxum

terça-feira, 9 de abril de 2019

Narcimária Luz é entrevistada da EDUFBA.





Entrevista concedida no a  Lorena Reis para o Espaço do Autor da Editora da Universidade Federal da Bahia a propósito do livro Itapuã da Ancestralidade  Africano-Brasileira (01/07/2012)




Narcimária Correia do Patrocínio Luz, autora do livro Itapuã da ancestralidade africano-brasileira, no bate-papo com a Edufba,  fala sobre esta obra, uma pesquisa sócio-histórica atrelada à arqueologia envolvendo o bairro de Itapuã. Além disso, nos conta sobre sua relação com o bairro em que viveu durante sua infância e adolescência e os motivos que a levaram a realizar este trabalho.
Narcimária Correia do Patrocínio Luz é doutora em Educação, pesquisadora no campo da Educação Comunicação e Comunalidade Africano-Brasileira, além de coordenadora do Programa Descolonização e Educação – PRODESE, grupo de pesquisa que vem se destacando pelas iniciativas junto às comunidades tradicionais na Bahia.

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Edufba – No mês passado, você lançou o livro Itapuã da ancestralidade africano-brasileira. Como foi o processo de concepção desta obra?

No período de 2006 a 2008, fiz um estágio pós-doutoral na Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, intercambiando com o professor Muniz Sodré. É no âmbito desse intercâmbio com Muniz que me dediquei a estudar e desenvolver uma arqueologia sócio-histórica de Itapuã. A principal motivação no processo de concepção do livro foi perceber que a Itapuã apresentada por mim aos meus filhos ou jovens que nasceram no final dos anos 1980 e  anos 1990 soa como um lugar que não existe mais. Isso me impressionou muito, porque realmente a Itapuã a qual me refiro está no meu coração, no que aprendi a sentir e identificar desde menina. Eu sei onde está a pedra ancestral-Itapuã. Mas se perguntar para  alguma criança ou jovem que moram no bairro hoje, eles identificam o farol de Itapuã que simboliza a expansão mercantil escravista, sabe até onde está a Plakafor, representando o processo de “americanização urbanística” refletida na construção, da Estrada Velha do Aeroporto, a Avenida Otávio Mangabeira, referência dos valores urbano-industriais do pós-guerra que infelizmente tornaram-se hegemônicos; mas não sabem onde está a “pedra que ronca” e nem o valor simbólico milenar que ela carrega. Conversando sobre isso com meus pais que são educadores e vivem em Itapuã desde os anos 1960, nos demos conta de que realmente quem conheceu aquela Itapuã dos vínculos de sociabilidade africano-brasileira adornada pelas dunas, lagoas, matas, o mar e o Mercado de Peixe não a reconhece no contexto frenético urbano-industrial que  restringiu a vida desse lugar tão especial. Então,como educadora, fui motivada a desenvolver ensaios que aproximassem crianças e jovens da ancestralidade africana que rega  os vínculos de  sociabilidade em Itapuã, herança dos povos que constituem a formação social das Américas.
Durante todo o processo da escrita, motivações institucionais deram-me ânimo para prosseguir os estudos. Fui contemplada na época com uma bolsa de Pós-Doutorado Sênior pelo Conselho de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Bolsa para Autores com obra em fase de conclusão, concurso promovido pelo Ministério da Cultura (MinC) através da Fundação Biblioteca Nacional (FBN), que reconheceu excelência da abordagem literária e técnica apresentada. Ressalto a atenção da Fundação Pierre Verger, que me deu acesso ao rico acervo de fotos sobre o cotidiano dos pescadores em Itapuã dos anos de 1940. O Arquivo Nacional no Rio de Janeiro também foi uma fonte importante no acesso a documentos sobre Educação.Vale mencionar também o apoio e incentivo da EDUFBA ao acolher o livro, acreditando no valor e importância da abordagem que apresentei trazendo a História da Bahia através do universo simbólico da ancestralidade africano-brasileira representado por ITAPUÃ.

Edufba – No prefácio desta obra, escrito por Marco Aurélio Luz, é possível perceber a sua intimidade com o bairro de Itapuã. Como você descreveria a sua relação com o bairro?

