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PRODESE E ACRA



VIDA QUE SEGUE...Uma
das principais bases de inspiração do PRODESE foi a Associação Crianças Raízes
do Abaeté-Acra,espaço institucional onde concebemos composições de linguagens
lúdicas e estéticas criadas para manter seu cotidiano.A Acra foi uma iniciativa
institucional criada no bairro de Itapuã no município de Salvador na Bahia, e
referência nacional como “ponto de cultura” reconhecido pelo Ministério da
Cultura. Essa Associação durante oito anos,proporcionou a crianças e jovens
descendentes de africanos e africanas,espaços socioeducativos que legitimassem
o patrimônio civilizatório dos seus antepassados.
A Acra em parceria com o Prodese
fomentou várias iniciativas institucionais,a exemplo de publicações,eventos
nacionais e internacionais,participações exitosas em
editais,concursos,oficinas,festivais,etc vinculadas a presença africana em
Itapuã e sua expansão através das formas de sociabilidade criadas pelos
pescadores,lavadeiras e ganhadeiras,que mantiveram a riqueza do patrimônio
africano e seu contínuo na Bahia e Brasil.É através desses vínculos de
comunalidade africana, que a ACRA desenvolveu suas atividades abrindo
perspectivas de valores e linguagens para que as , crianças tenham orgulho de
ser e pertencer as suas comunalidades.
Gostaríamos de registrar o nosso
agradecimento profundo a Associação Crianças Raízes do Abaeté(Acra),na pessoa
do seu Diretor Presidente professor Narciso José do Patrocínio e toda a sua
equipe de educadores, pela oportunidade de vivenciarmos uma duradoura e valiosa
parceria durante o período de 2005 a 2012,culminando com premiações de destaque
nacional e a composição de várias iniciativas de linguagens, que influenciaram
sobremaneira a alegria de viver e ser, de crianças e jovens do bairro de
Itapuã em Salvador na Bahia,Brasil.


domingo, 19 de junho de 2011

Muitas solicitações eram feitas ao grande e genial compositor João do Vale,dentre elas o convite nos anos de 1960 para fazer uma palestra nos EUA, sobre o repertório semântico nordestino que caracterizava as suas obras.. Faleceu em 06 de Dezembro de 1996 em São Luís no Maranhão.
Sua contribuição para a MPB é riquíssima!
A música "Coroné Antônio Bento", de sua autoria com Luiz Vanderley,foi interpretada com muito sucesso em 1970 por Tim Maia.

LUIZ WANDERLEY

Sebastião Rodrigues Maia,o conhecidíssimo Tim Maia,nasceu em 28 de setembro de 1942 em Niterói no Rio de Janeiro.
Tim Maia,era um artista completo:compunha ,cantava,sabia tocar vários instrumentos,dramatizava,e com sua sinceridade fazia reflexões bem interessantes.
Introduziu o estilo soul na música popular brasileira,e de recriações belíssimas cheias de suingue e muito ritmo com seu vozeirão rouco,grave e criativo.Morreu em 15 de março de 1998.




Na letra da música "Coroné Antônio Bento", João do Vale e Luiz Vanderley citam o pianista carioca Bené Nunes(16/11/1920-07/06/1997),muito respeitado e requisitado nos grandes bailes no Rio de Janeiro,capital do Brasil na época  dos anos 1950.O presidenteJuscelino Kubitschek era um dos fãs de Bené Nunes.Bené Nunes tinha orquestra considerada a mior da América do Sul, e realiza bailes famosos no Rio e foi um dos incentivadores da geração da “bossa nova”.
Bené Nunes também ficou conhecido como  "pianista-galã" do cinema e das rádios.


BENÉ NUNES


Então, assistam agora o vídeo com Tim Maia cantando "Coroné Antônio Bento"

"Coroné Antônio Bento" por Tima Maia

Daqui pra frente pessoal,só dá vídeo e áudio com interpretações maravilhosas que marcaram épocas e até hoje continuam embalando nossas vidas no nordeste e no Brasil.Aproveitem para dançar e cantar!

Comecemos com Jackson do Pandeiro com um dos seus clássicos:"Chiclete com Banana"
Divirtam-se!

O Canto da Ema por Jackson do Pandeiro e João do Vale

Pout Porrit de Quadrilha por Luiz Gonzaga

Respeita Januário * Xote das meninas * Eu só quero um xodó por Gilberto Gil

Pout Porri do Interior - Chiclete com Banana

Escutem a canção São João Xangô Menino por Maria Bethania

sábado, 11 de junho de 2011

UMA ARTE DA ESSÊNCIA OCULTA

Por Ola Balogun

Tradução Marco Aurélio Luz

Pesquisa de imagens e epígrafes Marco Aurélio Luz

 
"O escultor africano interpreta uma visão coletiva do mundo"
(Ola Balogun)

As formas da arte africana não se caracterizam de nenhum modo por uma unidade de estilos, e seria um erro pensar que todas elas têm um alcance e uma orientação idênticas. Toda cultura é resultado de múltiplas correntes, por vezes inclusive aparentemente contraditórias, e a arte africana não é uma exceção à regra.
Então, embora não exista uma única forma de arte que se possa definir como estritamente africana,todavia existe sim, em troca um amplo conjunto de estilos e de formas que constituem a arte africana.



Painel com diversos estilos de esculturas


Por seu ambiente e por sua motivação, esta arte não se parece com nenhuma outra. As formas de arte africanas, raramente tem por finalidade tão somente divertir. Embora às vezes apresentem uma parte de diversão não é esse seu aspecto mais importante. Nas cerimônias que se utilizam de “máscaras” o essencial é o caráter ritual da representação. Isto não impede que a própria dança, ou às vezes a perseguição simulada dos espectadores por entidades ou personagens “mascarados”, introduzam um elemento recreativo. Todavia a prática da dança não se limita a esse fim de pura diversão a não ser quando surge em certas festas ou celebrações.

