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PRODESE E ACRA



VIDA QUE SEGUE...Uma
das principais bases de inspiração do PRODESE foi a Associação Crianças Raízes
do Abaeté-Acra,espaço institucional onde concebemos composições de linguagens
lúdicas e estéticas criadas para manter seu cotidiano.A Acra foi uma iniciativa
institucional criada no bairro de Itapuã no município de Salvador na Bahia, e
referência nacional como “ponto de cultura” reconhecido pelo Ministério da
Cultura. Essa Associação durante oito anos,proporcionou a crianças e jovens
descendentes de africanos e africanas,espaços socioeducativos que legitimassem
o patrimônio civilizatório dos seus antepassados.
A Acra em parceria com o Prodese
fomentou várias iniciativas institucionais,a exemplo de publicações,eventos
nacionais e internacionais,participações exitosas em
editais,concursos,oficinas,festivais,etc vinculadas a presença africana em
Itapuã e sua expansão através das formas de sociabilidade criadas pelos
pescadores,lavadeiras e ganhadeiras,que mantiveram a riqueza do patrimônio
africano e seu contínuo na Bahia e Brasil.É através desses vínculos de
comunalidade africana, que a ACRA desenvolveu suas atividades abrindo
perspectivas de valores e linguagens para que as , crianças tenham orgulho de
ser e pertencer as suas comunalidades.
Gostaríamos de registrar o nosso
agradecimento profundo a Associação Crianças Raízes do Abaeté(Acra),na pessoa
do seu Diretor Presidente professor Narciso José do Patrocínio e toda a sua
equipe de educadores, pela oportunidade de vivenciarmos uma duradoura e valiosa
parceria durante o período de 2005 a 2012,culminando com premiações de destaque
nacional e a composição de várias iniciativas de linguagens, que influenciaram
sobremaneira a alegria de viver e ser, de crianças e jovens do bairro de
Itapuã em Salvador na Bahia,Brasil.


quinta-feira, 5 de novembro de 2009

REBELIÕES AFRICANAS EM ITAPUÃ

REBELIÕES AFRICANAS EM ITAPUÃ

Por Narcimária Luz


Foto do Abaeté de Narcimária Luz



Em 28 de fevereiro de 1814, Itapuã foi cenário de rebeliões de africanos/as na Bahia. A rebelião aconteceu na propriedade de Manuel Ignácio da Cunha, na época, presidente da província da Bahia,[1] no âmbito do sistema de produção da pesca.


A liderança dessa rebelião foi do africano Francisco e de sua esposa Francisca, considerados pelos insurgentes como rei e rainha.


Essa rebelião foi muito bem organizada, pois os 250 africanos envolvidos foram sendo mobilizados através de viagens que Francisco e Francisca fizeram pelo Recôncavo e demais vilas e freguesias de Salvador.


A rebelião começou com um incêndio na armação pesqueira de propriedade de Manuel Ignácio da Cunha, resultando na morte do feitor que administrava a armação e sua família, se estendendo para outras armações nos arredores de Itapuã e surpreendendo com a meta de ir em direção ao Recôncavo.


Em Santo Amaro de Ipitanga (hoje município de Lauro de Freitas) as tropas do governo aparecem e reprimem a rebelião, depois de uma sofrida batalha que tirou muitas vidas dos africanos e africanas liderados por Francisco.


Como desdobramentos dessa rebelião, os arquivos registram que:


[...] Durante a revolta os rebeldes mataram 14 pessoas, entre elas escravos que recusaram a unir-se a eles, e perderam 58 de seu lado. Dos que foram presos, quatro terminaram condenados à morte e enforcados; muitos foram punidos com penas de açoite, inclusive quatro mulheres; 23 foram deportados para colônias penais na África portuguesa. Além desses, mais de duas dezenas morreram nas prisões por maus tratos. Entre as vítimas da repressão deve-se também incluir muitos que de acordo com relato policial, teriam se ‘suicidado’, afogando-se no Rio Joanes ou enforcando-se. Parece que os insurgentes que conseguiram romper o cerco continuaram a luta. Foram parar em Alagoas, onde teriam planejado um levante, que afinal não apareceu, com data marcada para dezembro de 1815. [2]


Outra rebelião marcante na Bahia, em Itapuã, foi a de 12 de março de 1828 e o alvo mais uma vez foi outra armação pesqueira de Manuel Ignácio da Cunha e Francisco Lourenço Herculano.


Aproximadamente cem insurgentes saíram de Itapuã em direção a Pirajá e nesse trajeto queimaram casas e canaviais. Na Engomadeira os insurgentes foram reprimidos pela polícia. Uns foram presos, outros desapareceram pelas matas e um deles, Joaquim, de origem nagô, recebeu cento e cinqüenta açoites como exemplo para todos/as aqueles/as que se recusavam a aceitar a ordem escravista colonial.


As organizações quilombolas também foram fundamentais para a vida dos africanos em Itapuã, que mantinham vínculos com outras freguesias de Salvador submetidas ao regime escravista Itapuã também é uma referência importante no contexto das insurgências dos africanos na Bahia, cujas estratégias de luta pela liberdade de existência constituem um importante legado para a Rebelião Malê em 1835, uma das mais importantes das Américas.


Para saber sobre essas rebeliões consulte o livro Rebelião Escrava no Brasil do historiador João José Reis.



[1] Cf. REIS, João Rebelião Escrava no Brasil, Brasiliense, 1987, p.76

[2] REIS, op. cit., p. 71



3 comentários:

  1. João Pedro Barbosa23 de novembro de 2009 17:32

    Professora Narcimária, gostaria de saber onde encontro maiores informaçãoes sobre este assunto?

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    1. Cidadão sou aluno dessa incrível professora,mas a resposta para sua pergunta está bem aí.As referências.

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  2. estou colhendo material para o meu tcc e queria saber se posso conversar com alguém sobre esse assunto.

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