Marco Aurélio foi um grande incentivador no processo da escrita do livro e o primeiro a ler meus escritos.Vivo e respiro Itapuã desde  os seis anos de idade, envolta do legado de  saberes e valores dos nossos ancestrais africanos. Daí foi saboroso escrever (re)visitando lembranças e lugares da minha infância e juventude. Não posso deixar de registrar que também tive que pesquisar muito em arquivos, registros iconográficos, entrevistas com personalidades antigas e lideranças expressivas no bairro. A casa onde morei nos anos de 1970, em frente à Lagoa do Abaeté (Parque Metropolitano do Abaeté), transformou-se na Associação Crianças Raízes do Abaeté (ACRA), uma iniciativa socioeducacional que visa à implantação de condições infraestruturais que otimizem a legitimação dos valores comunais do bairro de Itapuã e, através dessa ação, promover o desenvolvimento físico-emocional de crianças, jovens e suas famílias base das projeções de futuro dessa territorialidade. A ACRA é um dos Pontos de Cultura reconhecidos pelo MinC. Na ACRA, encontrei um espaço importante para fazer repercutir os resultados das pesquisas que venho realizando sobre Itapuã, envolvendo a equipe de pesquisadores do Prodese, grupo de pesquisa que coordeno e que integra o Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq. Foi assim que nasceu o projeto de extensão “Dayó: afirmando a alegria socioexistencial em comunalidades africano-brasileiras”, indicado como semifinalista entre os vinte melhores da 8ª Edição do Prêmio ITAÚ UNICEF 2009. O Dayó dedica-se a regar o cotidiano da ACRA, com os valores e linguagens que venho apresentando sobre Itapuã, envolvendo atividades a exemplo da capoeira, arte do grafite, teatro, exibição de vídeos, excursões, exposições de artes plásticas, publicações, palestras, oficinas com crianças, jovens e professores das escolas públicas através da Biblioteca Viva e o blog que os pesquisadores do PRODESE criaram, alimentando aspectos da sociabilidade africano-brasileira que caracteriza a história e o viver cotidiano de Itapuã.

Edufba– Um dos capítulos de Itapuã da ancestralidade africano-brasileira aborda aspectos do sistema educacional, destacando referências sobre as políticas implementadas no Brasil. Como elas repercutiram em Itapuã?

O conjunto de entrevistas nos permitiu obter uma narrativa sócio-histórica, envolvendo descendentes das famílias fundadoras de Itapuã, os mais velhos que nasceram nos anos 1910, que nos ajudaram a obter algumas impressões conhecendo aspectos sobre as Casas de Mestres organizadas para abrigar meninas e meninos e ensiná-los as primeiras letras, aritmética… Professores que participaram da implantação das primeiras escolas públicas em Itapuã na década de 1950 e 1960. Através de entrevistas que permitiram uma análise particular sobre a educação no Brasil e a Bahia nesse cenário, aderindo ao projeto de implantação da ordem capitalista e, com ela, a institucionalização de políticas na área de Educação voltadas para as relações imperialistas de mundo. Itapuã sofre o impacto desses valores do mundo tecnocapitalista e as escolas públicas do bairro vão fundamentar seus currículos em narrativas etnocêntricas que calam sobre a alteridade civilizatória africana característica do lugar. Lembrando que nas escolas públicas de Itapuã nos anos 1950 e 1960 (décadas de implantação das escolas vinculadas a iniciativas do Rotary Clube e Base Aérea), a população de crianças e jovens que as frequentavam (e ainda frequentam) eram filhos de pescadores, lavadeiras, ganhadeiras descendentes de africanos.

Edufba – Diante do universo simbólico que permeia o bairro de Itapuã, quais aspectos da cultura africana se mantêm mais fortes?

Há todo um universo simbólico que organiza o viver cotidiano através de formas de comunicação, dando forma às narrativas de elaboração de mundo. É um patrimônio milenar africano riquíssimo! Chamo atenção para a religião tradicional africana, re-ligare, uma forma de estar no mundo se desdobrando nas celebrações referentes à visão sagrada de mundo expressas na entrega de oferendas à Yemanjá no mar e outros espaços míticos como a Lagoa do Abaeté. Ainda o entrelaçamento do repertório tradicional dos pescadores, ganhadeiras e lavadeiras de Itapuã através de cantigas e contos que constituem o tecido de histórias que acumulam narrativas valiosas sobre os princípios fundadores da comunalidade; classificação dos peixes no mar de Itapuã; tecnologia da confecção de redes, o uso de canoas, saveiros e jangadas, a arquitetura e estética urbana africano-brasileira; a culinária tradicional africana. Enfim, uma infinitude de valores e linguagens que emocionam!