Comparando, os elementos dramáticos das cerimônias rituais nunca se apresentam independentemente do contexto do qual fazem parte e cujo objetivo principal não consiste certamente em divertir.
A única exceção notável desta regra talvez se refira à arte dos narradores e dos cantores ambulantes que buscam manifestamente o objetivo de distrair o público em troca de uma remuneração. Mas, inclusive nesse caso longe de serem puras distrações, os contos e epopéias procuram tratar, sobretudo de expor princípios morais ou relatar feitos importantes.
As formas de arte mais correntes na África são a escultura (madeira ferro, pedra, bronze, barro cozido etc.), a arquitetura, a música, a dança, os ritos de caráter dramático, a literatura oral, etc. São pois, muito mais diversas e numerosas do que se supõe. São também mais complexas e mais diversificadas do que se desprende dos estudos etnológicos em geral. O exemplo das “máscaras” por um lado, e a dança dos ritos de caráter dramático, por outro, podem ajudar-nos a compreender sua significação.
A escultura (em madeira ou em outros materiais) é um dos pilares da arte africana ao mesmo tempo em que é a que mais foi divulgada no estrangeiro. As esculturas de madeira mais notáveis são as “máscaras” que integram as cerimônias.
Essas esculturas foram objeto de muitas interpretações errôneas, sobretudo porque pretenderam julgá-las aplicando os critérios estéticos da Europa ocidental.
O melhor exemplo desta confusão é de quem afirma que a arte africana é “primitiva”, baseando-se na teoria de que se os escultores africanos são incapazes de fazer uma cópia exata das formas naturais, de acordo ao estilo greco-latino clássico. Daí se deduz um corolário que carece também de todo fundamento, qual seja que em sua evolução a humanidade passou por uma fase de arte “tosca” antes de chegar por fim a perfeição formal da arte greco latina.
Este raciocínio é evidentemente falso. Em primeiro lugar os critérios estéticos não incorporam obrigatoriamente a idéia de imitação das formas naturais. Em segundo lugar,somente uma visão etnocêntrica de mundo permitiria afirmar que a inexistência de uma concepção estética análoga a surgida na Europa ocidental significa uma falta de perfeição formal.

O juízo estético que cabe formular a respeito das “máscaras” deve correr paralelo com uma perfeita compreensão de sua finalidade. Convém então analisar o caráter das cerimônias africanas cujos participantes convivem com as “máscaras” e o clima geral em que se desenrolam.



O Rosto do Divino- Na maioria das culturas africanas a “máscara” não constitui um disfarce, mas sim uma representação do divino. Assim o mito e a “máscara” estão indissoluvelmente unidos. As reproduzidas são da Costa do Marfim./ Foto de Fulvio Roiter in Correio da UNESCO.Essa epígrafe consta no Correio da UNESCO.

Estas cerimônias sagradas, obedecem em geral a um ritual destinado a invocar as
 entidades ou a estabelecer uma comunicação entre elas e a coletividade, e ao mesmo tempo, pretendem recordar à seus membros os vínculos que os unem com as forças não humanas do Universo. Daí que as considerem como a manifestação material de uma força inacessível, como uma encenação temporal de algo que ultrapassa os limites humanos. Todavia, se trata de uma manifestação que exige para se produzir a participação dos humanos. As entidades estão presentes com a participação dos humanos cujos rituais dramáticos, incluem a presença inclusive de “máscaras”. Mas há também situações que o sacerdote deixa de ser humano, para se converter num avatar da divindade ou do ancestral cuja presença se invoca. Deve pois, distinguir-se dos demais seres humanos por um signo ou um conjunto de signos.
Inclusive quando existe uma forma convencional, o que o escultor aspira alcançar é uma essência oculta, e não uma aparência exterior. O estilo do escultor de “máscaras” tem sua origem em uma certa concepção, que lhe vem do sistema de crenças religiosas e do âmbito conceitual em que ele vive e trabalha. No limite muito geral das crenças e convenções da comunidade, há sempre uma ampla margem de liberdade e improvisação. Se a divindade cuja “máscara” invoca  presenças que provoquem espanto, não se exigirá ao artista que copie fielmente as “máscaras” de acordo aquelas em que a divindade já foi representada, mas sim que evoque a idéia de uma presença temível, desde que se mantenha fiel às regras e convenções artísticas locais.
Um dos principais elementos de tal transformação é a “máscara”. Somente nos aprofundando é que poderemos perceber que a função essencial da “máscara” (e do traje ritual em geral), consiste em sugerir e demonstrar a presença do sobrenatural, e pode-se compreender então o marco teórico em que trabalha o escultor. Os artistas da Europa ocidental nos quais sucede a influência da arte africana, não parecem ter percebido nela senão a intenção de representar formas naturais de um modo abstrato, abstração que o cubismo e outros movimentos levaram ao extremo. Portanto, se tratava de um erro de interpretação, que obedecia a um desconhecimento do contexto intelectual próprio do escultor de “máscaras” na África.


Elemento do culto aos ancestrais Fang, que é um povo presente no norte do Gabão, ao sul do Cameroun e na Guiné Equatorial


Em muitos sentidos, as “máscaras” africanas manifestam um perfeito domínio, perfeito amplamente estudado das técnicas da criação. Um dos aspectos mais notáveis desta arte é quem sabe a capacidade de realizar assombrosas simplificações plásticas a partir de formas naturais.
Diante da maioria das “máscaras”, temos a impressão de que o escultor quis ultrapassar a simples aparência exterior das formas naturais para apreender a sua essência e que a partir dessa apreensão se criou novas estruturas. Se tomarmos como exemplo essas obras mestras que são as “máscaras” bambaras conhecidas com o nome de tyiwara, as quais se inspiram na forma e na graça do antílope, observamos que o que fica deste animal, como forma visível, se reduz a uma mera sugestão de seus atributos essenciais: suas linhas lisas e seu aspecto gracioso, a que se somam alguns elementos decorativos. Contemplando uma dessas esculturas, transcendemos a forma exterior para aprofundar no ser do animal mítico, simbolizado, em sua essência, pela forma do antílope.


