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PRODESE E ACRA



VIDA QUE SEGUE...Uma
das principais bases de inspiração do PRODESE foi a Associação Crianças Raízes
do Abaeté-Acra,espaço institucional onde concebemos composições de linguagens
lúdicas e estéticas criadas para manter seu cotidiano.A Acra foi uma iniciativa
institucional criada no bairro de Itapuã no município de Salvador na Bahia, e
referência nacional como “ponto de cultura” reconhecido pelo Ministério da
Cultura. Essa Associação durante oito anos,proporcionou a crianças e jovens
descendentes de africanos e africanas,espaços socioeducativos que legitimassem
o patrimônio civilizatório dos seus antepassados.
A Acra em parceria com o Prodese
fomentou várias iniciativas institucionais,a exemplo de publicações,eventos
nacionais e internacionais,participações exitosas em
editais,concursos,oficinas,festivais,etc vinculadas a presença africana em
Itapuã e sua expansão através das formas de sociabilidade criadas pelos
pescadores,lavadeiras e ganhadeiras,que mantiveram a riqueza do patrimônio
africano e seu contínuo na Bahia e Brasil.É através desses vínculos de
comunalidade africana, que a ACRA desenvolveu suas atividades abrindo
perspectivas de valores e linguagens para que as , crianças tenham orgulho de
ser e pertencer as suas comunalidades.
Gostaríamos de registrar o nosso
agradecimento profundo a Associação Crianças Raízes do Abaeté(Acra),na pessoa
do seu Diretor Presidente professor Narciso José do Patrocínio e toda a sua
equipe de educadores, pela oportunidade de vivenciarmos uma duradoura e valiosa
parceria durante o período de 2005 a 2012,culminando com premiações de destaque
nacional e a composição de várias iniciativas de linguagens, que influenciaram
sobremaneira a alegria de viver e ser, de crianças e jovens do bairro de
Itapuã em Salvador na Bahia,Brasil.


domingo, 21 de agosto de 2016

A REVOLTA DOS BÚZIOS: FORÇA E RESISTÊNCIA NA BAHIA




Imagem disponível na INTERNET
Por  Sergio Bahialista

 

Se aprochegue minha gente

Homem, menino, mulher

Saber dos heróis baianos

Que a história tentou perder

Esses grandes guerreiros

Ta na hora de aprender

 

Foi lá em 1798

Que essa luta começou

O povo revoltado

Logo Logo se juntou

Ideais com presteza

Da revolução Francesa

O povo se inspirou


 

Imagem disponível na INTERNET

A coroa portuguesa

Viu tamanha ousadia

E logo se arrumou

Pra acabar com essa folia

Do povo negro na luta

Por igualdade noite e dia


 

Imagem disponível na INTERNET




Os livros infelizmente

Pouco falam dessa ação

Uma revolta bem feita

Pelo povo negro, meu irmão Nossos heróis baianos

Deram sangue pela nação

 

Muitos eram alfaiates

Uma nobre profissão

O ideal de liberdade

Tomou seu coração

A coroa portuguesa

Só nos queria na prisão


 

Imagem disponível na INTERNET

Inconfidência baiana

Revolta das argolinhas

Revolta dos alfaiates

Eram os nomes dessa linha

Mas o nome de guerra

É revolta dos Búzios, Mainha

 

Os guerreiros da Batalha

São danados, meu rapaz

Lucas Dantas, Manoel Faustino

Só queriam a grande paz

Luiz Gonzaga, João de Deus

Lutaram pelos seus

Mostrando que é capaz


 

Imagem disponível na INTERNET




O ideal dessa revolta

Era igualdade social

Contra coroa portuguesa

Êta coragem genial

Esses quatro guerreiros

Comandaram o levante final

 

Com muita inteligência

O movimento acontecia

Com reuniões e emboscadas

Que o governo não sabia

A quase ,batalha do dique

Foi sucesso na Bahia

 
Imagem disponível na INTERNET


Só não foi adiante

Por conta da ação

De entregarem os locais

Que faziam organização

Dos guerreiros desta revolta pela nossa libertação

 

Os quatro foram capturados

E sofreram na Praça

Morreram enforcados

Na boca tinha mordaça

Mas sua luta até hoje

Nos inspira a lutar.

 Faça! !