Edufba – Você coordena o Programa Descolonização e Educação (PRODESE/UNEB). Pode falar um pouco sobre o trabalho desenvolvido neste grupo?

O PRODESE não foi uma escolha. Foi uma precisão, um caminho necessário para exatamente transitar,caminhar por territórios outros em “casa alheia”, sem ter de perder a identidade, sufocada por uma educação neocolonial.
O Grupo desenvolve produções científico-acadêmicas que enfatizam o direito à alteridade civilizatória africano-brasileira, fomentando estudos e atividades de pesquisa, ensino e extensão. Participam do PRODESE pesquisadores do Brasil e de Universidades estrangeiras que produzem participações criativas, com vistas a superar as perspectivas ideológicas neocoloniais que tendem a estruturar as políticas de educação no Brasil, além de elaborar e difundir conhecimentos referidos ao patrimônio civilizatório africano no Brasil. O Grupo tem na sua base de dados cerca de 50 (cinquenta) pesquisas desenvolvidas pelos seus membros, tornando-se referência nacional, através de publicações de livros, capítulos de livros e enciclopédia, artigos em revistas, participação em programas de TV e rádio, dissertações e teses. Vale destacar que muitos conceitos produzidos no âmbito do grupo são referências semânticas consolidadas na área de Educação e Comunicação, contribuindo de modo significativo para a afirmação das tradições e valores das comunalidades africano-brasileira. Um dos canais de divulgação da produção do grupo tem sido o blog da ACRA – Associação Crianças Raízes do Abaeté. Convido todos a conhecerem o blog que apresenta muito das nossas produções.

Edufba– Para quem você recomendaria a leitura do livro Itapuã da ancestralidade africano-brasileira?

É um livro que conta um pouco da História do Brasil, da Bahia e do Nordeste. Gostaria que  gerações de brasileiros, nordestinos, principalmente  baianos, conhecessem sua história através do valor da ancestralidade africana que atravessa as nossas vidas. Há um grande equívoco pensar ancestralidade apenas como uma carga genética! Ancestralidade não é apenas uma sucessão genética. Meu livro procura demonstrar que a  ancestralidade se caracteriza sobretudo por representar as lideranças comunitárias que se dedicaram em vida ao bem estar da família, linhagem, comunalidade através da manutenção e preservação dos valores e linguagens que sustentam o bem estar e destino individual e coletivo. Ancestral é, portanto aquele ou aquela que em vida deu continuidade e garantiu a expansão da memória da sua comunalidade. Itapuã é considerada um ancestral fundador de comunalidades africanas.
Itapuã é uma ilustração, um exemplo do que aconteceu e acontece no nosso país desde o século XVI. No livro procuro contar o impacto das relações de prolongação colonial e neocolonial que vem tragando a vida do nosso povo. Em artigo recente publicado no Jornal A Tarde (15/06/2012), refiro-me à teia dos valores que tendem a transformar a Bahia numa metrópole, extensão geopolítica e expansionista de alguns Estados Nacionais com suas supremacias étnicas e territoriais. Estamos assistindo a imposição de um mercado global, que cria cenários alegóricos forjando um novo sujeito social: o produtor, consumidor, refém das leis do capital. O livro Itapuã aborda a riqueza de valores da civilização africano-brasileira através da “pedra que ronca” demonstrando a recusa permanente à geografia civilizatória racista europocêntrica.
Com a exigência da Lei 10.639/03 do ensino da História da África e Afro-brasileira nas escolas, o livro constitui um canal importante para educar professores, contribuindo com abordagens teóricas e epistemológicas que fundamentem suas práticas.

Edufba – Deixe uma mensagem para os leitores da EDUFBA.

Para os povos que têm o seu viver cotidiano atravessado por tragédias, desdobramentos das relações de prolongação colonial e neocolonial que tendem a sugar sua dignidade, direito à existência e a exercer a sua alteridade civilizatória, e de manter erguidas as dinâmicas territoriais que os organizam, as questões apresentadas no livro Itapuã da ancestralidade africano-brasileira assumem um significado extraordinário. O que está em jogo é a continuidade, a descendência que constitui perspectivas de futuro do patrimônio civilizatório característicos de muitos povos. A Bahia, de modo especial Itapuã, carrega a identidade profunda das civilizações milenares das Américas e África.
Aproveito esse espaço para repetir o que sempre digo nas minhas aulas na graduação e pós-graduação: continuemos a cultuar nossas origens, nossos ancestrais, envolvendo nossas crianças e jovens, animando-os a erguerem a cabeça e terem orgulho de ser e pertencer as suas comunidades, que ao longo dos séculos se dedicam a manter a pulsão de vida para que a Bahia não acabe.
Itapuã é uma territorialidade que faz transbordar esse orgulho de ser, e ainda há tempo para que nós educadores identifiquemos essa força de sociabilidade africano-brasileira que atravessa Itapuã.



