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PRODESE E ACRA



VIDA QUE SEGUE...Uma
das principais bases de inspiração do PRODESE foi a Associação Crianças Raízes
do Abaeté-Acra,espaço institucional onde concebemos composições de linguagens
lúdicas e estéticas criadas para manter seu cotidiano.A Acra foi uma iniciativa
institucional criada no bairro de Itapuã no município de Salvador na Bahia, e
referência nacional como “ponto de cultura” reconhecido pelo Ministério da
Cultura. Essa Associação durante oito anos,proporcionou a crianças e jovens
descendentes de africanos e africanas,espaços socioeducativos que legitimassem
o patrimônio civilizatório dos seus antepassados.
A Acra em parceria com o Prodese
fomentou várias iniciativas institucionais,a exemplo de publicações,eventos
nacionais e internacionais,participações exitosas em
editais,concursos,oficinas,festivais,etc vinculadas a presença africana em
Itapuã e sua expansão através das formas de sociabilidade criadas pelos
pescadores,lavadeiras e ganhadeiras,que mantiveram a riqueza do patrimônio
africano e seu contínuo na Bahia e Brasil.É através desses vínculos de
comunalidade africana, que a ACRA desenvolveu suas atividades abrindo
perspectivas de valores e linguagens para que as , crianças tenham orgulho de
ser e pertencer as suas comunalidades.
Gostaríamos de registrar o nosso
agradecimento profundo a Associação Crianças Raízes do Abaeté(Acra),na pessoa
do seu Diretor Presidente professor Narciso José do Patrocínio e toda a sua
equipe de educadores, pela oportunidade de vivenciarmos uma duradoura e valiosa
parceria durante o período de 2005 a 2012,culminando com premiações de destaque
nacional e a composição de várias iniciativas de linguagens, que influenciaram
sobremaneira a alegria de viver e ser, de crianças e jovens do bairro de
Itapuã em Salvador na Bahia,Brasil.


quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

WALDEMAR SANTANA,Um nome na história

Imagem disponível em
http://mundomarcial.site40.net/images/capoeira_site.jpg
Por Marco Aurélio Luz
Hélio Gracie  foi grande , mas não podemos esquecer de Waldemar Santana.
 
Num programa de TV recente o Mestre de capoeira Boa Gente, lamenta que um feito histórico não esteja devidamente registrado como merece. Segundo ele, a história permanecerá incompleta sem a presença heróica de Waldemar Santana.
Um aluno de capoeira de Mestre Bimba, meu amigo Muniz Sodré, o Americano, contou-me que em uma de suas lições o mestre perguntou aos seus alunos o que fariam se tivesse pela frente alguém os ameaçando armado com uma faca. Todos contaram suas bravatas demonstrando os golpes que dariam para livrá-los de tal situação e ainda dominar o agressor. Mestre Bimba nada disse, só ouviu. 
Mas a ansiedade do grupo fez com que ousassem a pergunta inevitável:

-E o senhor Mestre o que faria?
Ao que Bimba respondeu mais ou menos assim:
-Eu? Eu saía correndo! Se insistisse procurava uma esquina para surpreender escorando...

Imagem disponível no Google imagens Mestre Bimba, criador da Capoeira Regional

A capoeira nasce com a ginga para enfrentar um adversário melhor armado, procurando estratégias de contornar e evitar o combate de frente, para surpreender num momento mais favorável. É a inspiração da Rainha Ginga do Ndongo (Angola), a Rainha Invisível, na luta contra os portugueses escravistas, guerra de deslocamentos através dos kilombos, acampamentos militares que manteve a independência de seu território em 1.657.


Monumento em homenagem à Nzinga Bandi Kiluanji em Angola, a Rainha Ginga
Imagem disponível no Google imagens
“Pois, pois”, como dizem os outros...
No ano de 1955 Waldemar Santana um dos maiores lutadores que o mundo já viu discípulo de Mestre Bimba, morando no Rio de Janeiro estava na ambiência da academia de jiu-jítsu de Hélio Gracie, até então, tido como maior lutador do Brasil. 

Waldemar Santana
Imagem disponível no Google imagens
Vai que quis o destino que Waldemar fosse enfrentar Hélio numa luta de vale tudo, com quimono e sem rounds e tempo determinado. O público lotou o ginásio de esportes. Com toda imprensa apoiando Hélio, envolvida pelas ideologias racistas só esperavam a confirmação da "superioridade do branco descendente de inglês".
Em entrevistas em revistas e jornais Hélio Gracie se gabava de além de ser o exímio lutador de jiu-jítsu e de ter já vencido os mais temíveis lutadores do Oriente e do Brasil, era ele um Gracie, descendente de ingleses por si só superior ao negro Waldemar que inclusive desonrara a sua academia se prestando a lutar em lutas combinadas de exibição para ganhar algum dinheiro.
O jornal Última Hora abriu espaço para promover o desafio e diante das afirmações de Hélio Gracie, o “Leopardo Negro”, Waldemar Santana o desafiou. Com a ideia de dar uma lição no jovem ousado, Hélio logo aceitou.
  

