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PRODESE E ACRA



VIDA QUE SEGUE...Uma
das principais bases de inspiração do PRODESE foi a Associação Crianças Raízes
do Abaeté-Acra,espaço institucional onde concebemos composições de linguagens
lúdicas e estéticas criadas para manter seu cotidiano.A Acra foi uma iniciativa
institucional criada no bairro de Itapuã no município de Salvador na Bahia, e
referência nacional como “ponto de cultura” reconhecido pelo Ministério da
Cultura. Essa Associação durante oito anos,proporcionou a crianças e jovens
descendentes de africanos e africanas,espaços socioeducativos que legitimassem
o patrimônio civilizatório dos seus antepassados.
A Acra em parceria com o Prodese
fomentou várias iniciativas institucionais,a exemplo de publicações,eventos
nacionais e internacionais,participações exitosas em
editais,concursos,oficinas,festivais,etc vinculadas a presença africana em
Itapuã e sua expansão através das formas de sociabilidade criadas pelos
pescadores,lavadeiras e ganhadeiras,que mantiveram a riqueza do patrimônio
africano e seu contínuo na Bahia e Brasil.É através desses vínculos de
comunalidade africana, que a ACRA desenvolveu suas atividades abrindo
perspectivas de valores e linguagens para que as , crianças tenham orgulho de
ser e pertencer as suas comunalidades.
Gostaríamos de registrar o nosso
agradecimento profundo a Associação Crianças Raízes do Abaeté(Acra),na pessoa
do seu Diretor Presidente professor Narciso José do Patrocínio e toda a sua
equipe de educadores, pela oportunidade de vivenciarmos uma duradoura e valiosa
parceria durante o período de 2005 a 2012,culminando com premiações de destaque
nacional e a composição de várias iniciativas de linguagens, que influenciaram
sobremaneira a alegria de viver e ser, de crianças e jovens do bairro de
Itapuã em Salvador na Bahia,Brasil.


quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Blog do Acra Entrevista: Rosângela Accioly Lins Correia


Blog do Acra Entrevista: Rosângela Accioly Lins Correia, autora do projeto "Nro Ojù Onà: : Pensando Caminhos"

em 11.08.09, por Paula Cristina Grejianin

Paula Grejianin: Rosângela, o que é o Projeto "Nro ojù Onà: Pensando Caminhos"?


Rosângela Accioly: O projeto Nró Ojú Onà: pensando caminhos de minha autoria surge das pesquisas epistemológicas do projeto Dayó: Compartilhando a Alegria Socioexistencial em Comunalidades Africano-Brasileiras, que busca aprofundar as questões históricas, culturais e sociais do bairro de Itapuã interligando-as a sua arkhé, de autoria da professora Doutora Narcimária Correia do Patrocínio Luz coordenadora do PRODESE/CNPq/UNEB Programa Descolonização e Educação vinculado a Universidade do Estado da Bahia e ao Departamento de Educação do Campus I.


As proposições metodológicas que estão presentes no projeto foram elaboradas por meio de minha participação na monitoria de extensão da Universidade do Estado da Bahia junto ao ACRA Associação Crianças Raízes do Abaeté, dando origem às atividades teórico-metodológicas que partiram da pesquisa acerca desta territorialidade realizadas pelo Dayó. O projeto procura manter viva a presença do continuum civilizatório africano-brasileiro e dos Tupinambás, base desta territorialidade em atividades pedagógicas como: Capoeira, Dança Afro-Brasileira, Grafitagem, Inglês, Narrativas Míticas Milenares, Preservação da História Oral Africana e Africano-Brasileira, Ithans, Orquestra de Ritmos e Sons, dentre outros.


P.G.: Qual o objetivo deste projeto?


R.A.: O objetivo do projeto é trabalhar proposições pedagógicas fundamentalmente imbricadas com as pesquisas da arkhé do bairro de Itapuã refletindo acerca de suas origens, que estão alicerçadas sobre o legado do povo Tupinambá e da presença africano-brasileira fazendo nossos jovens se perceberem presentes neste patrimônio e nas ações pedagógicas mantidas pelo trabalho desenvolvido na Associação Crianças Raízes do Abaeté. Pois é a geração sucessora de Nzinga* que efetivamente é herdeira desta herança e nela buscamos desenvolver este trabalho que acolhe muita riqueza e diversidade.