Tiy-wara, o tema do antílope é característico do povo Bambara que vive no Mali, e também na Guiné, Burkina Faso e Senegal.

http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/sala_de_aula/geografia/geografia_geral/africa/geral_africa_2_cultura_material_e_arte


A simplificação dos motivos naturais percebidos, incita por vezes, o escultor a elaborar uma concepção geométrica do objeto que constitui a fonte de sua inspiração. Em tal caso, os olhos se convertem em círculos ou em quadrados perfeitos, ou simples linhas oblíquas, e essas formas permanecem equilibradas, em intervalos, com outros traços concebidos da mesma forma.
As célebres “máscaras” basongues, originárias da bacia do Congo oferecem um exemplo notável a esse respeito. Não somente se dispõe as feições em torno de um conjunto geométrico constituído por quadrados (que são os olhos), mas, além disso, toda uma série de linhas curvas e em relevo sulca a superfície da máscara e acentuam seu caráter.


Escultura de estilo de povo da bacia do Congo


Este modo de manejar as formas geométricas, leva a introduzir elementos rítmicos no campo da plástica, graças aos efeitos de simetria e de assimetria obtidos mediante a disposição dos diversos elementos. Em muitas “máscaras” congolesas e gabonesas, a repetição de curvas regulares que representam certos traços do rosto como, por exemplo, as sobrancelhas, os olhos e os lábios, criam uma série de ritmos que recordam os ritmos musicais.
Mais surpreendente ainda, é a concepção arquitetônica de muitas “máscaras” esculpidas inclusive quando é concebida para ser levada verticalmente diante do rosto, a “máscara” raramente consiste em uma superfície plana. Na maioria dos casos vai muito mais além de sugerir formas de duas dimensões, da realidade e tentar encaixar num espaço tridimensional.
Pode-se utilizar o espaço de três dimensões plenamente no caso da “máscara” para cabeça, que se leva horizontalmente sobre esta. È o caso da “máscara” bambara (tyi-wara) ou de certas “máscaras” baules, senufos, (Costa do Marfim), e iyos (Nigéria meridional). As primeiras representam espíritos de búfalo, e os demais espíritos da água. Durante a dança o dançarino lhe apresenta aos espectadores (conforme o lugar que ocupam) desde os diversos ângulos, o qual produz em cada posição, um efeito visual
diferente. E, efetivamente, o aspecto da máscara contemplada de frente é totalmente distinto da que se apresentam quando se olha de perfil, e o dançarino ao baixar a cabeça, se observa que também a parte de cima está concebida de um modo distinto. O focinho e os dentes do personagem mítico podem perceber-se como a parte mais importante quando se olha de frente, e as orelhas e os chifres quando é contemplado de perfil. Olhando desde cima, o focinho e os dentes desaparecem do todo e somente são visíveis as formas geométricas construídas em torno dos traços da cara.
As características das formas – A “máscara” de cara e a “máscara” de cabeça – podem estar associadas (as “máscaras” geledes dos yorubas da Nigéria meridional costumam cobrir o rosto e a cabeça). A cara da “máscara” pode representar o rosto humano, embora a cabeça e a coroa representem personagens ou animais esculpidos em relevo e ilustrando diversas atividades: leopardos, guerreiros, cavalos ou soberanos sentados sobre seu trono. Em certas versões recentes aparecem inclusive automóveis e aviões.

Gelede- elemento estético ritual do culto Gelede muito afamado no reino de Ketu, Nigéria. O rosto traz uma coroa adornada com motivo de quatro pássaros aludindo à simbologia das Iya mi as mães ancestrais e aos valores dos princípios de sociabilidade de colaboração e repartição. Acervo e foto M.A.Luz

O escultor africano procura deleitar a vista do espectador sobre tudo com esses acréscimos ornamentais. Os elementos decorativos que utiliza mais comumente consistem em formas geométricas ou em pequenos motivos repetidos num certo número de vezes em temas distintos e novos que venham a somar com a cultura original. Em último caso uma cara humana poderá aparecer coroada, por exemplo, por um pássaro ou por qualquer outro elemento estranho, acrescentado também uma finalidade decorativa.


Acréscimos ornamentais, desenhos geométricos


No campo da plástica é difícil superar a audácia de certas “máscaras” africanas. Em uma “máscara” bachamam (Camerun), que representa em forma muito estilizada um rosto humano, as bochechas são estruturas cônicas salientes cuja parte superior, ligeiramente arredondada, serve de suporte aos olhos, que se situam em um plano horizontal. Debaixo das sobrancelhas as órbitas são transformadas em superfícies verticais alargadas que dominam os olhos como a parte superior de uma concha de ostra em que estão apoiadas.
A influência da arte africana que demarca o aparecimento da “arte moderna” está patente na pintura célebre de Picasso “Les Demoiselles D`Avignon”.


Um tratamento tão audaz das superfícies (o movimento cubista se desenvolveu precisamente através da influência direta desse estilo) seria inimaginável sem uma concepção muito avançada e sem um domínio total dos fatores e plásticos. Em certo sentido, a “máscara” é um instante de eternidade petrificado, mas os movimentos da dança lhe darão nova vida e a submergirão em um ritmo da existência humana.
Por um estranho paradoxo, o artista consegue uma liberdade completa em seu modo de tratar as formas precisamente porque suas próprias preocupações estéticas cedem ao ritmo e a função que desempenha a “máscara”.