Waldemar Santana também frequentava academia de capoeira no R.J.
Imagem disponível no Google imagens
A luta tornou-se uma das mais longas que o mundo já viu. Sabendo que as armas de Hélio eram as chaves do jiu-jitsu, Valdemar adotou a tática do tatu, acocorado no chão enfeixado sobre si mesmo, não permitia uma sobra de membro que pudesse favorecer as táticas do adversário. Quando esse dava uma brecha tentando catar um braço, uma perna, um dedo, um pescoço, Valdemar punha-se de pé e forçava Hélio a persegui-lo dando um e outro golpe no contra ataque, em seguida, pronto novamente enroscado como o tatu. Depois de 3 horas e 45 minutos, considerada a luta de vale- tudo mais longa do mundo, com Hélio exausto e desguarnecido Valdemar desferiu a meia lua de compasso, o pé voa na cara do oponente. O adversário caiu desfalecido.

A vitória histórica de Waldemar Santana sobre Helio Gracie
Imagem disponível no Google imagens

Um verdadeiro tsunami atingiu os entulhos ideológicos racistas espalhados pela mídia em geral. Todavia Nelson Rodrigues escreveu famosa crônica enaltecendo o feito.
“Há 20 e tantos anos que os Gracie mantinham uma invencibilidade que parecia definitiva. Por isso há tanta gente querendo dar rádio, televisão, e até ferro elétrico a Waldemar. E não há dúvida de que ele bem o merece.
No dia de sua vitória, houve alegria universal, sim. O fraco sentiu-se menos fraco, o humilhado menos humilhado, e o marido que não pia em casa levantou, por 24horas
 a crista abatida. Todos nós somos cúmplice de Waldemar.”[1]
Waldemar Santana, filho da Bahia, a Roma Negra, como disse Mãe Aninha, Iyalorixa Oba Biyi, entra para nossa história, para nossa honra.




[1] http://oglobo.globo.com/esportes/o-centenario-do-pai-do-jiu-jitsu-10218847

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

MESTRE DIDI EDUCADOR CONTEMPORÂNEO PARTE 2


Por Narcimária Correia do Patrocínio Luz

 É no âmago do desejo de Mãe Aninha de ver no futuro as crianças da comunidade de anel no dedo e aos pés de Xangô, que Mestre Didi  ,implanta  no Brasil, particularmente na Bahia, a primeira experiência de educação pluricultural, Mini Comunidade Oba Biyi, que se desenvolveu de 1976 à 1986 ancorada nos princípios e valores do patrimônio milenar africano reposto e recriado no Brasil. Aqui se inscreve a proposta de educação da Mini Comunidade Oba Biyi, que pode ratificar, e de certa forma atender o desejo de Mãe Aninha. Esse nome em sua homenagem caracterizou, uma pequena comunidade (mini) que reuniu crianças dos 3 meses de idade aos quatorze anos. Oba Biyi, era uma forma de homenagear o nome sacerdotal nagô de Eugênia Anna dos Santos.

                          Mestre Didi inspirador e criador da Mini Comunidade Oba Biyi
Foto M.A.Luz               
 A proposição de uma educação no contexto desse desafio é promover uma linguagem pedagógica que estabeleça uma relação dinâmica entre os valores sociocomunitários da tradição, e os códigos da sociedade oficial, exigindo e assegurando nesta relação o direito à identidade própria. Assim,se instala no âmbito da Mini Comunidade Oba Biyi, uma estratégia  para  no contexto da modernidade, formar pessoas capacitadas para  interagir com os códigos da sociedade industrial  e reforçar ao mesmo tempo os valores da comunalidade africano-brasileira.De anel no dedo e aos pés de Xangô,  é procurar superar os obstáculos, que se institucionalizaram na África e no Brasil, e em outros países ex-colonizados através da pedagogia eurocêntrica.
De anel no dedo aos pés de Xangô,  é a possibilidade de uma educação em que nossas crianças aprendam a lidar com o repertório de códigos da sociedade eurocêntrica, mas utilizando-os como estratégia de legitimação da alteridade civilizatória africana; no caso, conquistando espaços institucionais, e neles fincar, recriar e expandir também, o repertório de valores da tradição africano-brasileira.
Outra pessoa que conversamos sobre a concepção espaço-temporal da Mini, foi Marco Aurélio Luz que participou  também da coordenação da experiência de educação no período de 1978 à 1985.
“A forma de comunicação básica da Mini, não se assentava na escrita. A forma de comunicação dava margem aqueles códigos tradicionais de comunicação da comunidade, que se manifestavam através da dramatização, dança, música, etc. Mas, em relação a linguagem pedagógica, especialmente, esse espaço propiciava essas formas de comunicação. A Mini foi concebida com um grande salão, um pátio e uma varanda. Não se caracterizava com salas de aula, carteiras, com aquele mobiliário sobredeterminado pela escrita, com aquela prancheta, com obsessão para caderno, lápis, livro, e a criança diante do quadro-de-giz, e o professor na frente. Esse espaço dava outra dinâmica. Tinha salão de atividades por centro de interesses, onde se desenvolvia atividades com as turmas do prontidão, os professores começavam as atividades e a criança poderia circular de um centro de interesse para outro e vice-versa. No pátio e na varanda aconteciam as aulas de alfabetização. Nessa varanda tinha uma grande mesa com os bancos, mantendo a característica do mobiliário da comunidade, e um quadro-de-giz presente nas aulas de alfabetização. No pátio se desenvolvia a música, dança e dramatizações.”