sábado, 6 de abril de 2019

Homenagem à Makota Valdina

           Homenagem de grafiteiros à líder religiosa Makota Valdina Pinto

quarta-feira, 27 de março de 2019

MASCULINIDADE E FEMINICÍDIO

Por Marco Aurélio Luz                                      
Para Lélia de Almeida eterna lembrança

Escultura em bronze representando o casal unido por elos, corrente de ancestralidade. 
Símbolo da sociedade secreta Ogboni que reune líderes de instituições de poder feminino e de poder masculino no universo civilizatório nagô.
Imagem disponível na Internet

                         
 Acompanhando os ensinamentos de Sigmund Freud, tentaremos explicar algumas razões do inconsciente da masculinidade e feminicídio.
Uma lógica do inconsciente se baseia no par de oposição DA(aí) e FORT(lá) ou  presença e ausência. Trata-se da situação do nascituro nos inícios de sua vinda ao mundo integrado ao corpo da mãe, e totalmente dependente dela para viver. Trata-se do mistério da transformação do corpo da mulher na gestação e em fonte de alimentação amor e proteção.
A presença da mãe (DA) gera satisfação e plenitude ao recém-nascido ao contrário da ausência (FORT), causa desprazer carência e desespero. Essa é a dinâmica de uma simbiose prolongada.
Poderíamos intuir que estamos diante da tomada de consciência do mistério do existir, vida e morte. Na mitologia grega, Eros Deus do amor e Thanatos Deus da morte, conceitos usados na psicanálise.
Os seres humanos têm consciência desse ciclo natural, mas tentam retardar ou ludibriar a morte. Eros x Thanatos, pulsão de vida contra a pulsão de morte.
Uma das maneiras é a onipotência, como se o poder frente aos outros, garantisse a ausência da morte. É a situação apresentada no célebre escrito de Freud “Totem e Tabu”, que apresenta a “horda primitiva” presente no solo imaginário do inconsciente. Trata-se da luta instalada no grupo para erigir o macho vencedor como aquele que terá o direito a procriação com todas as fêmeas, o que gera tensões e disputas constantes, até que o mais potente atinja a impotência, Eros dá a vez a Thanatos dando início a um novo ciclo e assim sucessivamente.
Toda essa demonstração de violência física das disputas, têm a finalidade de aterrorizar as fêmeas, isto porque essas detêm o formidável poder da procriação que constitui a inexorável complementação sem a qual a masculinidade perderia sentido.


Egito negro faraônico. O casal Miquerinos e Kamerernebti II . 
Imagem disponível na internet 
No caso das sociedades humanas atualmente em geral, vemos a tentativa de os grupos masculinos deterem os poderes políticos da organização social alijando desse comando os grupos femininos. Como disse Mao Tse Tung “o poder está na ponta dos fuzis”.
Mais do que isso, procuram subjugar e colocar as mulheres ao seu dispor para aplacar sua angústia de dependência desde o nascimento. Para isso, tentam colocar ao seu dispor o corpo da mulher.
O patriarcado que predomina no mundo vem sofrendo questionamentos. Movimento de mulheres e novas atitudes de empoderamento feminino tem causado diversas reações. A masculinidade despreparada e desesperada, tenta apelar para tentativas de submeter as mulheres pela força física e a covardia. Consequência da neurose de abandono.
As estatísticas de feminicídio aumentam a cada dia, muito triste.
A superação da simbiose agora neurótica, “homem infantil” e “mulher mãe” é que poderá engendrar através da elaboração de luto dessa situação a constatação da alteridade homem e mulher. 


Tradição nagô; escultura dos Ibeji, Tayo, Keinde e Dou.
Imagem e escultura de M.A. Luz
Cada qual revestidos da riqueza da complementação asseguram a continuidade do existir da espécie .



sexta-feira, 8 de março de 2019

METAMORFOSES DAS ESCOLAS DE SAMBA





                                                 Unidos da Tijuca 2014
                                                      Foto disponível na Internet

Por Marco Aurélio Luz Oju Oba

As Escolas de Samba do Rio de Janeiro surgiram na ambiência da casa de Tia Ciata, Omo Oxum e Iya Kekere, em meio aos desfiles de Ranchos.


