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PRODESE E ACRA



VIDA QUE SEGUE...Uma
das principais bases de inspiração do PRODESE foi a Associação Crianças Raízes
do Abaeté-Acra,espaço institucional onde concebemos composições de linguagens
lúdicas e estéticas criadas para manter seu cotidiano.A Acra foi uma iniciativa
institucional criada no bairro de Itapuã no município de Salvador na Bahia, e
referência nacional como “ponto de cultura” reconhecido pelo Ministério da
Cultura. Essa Associação durante oito anos,proporcionou a crianças e jovens
descendentes de africanos e africanas,espaços socioeducativos que legitimassem
o patrimônio civilizatório dos seus antepassados.
A Acra em parceria com o Prodese
fomentou várias iniciativas institucionais,a exemplo de publicações,eventos
nacionais e internacionais,participações exitosas em
editais,concursos,oficinas,festivais,etc vinculadas a presença africana em
Itapuã e sua expansão através das formas de sociabilidade criadas pelos
pescadores,lavadeiras e ganhadeiras,que mantiveram a riqueza do patrimônio
africano e seu contínuo na Bahia e Brasil.É através desses vínculos de
comunalidade africana, que a ACRA desenvolveu suas atividades abrindo
perspectivas de valores e linguagens para que as , crianças tenham orgulho de
ser e pertencer as suas comunalidades.
Gostaríamos de registrar o nosso
agradecimento profundo a Associação Crianças Raízes do Abaeté(Acra),na pessoa
do seu Diretor Presidente professor Narciso José do Patrocínio e toda a sua
equipe de educadores, pela oportunidade de vivenciarmos uma duradoura e valiosa
parceria durante o período de 2005 a 2012,culminando com premiações de destaque
nacional e a composição de várias iniciativas de linguagens, que influenciaram
sobremaneira a alegria de viver e ser, de crianças e jovens do bairro de
Itapuã em Salvador na Bahia,Brasil.


segunda-feira, 5 de setembro de 2016

INSTITUIÇÕES CULTURAIS AFRICANO BRASILEIRAS-VISITA AO MUSEU AFRO BRASIL PARTE III





Maracatu de Nação Leão Coroado
Foto disponível em:
https://dancarecife.files.wordpress.com/2013/10/51eaf-maracatulec3a3ocoroado_patrimc3b4niovivo_fotocostaneto.jpg



Por Marco Aurélio Luz

As instituições culturais expostas no Museu Afro Brasil além de grandiosas são numerosas. Selecionamos algumas que enriquecem a cultura e a sociedade brasileira.
Primeiramente convém destacar que as instituições culturais são centros irradiadores de valores, linguagens e formas de sociabilidade que contém regras, hierarquias, organização, história e tradição estética.

                                                  MARACATU

O Maracatu é uma instituição característica de Pernambuco embora também exista em outros regiões do Brasil.
O Maracatu de Nação é composto de um cortejo que homenageia a realeza da tradição africano brasileira durante o período do carnaval.
Sua origem se refere ao "Maracatu Elefante" criado no início da primeira metade do século XIX  no contexto da coroação do rei e rainha do Congo que caracteriza as congadas. Está relacionado com os espaços e tempos das festas de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito todavia está vinculado a tradição religiosa nagô.
Outro maracatu antigo é o "Estrela Brilhante" de Igarassú também com a referencia da tradição nagô.
Tanto um como outro deixaram de sair, já no período do carnaval por um longo tempo mas retornaram  com muito reconhecimento.
Dentre muitos outros maracatus, destacamos o "Leão Coroado" fundado na segunda metade do século XIX.
Todos eles têm como líderes altos sacerdotes e altas sacerdotisas da tradição religiosa nagô, embora haja também a presença de referências e presença aos cultos de caboclo.
As bonecas importantes símbolos da presença religiosa ora representam o poder de um orixá, ora de um egun que quando vivente era de um orixá.
Além do rei e rainha que evoluem no cortejo sob um pálio como os reis nagô, há várias alas que compõem o desfile. As baianas inclusive as que levam as bonecas, os caboclinhos, a nobreza, a orquestra percussiva,etc.
O maracatu evolui ao ritmo do chamado "Baque Virado" com pompa e circunstância devida à realeza.