Autocoreográfico Chuva dos Poderes de Mestre Didi
 Foto M.A. Luz

Projetou-se um espaço que abrigasse uma comunidade infantil, uma casa com o estilo da Bahia, com telhas, varandas, pátio, um amplo salão. A concepção de um espaço livre para as crianças explorarem e desenvolverem todos os sentidos do corpo, não havia bancos e carteiras, era um espaço permeado pela estrutura do terreiro, onde as atividades e/ou aprendizagem ocorressem ao ar livre ou no salão.  Tinha também uma cozinha grande, banheiros e vegetação na área externa.
Marco Aurélio Luz comenta ainda que
“(...) houve um “curto-circuito”, porque aí também se definiu problemas de poder, e esse discurso vinha querendo sedimentar o poder dos professores e coordenadores, que eram considerados “de fora” pelas crianças, querendo ter o poder sobre eles. E de acordo com as crianças, esses professores nada sabiam da linguagem da comunidade, , dos valores que eles achavam que sabiam mais do que aquelas pessoas. E como também na comunidade o poder está ligado a uma hierarquia religiosa e comunitária, as pessoas que chegam não sabem, não tem lugar, não tem posto, não tem poder, e aí estava a fricção de poderes.”
O saber que vinha da universidade, da academia, das Secretarias de Educação, se chocavam profundamente com o saber da comunidade, representada pelas crianças que não aceitavam a imposição de saberes “de fora”, isto porque, elas já tinham sido rejeitados pela escola oficial justamente por isso. Como elas achavam que a Mini Oba Biyi era delas, que era um espaço feito para elas, daí a fricção e ou “curto-circuito” como bem mencionou Marco Aurélio.
Se instalou então o desafio da Mini constituir uma equipe, um GTE que elaborasse o luto de não saber, abandonar os paradigmas pedagógicos vigentes, e tentar abrir caminhos para a alteridade, ouvir o outro, tentar perceber e dar espaço para que o outro se colocasse, criasse, ocupasse uma linguagem, proporcionando a aceitação das partes ou melhor na dinâmica “da porteira pra dentro da porteira pra fora”.
A comunidade infantil Oba Biyi, não era uma comunidade religiosa, e sim de desenvolvimento integrado da criança. A parte religiosa era cuidada pela família e a comunidade-terreiro.
A Mini Comunidade Oba Biyi teve o seu currículo envolvido pela linguagem pluricultural expressa nos contos milenares da tradição africana. Esses contos recriados por  Mestre Didi, promovia e afirmava as  formas e modos  de comunicação da comunidade caracterizadas pela cultura de participação.
A concepção e linguagem socioeducativa  estimulada por  Mestre Didi, estava relacionada a dinâmica civilizatória da tradição nagô, de onde ele procurava inspiração para gerar o cotidiano curricular da Mini, influenciando, determinando códigos, refletindo de tal modo que não excluísse a identidade das crianças.
Os contos legado da tradição, são os itans e fazem parte de sistemas oraculares.Alguns contos o Mestre Didi criou, e são encontrados em alguns de seus livros a exemplo de Contos Nagô, Contos Negros da Bahia e Contos de Mestre Didi.

Dramatização do conto de Mestre Didi Odé e os Orixá do Mato
     Foto M.A.Luz
Para elaborar a dinâmica curricular da Mini através dos contos, o GTE se reunia no início de cada semestre com os professores e funcionários, estabelecia a temática e procuravam com Mestre Didi um conto que atendesse, representasse e/ou ilustrasse o tema escolhido. Neste processo as crianças também participavam.
Assim foram realizadas várias dramatizações a exemplo de: Odé o Caçador e os Orixás do Mato; A Chuva dos Poderes; A Filha do Arco-íris; O Presente de Xangô a Boa Menina; A Vendedora de Acaçá; A Fuga de Tio Ajayí dentre outros.             Eram nos Festivais da Mini Comunidade Oba Biyi, que por sinal tinham muita repercussão, que se culminava o semestre. Nesta ocasião eram exibidos os trabalhos das crianças relacionados a temática do semestre, expondo-se o que elas selecionavam, apresentando as peças de teatro ou autocoreográficos, músicas, danças, figurinos, cenários.
Exposição de artes durante o Festival da Mini Comunidade Oba Biyi
Foto M.A.Luz        
Os Festivais da Mini Comunidade Oba Biyi reuniam  a comunidade-terreiro, pessoas do bairro, deixando a área cheia de gente que vinha assistir os trabalhos. Vinham convidados de instituições de fora também, proporcionando um intercâmbio. As confraternizações eram acompanhadas sempre por um lanche, momento , que proporcionava a coesão grupal, o compartilhar de emoções e sentimentos, o religare.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