 
Praça da Piedade em Salvador Final do século XVIII
Foto disponível na Internet


Na Praça da Piedade

Hoje tem homenagem

Aos heróis desta revolta

Com estátuas na passagem do povo que sempre lembra

Pois nunca será miragem.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

VISITA AO MUSEU AFRO BRASIL PARTE II: A DIMENSÃO HISTÓRICA DA INSURGÊNCIA E FIM DA ESCRAVIDÃO




                                                                                  Por Marco Aurélio Luz

Saindo do Feudalismo a Europa foi tomada economicamente pelo capital financeiro e comercial. Foi esse capital quem financiou o que se convencionou chamar de Grandes descobertas que irão constituir o colonialismo.
Todos sabemos das sagas de tentativas de descobrir o caminho para as Índias que redundaram na chegada à África e nas Américas.
A partir de então foi engendrado pelo capital financeiro o tráfico escravista combinado, com a produção e comércio de açúcar das Américas para a Europa, sendo a coroa portuguesa a principal protagonista dessa forma de exploração de vez que a coroa espanhola, contra parte do Tratado de Tordesilhas, se contentava e concentrava no esbulho do ouro dos Incas e dos Astecas não hesitando para isso em cometer o genocídio desses povos.
Em relação a coroa portuguesa , agora regida pela nova nobreza aliou-se ao pre-capitalismo nascente sem todavia desligar-se da estrutura feudal. Substitui os feudos por vastos territórios no Brasil, distribuídos para a nobreza servil, e a relação de trabalho dos servos foi substituído pelo trabalho forçado sob tortura dos africanos escravizados pelo tráfico escravista.

De início num regimento de 1520 exarado pelo rei D. Manoel há a seguinte recomendação aos emissários portugueses em direção ao reino do Congo: "Deus antes e acima de tudo, mas tenhais em mente também o ouro".





A tragédia da perda de tudo, de todas referencias sócio culturais e o sofrimento imposto pela escravidão
Imagem disponível na Internet


O tráfico escravista tornou-se a principal fonte de renda do comércio triangular de Portugal, da África para América para a Europa.
Imagem disponível na Internet


Estrutura dos navios do comércio escravista.
Foto disponível em:
http://agenteviaja.net/wp-content/uploads/2016/06/museu-afro-brasil-2.jpg



Instrumentos de trabalho do modo de produção escravista.
Foto disponível em:
http://operamundi.uol.com.br/media/images/museu%20afro%20brasil.jpg



Escultura em homenagem à Zumbi dos Palmares.
Foto disponível em:


O Quilombo dos Palmares foi um desdobramento sobretudo do reino do Ndongo da rainha Ginga. Ambos determinaram o fim do tráfico escravista Angola/Pernambuco e da produção açucareira na região do nordestina.
A exploração colonial se deslocou para Minas Gerais, "o ciclo do ouro"e, depois para Rio de Janeiro e São Paulo o "ciclo do café".

Também o tráfico escravista se deslocou para a África Ocidental, obtendo escravizados os prisioneiros da guerra entre o império yoruba/nagô principalmente na região do reino de Ketu, e o reino de Dahomé. Os portões da cidade de Ketu caíram em 1860.
Ao norte o império Yoruba em território fronteiriço à Oyo enfrentou a guerra com os fulani islamizados.
Nessa ocasião será a Bahia o porto de maior comercialização devido também ao fumo do Recôncavo muito apreciado nesse comércio com reinados africanos.
O Haiti, onde 95% da população era formada de africanos e seus descendentes, se destaca na comercialização do açúcar até que o processo de independência liderado inicialmente por Toussaint L´Ouverture,  culmina com a derrota das tropas de Napoleão para os combatentes quilombolas de Dessalines.



A religião se destaca no panorama histórico e cultural do Haiti.
Imagem disponível em:
http://haitiarteresistencia.blogspot.com.br/2014/12/pintura-voodoo.html



O mercado com a presença majoritária feminina segue a tradição africana no Haiti.
Imagem disponível em:
http://1.bp.blogspot.com/-VLlFaBqyQhQ/TbyGgYz1RsI/AAAAAAAAFGE/GhNquF6q_r0/s400/naif%2B31.JPG



Jean Jacques Dessalines, Líder da independência do Haiti.
imagem disponivel em:
http://www.educando.edu.do/UserFiles/P0001/Image/CR_Articulos_Educando/art/dessalines_300.jpg

A independência do Haiti muda a face do mundo colonial.

O império Britânico impõe a política de um novo processo colonial. Política não mais somente de exploração mas a constituição de colônias de exploração e povoamento de europeus. É a política de embranquecimento.
A nova forma de exploração inclui o fim da vinda de africanos para as Américas e a abolição da escravatura.
No Brasil a partir de D. João VI inicia-se a imigração europeia que prossegue pelo império e pela República.
No processo de abolição, de fim da escravidão muitos líderes se destacaram como Francisco Nascimento, Luiz Gama e José do Patrocínio dentre muitos outros que se aproveitam da conjuntura internacional favorável enfrentando a resistência interna dos escravocratas.