Maracatu de Nação ou Baque Virado, Linda Flor
Foto disponível em:






Rei Marcos, Rainha Mylenna e Pirulito, com o pálio
Maracatu Várzea do Capibaribe, 
Rei e Rainha de Maracatu de Nação Nagô.
Foto disponível em:
http://varzeacap.byethost7.com/corte.html?i=1



Estandarte do tradicional Maracatu Elefante, fundado no início  do séc. XIX.
Foto: Narcimária Luz



Boneca do Maracatu, importante elemento de expressão religiosa e proteção.
Foto: Narcimária Luz




Trajes e ornamentos de rainha e rei do Maracatu de Nação.
Foto: Maurício Luz

Há também o maracatu de "Baque Solto" ou "Maracatu Rural" com ritmo diferente, mais acelerado com instrumentos de sopro e percussão.
Também diferem nas vestimentas e personagens. Aqui é o caboclo de lança e suas evoluções que constitui o protagonismo. Outras participações são os reis e rainhas, as baianas, Mateus e Catirina, Catita etc.
O mais antigo é o "Cambinda Brasileira".Na 2ª feira de carnaval ocorre o encontro de maracatu em Nazaré da Mata com dezenas de instituições de brincantes homenageando as entidades religiosas.

  
 


Maracatu Rural ou do Baque Solto.
Foto disponível em
http://mw2.google.com/mw-panoramio/photos/medium/8323891.jpg





Trajes e ornamentos do Maracatu Rural ou do Baque Solto
Foto: Maurício Luz


ARTE CERÂMICA

As origens da arte cerâmica se perde na noite dos tempos e fazem parte de inúmeras civilizações dos quatro continentes. No Brasil é muito enaltecida a cerâmica marajoara do Pará e as do nordeste como os centros artísticos de Pernambuco, Tracunhaém, Alto do Moura e tantos outros. Na Bahia  em Cachoeira, e destaque para  Maragojipinho, e por esse Brasil afora.
A arte cerâmica é de caráter contemplativo e utilitário, representando aspectos do cotidiano, incluindo a religião e instituições sociais em geral .





A Barca dos Exus de Temba, Cândido Santos Xavier de Cachoeira, Bahia.
Foto disponível em:



Cândido Santos Xavier de Cachoeira, Bahia
Foto disponível em:



Cena da religião dos orixá.
Foto: Narcimária Luz



Maracatu de Manuel Eudócio do Alto do Moura

http://d.i.uol.com.br/diversao/2012/02/16/detalhe-de-trabalhos-artesanais-de-manuel-eudocio-artesao-de-alto-do-moura-declarado-patrimonio-vivo-do-pernambuco-mais-d




Seis pássaros três mães e três crianças 
Foto disponível em:
https://c1.staticflickr.com/4/3207/2715947792_6ce7991701_b.jpg



Leão de Mestre Nuca de Trucunhaém
Foto disponível em:
http://1.bp.blogspot.com/_oU81oOqBckE/TQbauitHx_I/AAAAAAAAASo/ynlwz2K2WgA/s1600/LEAO-MESTRE-NUCA+M+Boitata.jpg



Cenas do viver
Foto: Narcimária Luz


Comício
Foto: Narcimária Luz



Presépio
Foto: Narcimária Luz





Viajantes de caminhão
Foto: Narcimária Luz





Músicos do forró
Foto: Narcimária Luz



Boi cerâmica de Maragojipinho Ba.
Foto disponível em:
https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/236x/bd/00/34/bd0034adb9697957d1c054474cbc9887.jpg

OUTRAS ARTES

Bonecas de pano usando representações de trajes e paramentos dos orixá e ainda um Baba Egun.