Tia Ciata Iya Kekere do terreiro de João Alaba fundado por Bangbose Obitiko.
                         Foto disponível na Internet
Hilário Jovino Ferreira, Lalu de Ouro, Ogã da casa de João Alaba, transferiu a data de saída de seu rancho, o Rei de Ouro, de 6 de janeiro para os dias de carnaval, com   transformações e adaptações a exemplo das novas figurações de Mestre Sala, Porta Bandeira, porta machado e batedores.
                                         Hilário Jovino Ferreira, Lalu de ouro, Ogan
                                           Foto disponível na Internet
Além disso, a formação dos ranchos, tinha comissão de frente, mestre de harmonia, canto e coreografia. Estava lançada então, a semente das Escolas de Samba.
Quando Ismael Silva e outros acrescentaram a percussão, estava instalado os pilares desse processo criativo. 
 

  Ismael Silva que fundou  a Deixa Falar, primeira Escola de Samba
                         Foto disponível na Internet
Novas agremiações se formaram e desfilavam na legendária Praça XI num grande congraçamento que Heitor dos Prazeres classificou de “Pequena África”.
Com o “bota abaixo” do prefeito Pereira Passos e o fim da Praça XI, os desfiles se deslocaram principalmente para a Av. Rio Branco onde estava o Jornal do Brasil.  
Toniquinho um funcionário do Teatro Municipal, resolveu encenar na Escola de Samba a ópera Aída. Conseguiu potentes faróis da Marinha e postou-se em frente ao Jornal do Brasil. O jornalista Mário Filho impressionado, idealizou e deu início aos concursos e premiações dos desfiles. Estava postado o “ovo da serpente”: a combinação da linguagem teatral com a linguagem da mídia.
Mestre Cartola mais adiante sentenciou: “as Escolas de Samba se transformaram em teatro ambulante".


             Angenor de Oliveira, o Mestre Cartola líder da Mangueira
                        Foto disponível na Internet
A entrada da TV nos desfiles, vai alterar bastante a dimensão da linguagem estética comunitária fundadora das Escolas de Samba. O valor realçado pela televisão aos desfiles, ficou vinculado as dimensões visuais espetaculares em detrimento da estética original, impondo a linguagem do espetáculo criando “especialistas” que irão referendá-la nos concursos.
É neste caudal que se afirmam os carnavalescos mais próximos de Escolas de Samba de menos tradição. Fantásticos carros alegóricos, números circenses e personagens do mundo da indústria cultural ganham espaço e poder nos desfiles, diminuindo a presença da comunidade.
Transformam a ala das baianas e a comissão de frente criação da Portela, originalmente formada pelos dignitários da Escola, espaços fundamentais em homenagem à tradição. O samba sofre transformações na música e na dança.
As agremiações mais tradicionais tentam manter uma referência da identidade original escolhendo temas que constituam uma “ópera negra”.
                  Nesse ano o Salgueiro se aproximou com o tema Sango seu orixá patrono, inclusive recebendo uma carta do Alaafin rei de Oyó.
IMAGEM DISPONÍVEL NA   INTERNET
Todavia, apesar da excelência do samba enredo e da bateria, o cortejo foi envolvido pela ideologia do “sincretismo” que comprometeu e prejudicou a apresentação. 


quarta-feira, 6 de março de 2019

Sincretismo Prejudica o Salgueiro

                                           PEDRA DE XANGÔ
Foto disponível na internet

No desfile das Escolas de Samba no carnaval infelizmente a ideologia do sincretismo  religioso prejudicou e comprometeu o cortejo do Salgueiro que seria sobre Xangô

                                                 M.A. Luz. 
                                                 OJU OBA
                                    


                                          Desfile do Salgueiro

Foto disponível na internet

domingo, 3 de março de 2019

�� SALGUEIRO 2019 | CLIPE OFICIAL (Official Music Video)

ALAAFIN OYO CONGRATULA-SE COM SALGUEIRO




OFÍCIO DO REI DE OYO
“Cultura é o principal Magistrado da Vida do Homem”
Sempre em Defesa da Herança Histórica Yoruba

Aafin Oyo
Estado de Oyo
Nigéria                                                             Data: 25 de fevereiro 2019

G.R.E.S. Academicos do Salgueiro
Prezados Senhores


Eu estou por ordem de Sua Majestade Oba.(Dr.) Lamidi Olayiwola Adeyemi III, o Alaafin de Oyo, o guardião supremo da história e dos costumes da terra de Yorubá para estender as nossas saudações à equipe do Salgueiro.