Francisco José do Nascimento, o Dragão do Mar nasceu em Canoa Quebrada no Ceará em 1839 e faleceu em Fortaleza em 1914. Foi líder jangadeiro e prático mor. Participou ativamente do movimento abolicionista. Liderou a recusa dos práticos jangadeiros em guiar os navios traficantes de escravos que iam ser negociados no sul do Brasil. Em 1884 o Ceará, foi a primeira província a proclamar o fim da escravidão no Brasil.



José Carlos do Patrocínio, José do Patrocínio nasceu em Campos R.J. em 1853 e faleceu em 1905 no Rio de Janeiro. Os caminhos do destino permitiram que se formasse na faculdade de medicina como farmacêutico, todavia foi como jornalista escritor e ativista político nas lutas abolicionistas pelo fim da escravidão que se destacou no panorama nacional. Teve intensa relações com republicanos e com líderes abolicionistas como André Rebouças, Joaquim Nabuco, e Lopes trovão dentre muitos outros.
Casou-se com a filha de um abastado militar que o auxiliou na compra do jornal Gazeta da Tarde e depois A Cidade do Rio. Ajudou na compra de Cartas de Alforria e fez campanhas pela abolição através dos jornais e com comícios, inclusive quando visitou o Ceará. Contam que foi com sua pena que a Princesa Isabel assinou a lei do fim da escravidão no Brasil em 13 de maio de 1888.



Luis Gonzaga Pinto Gama, Luis Gama nasceu em Salvador em 1830 e faleceu em S. Paulo em 1882. Filho de Luiza Mahim uma negra nagô livre, considerada líder que participou da chamada "Revolta Malê". Apesar de livre aos 10 anos foi vendido pelo pai e foi para S. Paulo. Com 17 anos obteve a sua liberdade através de alegações jurídicas e a partir de então tornou-se um ``advogado´´ dos perseguidos pela escravidão e pela pobreza. Lutou como jornalista pela abolição foi poeta, escritor  e orador.




Com a abolição foi constituído um novo mercado de produção e consumo sob a predominância neo- colonialista da Inglaterra. A política de embranquecimento atravessa o cotidiano da vida social e é construída a estrutura ideológica do racismo. Tanto nas formas de pensamento como de comportamento o Estado Republicano adotará políticas de discriminação.
A religião, fonte de valores de civilização e seus desdobramentos é perseguida pela ideologia do racismo e pela repressão policial.
Enfrentando as adversidades  o negro manteve suas tradições culturais e muitos se destacaram em variados setores da vida social.
Tantos e tantos dignos de menção neste Brasil afora, mas tivemos que escolher alguns mencionados no Museu Afro Brasil.



 

Eugênia Anna dos Santos, Mãe Aninha, Iyalorixá Oba Biyi, nasceu em Salvador em 1869 e faleceu em 1938, considerada uma das mais importantes sacerdotisas da tradição africano Brasileira. De origem Grúncis foi iniciada na religião nagô pela iyalorixá Oba Tossi, da linhagem Axipa, Sra. Marcelina da Silva uma das fundadoras do Axé Ayra Intilé, primeira casa da religião nagô, posteriormente denominada Ilê Iya Nasso, popular Casa Branca.
 Mãe Aninha foi a fundadora do Ilê Axé Opo Afonja no Rio de Janeiro e posteriormente em Salvador em 1910. Ela criou o corpo dos 12 Oba de Xangô conselheiros,  inspirada no corpo dos Mogba, ministros do Alaafin Oyo, rei de Oyo, capital do império yoruba/nagô. Mãe Aninha teve ao seu lado os mais importantes dignitários da tradição religiosa tanto do culto aos orixá quanto aos Egungun.
Foi Priora da irmandade de  NSª do Rosário e participou do II Congresso Afro brasileiro em 1936 com uma valiosa contribuição sobre a culinária litúrgica.Por sua influência o presidente Getulio Vargas suspendeu a perseguição policial aos terreiros de matrizes africanas.



Hilária Batista de Almeida, Tia Ciata, nasceu em Stº Amaro da Purificação em 1854 e faleceu no Rio de Janeiro em 1924. Foi iniciada na religião nagô pelo Babalawo Bangboxe Obitiko que foi também fundador da casa de João Alaba onde tia Ciata, omo Oxun tornou-se Iya Kekere. Foi fundadora de ranchos e bloco de carnaval.  Através da medicina africana curou o presidente Wenceslau Braz que em agradecimento protegeu a casa de tia Ciata que então congregou inúmeras personalidades da cultura afro brasileira, como religiosos, músicos, sambistas, que marcaram a história do Rio de Janeiro. Com uma família extensa colocou tabuleiro de culinária afro baiana muito apreciado no centro da cidade.Também nas reuniões em sua casa não podiam faltar belas músicas e a apreciada culinária. Ela é considerada personalidade exponencial dentre as baianas que imigraram para o Rio de Janeiro e que marcaram a identidade cultural carioca.



