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PRODESE E ACRA



VIDA QUE SEGUE...Uma
das principais bases de inspiração do PRODESE foi a Associação Crianças Raízes
do Abaeté-Acra,espaço institucional onde concebemos composições de linguagens
lúdicas e estéticas criadas para manter seu cotidiano.A Acra foi uma iniciativa
institucional criada no bairro de Itapuã no município de Salvador na Bahia, e
referência nacional como “ponto de cultura” reconhecido pelo Ministério da
Cultura. Essa Associação durante oito anos,proporcionou a crianças e jovens
descendentes de africanos e africanas,espaços socioeducativos que legitimassem
o patrimônio civilizatório dos seus antepassados.
A Acra em parceria com o Prodese
fomentou várias iniciativas institucionais,a exemplo de publicações,eventos
nacionais e internacionais,participações exitosas em
editais,concursos,oficinas,festivais,etc vinculadas a presença africana em
Itapuã e sua expansão através das formas de sociabilidade criadas pelos
pescadores,lavadeiras e ganhadeiras,que mantiveram a riqueza do patrimônio
africano e seu contínuo na Bahia e Brasil.É através desses vínculos de
comunalidade africana, que a ACRA desenvolveu suas atividades abrindo
perspectivas de valores e linguagens para que as , crianças tenham orgulho de
ser e pertencer as suas comunalidades.
Gostaríamos de registrar o nosso
agradecimento profundo a Associação Crianças Raízes do Abaeté(Acra),na pessoa
do seu Diretor Presidente professor Narciso José do Patrocínio e toda a sua
equipe de educadores, pela oportunidade de vivenciarmos uma duradoura e valiosa
parceria durante o período de 2005 a 2012,culminando com premiações de destaque
nacional e a composição de várias iniciativas de linguagens, que influenciaram
sobremaneira a alegria de viver e ser, de crianças e jovens do bairro de
Itapuã em Salvador na Bahia,Brasil.


quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

WALDEMAR SANTANA,Um nome na história

Imagem disponível em
http://mundomarcial.site40.net/images/capoeira_site.jpg
Por Marco Aurélio Luz
Hélio Gracie  foi grande , mas não podemos esquecer de Waldemar Santana.
 
Num programa de TV recente o Mestre de capoeira Boa Gente, lamenta que um feito histórico não esteja devidamente registrado como merece. Segundo ele, a história permanecerá incompleta sem a presença heróica de Waldemar Santana.
Um aluno de capoeira de Mestre Bimba, meu amigo Muniz Sodré, o Americano, contou-me que em uma de suas lições o mestre perguntou aos seus alunos o que fariam se tivesse pela frente alguém os ameaçando armado com uma faca. Todos contaram suas bravatas demonstrando os golpes que dariam para livrá-los de tal situação e ainda dominar o agressor. Mestre Bimba nada disse, só ouviu. 
Mas a ansiedade do grupo fez com que ousassem a pergunta inevitável:

-E o senhor Mestre o que faria?
Ao que Bimba respondeu mais ou menos assim:
-Eu? Eu saía correndo! Se insistisse procurava uma esquina para surpreender escorando...

Imagem disponível no Google imagens Mestre Bimba, criador da Capoeira Regional

A capoeira nasce com a ginga para enfrentar um adversário melhor armado, procurando estratégias de contornar e evitar o combate de frente, para surpreender num momento mais favorável. É a inspiração da Rainha Ginga do Ndongo (Angola), a Rainha Invisível, na luta contra os portugueses escravistas, guerra de deslocamentos através dos kilombos, acampamentos militares que manteve a independência de seu território em 1.657.


Monumento em homenagem à Nzinga Bandi Kiluanji em Angola, a Rainha Ginga
Imagem disponível no Google imagens
“Pois, pois”, como dizem os outros...
No ano de 1955 Waldemar Santana um dos maiores lutadores que o mundo já viu discípulo de Mestre Bimba, morando no Rio de Janeiro estava na ambiência da academia de jiu-jítsu de Hélio Gracie, até então, tido como maior lutador do Brasil. 

Waldemar Santana
Imagem disponível no Google imagens
Vai que quis o destino que Waldemar fosse enfrentar Hélio numa luta de vale tudo, com quimono e sem rounds e tempo determinado. O público lotou o ginásio de esportes. Com toda imprensa apoiando Hélio, envolvida pelas ideologias racistas só esperavam a confirmação da "superioridade do branco descendente de inglês".
Em entrevistas em revistas e jornais Hélio Gracie se gabava de além de ser o exímio lutador de jiu-jítsu e de ter já vencido os mais temíveis lutadores do Oriente e do Brasil, era ele um Gracie, descendente de ingleses por si só superior ao negro Waldemar que inclusive desonrara a sua academia se prestando a lutar em lutas combinadas de exibição para ganhar algum dinheiro.
O jornal Última Hora abriu espaço para promover o desafio e diante das afirmações de Hélio Gracie, o “Leopardo Negro”, Waldemar Santana o desafiou. Com a ideia de dar uma lição no jovem ousado, Hélio logo aceitou.
  

Waldemar Santana também frequentava academia de capoeira no R.J.
Imagem disponível no Google imagens
A luta tornou-se uma das mais longas que o mundo já viu. Sabendo que as armas de Hélio eram as chaves do jiu-jitsu, Valdemar adotou a tática do tatu, acocorado no chão enfeixado sobre si mesmo, não permitia uma sobra de membro que pudesse favorecer as táticas do adversário. Quando esse dava uma brecha tentando catar um braço, uma perna, um dedo, um pescoço, Valdemar punha-se de pé e forçava Hélio a persegui-lo dando um e outro golpe no contra ataque, em seguida, pronto novamente enroscado como o tatu. Depois de 3 horas e 45 minutos, considerada a luta de vale- tudo mais longa do mundo, com Hélio exausto e desguarnecido Valdemar desferiu a meia lua de compasso, o pé voa na cara do oponente. O adversário caiu desfalecido.

A vitória histórica de Waldemar Santana sobre Helio Gracie
Imagem disponível no Google imagens

Um verdadeiro tsunami atingiu os entulhos ideológicos racistas espalhados pela mídia em geral. Todavia Nelson Rodrigues escreveu famosa crônica enaltecendo o feito.
“Há 20 e tantos anos que os Gracie mantinham uma invencibilidade que parecia definitiva. Por isso há tanta gente querendo dar rádio, televisão, e até ferro elétrico a Waldemar. E não há dúvida de que ele bem o merece.
No dia de sua vitória, houve alegria universal, sim. O fraco sentiu-se menos fraco, o humilhado menos humilhado, e o marido que não pia em casa levantou, por 24horas
 a crista abatida. Todos nós somos cúmplice de Waldemar.”[1]
Waldemar Santana, filho da Bahia, a Roma Negra, como disse Mãe Aninha, Iyalorixa Oba Biyi, entra para nossa história, para nossa honra.




[1] http://oglobo.globo.com/esportes/o-centenario-do-pai-do-jiu-jitsu-10218847

2 comentários:

  1. o fato do waldemar desafiar seu professor, que alem de mais velho, quase 20 anos maoir do que ele, eh uma covardia, se voces comemoram ese tipo de comportamento pois bom, nao tenho nada mais que dizer

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  2. em 1973 eu trenei em uma academia que Valdemar Santana era o professor,como e bom ouvir historias deste grande ídolo;;;

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