MESTRE DIDI EDUCADOR CONTEMPORÂNEO - PARTE 1


 

Por Narcimária Correia do Patrocínio Luz
Dia 02 de dezembro de 1917, nasceu Deoscoredes Maximiliano dos Santos, Mestre Didi Asipá, Supremo Sacerdote do Culto Egungun.
Mestre Didi pertence à família Axipá,  originária de Oyó e uma das sete famílias  fundadoras da cidade de Ketu. Essa família repõe no Brasil, especificamente na Bahia, uma dinâmica sócio-política, mítico-religiosa da cultura Nagô expressa em casas tradicionais como o Ilê Axé Opô Afonjá. Mestre Didi é neto de Iyá Oba Biyi e filho de sangue de Mãe Senhora,ambas expressivas lideranças da tradição africana  nas Américas. 

 
Mãe Senhora com Zélia Gattai, Sartre, Simone de Beauvoir e Jorge Amado em  1960

É o membro mais velho da família Axipá no Brasil. Podemos afirmar que é um Omo Bibi, um bem-nascido.
“...Na tradição afro-brasileira de origem nagô, omo bibi, quer dizer, bem nascido, isto é, aquela pessoa que vem a esse mundo para dar continuidade a expansão de uma linhagem, de uma família considerada muito antiga, receptáculo de tesouros de valores espirituais e experiências históricas de grande valor para a comunalidade. Os valores  espirituais estão expressos pela continuidade e expansão das instituições religiosas, de um lado, o culto aos orixá,  forças cósmicas que constituem o universo, princípios da natureza, e de outro o culto aos ancestres e ancestrais, como aos Esa, espírito das pessoas que se destacaram na tradição religiosa ,ou aos Babá Egun, espíritos dos ojé, sacerdotes que se destacaram no culto aos ancestres masculinos.”(LUZ,Marco Aurélio. A Favor de Egun. A Tarde, Salvador, 09 de abril, 2005. Caderno Cultural).

O PRODESE retoma hoje as postagens do blog, dedicando-se a homenagear esse expoente ancestral, que durante toda a sua vida dedicou-se a fundar espaços institucionais que promovesse entre as gerações africano-brasileiras a dignidade e o direito à alteridade.
Essa singela homenagem, caracteriza-se por realçar aspectos que lidam com  infinitude das linguagens educacionais projetadas por Deoscoredes Maximiliano dos Santos,  o Mestre Didi Asipá uma das mais expressivas lideranças do contínuo africano nas Américas, e personalidade exponencial da educação contemporânea.
Mestre Didi através de suas obras,quer na literatura, escultura ou no campo da História do povo  negro nas Américas, nos permite o acesso ao riquíssimo patrimônio simbólico africano que influencia de modo significativo o nosso pensamento educacional.
O legado do Mestre Didi constitui um universo de criações estéticas singulares que carregam ancestralidade e visão de mundo  próprios da civilização africana, abrindo perspectiva de coexistência  com outros patrimônios civilizatórios.
 
 
Pertencente a importante linhagem de Ketu, Mestre Didi teve sua iniciação no culto do orixá Obaluaiyê que junto aos orixá Nanâ e Oxumarê compõem o panteão da Terra, expressões míticas que nucleiam suas obras.
Seu compromisso como Assogbá Sacerdote Supremo, título que recebeu  de Mãe Aninha Iyalorixá Oba Biyi envolve executar e  sacralizar os emblemas rituais de seu culto, e isso o torna herdeiro e continuador dessa experiência ancestral africana.

Mãe Aninha Iyalorixá Oba Biyi
 
Desde a sua infância Mestre Didi produz objetos rituais, cuja extensão são belíssimas recriações  no campo das artes escultóricas obtendo consagração nacional e internacional. Além disso, muito pequenino teve o privilégio de viver imerso ao universo mítico literário africano, que o levou a adaptar diversos contos que vêm influenciando sobremaneira a proposição curricular de iniciativas de vanguarda na área de educação.
 