Maria Bibiana do Espírito Santo, Mãe Senhora nasceu em Salvador em 1890 e faleceu em 1967. Descendente da tradicional família Axipa, originária de Oyo e Ketu, era bisneta de Marcelina da Silva, Iyalorixá Oba Tossi. Foi iniciada por Mãe Aninha Iyalorixá Oba Biyi e com ela tornou-se Osi Dagan. Com falecimento de Mãe Aninha, sucederam Mãe Bada Olufan Deyi Iya Dagan e Mãe Senhora que no ano seguinte tornou-se Iyalaxé e posteriormente Iyalorixá do Ilê Axé Opo Afonjá em 1942. Até seu falecimento A Iyalorixá Oxun Muiwa expandiu com muito brilho os valores da religião. Ela além da extrema dedicação sacerdotal ampliou de 12 para 36 os Oba de Xango criando para cada titular seus substitutos otun e osi. Estabeleceu uma estratégia,"da porteira para dentro, da porteira para fora" ,tinha amizade com inúmeras sacerdotisas  da tradição como Mãe Menininha que se tratavam como irmãs e sacerdotes exponenciais , inclusive do culto aos Egungun na ilha de Itaparica. No terreiro ilê Agboula teve ativa participação com o título de Iya Egbe dos mais importantes do corpo feminino. Também fez amizade com muitos intelectuais, artistas e escritores. Através de Pierre Verger a quem dera o título de Oju Oba, recebeu do Alafin Oyó Oba Adeniran Adeyemi o título de Iya Nasso, que em Oyo é a sacerdotisa que cuida do Xango do palácio. Dentre vários momentos da expansão do ilê axé registramos a comemoração do título de Mãe Preta do Brasil realizado no estádio do Maracanã lotado em 1965 que recebeu por iniciativa do Tata Inkisse Tancredo da Silva Pinto.



Maria Escolástica da Conceicão Nazaré Mãe Menininha do Gantois nasceu em Salvador em 1894 e faleceu em 1986. Foi Iyalorixa do Ile Iya Omi Axé Iya Masse terreiro fundado em 1849 por sua bisa avó Maria Julia da Conceição Nazareth cujos pais eram originários de Agbeokuta. A fundação do terreiro resultou de uma dissidência no Ile Iya Nasso com a Iyalorixá escolhida que foi Omonike, Maria Julia Figueiredo que possuia também o título de Iyalode Erelu do culto Gelede. O terreiro que tem Oxóssi como patrono situou-se na roça de um belga de nome Gantois. Assim ficou conhecido popularmente como Terreiro do Gantuá. Na sucessão da fundadora foi iyalorixá Pulchéria Maria da Conceição que iniciou Mãe Menininha. Sucedeu-lhe  a mãe de Menininha, Maria da Glória Nazareth. Mãe Menininha a sucedeu com seus 28 anos de idade apenas, mas tornou-se uma das mais destacadas iyalorixas, contribuindo muito para como dizia "amansar o branco"de vez que os terreiros sofreram violentas e arbitrarias perseguições do Estado republicano.



Deoscoredes Maximiliano dos Santos Mestre Didi nasceu em Salvador em 1917 e faleceu nessa cidade em 2013. Descendente da linhagem Axipa ele era tri neto de Marcelina da Silva, Iyalorixá Oba Tossi e filho de Mãe Senhora, Iyalorixá Oxun Muiwa. Aos oito anos de idade foi iniciado no culto aos Egungun por Marcos Theodoro Pimentel Alapini responsável pelos Egungun mais antigos da tradição que ele e seu pai trouxeram depois de uma viagem à África. Mãe Aninha Iyalorixá Oba Biyi lhe deu posto na casa de Ya entidade Grunci. Concedeu-lhe também o título de Assogba, sacerdote supremo do culto ao orixá Obaluaiye quando tinha 15 anos. Foi confirmado Ojé sacerdote do culto aos Egungun com o oruko, nome de Korikowe Olukotun, o escriba do Olori Egun mais antigo Egungun  Baba Olukotun.
Depois do falecimento de Marcos Alapini, seu sobrinho Arsênio dos Santos  Alagba sucedeu-lhe na tradição e cuidou da continuidade de iniciação de Mestre Didi. Mais tarde Mestre Didi foi consagrado Alapini Ipekun Ojé em cerimônia realizada no Ilê Agboula com a presença de sacerdotes Yoruba. Esteve na África algumas vezes e em Ketu foi recebido pelo rei AlaKetu e apresentado a sua Família Asipa num re encontro historico. Em Ketu recebeu o título honorífico de Baba Mogba Oga Oni Xangô. Em Oyo confirmou o título de Balé Xangô recebido no Ile Axé Opo Afonja. Mestre Didi alem de conceituado artista internacional e escritor divulgador das narrativas de contos e da língua yoruba foi também historiador. Promoveu e organizou exposições de arte sacra afro brasileira no Brasil e em países da África e das Américas. Foi fundador, coordenador e presidente de diversas instituições de promoção da religião e da cultura afro brasileira. Em 1980 fundou o Ile Axipa de culto aos Egungun reunindo ancestres e ancestrais do legado de Marcos Alapini, da família Axipa, e de Miguel Sant´Anna Ojé Orepe. Foi o fundador de um dos mais antigos afoxé, a Troça Carnavalesca Pae Buroko.   