Com efeito, a finalidade de seu trabalho consiste freqüentemente em sugerir formas e materiais, e não em copiar diretamente da natureza.

A arte da decoração se manifesta de modo ainda mais evidente em objetos puramente decorativos de uso doméstico. Muitos objetos pequenos do mobiliário têm elementos decorativos, que vão desde formas geométricas até personagens ou outros acréscimos ornamentais, às vezes de tamanho natural.

A arte africana, tanto profana quanto sagrada, dá sempre amostra de um grande refinamento. O escultor sabe imprimir no objeto doméstico, o utensílio de uso cotidiano a mesma nobreza, a mesma graça que se destaca na estátua ritual ou o elemento de relicário. Exemplo disso é essa escultura de estilo luba (sul do Zaire) cujo suporte está formado por um homem e uma mulher que se acariciam com pudor e ternura./foto Willy Kerr Coleção Particular, Bruxelas in Correio da UNESCO
A semelhança das “máscaras”, a maioria dos objetos esculpidos africanos é de madeira. Não se trata de objetos concebidos com finalidades estéticas e para serem apresentados como tais. A maior parte dessas esculturas africanas são objetos mágicos ou representações simbólicas de antepassados ou de entidades e por conseqüência, sua finalidade essencial é representar essa função. O escultor procura antes de tudo  adaptar seu estilo a ela, ajustando-se por sua vez às tradições artísticas que herdou. Assim, quase nunca tentará reproduzir as feições naturais e criar uma obra realista. Daí se deduz que seja raro encontrar estátuas de tamanho natural ou inclusive que respeitem as proporções dos seres vivos reais.
Talismã de fecundidade – um homem e uma mulher sentados apresentam  mutuamente uma menina. Com esta escultura também de arte luba, se procura invocar a força vital que incrementa a família./foto W. Hugentobier, Museu de Etnografia de Neuchatel, Suíça, in Correio da UNESCO.

Precisamente porque o escultor não concebeu sua obra com a única finalidade de criar formas agradáveis à vista, suas esculturas chegam a ser tão impressionantes que podem parecer um paradoxo a um ocidental.
Entre os tipos de esculturas mais conhecidos cabe citar as estatuetas comemorativas dos antepassados e as estatuetas rituais de entidades colocadas em relicários. Essas esculturas antes de tudo são “objetos dotados de um poder”, e sua eficácia no plano religioso depende tanto da destreza do escultor como dos ritos com que estão relacionadas.
Uma obra executada sem destreza, ou que muito se afaste dos cânones estéticos sagrados tradicionais do estilo próprio de uma comunidade ou de um grupo de comunidades em que foi criada, não será admitida.
A escultura, com suas características próprias, está pois estreitamente relacionada com todo o contexto sociocultural. Por essa razão, tentar fomentar a produção comercial de obras de arte desse tipo, pensando que vão poder conservar simplesmente as aparências exteriores que lhes confere seu estilo próprio, seria seguramente um fracasso.
As características estilísticas da escultura sagrada e as soluções técnicas que essas características trazem aos problemas e preocupações puramente artísticos, na verdade são elementos de um amplo conjunto que engloba um sistema religioso que transcende o artista como indivíduo.
Esse tipo de escultura é obra coletiva de toda uma civilização, e o compromisso do artista consiste em servir de intermediário, encarregado de materializar a visão e as crenças coletivas.


Escultura em Marfim do povo do antigo império do Benim. Está no Museu Britânico e foi escolhida como símbolo do II Festival Mundial  de Arte e Culturas Negras e Africanas, realizado em Lagos Nigéria no ano de 1977.

É preciso ter sempre presente que o escultor não se contenta em reproduzir detalhadamente as formas que impõe a tradição a essas estatuetas mas sim que utiliza o modelo tradicionalmente admitido como uma fonte de inspiração a partir da qual pode dar rédeas soltas a sua capacidade criadora. As cópias executadas maquinalmente com fins puramente comercias e para satisfação dos turistas carecem de vida e são estéreis desde o ponto de vista artístico, enquanto que as obras atuais aprofundam suas raízes no respeito às tradições socioculturais continuam tão vigorosas como as obras de arte do passado.  
NOTAS

 1-Ola Balogun cineasta e escritor  da Nigéria, foi especialista da UNESCO em matéria de formação de pessoal cinematográfico. Dirigiu numerosos filmes e também documentários, como Vivir (1975) e Musik Man (1976) dentre muitos outros. Participou do corpo de jurados do Festival do Filme Pan-africano de Cartago (Tunísia). Autor de várias obras de teatro (Xangô. O rei elefante), escreveu para a UNESCO vários estudos sobre cinema, a arte e a cultura da África.

2-Nesta tradução tomamos a liberdade de colocar entre aspas na palavra “máscara”. Essa opção, se deve ao fato de não encontrarmos uma palavra que realmente reflita as características essenciais das esculturas e adornos rituais na bacia semântica dos símbolos na cultura africana.
3-Esse artigo traduzido pelo nosso colaborador Marco Aurélio Luz, pode ser encontrado no Correio da UNESCO (publicação mensal)maio de 1977,ano XXX,ps 12-26.


GRUPO DE TEATRO ACRA COM VIDA!