Mestre Didi Axipá visita  Ojubó o assentamento de Oxossi da família Axipá em Ketu
Ainda sobre a importância da obra de Mestre Didi temos um valioso comentário do  professor da Sorbonne, Roger Bastide na década de sessenta, sobre a  História de um Terreiro Nagô ,  livro que  se tornou referência fundamental para a compreensão da dinâmica das comunalidades africano-brasileiras na contemporaneidade :
 
 
 
“...Recebo com satisfação o novo livro de  Deoscoredes Maximiliano dos Santos. Filho da prestigiosa Mãe Senhora, criado no conhecimento de todos os rituais do Opô Afonjá, o saboroso livro do autor de Contos Negros é realmente o único que nos pode oferecer uma monografia sobre este candomblé, onde tenho tantos amigos, e que é tão caro ao meu coração. Parabéns  Deoscoredes, e que seu precioso trabalho sirva de modelo para   outros. Livro de sábio,de filho da seita e de admirável narrador.”
Como previu o professor Roger Bastide, Mestre Didi prosseguiu afirmando institucionalmente  a dinâmica existencial das populações afro-brasileiras, influenciando e encorajando as gerações sucessoras a manterem erguidas os emblemas e referenciais que caracterizam e eternizam a nossa ancestralidade africana.
Mestre Didi como pessoa nascida e criada dentro dos valores da comunidade, sempre procurou desenvolver atividades que quando situadas principalmente no âmbito da sociedade oficial, afirmasse o que ele é, seus valores, seu orgulho pela tradição, como ele mesmo afirma: “...Procurarmos ser nós mesmos,nos valorizando,valorizando a tudo que adoramos, principalmente a natureza.
"É comum se dizer Kosi Ewe,Kosi Orixá; se não existissem as folhas, não existiriam os orixá, e não existiria o mundo. Já é tempo de nos unir, dar-nos as mãos, abrir os nossos corações para ir ao encontro da irmandade de justiça e da fraternidade para fortalecer e preservar cada vez mais as nossas origens e o axé de cada uma delas”.
 
Opa Osaiyn ati Oxumare Meji escultura de Mestre Didi
 
Estamos diante de um educador ,que nos permite de modo singular  a aproximação do rico e complexo patrimônio civilizatório  milenar africano indicando perspectivas  atravessadas por uma ética do futuro para a educação.
Procuraremos destacar, desse contínuo civilizatório, a primeira concepção e proposta de educação pluricultural que nasceu no Brasil protagonizada pelo Mestre Didi  -a Mini Comunidade Oba Biyi.
A experiência da Mini Comunidade Oba Biyi  demonstrou   que o legado civilizatório africano no Brasil e, especificamente, na Bahia constitui alteridades e caracteriza, em relação a outros processos civilizatórios, a nossa diversidade cultural.
 

 
Um dos exemplos expressivos dessa trajetória do  Mestre Didi  são as iniciativas  na área de Educação,   influenciado  por   Mãe Aninha, a venerável Iyá Oba Biyi com a qual ele conviveu desde menino, e sempre lhe dizia :
“Quero ver nossas crianças de hoje, no dia de amanhã de anel de anel no dedo e aos pés de Xangô"
 Mãe Aninha já tinha percebido que era impostergável a legitimação dos valores da comunalidade africano-brasileira, no âmbito do sistema oficial.
Iyá Oba Biyi, nos indicou o grande desafio que se apresenta para nós educadores. De um lado o “anel no dedo”, que significa as possibilidades de mobilidade social da população infanto-juvenil de descendência africana na sociedade oficial - , e de outro, Xangô, orixá do fogo que assegura a vida no aiyê , a expansão de linhagens, da existência concreta ininterrupta, filhos, descendência, ancestralidade, continuidade da comunalidade africano-brasileira, presença transatlântica dos valores culturais. De anel no dedo e aos pés de Xangô.”
Continua na próxima semana

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

ALAPINI BABA AWA A NKI OO

Por Felix Ayoh'OMIDIRE
Ile-Ifé, Nigéria.

 

  
Mãe Senhora, Iyalorixá Oxun Muiwá

Ha! Erin wo! Erin mawo o! Mestre Didi Alapini, omo Mae Senhora lo nile yi igi da!
Ka too r'erin o digbo,
Ka too r'efon o dodan,
Ka too tun reeyan alawo dudu bii ti Mestri Didi laarin awon iran eniyan dudu ni Latin América, o dorun alakeji.
Mestre Didi, boo dele o kile o,
Boo dona o beere ona,
Ma jokun, ma jekolo o, omo Asipa nilee Ketu, ohun tiwon ba nje lajule orun nii koo bawon je...

Os nossos mais velhos na tradição iorubana ensinam que a morte (iku) não é o fim da existência, se não uma mudança de estado - mudando de mortal para imortal, e, no caso de iniciados, de omo orixá para um ancestral que será responsável doravante para vigiar e velar desde o orum (o além) os passos de seus descendentes que permanecem neste plano (o aiye).
 Eis a nossa consolação maior diante do falecimento do nosso baba Mestre Didi Alapinni, guia e guardião da tradição nagô-iorubana na Bahia e sacerdote-mor do culto aos Egungun. 