 Manuel Raimundo Querino, Manuel Querino nasceu em Santo Amaro BA em 1851 e faleceu em Salvador em 1923. Foi um pioneiro professor e escritor sobre aspectos da cultura afro baiana.Foi aluno e professor do Liceu de Artes e Ofícios da Bahia e da Escola de Belas Artes. Foi pintor, escritor e líder abolicionista, fundador do Partido Operário e da Liga Operária. Foi pioneiro nos registros antropológicos da cultura africana na Bahia e combateu as idéias racistas e preconceituosas do médico Nina Rodrigues. Dentre suas obras destaca-se A Raça Africana e Seus Costumes, e A Arte Culinária da Bahia.





André Pinto Rebouças, André Rebouças nasceu em Cachoeira BA. em1838 e faleceu no Funchal em 1898. Ele e o irmão Antônio Rebouças foram engenheiro militar e depois civil. André se destacou por resolver o problema de distribuição de água no Rio de Janeiro e planejou com o irmão estradas de ferro no sul do país. Seu pai foi conselheiro de D. Pedro II e ele frequentava a côrte. Lutou na guerra do Paraguai. Depois de sair do exército, com outros abolicionistas lutou pelo fim da escravidão fundando e participando de instituições como a Sociedade Brasileira Contra a Escravidão, a Confederação Abolicionista e a Associação Central emancipadora. Com a proclamação da República a companhou a Côrte no exílio em Portugal. Depois foi para Angola onde trabalhou como engenheiro e por fim foi para Funchal na ilha da Madeira onde veio a falecer. 



João Cândido Felisberto, João Cândido nasceu em Encruzilhada do Sul R.G. do Sul em1880  e  faleceu em 1969 no Rio de Janeiro. Foi militar da Marinha de Guerra do Brasil e conheceu o país muito jovem em viagens de instução naval. Por suas qualidades como marinheiro se tornou cabo e participou de viagem que foi buscar navios de guerra fabricados na Inglaterra a serem incorporados na Marinha do Brasil. Nessa viagem os marinheiros tomaram conhecimento da revolta do encouraçado Potenquim na Russia exigindo melhor tratamento aos marinheiros. Os marinheiros brasileiros resolveram reinvindicar o fim do castigo da chibata ao voltarem ao país. Embora esse castigo já fora extinto com a abolição da escravatura e a proclamação da Republica continuava na Marinha. A pós algumas negociações em que João Cândido participou com o então presidente da republica sem sucesso, um castigo imposto a um marinheiro de 250 chibatadas, completadas mesmo com ele desmaiado, acendeu a revolta e o motim. Em 23 de novembro de 1910 os marinheiros elegem João Cândido por comandante, e tomam o comando dos navios depois de lutas com os oficiais  e ,apontam os canhões para o Palácio do Catete. Decorrem 4 dias de negociações e é proclamado o fim do castigo da chibata e a anistia aos revoltosos. Todavia o governo traiu o pacto de anistia, expulsou marinheiros  e infligiu penosas prisões aos revoltosos realizou fuzilamentos e deportações. O advogado Evaristo de Moraes defendeu João Candido que obteve a liberdade em 1912. Jamais voltaria a Marinha mas é reconhecido na história como o Almirante Negro.



Juliano Moreira nasceu em Salvador em 1872 e faleceu em Petrópolis em 1932. Formou-se na Faculdade de Medicina da Bahia e foi um admirável pesquisador e médico atuante em asilos e sanatórios revolucionando as formas de tratamento acabando com o aprisionamento de pacientes. Lutou contra as ideologias racistas que envolviam a psiquiatria em relação ao negro e a mestiçagem e representou o Brasil em inúmeros congressos na Europa. Foi o primeiro professor universitário brasileiro a citar e incorporar a teoria psicanalítica no ensino de medicina. 