Foto: Narcimária Luz


Foto: Narcimária Luz





                                                    COMPANHIA DE REIS





Foto disponível em:
http://www.museuafrobrasil.org.br/


A Companhia de Reis ou Folia de Reis ou ainda Reisado é uma forma de vinculação comunitária ou de reforço de laços comunitários espalhada por diversas regiões rurais do Brasil. Ela possui essa invariante mas muitas variáveis na composição das narrativas, nas músicas, nos versos, nas danças, nos personagens nas evoluções etc.
Vamos tomar como referência uma que acompanhei no interior de S. Paulo, região de Santa Rosa.
O líder da Companhia guarda em sua moradia o presépio, e é aí que se reúnem os participantes músicos personagens e devotos para iniciarem as caminhadas para visitarem as famílias que possui o sinal da imagem do Sagrado Coração. Durante o ciclo natalino até o dia dos reis procedem as visitas e caminhadas.
Essas famílias já têm uma vinculação proporcionada pela lida de plantio e colheita na forma de mutirões.
Nas visitas a Companhia se apresenta e pede licença a família reunida. A família faz agradecimentos e pedidos envolvidos pelas cantigas sagradas. Depois se faz oferendas de alimentos para serem também usados na grande confraternização a 6 de janeiro dia de Reis em frente ao presépio, quando se reforçam os laços de sociabilidade.
Os reis homenageados principalmente Balthazar que representa o continente africano nas comemorações natalinas é uma forma sublimada dos participantes atualizarem o vínculo histórico com os reinos originários de seus ancestrais.





Foto: Narcimária Luz



Foto disponível em:



Foto disponível em:

http://www.acessa.com/cidade/arquivo/jfhoje/2008/01/05-folia/



Foto disponível em:
http://digitalizacao.fundaj.gov.br/fundaj2/files/i/2045/2-KR_0355.jpg

                             CAVALHADAS



                              Foto disponível em:


As cavalhadas são auto coreográficos que dramatizam a guerra das cruzadas entre cristãos e mouros que ocorre durante as festas do Divino, com personagens da nobreza tanto dos cristãos quanto dos muçulmanos. Os muçulmanos conquistaram e ocuparam a Península Ibérica por quase 800 anos do século VIII ao XV.  O auto coreográfico equestre rememora a retomada pelos cristãos.
Os cristãos com rei, rainha e outros personagens da côrte  vestem trajes a adornam-se de cor azul inclusive as montarias. O mesmo acontece com os mouros porém com a cor vermelha.
Esse festival acontece no centro-oeste e na região sul do Brasil e evoluem em locais fechados como nos espaços das exposições agropecuárias. O festival mais conhecido é o da cidade de Pirinópolis em Goiás.
Outros personagens que integram a comemoração representam o povo que margeia  a cavalhada apresentando-se na cidade fazendo uma paródia e uma meta linguagem anárquica do evento.
Esses personagens se apresentam com máscaras adornadas de figuras de boi, onça e outros animais. As vestimentas são de cores variadas e também cobrem as montarias. Se divertem em reuniões de confraternização e comemoração pelas ruas da cidade.



Mascarado cavaleiro e cavalo adornado

Foto disponível em:
http://digitalizacao.fundaj.gov.br/fundaj2/files/i/2045/2-K





Máscaras sorridentes
Foto disponível em http://mundografico.emol.cl/



                                                          BUMBA MEU BOI




Povo Dinka da região do Sudão
Foto disponível em:


As relações entre a humanidade e o boi atravessam os tempos antigos, desde que o caçador foi sobreposto pelo domesticador de animais estabelecendo um novo patamar nas origens das civilizações.



Povo Massai região de Kenia
Foto disponivel em
http://3.bp.blogspot.com/_lrnheGDims4/S28fdkZbxBI/AAAAAAAAD10/2Fxe7oWx3MU/s400/masai_herdsman-web.jpg

A diferença entre  os sexos, masculino e feminino sempre foi índice das formas de organização social caracterizando divisão de poderes e funções.
O mistério feminino encontra na gestação o ápice de seu poder. Seu corpo é capaz de gestar filhos e alimento ao nascituro garantindo a continuidade do grupo social. E se até a cobra respeita a mulher grávida, é consenso geral que seus desejos devem ser atendidos em benefício da boa gestação e desenvolvimento do feto.
É nesse contexto que se processa a narrativa do Bumba Meu Boi.
Todos sabemos que dimensões oníricas que integram nossa constituição espiritual, inconsciente emergem como desejo durante a gravidez.