Grupo ACRA COM VIDA
Foto Narcimária Luz

Esse é o nome do conjunto de atividades de artes cênicas que a ACRA iniciou dia 17 de maio,envolvendo crianças e adolescentes de escolas públicas e particulares da Região Metropolitana de Salvador. As crianças e adolescentes que participarão das oficinas foram mobilizadas pelo convite da ACRA que circulou no blog e em cartazes espalhados nas escolas. Predomina o público de crianças e adolescentes do bairro de Itapuã e do município de Lauro de Freitas.
O espaço ACRA COM VIDA atende a demanda de talentos nas idades entre 10 a 17 anos,que estudam no Ensino Fundamental I ,II e Ensino Médio.Essas crianças e adolescentes se destacam nas suas comunidades pelo repertório criativo através da dança,dramatização,esportes,composição musical,etc.
A iniciativa do espaço ACRA COM VIDA está sob a responsabilidade das professoras Januária Patrocínio,Narciso Patrocínio,Narcimária Luz,Célia Maria de Jesus, Jackeline Pinto do Amor Divino, Rosângela Accioly Lins Correia, Nayara Bittencourt e Caroline Nepomuceno.
O blog da ACRA aproveitou para saber de alguns membros da equipe sobre as expectativas dessa iniciativa.

Professor Narciso destacou:

“Aqui temos a preocupação de oferecer as crianças atividades lúdico-estéticas que as façam desenvolver estruturas de pensamento que lhes permitam aprender de fato aspectos de várias áreas do conhecimento: história,zoologia,,botânica,geografia,geologia,leitura,escrita,aritimética,direitos humanos,enfim, temas urgentes que fazem parte do cotidiano delas.A questão da violência por exemplo, que as assusta,paralisa,aflige muitas famílias e que constitui desafios para nós educadores/as.Identificamos que algumas crianças inscritas no espaço vivem em áreas consideradas de 'alto risco'..."

Professora Januária observa:

“Perguntas que sempre me faço:o que será realmente “alto risco” nesse jogo da vida?O que será das gerações futuras com tanta falta de amor e respeito à vida?Como acredito que tenho muito a contribuir ainda na área de Educação,pensei com Narcimária e Narciso em fazermos alguma coisa que nos indique a esperança de um mundo e humanidade que carregue um futuro melhor.Esse pinguinho ou grão de esperança que a ACRA está apresentando,faz parte de muitas iniciativas que têm mobilizado vários povos no mundo inteiro... A ACRA é mais um desses pinguinhos ou grãozinhos “planetário” que reunidos,formam rios,oceanos,dunas que vão compondo histórias e geografias capazes de animar e dar dignidade de vida a muitas comunidades”

A metodologia dos encontros se baseia em incentivar as crianças e jovens a montarem cenas baseadas no seu cotidiano em Itapuã; criar :momentos de interpretação;provocar situações de improvisação através de leituras e jogos dramáticos, para as crianças e jovens superarem a inibição e dificuldade de relacionamento em grupo;explorar momentos dedicados a aprimorar a expressão vocal e a criatividade corporal; criar e improvisar coreografias;conversar sobre filmes e músicas,aprendendo sobre a biografia dos compositores,intérpretes,atores,etc;aprender a explorar o espaço e tempo que marcam as as elaborações cênicas;confeccção de instrumentos percurssivos e adereços; criação de cenários e figurinos,excursões,etc.



Algumas crianças comentaram sobre suas expectativas na “ACRA COM VIDA”:

“Quero fazer teatro porque gosto e é uma maneira melhor de perder o medo de falar em público...Não que eu tenha.Mas meu sonho é ser atriz e cantora.”

“Quem sabe o teatro pode abrir novas portas para o meu desenvolvimento artístico.”

“O que tem no teatro que me atraí é a maneira de comunicação.No teatro podemos ver arte,som e beleza.”

“O teatro me diverti!

Sempre que fecho os olhos, toda noite eu vejo meu nome em luzes brilhantes,uma cidade diferente...É diversão toda hora,todo dia.Acho que o mundo deve se preparar para quando eu fizer teatro.”

“Acho que o teatro é uma forma de mostrar sentimentos,de me expressar...Teatro para mim é vida,arte,tudo de bom”

“O teatro é amor,felicidade.Quero ser atriz.”

“O teatro é uma maneira de expressarmos certos sentimentos e talento escondido”

“Quero perder a timidez.Sei que atuar vai me fazer perder a timidez e sei que tenho talento para ator.”

“Acho bonito quem sabe interpretar”

“Gosto de comédia e sei que tenho talento”

Como vocês podem ver,a turma está animadíssima!

No encontro do dia 24/05 as crianças tiveram a oportunidade de dramatizar uma história criada por elas em grupo,dupla ou individualmente.

Foi muito interessante!

As histórias foram baseadas em questões/temas que as mobilizam.Através das histórias contadas e dramatizadas conversamos sobre seus medos,angústias,sonhos e futuro.As palavras-chave que nasceram das dramatizações e que orientaram alguns encontros :drogas,gravidez na adolescência,busca da felicidade,amizade,respeito,companherismo,auto confiança.


Momentos de poses exclusivas  para o blog da ACRA

Sobre sua participação nessa iniciativa Narcimária comenta:

“ Estava com saudades das vivências perto de crianças e adolescentes.Na Universidade minha aproximação com crianças e adolescentes geralmente é mediada por graduandos/as e pós-graduandos/as que são professores/as na Educação Básica.Então,o que eu tenho feito ao logo de duas décadas na universidade, é aproximar professores/as de abordagens teórico-metodológicas vinculadas ao patrimônio da civilização africana na Bahia,e “ensiná-los”(se assim podemos dizer) a respeitar e valorizar as crianças e jovens que nascem principlamente, nas comunalidades estruturadas através do legado milenar que aqui se expande.Em Itapuã os valores e linguagens do patrimônio africano-brasileiro se destaca de modo extraordinário!É essa vida que circula em Itapuã, que nos motiva a propor espaços como esse na ACRA, permitindo que essa geração itapuanzeira tenha orgulho de suas origens e cresça sabendo valorizar esse legado.”
A ACRA portanto,está disponibilizando um espaço que se dedica a promover entre crianças e jovens momentos de criatividade,afeto,escuta,respeito,cuidado e sobretudo direito de SER. Os encontros são semanais sempre às terças das 14 às 16 hs.