Afonso Henriques de Lima Barreto,Lima Barreto, nasceu no Rio de Janeiro em 1881 e faleceu nessa cidade em 1922. Estudou no Colégio Pedro II e cursou engenharia. Foi jornalista colaborando com periódicos anarquistas. Corajoso em denunciar as mazelas do novo tempo republicano encobertas pelas ideologias ufanistas, foi perseguido pelas oligarquias no bloco do poder do Estado. Todavia tornou-se um dos mais importantes escritores brasileiros. Seu estilo despojado, satírico, irônico e coloquial constituiu um ponto de referência e vanguarda para o período modernista.



Vicente Joaquim Ferreira Pastinha, Mestre Pastinha, nasceu em Salvador em 1889 e faleceu nessa cidade em 1981. Foi pintor e Mestre de Capoeira tradicional Angola, forma de luta contra a escravidão e a repressão nos tempos da Republica. Posteriormente a arte da capoeira foi legitimada através da`` Academia de Capoeira´´. Mestre Pastinha iniciou muita gente boa na capoeira Angola e é o Mestre e professor mais respeitado e admirado pelos capoeiristas. 
Foto disponível em:
http://www.onordeste.com/onordeste/enciclopediaNordeste/index.php?titulo=Mestre+Pastinha&ltr=m&id_perso=442



Angenor de Oliveira, Cartola nasceu no Rio de Janeiro em 1908 e faleceu nessa cidade em 1980. Foi um dos mais importantes compositores brasileiros e líder exponencial da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira.Considerado um dos grandes poetas do mundo musical sua obra constitui um patrimonio destacado da cultura brasileira do samba.

Senador Abdias cumprimenta o presidente da África do Sul Nelson Mandela.
Foto disponível em: http://2.bp.blogspot.com/- 

Abdias Nascimento nasceu em Franca SP em 1914 e faleceu no Rio de Janeiro em 2011. Além de político lutador pelo reconhecimento da presença do povo negro no panorama  nacional sendo senador da República, foi importante intelectual, professor, fundador do IPEAFRO instituto que fomentou inúmeras programações cientificas e culturais. Foi ainda cientista social, escritor, poeta, pintor e escultor e o fundador do TEN, Teatro Experimental do Negro.



Ruth Pinto de Souza, Ruth de Souza, nasceu no Rio de Janeiro em 1928. Considerada uma das mais importantes atrizes brasileira do teatro, do cinema e da TV. Iniciou sua carreira no famoso Teatro Experimental do Negro inaugurando um caminho para participação de atrizes negras  na arte dramática. 


Foto disponível na Internet

 Lélia de Almeida Gonzales, Lélia Gonzales nasceu em Belo Horizonte em 1935 e faleceu no Rio de Janeiro em 1994. Foi uma intelectual atuante na vida política e social. Professora universitária na área de filosofia foi doutora em Comunicação. Foi fundadora  do Movimento Negro Unificado, do Coletivo de Mulheres Negras Nzinga, do IPCN Instituto de Pesquisa das Culturas Negras. Foi duas vezes eleita 1ª suplente de deputada estadual.Filha de Oxun sempre identificada com os valores da tradição cultural africano-brasileira. Escreveu livros e artigos , fez pronunciamentos importantes denunciando as ideologias do racismo.



Sebastião Bernardes de Souza Prata, Grande Otelo, nasceu em Uberlândia em 1915 e faleceu na cidade de Paris em 1993. Considerado um dos mais talentosos atores de cinema, teatro e Tv no Brasil. Participou de uma grande quantidade de filmes sendo que também realizou filmes como produtor e diretor, abrindo caminho para os atores e atrizes. 



Garrincha e Elza Soares
Foto disponível em: http://www.palmares.gov.br/

Manoel Francisco dos Santos, Garrincha nasceu em Magé R. J. em 1933 e faleceu na cidade do Rio de Janeiro em 1983. Além de ser o mais celebrado jogador do Botafogo, da seleção brasileira e do mundo futebolístico foi um personagem de destaque no imaginário social brasileiro, motivo de diversas obras literárias e cinematográficas de escritores e cineastas consagrados. No auge de sua carreira teve ao seu lado a talentosa e admirada cantora Elza Soares que fora a madrinha da seleção brasileira em 1962 quando Garrincha realizou a sua mais enaltecida performance levando o Brasil ao bi campeonato Mundial. Casou-se com Garrincha em meio a forte preconceito de setores da sociedade mas depois isso foi superado e ambos viveram 16 anos de casamento.
Elza da Conceição Soares(Elza Soares) nasceu no Rio de Janeiro em 1937. Cantora e compositora se sobressai por sua versatilidade em interpretar diversos genêros musicais e é admirada como excelente cantora no panorama musical tendo sido agraciada e eleita pela BBC de Londres  como "a cantora do milênio"e foi indicada ao Prêmio Grammy em 2002. Tem uma vasta obra de musicas gravadas com muito sucesso  e também com a participação de renomados músicos, interpretes  e compositores.