O casal Catirina e Mateus
Foto disponível na Internet

Catirina mulher do vaqueiro Mateus está grávida. E então tem o desejo louco e compulsivo de comer língua de boi. Mas deseja a língua de um boi. O boi mais admirado e predileto do rebanho.




Boi no Museu Afro Brasil
Foto: Maurício Luz



Bois no Museu Afro Brasil
Foto Maurício Luz

Mateus que cuidava do gado, diante do mistério e poder da mulher grávida resolve atender ao pedido. Mata o boi e entrega a língua.
A situação gera grande desconforto, principalmente ao dono do boi.
Mateus e Catirina então resolvem se refugiar se retirando do lugar.
São procurados sem sucesso pelos vaqueiros.



Vaqueiros de Fita

Foto disponível em
http://lh4.ggpht.com/-22hHvgr2h64/U8nMnBLuFpI/AAAAAAAAQBU/5bHTRc2rDhU/P1150414_thumb%25255B6%25255D.jpg?imgmax=800

Todavia eles se vêm diante dos espíritos ancestrais da floresta que exigem a reparação de uma ordem natural transgredida e que constituía o equilíbrio social e do rebanho bovino.




Kazumba, espíritos ancestrais
Foto disponível em:
files.wordpress.com/2012/06/cazumbas.jpg



Kazumba espírito da floresta
Foto disponível em:
http://scontent.cdninstagram.com/

Os Kazumba são personagens que caracterizam esse espaço sagrado na representação do Boi Bumba.
Mateus e Catirina resolvem então voltar e tentar com a comunidade reunida apelarem para tudo e a todos pela ressurreição do boi.


Caciques
Foto disponível em:
http://static.wixstatic.com



Jovens Índias e Índios
Foto disponível em:
http://1.bp.blogspot.com/_jGF2u3XqVVU/TBUtbmej8bI/AAAAAAAADs8/EbNZzJ5MRJg/s400/boi-de-morros.jpg

 É com o apoio dos índios "os donos da terra" com seu corpo social,seus elementos signos de vitalidade,fertilidade  e com a força espiritual do pajé e outros curandeiros é que Mateus e Catirina  conseguem dar vida ao boi que enfim ressurge com tamanho ímpeto vital.


Pajé

Foto disponível em:


Boi Magnifico
Foto disponível em:
http://www.sarandeiros.com.br

Nesse momento que acontece o ápice da dramatização com as evoluções coreográficas do magnífico boi e o vaqueiro.
O Bumba Meu boi além dos efeitos estéticos de toda trama musicada, dançada com harmonia graça e sofisticação exige para tanto muita energia dos participantes cada qual com suas funções no preparo e na execução da trama obedecendo às hierarquias.




Os homens fabricam, cuidam, e tocam os instrumentos de percussão.

http://wikidanca.net/wiki/images/a/a2/Instrumentos_boi.jpg



Sra. Tânia Soares renomada bordadeira





Os mais antigos com o apito orientam a movimentação da trama

O Bumba meu Boi acontece principalmente  na cidade de S. Luiz do Maranhão e seus arredores durante o ciclo junino. Nessa época a cidade se transforma .
Os grupos são classificados em sotaques pelas referências a sua forma de percussão e ritmo trajes e evoluções.
O mais tradicional é o sotaque de Zabumba da cidade de Guimarães. A zabumba é o instrumento principal.
O sotaque de Matraca ou da ilha de S. Luiz usa pandeirões e matracas.
O sotaque da Baixada ou Pindaré que usa pandeiros e matracas.
O sotaque  de orquestra de Rosário ou Axixá que se afasta da tradição e usa zabumba, tarol, banjo, saxofone, trompete, trombone e clarineta.















































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