SABIA QUE 08 DE JUNHO É O DIA MUNDIAL DOS OCEANOS?

Imagem disponível em
Mensagem da Sra. Irina Bokova Diretora-Geral da UNESCO, por ocasião do Dia Mundial dos Oceanos de 2011.
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Os oceanos determinam o clima e influenciam a distribuição dos ecossistemas e da biodiversidade do globo. Este Dia Mundial dos Oceanos de 2011 é uma oportunidade de celebrar a importância dos oceanos para o bem-estar do planeta e da humanidade, e para avançar na defesa de sua causa. A “economia azul” dos oceanos é crucial para o nosso cotidiano. Pelo menos uma em cada quatro pessoas depende dos frutos do mar como fonte primária de proteína. Metade da população mundial está estabelecida nos primeiros 50 quilômetros das áreas litorâneas. Noventa por cento do comércio mundial é transportado por navios. Com o progresso tecnológico, as atividades econômicas nas áreas costais e em águas profundas continuam a se intensificar e diversificar.
Imagem disponível em
http://susybaby.flogbrasil.terra.com.br/foto16180362.html
"Nossos conhecimentos não são compatíveis com a importância dos oceanos. Mais de 1.500 pessoas já escalaram o Monte Everest e 12 andaram na lua, mas apenas dois mergulhadores desceram e voltaram da parte mais profunda do oceano. A Comissão Oceanográfica Intergovernamental da UNESCO tem promovido a ciência e a pesquisa marinhas há 50 anos, mas o fato é que os oceanos continuam relativamente inexplorados.
Há muito o conhecimento sobre os oceanos tem sido orientado pela necessidade de acessar e explorar seus recursos. Isso tem que mudar. O desafio hoje em dia é usar a ciência marinha para entender e proteger os oceanos, para gerenciar melhor seus ecossistemas e biodiversidade para as gerações presentes e futuras.
A Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, a ser realizada em junho de 2012 no Brasil, oferece uma oportunidade única para enfrentar este desafio. Precisamos trabalhar agora para preparar compromissos concretos em relação aos oceanos para a Conferência de 2012.
Nós temos um ano para consultar os principais atores, coordenar visões e assegurar um novo compromisso político com a sustentabilidade do oceano. O desafio não é simples, mas é grande a nossa responsabilidade coletiva de desenvolver uma nova abordagem para os oceanos, que
defenda seu papel central para o planeta e para nossas vidas. Isso é o que está em jogo neste Dia Mundial dos Oceanos."
Fonte:http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/

sexta-feira, 3 de junho de 2011

ABDIAS NASCIMENTO, COM GRANDE ADMIRAÇÃO E AMIZADE

 Por Marco Aurélio Luz
O casal   Abdias Nascimento e Elisa Larkin


As minhas vivências e experiências com o casal Abdias e Elisa envolvem grande admiração e amizade. Portanto, falar de Abdias no meu ponto de vista, é tentar expressar os sentimentos de minha relação e de Narcimária com o casal que tanto admiramos.
Conheci Abdias ainda na época dos fins da ditadura, ele já de volta ao Brasil, no lançamento de um livro numa galeria na altura da praça General Osório em Ipanema na confluência com a entrada do morro do Pavãozinho.
Ele atuava num happening, realizava uma performance teatral em meio ao lançamento, fazendo um personagem que usava uma capa preta, fumava um charuto e tinha um chapéu aludindo a um Exu da Umbanda, abrindo os caminhos para circular a comunicação que iniciava.
Foi com essa coragem de seu talento teatral e seus pontos de vista revolucionários de escritor, que de inicio provocaram minha admiração.
Depois vieram as repercussões de suas denúncias em relação à delegação brasileira organizada pelo Itamaraty(leia-se Clarival Valladares), para o Festival Mundial de Arte Negra realizado em Lagos, Nigéria. Os melhores ficaram, e uma representação totalmente subserviente aos poderes políticos e ideológicos da época foi constituída. As denúncias corajosas e seu texto censurado, geraram posteriormente o livro "SITIADO EM LAGOS".


Abdias Nascimento

A coragem , a determinação e o discernimento nas críticas que realizou, ousando proclamar verdades naquela época, abriu espaço para que outras tantas falas caladas emergissem em relação à manipulação do poder público no que se refere as “coisas de negro”.
Depois veio a leitura de seus livros.
Ah!
Que enorme contribuição!
Usando as armas do branco, a linguagem e o repertório acadêmico que sustentam a Razão de Estado e seus desdobramentos políticos e sociais, ele trava a luta ideológica na literatura das Ciências Sociais. Com tirocínio e erudição ele consegue implodir o edifício ideológico do racismo.
Situando-se a partir de outra bacia semântica, a da história, cultura e civilização do negro, ele pode realizar a crítica que permite desvelar as falsidades da “democracia racial” e depois ultrapassar o entulho ideológico da discriminação.
Ele demonstrou, mais do que a denúncia factual de atos de racismo, especificamente os de origem oficial e institucional, a lógica estruturante de um sistema político genocida. Mais do que isso, demonstrou o processo de eurocentrismo genocida, a política de embranquecimento iniciada na colônia, continuando no império, e que deságua com toda força na República.
O rei está nu, desmascarado!
Na República com o fim da escravidão, a ideologia do racismo se avoluma alimentando a Razão de Estado que orienta as atuações genocidas em todos os planos dos aparelhos de Estado, jurídico- políticos, ideológicos e econômicos atravessando todo o cotidiano da sociedade.
"O GENOCÍDIO DO NEGRO BRASILEIRO", "Processo de um Racismo Mascarado", "O NEGRO REVOLTADO","QUILOMBISMO","Documentos de uma militância Pan Africanista", constituem-se em obras clássicas, livros atualíssimos na tomada de consciência da luta contra o racismo.