P.G: Quais os impactos esperados?


R.A.: O projeto repensa a exclusão do patrimônio histórico e cultural das heranças africana e dos povos inaugurais no currículo das escolas brasileiras em séculos de escolarização, por esta razão buscamos propor ações baseadas na lei 11.645/08 resultado das lutas das comunalidades e dos Movimentos Negros no Brasil que foi sancionada pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva que diz: “Art.26- Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio, públicos e privados, torna-se obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena.
§ 1o O conteúdo programático a que se refere este artigo incluirá diversos aspectos da história e da cultura que caracterizam a formação da população brasileira, a partir desses dois grupos étnicos, tais como o estudo da história da áfrica e dos africanos, a luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil, a cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio na formação da sociedade nacional, resgatando as suas contribuições nas áreas social, econômica e política, pertinentes à história do Brasil.
§ 2o Os conteúdos referentes à história e cultura afro-brasileira e dos povos indígenas brasileiros serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de educação artística e de literatura e história brasileira.”


Os nossos impactos já estão sendo sentidos em atuações como: preparação dos professores para atuarem com a diversidade étnica e cultural existente em nossas territorialidades, apresentações acadêmicas que nos respaldam teoricamente e oportuniza o comunicado deste trabalho para outros educadores a exemplo do CONFELE-IV CONFERENCE INTERNATIONAL ON EDUCATION, LABOR AND EMANCIPATION que ocorreu no período de 16 a 19 de junho no Hotel Tropical, Salvador, Bahia (Brasil). O objetivo da CONFELE é divulgar as iniciativas na área de Educação que valorizam e afirmam a diversidade cultural como canal importante para a “equidade, potencialiazação das ações sociais”. Também a construção de blog e site do ACRA, publicações, coletânea de imagens das dinâmicas territoriais e comunalidades presente em Itapuã, realização de evento local que acolhe os resultados das elaborações pedagógicas na ONG pertinentes ao trabalho desenvolvido em 2009 dentro do projeto Nro Ojú Ònà: pensando caminhos, intercâmbios com o grupo Capoeira Oxford na Inglaterra, e continuidade das relações institucionais estabelecidas pelo PRODESE no âmbito acadêmico-científico.


Nossa equipe pedagógica é composta pelo gestor da Associação Crianças Raízes do Abaeté, o professor Narciso José do Patrocínio que acolheu o projeto de maneira singular na ONG, a professora Doutora Narcimária Correia do Patrocíno Luz coordenadora do PRODESE Programa Descolonização e Educação que tem como principal objetivo, dentro deste contexto excludente na história da Educação no Brasil o de acolher o repertório de valores e linguagens do continuum civilizatório africano, africano-brasileiro e dos povos inaugurais no cotidiano do currículo das escolas brasileiras. Além do grupo de capoeira Oxford Inglaterra que juntamente com o idealizador da ONG, o Sr. José Luis Correia do Patrocínio Contra-Mestre de Capoeira apóia o desenvolvimento das condições infra-estruturais da instituição. Também do aporte teórico da mestranda Jackeline do Amor Divino, e das graduandas concluintes do curso de pedagoga pela Universidade do Estado da Bahia e pesquisadoras do PRODESE Rosângela Accioly Lins Correia, Daniela Cidreira, Paula Cristina Grejianin, e o corpo docente da Associação Crianças Raízes do Abaeté professor Rupi - Capoeira; Sidney Argolo - Orquestra de Ritmos e Sons; Abílio Mendonça - Inglês; Tarcio Vasconcelos - Grafitagem e Eliana Santos - Dança Afro-Brasileira.


*Nzinga é Rainha entre 1624 e1663 do povo Ginga de Matamba e Angola, nascida em Cabassa, interior de Matamba.


Um comentário:

  1. joselia almeida bispo15 de novembro de 2011 13:26

    valeu,negona parabeniso voce por esse desafio que é reesignificar nossa história. bjsssssssss

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