Mestre Didi Axipá, Alapini

Portanto, quem saiu vencedor do encontro entre Mestre Didi e iku (a morte) no ultimo dia 6 de outubro foi o grande sacerdote Alapinni, pois a partir dessa data, o filho de Mae Senhora hoje integra o panteão dos orixás e ancestrais do nosso povo. De agora em diante, as múltiplas Ile Axe da Bahia e de todo o Brasil já contam com mais um ancestral de grande peso para defende-las e guiar seus esforços na promoção e preservação dos valores da tradição nagô-iorubana nos quatro cantos dessa nação. Além do mais, lembremos, como mais um consolo nosso, que o nome original da terra africana, de onde saiu os genitores Axipa de Mestre Didi no reino iorubano de Ketu chama-se "Kosiku", ou seja, não ha morte!
Portanto, para pessoas como Mestre Didi, a morte não existe! 
Como se costuma dizer quando falece um rei entre os povos nagôs da atual Republica do Benim (antigo Daomé, onde se localiza hoje o reino de Ketu), o rei não morre, ele simplesmente "volta para Ile-Ife" a casa de seus pais, a origem do mundo iorubano.



Escultura Tradicional representando os Reis de Ifé, Oni Ifé

Por isso também que a passagem de grandes personagens costuma ser ocasião de grande festividade no meio de seus descendentes, pois, para nos iorubanos, tal morte e' uma festa! O canto que mais se ouve nas ruas em tais momentos, e que ora cantamos para acompanhar o translado definitivo de Mestre Didi é: 
 

Ile lo lo tarara,
Ile lo lo tarara,
Baba re'le o,
Ile lo lo tarara!
Mestre Didi re'le o, 
Ile lo lo tarara!
Oko Juanita re'le o 
Ile lo lo tarara!,
Omo Osunmuyiwa re'le o,
Ile lo lo tarara!
Baba Inaicyra re'le o, 
Ile lo lo tarara!
Omo Asipa Borogun re'le o, 
Ile lo lo tarara!






Opo Baba N'lawa, replica da escultura de Mestre Didi no Rio Vermelho 
Foto: M.A.Luz

 
Neste momento em que todos lamentamos profundamente a morte física do Alapinni, temos que nos lembrar dessa profunda filosofia da nação iorubana: As lágrimas que derramamos são lagrimas de gratidão para a plenitude da vida levada pelo nosso querido Baba que hoje terá maiores condições de velar pelo nosso bem-estar coletivo. 
Aproveitamos o momento para mandar, em nome dos lideres do culto e da tradição aqui na iorubalandia os nossos sentimentos mais sinceros para todos os entes queridos que Mestre Didi deixou neste ato de retorno definitivo ao Ile eterno para se juntar aos orixás e ancestrais. Em nome do Awise Wande Abimbola, em nome do Embaixador Olabiyi Babalola Yai, em nome do Alaketu (rei de Ketu), em nome do Ooni Adimula Okunade Sijuade (rei de Ile-Ife), em nome do Alaafin (rei de Oyo), enfim, em nome de todos nos filhos e filhas, irmãos e correligionários no Axe que tivemos a maior bem-aventurança de conhecer e conviver com o grande Mestre Didi, aprendendo de sua grandiosa e generosa fonte de sabedoria iorubana, mando aos familiares e descendentes no Axé do agora querido ancestral Alapinni Didi, os nossos pêsames. Ojo a jinna sira o! Axé!. 


* Imagens de Internet

MORTE, ORIXÁ IKU

Por Marco Aurélio Luz
Elebogi ati Oju Oba




Cortejo Funerário ao Mestre Didi
                                           
O que eu aprendi sobre Morte, orixá Iku foi na ambiência do culto aos Eungun, ancestres e ancestrais masculinos , e do culto aos orixá, princípios e forças cósmicas que regem o universo de acordo com nossa tradição religiosa nagô, principalmente através da convivência com meu pai , o Alapini, sacerdote supremo, Mestre Didi.
Foi assim que aprendi que ye ati iku okan naa ni vida e morte são uma coisa só. Quando viemos a esse mundo o aiye, já sabemos que um dia retornaremos ao orun, o além.
Nós só temos essa vida e temos que aproveitá-la da melhor maneira possível aproveitando do destino que constitui nossa passagem, nossa viagem procurando o nosso bem de estar nesse mundo.
 De acordo com os itans os contos da cosmogonia, escolhemos nosso destino antes de chegar nesse mundo. Pode-se escolher bons ou maus destinos que regem Ori, a Cabeça e o Orí Inu o interior da Cabeça, nossa parte interligada ao orun. A escolha depende da interação com Ajala, orixá antigo que faz boas e más cabeças e pode ajudar em se optar por uma com um bom destino que permita realizar a viagem sem muitas atribulações.
A energia sagrada que dá dinamismo e impulsiona os destinos chamamos axé. O conhecimento e o modo como se promove e se fortalece o axé é atribuição dos ilê axé, as casas de axé onde se constitui a religião e se celebram os rituais necessários e as iniciações sacerdotais.
O axé é força vital circulante que pode aumentar ou diminuir conforme a realização dos rituais que constituem a tradição religiosa.
Nessa tradição quanto mais se cuida e se mantém os rituais necessários melhor será o fluxo dos destinos. Manter a tradição é a forma de ter o axé dos destinos individuais e comunitários fortalecidos.
Daí que a participação comunitária é essencial na manutenção do ilê axé que garante a dinâmica do ciclo vital.
A comunidade é hierarquicamente organizada de acordo aos valores que visam a proteger e expandir a tradição.
Iku, Morte, orixá masculino não possui assentamento, está sempre em volta do mundo realizando sua missão que é de promover as restituições. Vai-se para dar vez a outros é como aprendemos.
As restituições são das matérias que constituem nossos corpos de volta a terra, ilé.
Um itan, uma história conta que no inicio da criação, Oxalá pediu a colaboração dos demais orixá para encontrarem a matéria capaz dele poder fazer os seres que iriam habitar no aiye.