Sua Majestade Imperial, através desta congratula-se com todos os membros do Salgueiro por acolherem nosso grande Sangó para o Grande Desfile do Carnaval 2019.

Òrisà Sàngó era a religião nacional de todos os Yorubas durante a época do grande Império de Oyo. Além disso, a mítica história do Òrisà Sàngó envolve o terceiro Alaafin de Oyo, que acreditava-se ser a encarnação física de Òrisà Sàngó. Seus poderes míticos foram usados através da energia do trovão e das tempestades.

Uma palavra de apreço é enviada para todos vocês por meio dessa carta por promoverem os valores representativos dos nossos ancestrais africanos e continuarem a manter a memória deles viva.


Por favor aceitem a certeza das maiores saudações.


Principe Totoola Adeyemi

Principal Secretário Privado

Do Alaafin de Oyo 





domingo, 24 de fevereiro de 2019

O NASCIMENTO DO ILÊ AXIPA


   Por Marco Aurélio Luz
                          
Mestre Didi Asipa Alapini Ipekun Oiye em visita ao idile Asipa em Ketu num reencontro histórico.
Foto: Disponível na Internet
                                             

                                        


Painel decorativo na entrada do ile Asipa destacando-se cetro de Obaluaiye alto relêvo de Mestre Didi.
Foto M. A. Luz

O destino e a trajetória de Deoscoredes Maximiliano dos Santos Mestre Didi Asipa Alapini o levaram nos inícios dos anos 80 a realizar um sonho que tivera quando jovem, de que seria o fundador de uma aldeia.
Agora com títulos de suma importância na tradição religiosa nagô ele também estava encarregado de zelar pela continuidade dos legados sagrados reunidos da família  idilé Asipa, os do antigo culto aos egungun no Tun Tun de seu antigo Mestre Marcos Theodorio Pimentel Alapini  incluindo o culto de Baba Olukotun, Olori Egun, o cabeça dos egungun, e os de Miguel Sant´Anna, Ojé Orepe e Zaba o mais alto sacerdote do culto a Idako da tradição Tapa Nupe. 


Baba Olukotun Olori Egun que foi trazido da África por Marcos Pimentel Alapini e seu pai Marcos O Velho
Foto disponível na Internet


Miguel Sant´Anna Oje Orepe e Zaba sacerdote supremo de Idako do culto Gunuko de origem Tapa Nupe.
Foto disponível na Internet


Inspirados na experiência de Mestre Didi então Asogba e Oje Korikowe Olukotun Olori Egun na constituição dos estatutos da Sociedade Cruz Santa do ile Ase Opo Afonja, com a participação de Marco Aurélio Luz Osi Oju Oba e Otun Elebogi, foi elaborado o estatuto do Ile Asipa, constando de um conselho superior e de diretoria.
No dia 15 de fevereiro de 1981 foi feita nova reunião quando foram aprovados os estatutos, instalado o conselho superior e eleita a diretoria da sociedade religiosa e cultural, Ilê Asipa.
O conselho superior ficou constituído dos seguintes membros:
Deoscoredes Maximiliano dos Santos – Presidente
Acyr Braz da Cunha – Vice-Presidente
Genaldo Antonio dos Santos
Marco Aurélio Luz
José Felix dos Santos
Paulo Sant’Anna Sobrinho
Henrique Sérgio Melman
Muniz Sodré de Araujo Cabral
Osmar Plinio de Souza
Na ocasião ficou estabelecido que a primeira obrigação a ser feita seria a de 14 anos de falecimento da Asipa Maria Bebiana do Espirito Santo, Mãe Senhora, Iyalorixá Oxun Muiwa Iya Nassô.