sábado, 30 de julho de 2016

Convite de formatura

A professora e intelectual Narcimária Correia do Patrocínio Luz foi escolhida PARANINFA da turma do Curso de Licenciatura em Pedagogia da UNEB pelos formandos de 2015.2.




quarta-feira, 27 de julho de 2016

VISITA AO MUSEU AFRO BRASIL - PARTE I


Por Marco Aurélio Luz


TRADIÇÃO ESTÉTICA AFRICANO BRASILEIRA  -PARTE I

Visitando com minha família confesso que me surpreendi com a quantidade e a qualidade do acervo exposto no Museu Afro Brasil no Parque Ibirapuera em São Paulo.
Dessa vez Emanoel Araújo se superou nos presenteando com um belíssimo trabalho.
A amostra abrange inicialmente a tradição religiosa afro-brasileira especialmente  a continuidade nagô/ yorubá.
Iniciamos com amostra de objetos da arte de origem africana.


Esculturas do antigo reino de Benin vizinho do império Yorubá.
Foto: Narcimária Luz




Opa Ossãiyn orixá das folhas, da vegetação e dos preparos espirituais e medicinais e outras esculturas em ferro
Foto: Narcimária Luz



Agemó o camaleão refere-se a capacidade de harmonizar, adaptar, e equilibrar. Relacionado com o culto de Orunmila Baba Ifá, orixa patrono do oráculo.
Foto: Narcimária Luz



Eiye o pássaro, relacionado as Iya mi as mães ancestrais
Foto: Narcimária Luz



Elexin meji, dois cavaleiros sob o pálio com gravuras simbólicas da realeza do Daomé, reino vizinho aos yoruba/nagô.
Foto Narcimária Luz


No fim da rampa de acesso nos deparamos com essa escultura de Kifouli Dossu denominada MI SI GBE (respeite a vida).


Trata-se de uma  enorme e magnifica escultura que  sobressai simbolizando a expansão da vida no que se refere ao poder feminino na composição característica da  Iya Ibeji, mãe dos gêmeos, simbolo de fertilidade e continuidade.
Foto: Maurício Luz






Um trono magnifico adornado com elementos da simbologia do orixá Xango, alaafin, rei que garante a vida social vem logo em seguida.
Foto: Narcimária Luz



Oxê Xangô emblema do orixá princípio da vida social que constitui a saga da humanidade.
Foto: Maurício Luz


Exú orixá princípio do movimento que promove a dinâmica do tempo, possui uma saleta ao lado.

Princípio da ação, a existência não se realizaria sem Exù. Ele garante a circulação de axé, a energia cósmica que movimenta  o ciclo vital. Os orixá constituem poder e princípios que regem o universo e cada um possui seu Exú.



Exú Amuniwa que acompanha o orixá Xango. Escultura de Mestre Didi.
Foto: Narcimária Luz


O Exú Bara, o rei do corpo, é o responsável pela individuação dos seres.

Os seres  no aiyê nesse mundo não existiriam sem os ancestrais.



O mistério da ancestralidade masculina está representado na aparição das roupas de Egungun durante os rituais. As roupas é só o que vemos.



Prosopon Gelede que compõe os trajes do culto referente ao mistério e poder feminino.
Foto: Maurício Luz




Esculturas e vestimentas que compõem os cultos aos ancestrais, Egungun (masculinos) e Gelede (feminino) estão expostos com sobriedade e beleza.
Foto Maurício Luz



Traje, emblema e paramentos do orixa Oxalá.
Foto: Narcimária Luz

Oxalá orixá funfun da cor branca princípio do ar que respiramos. É o orixá da criação dos seres, poder masculino de gênese. A cada ser humano cria uma árvore. Seu cetro é o Opa xorô que representa poder de fertilidade masculina.




Traje paramentos e emblemas do orixá Oxun, Iya mi akoko, mãe ancestral suprema. Sua cor é amarelo gema de ovo, pupa eiyn. Princípio feminino por excelência está relacionada com as águas correntes. O abebe cetro que representa o ventre fecundado, fertilidade feminina é o seu emblema.
Foto: Narcimária Luz

Vestimentas, paramentos e emblemas simbólicos em figurinos compõem o conjunto dos orixá.