Oxalá suporta o mundo
Escultura de Mestre Didi

Depois de muito procurarem e selecionarem encontraram o barro umedecido ou lama, enfim água e terra. Após retirarem um pedaço que acharam ser a melhor matéria primordial perceberam que a lama ficou vertendo água, ficou chorando. Então resolveram devolver. Contudo um orixá, Iku resolveu levar um pedaço mesmo assim. Oxalá ficou bastante satisfeito com a matéria, com a lama que iria moldar a individuação dos seres, inclusive os seres humanos.
Todavia quando contaram o que se passara ele então delegou a Iku a obrigação de restituir a matéria para que sempre se tenha o necessário para garantir a Existência.
Então uma noção de justiça é de promover essa restituição. O orixá princípio dessa matéria primordial, agua e terra é Nanan. Uma cantiga diz “ Salare Nanan olu odo” orixá da justiça que promove as restituições. E ainda “Nanan iku re” Nanan é morte.
Fun fun , a cor branca que representa a existência abstrata não concreta, não individualizada, e azul escuro, equivalente a dudu a cor preta representa o interior da terra onde se processa o mistério dos contínuos renascimentos.

Ibiri ati ejo Oxumaré
Escultura de Mestre Didi

Oxumare, filho de Nanan rege o princípio dos renascimentos caracterizado pelo arco íris, multiplicidade de cores diversidade da existência multiplicidade dos destinos em contínuo ciclo vital, emerge da terra e a ela retorna.
Aqueles sacerdotes que se dedicaram de “corpo e alma” através de sucessivas gerações na manutenção e preservação da tradição fortalecendo o axé que permita o fluxo tranquilo dos destinos serão cultuados como ancestrais e assim continuarão colaborando com os rituais que constituem a religião. Nenhum ritual, mobilizador de axé, se realiza sem a invocação dos ancestrais ilustres que integram a constelação das entidades da comunidade. Nesse sentido os ancestrais nunca morrem eles estarão sempre presentes na vida da comunidade religiosa.
No culto aos Egungun a cada ciclo ritual do calendário litúrgico eles virão para proteger e se divertir compartilhando a alegria da comunidade religiosa guardiã das tradições em seu ritmo de existência para que esse mundo não se acabe.
Ao encerrar convém ressaltar que por mais que se procure saber o que é Morte nós não saberemos. Conviver com esse mistério do existir, esse não saber, é a verdadeira sabedoria.


* Imagens da Internet



sábado, 14 de setembro de 2013

FORMATURA DO CURSO DE SAMBA DE VIOLA DA ASSOCIAÇÃO DO GRUPO DA 3ª IDADE ETERNA JUVENTUDE



Ilustração do convite da formatura

No dia 06 de setembro a Associação do Grupo da Terceira Idade Eterna Juventude, realizou no Espaço Cultural da Câmera de Vereadores do município de Salvador a solenidade de formatura do Curso de Samba de Viola 2013, sob a coordenação do artista plástico e educador Joaquim Assis.


O  artista plástico e educador Joaquim Assis abrindo a cerimônia de formatura 
 Criada em 13 de janeiro 2002, a Associação do Grupo da Terceira Idade Eterna Juventude é uma instituição sem fins lucrativos dedicada a promover o bem-estar do idoso e resgatar sua autoestima, por meio da reintegração social.
A Associação surge inicialmente como uma “brincadeira” de carnaval.
Em janeiro de 2000, o artista plástico Joaquim Assis convida alguns amigos, entre os principais, Cilene Nogueira, Jairo Gomes e Leni Maria, para criar um bloco de carnaval que resgatasse as marchinhas tradicionais, lembrasse o ritmo das escolas de samba e trouxesse a inovação nas fantasias, já que estas eram confeccionadas pelos próprios membros do bloco utilizando material reciclado. O trabalho foi tão satisfatório, que o artista plástico iniciou um projeto de resgate da cultura popular aliado à arte de reciclar. Neste projeto, os idosos participam das principais festas populares do estado da Bahia sempre vestidos com roupas confeccionadas com material reciclável de embalagens de café, rótulos de refrigerantes, embalagens de polpa de frutas, entre outras.” (http://grupoeternajuventude.webnode.pt/historia/).