Mãe Senhora Iyalorixá Oxun Muiwa, Iya Naso da linhagem Asipa, Iyalorixá do Ase Opo Afonja e Iya Egbe do ile Agboula.
Foto: Pierre Verger disponivel na Internet


A fruta só dá no tempo” sempre dizia Mestre Didi, e havia chegado a hora. Em contato com os amigos Wolf Reiber e Cidelmo Teixeira na CONDER mapearam alguns espaços da prefeitura e foram verificar in loco.
Apresentaram uma área nas imediações da Av. Orlando Gomes,cujo acesso era uma rua de um lado o mato até um rio e de outro clubes de sargentos, yoga, funcionários da prefeitura. Após o rio, o mato de capim com chão arenoso e num pequeno relêvo muita piaçava, cajueiros, dendezeiros e cansanção. Num outro extremo também outro rio e após terrenos de plantações de posseiros.
Adiante ficava a antiga fazenda em amplo terreno da prefeitura arrendado à família Viscos de um lado, de outro uma outra fazenda de criação de gado leiteiro, essa ainda em atividade e  produção.
Entrando em contato com políticos da época depois de várias tratativas para pleitear pela doação do terreno junto ao novo prefeito.
O presidente Deoscóredes Maximiliano dos Santos Alapini empenhou-se, com a ajuda dentre outros de sua esposa Juana Elbein dos Santos e Marco Aurélio Luz, até que finalmente com as graças de Xangô e dos Egun Agba foi assinado no dia 31/01/83 a permissão de uso para o terreno pelo prefeito Renan Baleeiro juntamente com o chefe de gabinete da SEAO e duas testemunhas.


Localização do Ile Asipa
Foto M. A. Luz


 No decorrer deste tempo ocorreu a ocupação da área , a chamada invasão das Malvinas incluindo o terreno do ilê Asipa.
Somente após a desocupação e transferência dos moradores para Coutos, foi então demarcada a área do Ilê Asipá, e formalizada em certidão expedida pelo chefe da seção de bens e Imóveis da prefeitura em 19/10/83.
Poucos dias depois o terreno foi todo cercado, arcando a sociedade com as despesas de material e mão de obra, registrando - se o fato que os barrotes foram doados pela firma Melman Osório através do irmão Henrique Melman. O Alapini, Marco Aurélio Luz e Genaldo Novaes participaram do trabalho exaustivo de construção da cêrca e  que ainda contou com a colaboração do transporte dos barrotes de Eurico Elegjibe.
 Após a sacralização da área com a presença dos novos integrantes, iniciaram-se  os tempos de construções.
Primeiramente o Alapini construiu o ojubo Ilê Ibo Agan. 

Ile Ibo Agan local consagrado aos ancestrais e atrás o bambuzal de assentamento de Idako entidade do culto Gunoko de origem Tapa Nupe
Foto M. A. Luz

Mutirão dos participantes do ile Asipa na construção de taipa.
Foto Acervo M. A. Luz



Depois da casa do caseiro de taipa, vieram as construções de bloco, a de adoração dos Egungun os ancestres masculinos, as dos orixá  e o ilê nla o local das cerimônias publicas.


No relêvo mais baixo  o ile esan casa de adoração dos Egungun com colunas e parede adornadas de figuras em alto relêvo.
Foto: Acervo M.A.Luz

Elexin o cavaleiro fundador de novas cidades, Ekun o leopardo símbolo de poder e comando e odo  o pilão símbolo de transformação; adornam a fachada do ile esan.
Foto e esculturas: M. A. Luz




Ile Orixa casa de adoração aos orixa. Quarto de Xango Afonja orixa patrono, Aira, Ogodo e outros, Ode, Obaluaiye, L'Ogun Ede. Quarto das Aiya agba, Iyemoja, Oxun, Nanan, Aje, Iyansan...Quarto de Obatala. Alto relêvo de igbin de Oscar Ramos e carta O e da escultura Iwin Igi do Alapini adornam a fachada do ile orixá.
Foto M. A. Luz

Ile Nla local das cerimonias públicas
Foto M. A. Luz


A cozinha sagrada onde se processam os alimentos de acordo aos preceitos e fundamentos rituais.
Foto M. A. Luz


Foi construído um galinheiro com diversas aves ficando o Elebogi o responsável.


Awon pepeiye. 
Foto M. A. Luz 

As construções de acolhimento dos integrantes do ilê encerraram esse período.




Ile ijoiye. Casa que abriga os(as)integrantes durante as cerimônias religiosas. Vendo-se a bandeira no topo do mastro indicando o espaço sagrado. 
Foto: M. A. Luz

Com a botada do mastro da bandeira branca com o símbolo do ilê Axipa que indica o local de culto religioso da tradição afro brasileira estava inaugurado o terreiro.
Com o passar dos anos a paisagem do entorno foi se modificando, a pinguela que dava acesso ao terreiro foi substituída por uma ponte de pedestre e por fim a ponte de passagem de automóveis. Foram realizados movimentos de terraplanagem, e indenizados os posseiros para a realização do projeto Minha Casa que não foi concretizado em sua integralidade. Hoje vários condomínios integram a paisagem, a invasão das Malvinas por outro lado transformou-se no bairro da Paz.
Durante esse tempo o Ilê Asipa estabeleceu e realiza o seu calendário de cerimônias religiosas regularmente.