 Capa de um dos clássicos de Abdias

Pode-se dizer que Abdias instala o caminho de um "novo continente epistemológico" para além das falácias ideológicas do racismo na academia e seus desdobramentos
Nos inícios do IPEAFRO, Instituto de Pesquisas Afrobrasileiras, tive a satisfação de ser convidado a dar palestras na sede da PUC de São Paulo. Foi num auditório com muitos estudantes que se realizou o curso de extensão universitária, ”Conscientização da Cultura Afro-brasileira”.
Foi o início de solidificação de uma amizade que só fez crescer os laços de admiração e cumplicidade.
Quando defendi a tese de doutorado que viria se transformar no livro "AGADÁ, Dinâmica da Civilização Africano- Brasileira", estava na assistência Elisa, honrando-me com sua presença, singela, educada, determinada, incansável guerreira.
Naquela altura ,já escrevera o formidável livro "PAN-AFRICANISMO NA AMÉRICA DO SUL: Emergência de uma Rebelião Negra", abrindo horizontes para uma nova perspectiva da presença continental da continuidade da África.
Elisa integrou o Conselho Editorial da Revista Sementes Caderno de Pesquisa (2000-2005) publicação do Programa Descolonização e Educação-PRODESE da UNEB,contribuindo com o artigo “O Espaço Remarcado” no vol. 6 nº 8/2005. Também participa como co-autora,do livro "Pluralidade Cultural e Educação" organizado por Narcimária,colaborando com o ensaio "Sankofa: Pensando uma Educação Democrática".
Morando na Bahia, todavia sempre acompanhamos a trajetória, pode-se dizer histórica de Abdias e Elisa, as atuações políticas inseparáveis das dimensões estéticas se destacando nas reflexões poéticas nas pinturas, no teatro, nas esculturas. É um dom da tradição africana, que permite ser-se político, cientista, artista, poeta, tudo com extrema coerência e grandiosidade.
Odara em língua yoruba significa bom e bonito simultaneamente, o conhecimento, a técnica e a estética inseparáveis.

Lélia Gonzalez  participa do livro de pinturas e poesias de Abdias, "Orixás: os Deuses Vivos da África"(Rio de Janeiro:IPEAFRO,1995,170 ps). 

No capítulo “Griot e Guerreiro” Lélia escreveu:


Capa do livro que reune as pinturas de Abdias do Nascimento

“A poesia de Abdias Nascimento tem muito a ver com sua pintura e com seu teatro. Exatamente porque cada registro nos remete ao outro, numa espécie de circularidade, tematizando, em suas respectivas linguagens, um campo cultural alternativo àquele totalitariamente imposto pela cultura dominante. Abdias “poeteia, pinta e teatraliza” porque enquanto negro. A força metafórica de seus versos, a força colorida das formas de seus quadros, a força dramática de suas peças, ele não buscou nas escolas ocidentais especializadas em “fazer artista”, mas nesse campo cultural alternativo, repito, reelaborado e recriado pelo povo negro em nosso país. È do axé (para os nagôs) ou do muntu (para os bantos), é dessa força vital doadora da existência e da transformação dos seres que ele retira a energia que perpassa os três registros em que sua criação artística se expressa.”(p.79)


OXUM
Pintura de Abdias Nascimento
Imagem disponível emhttp://www.planalto.gov.br/seppir/informativos/069.htm

E ainda:

“Não é por acaso que, no poema da abertura, 'Padê de Exu Libertador', o autor invoca esse princípio da existência individualizada e também princípio dinâmico de comunicação, veiculador de axé, que é Exu, dizendo:


EXU
 Pintura de Abdias do Nascimento
http://aveianopulsoainda.blogspot.com/2011/05/abdias-ficou.html

'(...)
Imploro-te Exu
Plantares na minha boca
O teu axé verbal
restituindo-me a língua
que era minha e ma
roubaram(...)' (p.79)

Yemanjá
Pintura de Abdias do Nascimento
Imagem disponível em
Em Salvador, onde lançou livros, participou de seminários e fez exposições e foi bastante homenageado sempre nos mandavam convites, que vez por outra, por uma razão ou por outra (diziam os emissários), não chegavam as nossas mãos.Mas, me lembro bem de um lançamento do livro "O BRASIL NA MIRA DO PAN-AFRICANISMO "no CEAO, ainda na sede do Terreiro de Jesus envolto a grande emoção e muito concorrido.
Estive lá com Narcimária e nossos filhos Maurício e Marcelo, que tiveram o privilégio de conhecer e identificar  ainda meninos,as qualidades dessa liderança excepcional para as muitas gerações de afrobrasileiros .
Outros encontros se sucederam, mas numa ocasião Abdias e Elisa fizeram questão de nos convidar especialmente para um jantar no restaurante Iemanjá,com a  ex-reitora da UNEB Ivete Sacramento , uma das universidades que concedeu a Abdias  o título de Doutor Honoris Causa. Foi um encontro muito especial que guardamos com carinho na lembrança.
 
Abdias recebendo o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade do Estado da Bahia-UNEB
Imagem disponível emhttp://www.papodesamba.com.br/noticia.php?id=2009

Estivemos na excelente exposição retrospectiva sobre  a  vida de Abdias e tivemos um encontro em Vitória, quando foi homenageado no IIº Seminário Nacional  África e Africanidades,organizado por Henrique Cunha Júnior da Universidade Federal do Ceará e Maria Aparecida da Universidade Federal do Espírito Santo.