As roupas da formatura foram confeccionadas pelas formandas que dedicaram tempo de criatividade e competência na finalização das roupas.As batas com os bordados coloridos, foram encomendadas no Ceará.Os adereços, foram escolhidos com muito esmero e criatividade pelo artista plástico Joaquim Assis. 










 A formatura foi muito prestigiada por amigos e familiares, que viveram momentos de muita alegria e orgulho ao assistirem as performances apresentadas pelos/as idosos/as no embalo do ritmo saboroso do samba de viola.
Nomes dos/as formandos/as no convite
  

Amigos e familiares prestigiaram a formatura







Prestigiando o evento estava a Professora Arany Santana Coordenadora de Cultura do Estado da Bahia.


Arany Santana foi homenageada pela Associação do Grupo da Terceira Idade Eterna Juventude e eleita madrinha da Associação que  reconhece na sua pessoa,  o apoio e incentivo que vem dando ao grupo desde a sua fundação.

Vale destacar que uma das formandas foi a Professora Joselita Anunciação do Patrocínio Lima,Priora da Irmandade do Rosário dos Pretos e que integrou a Coordenação da Associação Crianças do Abaeté.


Professora Joselita Anunciação do Patrocínio Lima num dos momentos de culminância do evento dançando a valsa com seu esposo e padrinho de formatura Raimundo Lima


Professora Joselita Anunciação do Patrocínio Lima  ao lado do seu irmão Professor Narciso José do Patrocínio e seu colega de curso o formando Srº Luís Carlos Pinto Ribeiro


Professora Joselita Anunciação do Patrocínio Lima  dançando a falsa de formatura com seu  irmão Professor Narciso José do Patrocínio


Professora Joselita Anunciação do Patrocínio Lima ao lado da sua sobrinha Narcimária Correia do Patrocínio Luz


Prestigiando a formatura Professor Narciso José do Patrocínio e sua filha a Professora Narcimária C.P. Luz

 A seguir alguns momentos que registramos durante a solenidade.






As fotos que se seguem registram os bastidores antes da cerimônia.
Vejam a elegância e charme das formandas.


Srª Sônia Braga Rodrigues Cardoso

 
Srª Pulcheria Bonfim da Silva











A cerimônia culminou com todos/as formandos/as dançando valsa com seus padrinhos e madrinhas.
Pura felicidade!
Tudo divertido!






Casal Joselita e Raimundo

Parabéns a turma de formandos/as de 2013 da Associação do Grupo da Terceira Idade Eterna Juventude!
Vocês são referências de altivez e ânimo para viver a dinâmica do tempo,sem abrir mão da alegria que a vida carrega apesar dos pesares...



Para as gerações mais novas que censuram os caminhos do tempo, que nos tornam paulatinamente idoso/a,há uma "Oração ao Tempo" de autoria de Caetano Veloso.A bela poesia do tempo, nos ajudará a concluir esse breve registro, fazendo a síntese das emoções que vivenciamos assistindo as performances dos formandos/as na noite do dia 06 de setembro:

És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
 Tempo tempo tempo tempo
 Vou te fazer um pedido
 Tempo tempo tempo tempo...

Compositor de destinos
 Tambor de todos os rítmos
 Tempo tempo tempo tempo
 Entro num acordo contigo
 Tempo tempo tempo tempo...

Por seres tão inventivo
 E pareceres contínuo
 Tempo tempo tempo tempo
 És um dos deuses mais lindos
 Tempo tempo tempo tempo...
Que sejas ainda mais vivo
 No som do meu estribilho
 Tempo tempo tempo tempo
 Ouve bem o que te digo
 Tempo tempo tempo tempo...

Peço-te o prazer legítimo
 E o movimento preciso
 Tempo tempo tempo tempo
 Quando o tempo for propício
 Tempo tempo tempo tempo...

De modo que o meu espírito
 Ganhe um brilho definido
 Tempo tempo tempo tempo
 E eu espalhe benefíciosTempo tempo tempo tempo...

O que usaremos prá isso
 Fica guardado em sigilo
 Tempo tempo tempo tempo
 Apenas contigo e comigo
 Tempo tempo tempo tempo...

E quando eu tiver saído
 Para fora do teu círculo
 Tempo tempo tempo tempo
 Não serei nem terás sido
 Tempo tempo tempo tempo...

Ainda assim acredito
 Ser possível reunirmo-nos
 Tempo tempo tempo tempo
 Num outro nível de vínculo
 Tempo tempo tempo tempo...

Portanto peço-te aquilo
 E te ofereço elogios
 Tempo tempo tempo tempo
 Nas rimas do meu estilo

 Tempo tempo tempo tempo...



E aí?
Vamos ouvir agora um disco de samba de viola legítimo?
 Crie um ambiente bem divertido na sua casa e caia no SAMBA!