Primeira confirmação dos ijoye obirin no Ile Nla em 1994
Foto : M. A. Luz
  
No dia 1º de cada ano é revelado aos participantes o ebo odun de acordo com o odu.
No dia 6 são as cerimonias do festival de Baba Olukotun Olori Egun. Egungun de origem nagô yoruba trazido da África por Marcos Alapini e seu pai Marcos O Velho no século XIX. 
Nessa ocasião também é feita a cerimonia de oferenda a Idako entidade do culto Gunoco de origem Tapa Nupe.
No dia 24 de junho são as cerimonias do festival de Baba Alapala ancestral relacionado ao fogo origem das sociedades humanas.
No dia 19 de julho são as homenagens a linhagem Asipa.
No dia 2 de novembro é o festival em homenagem aos Oje sacerdotes do culto egungun. Também ocorre cerimonias em homenagem a Baba Akiola.
No dia 2 de dezembro são as cerimonias de oferendas ao Xango Afonja patrono da casa aos demais orixá. 



No dia 2 de dezembro ocorrem as comemorações do aniversário de Deoscoredes Maximiliano dos Santos, Mestre Didi Alapini.
Foto: Acervo M.A.Luz


Eku Odun oo.  Integrantes do ile Asipa homengeiam o aniversariante.
Foto M. A. Luz


"Baba Mogba Oga Oni Sango a nki o a nki o
Alapini ati Asogba a nki o a nki o"
Foto : Acervo M. A. Luz


Conjunto de Alabe do Ile Asipa.
Foto: Acervo M.A. Luz

 O ile Asipa se caracteriza como centro guardião e irradiador da mais lídima e excelsa tradição nagô, elo histórico fundamental do percurso de reposição da riquíssima tradição cultural da Bahia e do Brasil.



Visitantes ilustres são acolhidos no ile Asipa. Comitiva liderada pelo reitor da Universidade de Ife Wande Abimbola, Mestre Didi Asipa Alapini e Elefunde Juana Elbein dos Santos.
Foto: Acervo M.A. Luz

Odana  Dana, Iya Naso, Iyalorixá Oba tosi, da tradicional família Asipa originária de Oyo e Ketu foram fundadoras e primeiras iyalorixá do Ilê Axé  Aira Intilè depois Ilê Iya Naso. Marcelina da Silva Iyalorixá Oba Tosi , fez a iniciação de Maria Julia da Conceição Nazaré que depois fundou o Ilê Ase Iya Omi Ase Iyamase,e também de  Eugênia Ana dos Santos, Mãe Aninha fundadora do Ilê Axé Opo Afonja a Iyalorixá Oba Biyi.
Pode-se dizer que a história da tradição dos orixá na Bahia se confunde com a história da família Asipa no Brasil.

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Notas:

A linhagem Asipa, Idilé Asipa é originária de Oyo capital do antigo império yoruba /nagô. É uma das sete famílias fundadoras de Ketu. Em 1967 Mestre Didi teve um reencontro histórico em Ketu quando diante do Alaketu recitou o brasão oral de sua família: Asipa borogun elese kan gongo.

Alapini Ipekun Oye é um título originário de Oyo. Alapini detentor do título supremo. É o sacerdote que cuida dos Egungun do afin do palácio, dos ancestrais do império nagô/yotuba. Nos rituais de entronização do Alafin é fundamental a coroação de folhas de Akoko realizada pelo Alapini. No Brasil o título de Alapini foi atribuído a Marcos Pimentel quando trouxe Baba Olukotun Olori Egun o cabeça dos Egungun do mundo nagô.

Mãe Senhora Iyalorixá Osun Muiwa da família Asipa recebeu do alafin o título de Iya Naso Oyo Akalamabo Olodumare Ase Da Ade Ta.

Musica em homenagem à Mestre Didi cantada em seus aniversários. Saúda respeitosamente, a nki oo nomeando seus títulos. Baba Mogba Oga Oni Sango lhe foi outorgado pelo Alaketu rei de Ketu. Asogba sacerdote supremo do culto à Obaluaiye lhe foi outorgado por Mãe Aninha Iyalorixá Oba Biyi.