Exposição "Abdias Nascimento 90 Anos- Memória Viva"
Curadoria Elisa Larkin do Nascimento/2006
Imagem disponível em
Tomado pela emoção de ter compartilhado alguns momentos de sua história, saúdo com alegria uma vida tão intensa quanto longa.
OLORUN KOSI PU RE.

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Para saber mais sobre  Abdias do Nascimento visite a página:
http://www.ipeafro.org.br/home/br
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 Marco Aurélio Luz é Filósofo; Doutor em Comunicação; Pós-Doutor em Ciências Sociais Paris V-Sorbonne – CEAQ -Centre d’Etudes sur L’actuel du Quotidien. Autor de diversos artigos,ensaios e livros, em destaque: Agadá: dinâmica da civilização africano-brasileira; Do tronco ao Opa Exin: memória da tradição afro-brasileira; Cultura negra em tempos pós-modernos. Escultor de imagens da temática arte sacra afro-brasileira.

DESPEDIDA AOS AMIGOS

Por Marco Aurélio Luz

Raimundo das Neves liderança expressiva em Lauro de Freitas,Bahia.Presidente do Bloco Afro Bankoma 
Imagem disponível em http://www.portalfalacidadao.net/

Na seqüência do grande líder Abdias também se foram outros dois líderes de nossa comunalidade afro – brasileira, o babalorixá José Flávio Pessoa de Barros e o tatá xincarangoma Raimundo das Neves.
Raimundo das Neves, tatá kasutemi, é descendente da linhagem fundadora do terreiro S. Jorge Filhos da Goméia neto da afamada mãe Mirinha do Portão, Mameto Nkisi, Sra. Altamira Maria Conceição Souza que se destacou não só por sua liderança espiritual, mas também por suas preocupações com seu povo interferindo com o poder público local, inclusive para a criação do hospital, do transporte público e outros.
Raimundo seguiu o caminho de sua avó, além de líder espiritual foi fundador do bloco afro Bankoma, e através dele realiza inúmeros trabalhos sociais e culturais envolvendo a comunidade de Portão. O bloco afro desfila também no carnaval de Salvador com muito sucesso. Também cria uma banda que faz inúmeras apresentações, inclusive no estrangeiro, divulgando os valores culturais da sua comunidade.
Raimundo é muito respeitado e admirado pela comunalidade afro brasileira.
Para saber mais sobre as contribuições do tatá xincarangoma Raimundo das Neves,visite o site http://www.afrobankoma.blogspot.com/
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José Flávio Pessoa, Omo Oguian era Babalorixá do terreiro Ilê Ase Omi Iwi Odara, e fez sua iniciação sacerdotal com Nitinha de Oxun a Iyalorixá Sra. Areonite Conceição Chagas, que foi Iyá Kekerê do Ilê Ase Iyá Nassô Oká. Prestigiada sacerdotisa que abriu um ilê Axé no Rio de Janeiro.
José Flávio Pessoa, Omo Oguian
José Flávio também se destacou como intelectual divulgador dos valores espirituais e culturais da nossa tradição religiosa afro-brasileira.
Professor da UERJ, doutor pela USP, fez Pós-doutorado na Universidade de Paris a Sorbonne.
Seus principais livros são: A Galinha D`Angola, Iniciação e Identidade na Cultura Afro-Brasileira, em co-autoria, O Segredo das Folhas: Sistema de Classificação de Vegetais no Candomblé Jeje-Nagô do Brasil, A Fogueira de Xangô, o Orixá do Fogo, O Banquete do Rei Olubajé, dentre outros.
Para saber mais sobre as contribuições do José Flávio Pessoa, Omo Oguian visite o site http://jfpessoa.ning.com/
Desejo a ambos que Deus tenha seus espíritos em paz.

ONU LANÇA ANO INTERNACIONAL PARA AFRO-DESCENDENTES

Por Mônica Villela Grayley

"As Nações Unidas lançaram, nesta sexta-feira em Nova York, o Ano Internacional para Descendentes de Africanos. Num discurso, o Secretário-Geral, Ban Ki-moon explicou o objetivo do evento, que será marcado em 2011.
Diversidade
Segundo ele, o Ano Internacional tentará fortalecer o compromisso político de erradicar a discriminação a descendentes de africanos. A iniciativa também quer promover o respeito à diversidade e herança culturais. Numa entrevista à Rádio ONU, de Cabo Verde, antes do lançamento, o historiador guineense Leopoldo Amado, falou sobre a importância de se conhecer as origens africanas ao comentar o trabalho feito com quilombolas no Brasil
Dimensão
'Esses novos quilombolas têm efetivamente o objetivo primordial de fortalecer linhas de contato. No fundo restituir-se. Restituir linhas de contatos, restituir aquilo que foi de alguma forma quebrada, aquilo que foi de alguma forma confiscada dos africanos, que é a possibilidade de reestabelecer a ligação natural entre aqueles que residem em África, que continuam a residir em África e a dimensão diaspórica deste mesmo resgate. A dimensão diaspórica da África é efetivamente larga e grande', disse. Ban lembrou que pessoas de origem africana estão entre as que mais sofrem com o racismo, além de ter negados seus direitos básicos à saúde de qualidade e educação.
Declaração de Durban
A comunidade internacional já afirmou que o tráfico transatlântico de escravos foi uma tragédia apavorante não apenas por causa das barbáries cometidas, mas pelo desrespeito à humanidade. O Secretário-Geral finalizou a mensagem sobre o Ano Internacional para os Descendentes de Africanos, lembrando a Declaração de Durban e o Programa de Ação que pede a governos para assegurar a integração total de afro-descedentes em todos os aspectos da sociedade”

(Fonte:. Rádio ONU em Nova York. Disponível em http://www.unmultimedia.org/radio/portuguese/detail/188816.html)