PARCERIA ACRA E PRODESE



A iniciativa deste blog é da equipe de professores/as pesquisadores/as do PRODESE-Programa Descolonização e Educação,criado em 1998 e coordenado pela Professora Doutora Narcimária Correia do Patrocínio Luz.O PRODESE integra o Diretório de Grupos de Pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e está vinculado ao Departamento de Educação da Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Desde a sua criação, o Programa Descolonização e Educação desenvolve produções científico-acadêmicas que enfatizam o direito à alteridade civilizatória africano-brasileira, fomentando estudos e atividades de pesquisa, ensino e extensão, baseados numa ética que permita e promova a coexistência dos contínuos civilizatórios que caracterizam o Brasil e as Américas. Agrega estudiosos/as e pesquisadores/as que produzem participações criativas, com vistas a superar as perspectivas ideológicas neocoloniais que tendem a estruturar as políticas de educação no Brasil, além de elaborar e difundir conhecimentos referidos ao patrimônio civilizatório africano . O grupo tem na sua base de dados cerca de 45(quarenta e cinco) pesquisas desenvolvidas pelos seus membros,tornando-se referência nacional, inclusive compondo artigos,ensaios,livros e verbetes para enciclopédia.Vale destacar que muitos conceitos produzidos no âmbito do grupo, são referências semânticas consolidadas na área de Educação e Comunicação,contribuindo de modo significativo para a afirmação das tradições e valores das comunalidades da Bahia através de imagens e textos sobre o patrimônio africano-brasileiro. Na ACRA o PRODESE é responsável pelo projeto Dayó: afirmando a alegria socioexistencial em comunalidades africano-brasileiras,projeto que vem se destacando nacionalmente pelas diversas premiações e êxito na participação de editais na área cultural. O DAYÓ foi semifinalista da 8ª Edição do Prêmio ITAÚ UNICEF em 2009, e é um projeto socioeducativo importante no bairro de Itapuã envolvendo crianças,jovens e suas famílias.
VIVEMOS NOSSAS ALEGRIAS AQUI EM FRENTE A LAGOA DO ABAETÉ

domingo, 18 de dezembro de 2011

O CONTEXTO HISTÓRICO DA COMUNALIDADE AFRICANO-BRASILEIRA

Por Marco Aurélio Luz
INTRODUÇÃO

Escultura que integram o patrimônio do Ilê Asipá
Escultor Marco Aurélio Luz Elebogi

A intenção da presente comunicação é de chamar atenção e, lançar uma semente de um novo enfoque de análise contextual da realidade brasileira ou da formação social brasileira, no sentido de perceber o desenvolvimento das comunidades terreiro e sua atuação histórica no processo de nossa sociedade.
Este propósito, visa evidentemente, a uma ação de desrecalcamento, posto que em toda historiografia nacional de que temos conhecimento são raras as publicações sobre o assunto, o que sucede é quando menos o silêncio. Até aqui não só na historiografia oficial, eivada de europocentrismo, tem recalcado esse significativo aspecto da história do negro , não só a historiografia baseada no materialismo histórico e dialético, que se restringe em operar o evolucionismo eurocêntrico com as categorias de luta de classes e alienação, mas também a pequena historiografia do negro, que tem se detido na perspectiva do “fato histórico” e com isso voltada essencialmente para análise dos quilombos, ressaltando também a resistência político militar e econômica, e das insurreições negras, ou ainda revoltas onde o negro teve ampla participação.
Se no período da formação colonial-mercantil-escravagista o Estado estabeleceu no Brasil o estatuto jurídico do negro como escravo e, no âmbito do direito civil classificou-o como bem semovente, isto é, equiparando aos bois cavalos etc. como em geral por toda a América, o negro todavia nunca permitiu em toda a história aí enquadrar-se, mesmo sofrendo as piores repressões. Sua identidade negro-africana foi mantida e expandida nas Américas pela continuidade de seu processo civilizatório milenar, que implantou-se no “novo mundo” então nosso continente e, mais do que América Latina ou América Anglo- saxônica se caracteriza como AFRO-América.

Escultura que integram o patrimônio do Ilê Asipá
Escultor Marco Aurélio Luz Elebogi


Essa identidade afro- americana, ou negro- americana baseada nos valores, linguagens e instituições do processo civilizatório dá continuidade a um sistema cultural que tem nas comunidades- terreiro o centro de irradiação e expansão. É aí que se concentram os valores mais profundos da cultura negra, ou seja no que se refere a seus aspectos cosmogônicos, filosóficos, científicos, estéticos, enfim uma sabedoria milenar contida em sua magnífica liturgia. É esse conjunto que estrutura e alimenta a identidade e com ela as formas de comportamento social e individual.
Tão importante é o desenvolvimento e expansão das comunidades terreiros na formação histórica americana que nessa dinâmica o silêncio e a deformação historiográfica fala censurando e recalcando a presença de um processo civilizatório que caracteriza a nação brasileira. Ir de encontro à fala desse silêncio é o que nos propomos, dando esse pequeno passo.
Inicialmente queremos destacar que no âmbito do continente civilizatório das tradições negro-africanas a história é compreendida de forma diferente da cultura européia.
Nas nossas tradições africano-brasileiras é no seio das comunidades terreiros que a memória coletiva é guardada e cultivada. Não só pelas regras e pela ética da preservação dos valores e linguagem da tradição mas também pela ancianidade medida pela continuidade das iniciações constituintes das hierarquias, coluna mestra da sociabilidade comunitária.


Escultura que integram o patrimônio do Ilê Asipá
Escultor Marco Aurélio Luz Elebogi

A ancestralidade é decorrente desses valores . Os ancestrais são cultuados para manter a tradição e com isso cuidar dos integrantes do egbe, a sociedade dos participantes da tradição.
A memória mais significativa que constitui a história comunitária está então desenvolvida por esse contexto.
O melhor exemplo dessa história escrita na atualidade é o livro HISTÓRIA DE UM TERREIRO NAGÔ de Deoscoredes M. dos Santos o Mestre Didi.
Agora temos a honra de divulgarmos o trabalho de seu neto José Felix dos Santos que se constitui no mesmo território epistemológico , na mesma bacia semântica, no solo da tradição.

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