Ao longo da exposição nos deparamos com orikis, poemas laudatórios que vão revelando a dimensão cósmica de cada orixá, seu poder e axé.



Foto: Maurício Luz


Oferece também registro de personalidades históricas presentes na continuação da tradição, como a Iyalorixá Oxum Muiwá Sra. Maria Bibiana do Espírito Santo, Mãe Senhora Axipá e Iyá Nassô, o Alapini Sr.  Deoscoredes Maximiliano dos Santos Mestre Didi Axipa, Asogbá e Balé Xango, dentre outros.



Mãe Senhora da linhagem Axipa, foi a Iyalorixa Oxun Muiwa do Ilê Axé Opo Afonjá, possuindo o título de Iyá Nasô Oyó Akalá Mabo... sucedendo a fundadora Mãe Aninha Oba Biyi. Também foi Iyá Egbé no Ilê Agboulá casa da culto aos Egungun em Ponta de Areia, Itaparica


Mestre Didi filho de Mãe Senhora foi consagrado Assogba supremo sacerdote do culto à Obaluaiye do Ilê Axé Opo Afonja pela Iyalorixá Oba Biyi Mãe Aninha. Aos oito anos foi iniciado no culto aos Egungun por Marcos Alapini, supremo sacerdote. Mais tarde Mestre Didi foi consagrado Alapini ipekun ojé e posteriormente fundou o Ilê Axipa que preserva a mais importante constelação de Egungun.


Vale registrar um espaço dedicado a Iyalorixá Sra. Olga de Alaketu iyalorixá do Ilê Axé Maroia Laji.

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Além dos elementos estéticos da arte sacra expostos há espaços dedicados a recriações artísticas desdobradas desse universo como as obras de Mestre Didi Axipa e as de Manoel dos Santos, Rubem Valentim e Carybé.






























Derivadas dos cetros de Obaluaiye, o xaxará e o de Nanan, o ibiri, as recriações de Mestre Didi mantém em formas, matérias e cores originais a simbologia da cosmogonia nagô.
Fotos: Narcimária Luz







Agnaldo Manoel dos Santos nasceu em Itaparica.
 Suas obras originais mantém a pujança da tradição estética africana.
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Esculturas de Agnaldo Manoel dos Santos.
Fotos: Narcimária Luz






Rubem Valentim nasceu em Salvador, suas recriações procuram sobretudo realçar aspectos geométricos da linguagem estética da tradição religiosa nagô.
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Carybé Hector Bernabó nasceu em Lanus Argentina, até pousar em Salvador quando tornou-se renomado pintor e escultor com uma vasta obra. Acolhido por Mãe Senhora no Ilê Axé Opo Afonja recebeu os títulos de Oba Onan Shokun e Iji Apogan na casa de Obaluaiye.



"Grande painel dos orixás"
 Famosa obra de Carybé que representa as entidades do panteão nagô.
Foto: Narcimária Luz



Representação de Oxóssi conforme escultura de Carybé
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http://www.dominiojovem.com.br/carreira-do-artista-carybe-e-celebrada-no-museu-afro-brasil/

Carybé frequentou a academia de capoeira de Mestre Pastinha. Pintou inúmeras cenas do cotidiano de Salvador.

Há também pinturas de Yêdamaria, Volpi , e outros.




A consagrada escritora e pintora Yêdamaria que teve suas obras em exposições além do Brasil , nos EUA e na Europa. Publicou um livro ilustrado contando as diferentes fases de seu trabalho. No Museu a fase de "Barcos" é apresentada. 





Fase da pintura de "Barcos"
Foto: Narcimária Luz


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Alfredo Volpi pintor ítalo brasileiro destacou-se por sua fase de bandeirinhas com seus aspectos cromáticos e geométricos . As bandeirinhas estão presentes nos adornos de inúmeras celebrações da tradição afro brasileira.

Pintura das bandeirinhas características.
Foto: Narcimária Luz

Continuaremos a abordar nas próximas postagens,aspectos da cultura afro-brasileira expostos em corredores e galerias do Museu Afro Brasil. Trata-se de  magnificas esculturas em madeira, cerâmica e metal, elementos de cortejos como  estandartes e trajes do Maracatu Elefante de Recife, o boi do bumba meu boi de S. Luiz,  máscaras da Cavalhada de Pirinópolis.

Há a parte histórica referente ao tráfico escravista e a escravidão desde os navios, relações de trabalho forçado sob tortura que constituíram o modo de produção colonial mercantil escravista sob a égide do capital financeiro.
Acompanhem as publicações a seguir.